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	<title>Angel Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>Angel Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>UFRJ dá diploma 55 anos depois da morte de Stuart Angel</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/ufrj-da-diploma-55-anos-depois-da-morte-de-stuart-angel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 22:31:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stuart Angel, membro do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), que lutou contra a ditadura militar no Brasil e, por isso, foi sequestrado, preso, torturado, assassinado e dado como desaparecido político em 1971, aos 25 anos, finalmente, recebeu a conclusão do seu curso, 55 anos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stuart Angel, membro do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), que lutou contra a ditadura militar no Brasil e, por isso, foi sequestrado, preso, torturado, assassinado e dado como desaparecido político em 1971, aos 25 anos, finalmente, recebeu a conclusão do seu curso, 55 anos após ter sua trajetória interrompida pelos seus torturadores.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/UFRJ-da-diploma-55-anos-depois-da-morte-de-Stuart.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Nesta terça-feira (7), a UFRJ, onde cursava economia, realizou uma cerimônia no Salão Dourado da universidade, na Avenida Pasteur, Praia Vermelha, zona sul do Rio, para conceder o diploma de bacharelado em ciências econômicas a Stuart Edgard Angel Jones.</p>
<p>Até chegar à diplomação póstuma foi um caminho longo que a jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, e o economista formado no fim do ano passado, Lucas Duda, ex-membro e ex-diretor do Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA), do Instituto de Economia da UFRJ, levaram à diante para entregar o pedido ao reitor Roberto Medronho.</p>
<p>Lucas contou que a história começou quando Hildegard e Samuel Reis, amigo de Stuart, procuraram o Centro Acadêmico para que fosse feita uma homenagem aos 54 anos de morte, o que ocorreu no dia 14 de maio do ano passado, na presença de amigos, alunos e pessoas da família.</p>
<p>Segundo Lucas, foi ali que fez a promessa de se empenhar para que a diplomação ocorresse, inclusive a outros companheiros de Stuart da época e de Sônia Moraes, mulher de Stuart, também torturada e morta na ditadura.</p>
<p>“Um tipo de reparação histórica do Estado que tirou a vida do Stuart e agora entrega uma profissão para ele entre aspas”,  falou à Agência Brasil.</p>
<p>“Nosso compromisso geral é manter vivo o legado do Stuart para que nos próximos 55 anos, a gente continue lembrando da história dele e o que ele representa para a história do nosso país e tentar motivar as pessoas e os alunos, principalmente os calouros, os mais novos que estão entrando agora”, completou.</p>
<p>Hildegard Angel classificou a diplomação póstuma como pitada de vitória de todos que lutaram contra a ditadura. “São várias pitadas de vitórias e essa é uma pitada bem substancial ao longo desse ativismo para manter viva a memória brasileira dos nossos heróis da resistência, dos que lutaram, e ainda se dedicaram e dos que deram suas vidas pela liberdade de você poder falar, pensar e agir. Ter projetos para o nosso país e querer uma sociedade mais justa sem essas enormes agudas diferenças sociais”, disse em entrevista à Agência Brasil.</p>
<p>Hilde, como é chamada carinhosamente, disse que ninguém dá a sua vida sem uma forte motivação. “Essa motivação é tão importante e bonita que mesmo tantos anos depois ela me emociona, porque não é comum, não é usual, causa até estranhamento nos contemporâneos que não conseguem entender como um jovem e tantos outros jovens e também velhos se arriscaram e não se deixaram anular pelo medo”, analisou.</p>
<p>Ainda emocionada, a jornalista lembrou que a ditadura encerrou a vida de três pessoas da sua família. Além de Stuart, a mãe a estilista Zuzu Angel foi assassinada depois de fazer inúmeras denúncias sobre a morte e desaparecimento do filho, e ainda a cunhada Sônia.</p>
<p>“Outras famílias tiveram mais perdas. Isso tem que ser enaltecido porque um país sem heróis não existe. Precisa da motivação dos seus heróis mortos, precisa ter essas referências para ser grande no sentido de nação”, afirmou.</p>
