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	<title>aliviar Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Fim da escala 6&#215;1: proposta pode aliviar dupla jornada das mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 15:28:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O governo federal defende o debate público com a sociedade – trabalhadores, empregadores, pequenos empreendedores – e com o Congresso Nacional sobre a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil, junto com o fim da escala de seis dias de trabalho a cada um de descanso, a escala 6&#215;1. A intenção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governo federal defende o debate público com a sociedade – trabalhadores, empregadores, pequenos empreendedores – e com o Congresso Nacional sobre a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil, junto com o fim da escala de seis dias de trabalho a cada um de descanso, a escala 6&#215;1.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Fim-da-escala-6x1-proposta-pode-aliviar-dupla-jornada-das.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>A intenção ao revisar o modelo de trabalho e chegar à jornada de cinco dias de trabalho a cada dois de folga (5&#215;2) é dar mais qualidade de vida à população, com aumento do tempo de descanso e lazer dos trabalhadores.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Fim-da-escala-6x1-proposta-pode-aliviar-dupla-jornada-das.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 05/03/2026 - A cobradora Denise Ulisses dá entrevista à Agência Brasil sobre o impacto da escala de trabalho 6x1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil" title="Marcelo Camargo/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">Denise Ulisses faz planos para quando trabalhar seguindo a escala 5&#215;2 &#8211; Marcelo Camargo/Agência Brasil</h6>
</p>
<p>A cobradora de ônibus do Distrito Federal, Denise Ulisses, de 46 anos, conhece bem a realidade dura do 6&#215;1. Há 15 anos, ela trabalha seis horas corridas por dia de segunda-feira a sábado e folga somente aos domingos.</p>
<p>Se por um lado, Denise se divide entre o itinerário repetitivo do transporte coletivo, liberação da catraca e conferência do troco aos passageiros, a outra parte da vida dela é ocupada pelas tarefas de casa e o acompanhamento dos dois filhos, atualmente, com 18 e 22 anos. “Quando as crianças eram pequenas, foi bem pesado.”</p>
<p>Denise Ulisses faz planos para quando tiver mais tempo livre, caso a redução da jornada 6&#215;1 passe no Congresso Nacional.</p>
<p>“Eu sairia na sexta-feira à noite para o sítio e só voltaria no domingo à noite. Então, este seria um tempo bom de folga: dois dias.”</p>
<h2>Peso da dupla jornada</h2>
<p>A pauta do fim da escala 6&#215;1 é considerada prioritária pelo governo federal. Desde 2025, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, explica que carga de trabalho da escala 6&#215;1 recai, principalmente, sobre os ombros das mulheres devido à dupla jornada, ou seja, para aquelas que trabalham para ganhar dinheiro, mas que também são responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado.</p>
<p>O entendimento é confirmado pelos dados de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram as mulheres dedicadas, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.</p>
<p>A diferença de 9,6 horas semanais evidencia quase o dobro do tempo de dedicação feminina. Quando consideradas somente as mulheres pretas e pardas, o trabalho doméstico não remunerado é 1,6 hora a mais por semana, se comparado ao de mulheres brancas.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1772983682_386_Fim-da-escala-6x1-proposta-pode-aliviar-dupla-jornada-das.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 06/03/2026 - Entrevista com a secretária nacional de Articulação Institucional do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil" title="Valter Campanato/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">Sandra Kennedy aponta a redução da escala como um passo para reduzir a jornada de trabalho feminina- Valter Campanato/Agência Brasil</h6>
</p>
<p>A secretária Nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, explica que a primeira questão a ser enfrentada para reduzir a sobrecarga das mulheres com a dupla jornada é estrutural: a sociedade precisa rever a desigualdade de gênero.</p>
<p>“Na soma entre o trabalho doméstico e o trabalho formal, nós trabalhamos muito mais do que os homens”, destaca Sandra.</p>
<p>Para a representante do Ministério das Mulheres, o fim da jornada máxima 6&#215;1 pode impactar positivamente na divisão de tarefas em casa.</p>
<p>“O cuidado tem que ser compartilhado entre homens e mulheres. Isso não é uma questão só cultural. É também de os homens terem mais tempo em casa para compartilharem o cuidado.”</p>
<p>A secretária entende que as mulheres estão adoecendo mais por serem afetadas pela dupla jornada.</p>
<p>“A gente tem menos tempo para estudar, para se qualificar, tem muito menos tempo para conciliar o trabalho pessoal com o trabalho social. O adoecimento é evidente.”</p>
<h2>Tempo e dinheiro</h2>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1772983682_164_Fim-da-escala-6x1-proposta-pode-aliviar-dupla-jornada-das.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 05/03/2026 - A auxiliar de serviços gerais Tiffane Raany dá entrevista à Agência Brasil sobre o impacto da escala de trabalho 6x1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil" title="Marcelo Camargo/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">Tiffane Raany sente falta de ter mais tempo para o filho &#8211; Marcelo Camargo/Agência Brasil</h6>
</p>
<p>A jovem Tiffane Raane sente no corpo e no bolso o excesso de trabalho. Contratada como auxiliar de serviços gerais em uma rede de academias do Distrito Federal, ela trabalha das 7h às 18h, com uma hora de almoço, de segunda a sexta-feira, e se somam ao dia a dia o sábado ou o domingo alternadamente a cada semana. No tempo fora do emprego, Tiffane se desdobra nos cuidados com a casa e com o filho de 7 anos.</p>