<p>“Stuart Angel de certa forma representou para muitos e representa aquele período e aquele martírio como se ele tivesse se ofertado para a imolação. Isso é muito forte e não pode ser omitido da nossa história e apagado. Tem que ser mostrado com sua fisionomia verdadeira”, disse.</p>
<p>Para Hildegard, a diplomação é também representativa para a dedicação de sua mãe Zuzu Angel, que por anos buscou o corpo do filho ainda não encontrado.</p>
<p>“Ela [a diplomação] mostra a consistência da luta de Zuzu Angel. Resgata esse desejo maternal de proteção aos filhos. Ela foi a essência da missão da maternidade de exigir o corpo de seu filho, já que a morte era confirmada”, concluiu.</p>
<p>O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, disse que além de uma forma de reparação, a diplomação de Stuart, que entregou a sua juventude lutando pela liberdade democrática do Brasil, é uma parte de memória para os atuais 70 mil alunos de graduação e pós-graduação e serão a futura elite intelectual do país.</p>
<p>“É uma forma de lembrar que vivemos este tempo terrível, que não pode mais retornar. Os jovens têm a responsabilidade de não permitir que voltemos a um período tão obscuro da nossa sociedade”, explicou em entrevista à Agência Brasil.</p>
<p>De acordo com a UFRJ, o atestado de óbito de Stuart Angel foi retificado em 2019 pelo Estado brasileiro. “O documento passou a registrar oficialmente que sua morte foi violenta e causada pelo Estado, no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964”.</p>
<h2>Outras diplomações</h2>
<p>Além de Stuart, a UFRJ vai homenagear 25 alunos desaparecidos ou mortos pela ditadura e que estudavam em diferentes escolas da universidade. A data da cerimônia ainda não foi marcada, mas o coordenador da Comissão de Memória e Verdade da UFRJ, professor emérito José Sérgio Leite Lopes, que está à frente do processo, acredita que pode ser em agosto, porque antes é preciso concluir os trâmites burocráticos da instituição.</p>
<p>O professor informou que três dos que estão na lista, já tinham diploma: Lincoln Bicalho Roque, era docente do IFCS (Ciências Sociais) da UFRJ quando foi morto; Raul Amaro Nin, já diplomado pela PUC-RJ, recém pesquisador na Engenharia da UFRJ; e Solange Loureiro Gomes, graduada na Medicina da UFRJ.</p>
<p>“Ela se suicidou por sequelas da prisão e das torturas que sofreu”, disse o professor, acrescentando que ainda está sendo definido, mas é possível que recebam uma medalha póstuma, porque já eram diplomados.</p>
<p>A identificação dos alunos foi feita com base no volume 3 do relatório da Comissão Nacional da Verdade, que tem uma lista de mais de 400 mortos e desaparecidos de diversas atividades comprovados pela CNV, entre eles, trabalhadores rurais.</p>
<p class="rteindent1">“Nós nos baseamos nas minibiografias que estão na lista da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que por sua vez já aproveitou a pesquisa pela comissão de mortos e desaparecidos políticos que é uma comissão anterior desde os anos 90 e a CNV foi em 2014”, informou.</p>
<p>Lista de mortos e desaparecidos em ordem alfabética que também vão ser diplomados:</p>
<p>Adriano Fonseca Fernandes Filho,<br />Ana Maria Nacinovic,<br />Antônio de Pádua Costa,<br />Antônio Teodoro de Castro,<br />Antônio Sérgio de Matos,<br />Arildo Airton Valadão,<br />Áurea Eliza Pereira Valadão,<br />Ciro Flávio Salazar e Oliveira,<br />Fernando Augusto da Fonseca,<br />Flávio Carvalho Molina,<br />Frederico Eduardo Mayr,<br />Guilherme Gomes Lund,<br />Hélio Luiz Navarro,<br />Jana Moroni Barroso,<br />José Roberto Spiegner,<br />Kleber Lemos da Silva,<br />Lincoln Bicalho Roque,<br />Luiz Alberto Andrade de Sá e Benevides,<br />Maria Célia Corrêa,<br />Maria Regina Lobo Leite Figueiredo,<br />Mário de Souza Prata,<br />Paulo Costa Ribeiro Bastos,<br />Raul Amaro Nin Ferreira,<br />Solange Lourenço Gomes<br />Sonia Maria Lopes de Moraes</p>
<p> </p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-07/ufrj-da-diploma-55-anos-depois-da-morte-de-stuart-angel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Morta há 50 anos, Zuzu Angel usou a maternidade como arma política</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/morta-ha-50-anos-zuzu-angel-usou-a-maternidade-como-arma-politica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 12:34:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há 50 anos, a estilista Zuzu Angel dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, quando outro veículo veio ao seu encontro. Ela foi empurrada contra a proteção de um viaduto e despencou de um barranco. O atentado, forjado como acidente, silenciou uma das vozes mais ativas contra a ditadura militar brasileira. Zuzu tinha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há 50 anos, a estilista Zuzu Angel dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, quando outro veículo veio ao seu encontro. Ela foi empurrada contra a proteção de um viaduto e despencou de um barranco. O atentado, forjado como acidente, silenciou uma das vozes mais ativas contra a ditadura militar brasileira.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Morta-ha-50-anos-Zuzu-Angel-usou-a-maternidade-como.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Zuzu tinha 53 anos quando foi assassinada. Ela era mãe de Stuart Edgard Angel, militante da organização revolucionária MR8, que pegou em armas para combater a ditadura. Em 1971, Stuart foi preso, torturado e morto nas dependências do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa). Durante cinco anos, a estilista buscou pelo filho e denunciou publicamente o regime.<br /> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Zuzu-Angel-quando-a-maternidade-virou-arma-politica-contra-a.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Acidente de carro com a estilista Zuzu Angel (Divulgação/Comissão Nacional da Verdade)" title="Arquivo O Globo"/></p>
<p>Acidente de carro com a estilista Zuzu Angel (Divulgação/Comissão Nacional da Verdade) &#8211; Arquivo O Globo</p>
<p>Segundo a historiadora Cristina Scheibe Wolff, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a jornada de Zuzu faz parte de um movimento amplo de mães que transformaram a dor em ação durante as ditaduras da América do Sul. As Mães da Praça de Maio, na Argentina, são um dos exemplos mais emblemáticos.</p>
<p>A maternidade foi mobilizada como linguagem política para sensibilizar a opinião pública e expor a violência dos regimes.</p>
<p>“Essa estratégia dialogava com padrões de gênero da época que eram aceitos por muitos, inclusive pelos próprios agentes da ditadura. As mulheres eram pensadas a partir do lugar da maternidade. Então, mães de desaparecidos apresentavam uma imagem mais humanizada de pessoas que a ditadura considerava bandidas e terroristas”, diz a historiadora.</p>
<p>“Esse tipo de movimento acabou sendo muito importante para enfraquecer as ditaduras na América do Sul. Tornava-as menos simpáticas para o grande público. Acabou sendo mais efetivo do que a luta armada, porque essa acabou vencida e praticamente desapareceu no Brasil na década de 1970. Movimentos de familiares chamaram a atenção para o lado perverso da ditadura militar”, completa.</p>
<h2>Gênero e luta</h2>
<p>Segundo a historiadora, o gênero não era um aspecto secundário, mas elemento central na forma como a resistência foi construída e comunicada no Cone Sul (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia) entre as décadas de 1960 e 1970.</p>
<p>Enquanto organizações armadas estavam envolvidas em discursos associados à masculinidade, valorizando coragem, força, ação e sacrifício, entre os movimentos de direitos humanos e de familiares, o discurso era associado à feminilidade, mobilizando emoção, dor e sensibilidade.</p>
<p>No caso de Zuzu, as denúncias tiveram ainda mais alcance pela posição dela de estilista famosa, com articulações internacionais.</p>
<p>“Ela fez um trabalho de sensibilização falando do filho com aquele carinho maternal e teve solidariedade de outras mães que estavam em situações semelhantes”, recorda Hildegard Angel, jornalista e filha de Zuzu.</p>
<p>“Era um destemor muito atípico na época, porque o que a gente presenciava era o silêncio submisso e amedrontado de muita gente. Ela começou a denunciar a morte do Stuart ainda no governo do [Emílio Garrastazu] Médici e continuou o seu ativismo durante o governo do [Ernesto] Geisel. Desafiou dois governos totalitários. E pagou um preço por isso”, completa.</p>
<h2>Luta de Zuzu</h2>