<p>“Eu pago R$ 350 por mês a uma cuidadora para ficar com meu filho no tempo em que está fora da escola. Ele sente mais falta por eu não conseguir ajudá-lo todos os dias nas atividades escolares. Eu chego tarde do trabalho. Estou cansada e ele também.”</p>
<p>Com a rotina, Tiffane Raane tem adiado o desejo de retomar a faculdade de educação física para tentar alcançar uma melhor remuneração. O curso foi trancado no quarto semestre.</p>
<h2>Articulação de mulheres</h2>
<p>Na quinta-feira (5), a Articulação Nacional de 8 de Março – apoiada por mais de 300 organizações de movimentos sociais do Brasil em defesa dos direitos das mulheres – entregou ao Ministério das Mulheres o <em>Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado 2026: Pela vida das mulheres: contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6&#215;1</em>. (foto em destaque)</p>
<p>O documento explica o que motiva a luta.</p>
<p>“Esse modelo rouba o tempo, adoece corpos e aprofunda desigualdades. Defender o fim da escala 6×1 é defender o direito de viver com dignidade, enfrentando a lógica neoliberal que transforma a vida em mercadoria.”</p>
<p>O manifesto foi elaborado a partir das decisões da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em 2025, na capital federal.</p>
<h2>Aprovação popular</h2>
<p>Uma pesquisa de opinião da Nexus (janeiro/fevereiro de 2026) revela que cerca de 84% dos brasileiros defendem ao menos dois dias de descanso semanal. O levantamento aponta ainda que 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6&#215;1, desde que os salários sejam mantidos.</p>
<p>A opinião de Jeisiane Magalhães Faria reforça as estatísticas. Há cinco anos, ela é balconista de uma farmácia no Plano Piloto, em Brasília, e trabalha na escala 6&#215;1. Jeisinane relembra que já perdeu a conta de quantos eventos familiares não esteve presente devido ao emprego. </p>
<p>A balconista faz graduação em farmácia e gostaria de ter mais tempo para se dedicar aos estudos e a outros aspectos de sua vida. </p>
<p>O descanso, para Jeisiane, longe de ser uma perda de tempo, pode gerar um impacto positivo também no rendimento laboral. “Você pode trabalhar melhor, porque tem dias que realmente é cansativo devido, por exemplo, ao transtorno de passar muito tempo no ônibus lotado para vir trabalhar.”</p>
<h2>Embate econômico</h2>
<p>Apesar do apoio popular, setores da indústria e do comércio contestam a ideia e projetam consequências negativas em caso de aprovação do fim da jornada 6&#215;1.</p>
<p>A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode aumentar o custo empresarial em até R$ 267 bilhões ao ano, com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. E vai além, “caso as horas não sejam repostas, a redução do limite semanal [de horas trabalhadas] resultará em queda da atividade econômica”, diz a CNI.</p>
<p>Outro estudo apresentado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) explica os efeitos da redução da jornada de trabalho podem impactar na preservação de 631 mil empregos formais e na competitividade.</p>
<p>Segundo a entidade, a diminuição do limite constitucional atual (44 horas semanais) para 40 horas de trabalho, com o fim da escala 6×1, pode elevar o preço dos produtos consumidos pela população em até 13%. Outra conclusão do estudo é que a mudança na legislação resultará na elevação de custos na ordem de R$ 122,4 bilhões por ano, no comércio. A CNC defende que as possíveis alterações sejam feitas a partir de negociação coletiva.</p>
<h2>Bem-estar social</h2>
<p>A secretária do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, contesta os posicionamentos dos empregadores e destaca que, ao longo da história, as trabalhadoras e os trabalhadores sempre enfrentaram esse tipo de argumento quando querem melhorar as vidas.</p>
<p>“Imagine quando tínhamos as cargas horárias de 12, 14, 16 horas. Obviamente que quem representa os interesses do capital no Congresso usa uma narrativa que é uma falácia, quando associa a melhor qualidade de vida do trabalhador ao aumento do desemprego.”</p>
<p>O estudo <em>O Brasil está pronto para trabalhar menos: a PEC da redução da jornada e o fim da escala 6&#215;1</em>, do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp) , respalda o entendimento da secretária.</p>
<p>A pesquisa projeta um cenário distinto dos dimensionados pela CNC e pela CNI. Com base na PNAD Contínua do IBGE, caso o fim da escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso Nacional, pelo menos 37% dos trabalhadores brasileiros serão afetados beneficamente.</p>
<p>A pesquisadora do Cesit/Unicamp, a economista Marilane Teixeira, estima que a mudança pode gerar 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade no país.</p>
<h2>Tramitação no Legislativo</h2>
<p>Atualmente a questão está em debate na Câmara dos Deputados. Em fevereiro deste ano, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, o tema deve seguir para uma comissão especial. Motta considera viável a votação da proposta em maio pelo plenário da Câmara.</p>
<p>O governo federal tem pressa. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, já afirmou que o Executivo poderá enviar um projeto de lei com urgência para o Congresso Nacional, para unificar as diversas propostas que já tramitam no parlamento, caso as discussões que tratam do tema não caminhem na “velocidade desejada”.</p>
<h2>Mobilização e política</h2>
<p>Uma petição pública online  criada em setembro de 2023 pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e endereçada ao Congresso Nacional, ganhou repercussão nacional ao pedir um modelo mais flexível de trabalho.</p>
<p>O texto sugere a reavaliação das práticas de trabalho que afetam a saúde e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Trabalhadores saudáveis e satisfeitos são mais produtivos e contribuem para o desenvolvimento sustentável do país”, diz o documento. O abaixo-assinado conta com quase 3 milhões de assinaturas.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-03/fim-da-escala-6x1-proposta-pode-aliviar-dupla-jornada-das-mulheres" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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