<p>Zuleika de Souza Netto nasceu na cidade mineira de Curvelo em 1921. Foi morar em 1939 no Rio de Janeiro, onde trabalhava como costureira. Na cidade, casou-se com o estadunidense Norman Angel Jones. Entre os anos de 1940 e 1970, construiu a carreira como estilista. Misturava elementos da cultura brasileira &#8211; como rendas, bordados e pedrarias &#8211; ao vestuário de modelagem simples e contemporâneo. As criações tiveram alcance internacional.</p>
<p>O filho mais velho, Stuart Angel, era estudante de economia e ingressou na resistência armada contra a ditadura militar no fim dos anos 1960. Depois do desaparecimento de Stuart, Zuzu levou a denúncia além das fronteiras do país. Buscou apoio nos Estados Unidos e em organismos internacionais. A estratégia ajudou a dar visibilidade maior às violações de direitos humanos no Brasil, em momento de censura interna forte.</p>
<p>Um desses contatos frequentes era com o então secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger. Ela também mobilizou jornalistas estrangeiros para dar entrevistas e expor o desaparecimento do filho.</p>
<p>Uma marca da luta de Zuzu foi o uso da moda como forma de protesto. Ela passou a inserir símbolos de denúncia em suas coleções, com referências à violência e à repressão, transformando desfiles em manifestações políticas.</p>
<p>Bordados com anjos feridos, figuras de crianças mortas, tanques de guerra e pássaros em gaiolas foram usados como metáforas visuais da repressão e do luto. Trilha sonora e cenografia reforçavam o tom fúnebre e crítico.</p>
<p>Zuzu recebeu cartas com ameaças e avisou aos amigos que, caso aparecesse morta, teria sido vítima dos mesmos assassinos do filho.</p>
<p>“Naquela época, desafiar o sistema era considerado uma loucura, porque era quando você desafiava sua própria sobrevivência. Perto do ateliê dela, às vezes, parava uma patrulhinha e ela confrontava os agentes. Dizia: ‘Não tenho medo de vocês. Sei que estão me seguindo, mas já tiraram meu filho e não trarão ele de volta’”, lembra Hildegard.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Morta-ha-50-anos-Zuzu-Angel-usou-a-maternidade-como.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ) -  Família de Stuart Angel vai periciar suposto documento sobre tortura. Carta-confissão de militar de 1976 tem autenticidade questionada por especialistas. Foto: TV Brasil/Reprodução" title="TV Brasil/Reprodução"/></p>
<p>Hildegard Angel, jornalista e filha de Zuzu. Foto: TV Brasil/Reprodução</p>
<p>“Essa luta foi gerando um ódio muito grande nos militares. Como aquela mulher tinha coragem de desafiar o regime e sair nas matérias dos jornais?”, acrescenta.</p>
<p>Durante décadas, a versão oficial da morte de Zuzu foi a de acidente. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade, depois de um processo de investigação, que envolveu o depoimento de um ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), confirmou o assassinato.</p>
<p>No fim do ano passado, a família recebeu do Estado brasileiro uma certidão de óbito retificada, em que a causa da morte é descrita como violenta e causada pelo próprio Estado.</p>
<h2>Legado</h2>
<p>Décadas após sua morte, Zuzu Angel segue como símbolo de luta. Para a historiadora Cristina Scheibe, a trajetória da estilista amplia a compreensão sobre como enfrentar poderes autoritários.</p>
<p>“Ela deixou um legado de combate à ditadura. Mostrou que resistência se faz de múltiplas formas, não só de uma forma convencional. Pode ser política, pode ser feita com armas, mas também pode acontecer por meio da arte e da cultura. E isso serve de lição para os dias de hoje: entender que há outras possibilidades de luta”, analisa.</p>
<p>O legado também se traduz em reconhecimento institucional e na preservação da memória, diz Hildegard.</p>
<p>“Acumulamos uma série de conquistas ao longo desses anos. Conseguimos mudar o nome de um túnel [no Rio de Janeiro] para Zuzu Angel, conseguimos que ela fosse a primeira heroína contemporânea do livro dos heróis e heroínas da pátria. Foram muitas homenagens, medalhas, troféus. Fizemos o primeiro curso superior de moda no estado do Rio de Janeiro e a Casa Zuzu Angel/ Museu da Moda. São alguns exemplos”, enumera a jornalista.</p>
<p>“É um processo contínuo, porque o trabalho dela nunca parou. Ela morreu, mas o legado permanece. A luta da Zuzu frutificou”.</p>
<p> </p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-04/morta-ha-50-anos-zuzu-angel-usou-a-maternidade-como-arma-politica" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Zuzu Angel: quando a maternidade virou arma política contra a ditadura</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/zuzu-angel-quando-a-maternidade-virou-arma-politica-contra-a-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 11:45:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há 50 anos, a estilista Zuzu Angel dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, quando outro veículo veio ao seu encontro. Ela foi empurrada contra a proteção de um viaduto e despencou de um barranco. O atentado, forjado como acidente, silenciou uma das vozes mais ativas contra a ditadura militar brasileira. Zuzu tinha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há 50 anos, a estilista Zuzu Angel dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, quando outro veículo veio ao seu encontro. Ela foi empurrada contra a proteção de um viaduto e despencou de um barranco. O atentado, forjado como acidente, silenciou uma das vozes mais ativas contra a ditadura militar brasileira.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Zuzu-Angel-quando-a-maternidade-virou-arma-politica-contra-a.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Zuzu tinha 53 anos quando foi assassinada. Ela era mãe de Stuart Edgard Angel, militante da organização revolucionária MR8, que pegou em armas para combater a ditadura. Em 1971, Stuart foi preso, torturado e morto nas dependências do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa). Durante cinco anos, a estilista buscou pelo filho e denunciou publicamente o regime.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Zuzu-Angel-quando-a-maternidade-virou-arma-politica-contra-a.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Acidente de carro com a estilista Zuzu Angel (Divulgação/Comissão Nacional da Verdade)" title="Arquivo O Globo"/></p>
<p>Acidente de carro com a estilista Zuzu Angel (Divulgação/Comissão Nacional da Verdade) &#8211; Arquivo O Globo</p>
<p>Segundo a historiadora Cristina Scheibe Wolff, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a jornada de Zuzu faz parte de um movimento amplo de mães que transformaram a dor em ação durante as ditaduras da América do Sul. As Mães da Praça de Maio, na Argentina, são um dos exemplos mais emblemáticos.</p>
<p>A maternidade foi mobilizada como linguagem política para sensibilizar a opinião pública e expor a violência dos regimes.</p>
<p>“Essa estratégia dialogava com padrões de gênero da época que eram aceitos por muitos, inclusive pelos próprios agentes da ditadura. As mulheres eram pensadas a partir do lugar da maternidade. Então, mães de desaparecidos apresentavam uma imagem mais humanizada de pessoas que a ditadura considerava bandidas e terroristas”, diz a historiadora.</p>
<p>“Esse tipo de movimento acabou sendo muito importante para enfraquecer as ditaduras na América do Sul. Tornava-as menos simpáticas para o grande público. Acabou sendo mais efetivo do que a luta armada, porque essa acabou vencida e praticamente desapareceu no Brasil na década de 1970. Movimentos de familiares chamaram a atenção para o lado perverso da ditadura militar”, completa.</p>
<h2>Gênero e luta</h2>
<p>Segundo a historiadora, o gênero não era um aspecto secundário, mas elemento central na forma como a resistência foi construída e comunicada no Cone Sul (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia) entre as décadas de 1960 e 1970.</p>
<p>Enquanto organizações armadas estavam envolvidas em discursos associados à masculinidade, valorizando coragem, força, ação e sacrifício, entre os movimentos de direitos humanos e de familiares, o discurso era associado à feminilidade, mobilizando emoção, dor e sensibilidade.</p>
<p>No caso de Zuzu, as denúncias tiveram ainda mais alcance pela posição dela de estilista famosa, com articulações internacionais.</p>
<p>“Ela fez um trabalho de sensibilização falando do filho com aquele carinho maternal e teve solidariedade de outras mães que estavam em situações semelhantes”, recorda Hildegard Angel, jornalista e filha de Zuzu.</p>
<p>“Era um destemor muito atípico na época, porque o que a gente presenciava era o silêncio submisso e amedrontado de muita gente. Ela começou a denunciar a morte do Stuart ainda no governo do [Emílio Garrastazu] Médici e continuou o seu ativismo durante o governo do [Ernesto] Geisel. Desafiou dois governos totalitários. E pagou um preço por isso”, completa.</p>
<h2>Luta de Zuzu</h2>
<p>Zuleika de Souza Netto nasceu na cidade mineira de Curvelo em 1921. Foi morar em 1939 no Rio de Janeiro, onde trabalhava como costureira. Na cidade, casou-se com o estadunidense Normal Angel Jones. Entre os anos de 1940 e 1970, construiu a carreira como estilista. Misturava elementos da cultura brasileira &#8211; como rendas, bordados e pedrarias &#8211; ao vestuário de modelagem simples e contemporâneo. As criações tiveram alcance internacional.</p>
<p>O filho mais velho, Stuart Angel, era estudante de economia e ingressou na resistência armada contra a ditadura militar no fim dos anos 1960. Depois do desaparecimento de Stuart, Zuzu levou a denúncia além das fronteiras do país. Buscou apoio nos Estados Unidos e em organismos internacionais. A estratégia ajudou a dar visibilidade maior às violações de direitos humanos no Brasil, em momento de censura interna forte.</p>
<p>Um desses contatos frequentes era com o então secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger. Ela também mobilizou jornalistas estrangeiros para dar entrevistas e expor o desaparecimento do filho.</p>
<p>Uma marca da luta de Zuzu foi o uso da moda como forma de protesto. Ela passou a inserir símbolos de denúncia em suas coleções, com referências à violência e à repressão, transformando desfiles em manifestações políticas.</p>
<p>Bordados com anjos feridos, figuras de crianças mortas, tanques de guerra e pássaros em gaiolas foram usados como metáforas visuais da repressão e do luto. Trilha sonora e cenografia reforçavam o tom fúnebre e crítico.</p>
<p>Zuzu recebeu cartas com ameaças e avisou aos amigos que, caso aparecesse morta, teria sido vítima dos mesmos assassinos do filho.</p>
<p>“Naquela época, desafiar o sistema era considerado uma loucura, porque era quando você desafiava sua própria sobrevivência. Perto do ateliê dela, às vezes, parava uma patrulhinha e ela confrontava os agentes. Dizia: ‘Não tenho medo de vocês. Sei que estão me seguindo, mas já tiraram meu filho e não trarão ele de volta’”, lembra Hildegard.</p>
<p>“Essa luta foi gerando um ódio muito grande nos militares. Como aquela mulher tinha coragem de desafiar o regime e sair nas matérias dos jornais?”, acrescenta.</p>
<p>Durante décadas, a versão oficial da morte de Zuzu foi a de acidente. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade, depois de um processo de investigação, que envolveu o depoimento de um ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), confirmou o assassinato.</p>
<p>No fim do ano passado, a família recebeu do Estado brasileiro uma certidão de óbito retificada, em que a causa da morte é descrita como violenta e causada pelo próprio Estado.</p>
<h2>Legado</h2>
<p>Décadas após sua morte, Zuzu Angel segue como símbolo de luta. Para a historiadora Cristina Scheibe, a trajetória da estilista amplia a compreensão sobre como enfrentar poderes autoritários.</p>
<p>“Ela deixou um legado de combate à ditadura. Mostrou que resistência se faz de múltiplas formas, não só de uma forma convencional. Pode ser política, pode ser feita com armas, mas também pode acontecer por meio da arte e da cultura. E isso serve de lição para os dias de hoje: entender que há outras possibilidades de luta”, analisa.</p>
<p>O legado também se traduz em reconhecimento institucional e na preservação da memória, diz Hildegard.</p>
<p>“Acumulamos uma série de conquistas ao longo desses anos. Conseguimos mudar o nome de um túnel [no Rio de Janeiro] para Zuzu Angel, conseguimos que ela fosse a primeira heroína contemporânea do livro dos heróis e heroínas da pátria. Foram muitas homenagens, medalhas, troféus. Fizemos o primeiro curso superior de moda no estado do Rio de Janeiro e a Casa Zuzu Angel/ Museu da Moda. São alguns exemplos”, enumera a jornalista.</p>
<p>“É um processo contínuo, porque o trabalho dela nunca parou. Ela morreu, mas o legado permanece. A luta da Zuzu frutificou”.</p>
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<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-04/zuzu-angel-quando-maternidade-virou-arma-politica-contra-ditadura" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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