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	<title>artigo Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>artigo Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>O que é a velha política? Onde ela está?</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/o-que-e-a-velha-politica-onde-ela-esta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 19:15:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[carlos santiago]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dos postulantes ao cargo de governador do Amazonas, os partidários e os correligionários do ex-governador Wilson Lima (União Brasil) usam a narrativa do combate à velha política para vencer o pleito de outubro.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Carlos Santiago*</em></p>
<p>A campanha eleitoral oficial no Amazonas nem começou, mas o discurso contra a velha política já consta nos palanques. Não é difícil identificar a velha política, embora ela tenha um significado bem amplo. Pode ser a política movida por favores não republicanos, um toma lá, dá cá, sem levar em consideração que a coisa pública deve ter como objetivo a coletividade; ou quando grupos políticos ou grupos familiares recebem cargos públicos ou outros benefícios, usando o bem público para promover alianças eleitorais e até empresariais. Também é a apropriação de siglas partidárias para reproduzir preferências pessoais de pequenos grupos ou de famílias que querem se perpetuar no poder.</p>
<p>Dos postulantes ao cargo de governador do Amazonas, os partidários e os correligionários do ex-governador Wilson Lima (União Brasil) usam a narrativa do combate à velha política para vencer o pleito de outubro. Geralmente, seus alvos são os ex-governadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD). Braga quer a reeleição para o Senado Federal, e Aziz busca retornar ao Poder Executivo estadual. Ambos foram governadores e parlamentares. Ocuparam, ainda, outros cargos relevantes: Aziz foi secretário municipal e estadual, enquanto Braga administrou a Prefeitura de Manaus.</p>
<p>A pré-candidata pelo Partido Liberal (PL) também tem lançado mão da narrativa antivelha política para criticar os adversários. Maria do Carmo faz comentários negativos envolvendo o senador Omar Aziz e o grupo de Wilson Lima, que tem como pré-candidato Roberto Cidade. Chama os governos do ex-governador e do atual governador de ineficientes, além de expor denúncias de corrupção envolvendo os últimos governantes do Estado.</p>
<p>Nem o ex-prefeito David Almeida (Avante) escapa das críticas dos adversários por ter nomeado sua irmã para comandar a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e escolhido nomes de parentes para prédios públicos, como forma de homenagear pessoas pela relação sanguínea. E o próprio Almeida, nas eleições de 2020, usou bastante o discurso antissistema ou contra a política tradicional para vencer o pleito contra o ex-governador Amazonino Mendes.</p>
<p>Então, se a velha política consiste em práticas antirrepublicanas, no uso de bens públicos para interesses familiares e no controle de siglas partidárias para manter o poder familiar em benefício do próprio interesse, quem, no Amazonas, pode se encaixar nesse conceito tão amplo?</p>
<p>Ela está nas ações e decisões dos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, que controlam há décadas seus partidos políticos e cujos governos foram alvos de operações policiais? Está no grupo de Wilson Lima e do atual governador, cuja empresa familiar prestou serviços ao Governo do Amazonas, inclusive quando ele era presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas? Ou está no seu vice-governador, que é um antigo personagem da política local e controla, direta ou indiretamente, o seu partido há décadas? Está nas posturas de David Almeida, quando nomeia parentes para a administração pública e privilegia nomes de familiares em obras públicas? E o PL da dona Maria do Carmo não promovem ou não se aliam à velha política? E os deputados estaduais da sigla não foram parceiros dos últimos governos do Amazonas? O presidente do PL, Alfredo Nascimento, não controla a sigla há décadas?</p>
<p>O discurso contra a velha política ganha, novamente, os palanques; o difícil é saber onde ela não está.</p>
<p><em>(*) Sociólogo, Cientista Político, Filósofo e Advogado.</em></p>
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		<item>
		<title>Manaus Sob Fogo:  O Bombardeio de 1910 e a Guerra das  Oligarquias na Amazônia</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/opiniao/manaus-sob-fogo-o-bombardeio-de-1910-e-a-guerra-das-oligarquias-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 17:19:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[durango duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O empresário e publicitário Durango Duarte relata, eu seu artigo, o Bombardeio de Manaus, ocorrido em 8 de outubro de 1910, que constitui um dos episódios mais dramáticos e menos conhecidos da história política brasileira durante a República Velha. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Durango Duarte*</em></p>
<h2>Resumo</h2>
<p>O Bombardeio de Manaus, ocorrido em 8 de outubro de 1910, constitui um dos episódios mais dramáticos e menos conhecidos da história política brasileira durante a República Velha. Inserido no contexto das disputas oligárquicas que marcaram o federalismo da Primeira República, o conflito envolveu a deposição do governador Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, a intervenção de forças militares federais e o bombardeamento da capital amazonense pela Flotilha do Amazonas. O episódio evidenciou a fragilidade institucional do período, a influência das elites econômicas ligadas ao ciclo da borracha e a instrumentalização das Forças Armadas em disputas regionais de poder. Este artigo analisa as origens, o desenvolvimento e as consequências do bombardeio, bem como os debates historiográficos em torno da chamada “lenda do telegrama sem vírgula”, um dos elementos mais simbólicos da memória política amazonense.</p>
<h2>Introdução</h2>
<p>Você sabia que o Teatro Amazonas, o Mercado Adolpho Lisboa e o Palácio do Governo já estiveram sob a mira de canhões militares brasileiros?</p>
<p>Poucos episódios da história nacional ilustram tão claramente a violência política da Primeira República quanto o Bombardeio de Manaus de 1910. Enquanto a capital amazonense vivia os últimos anos da riqueza produzida pelo ciclo da borracha, uma disputa entre facções oligárquicas transformou o centro urbano da cidade em campo de batalha.</p>
<p>Muito além de uma mera crise administrativa, o episódio revelou as profundas fragilidades institucionais do sistema político republicano recém-estabelecido. Em uma época marcada pela chamada Política dos Governadores, pela manipulação eleitoral e pela predominância das oligarquias estaduais, as divergências políticas frequentemente ultrapassavam os limites do debate parlamentar para alcançar a violência armada.</p>
<p>No Amazonas, a crise atingiu proporções extraordinárias. A tentativa de afastamento do governador Antônio Bittencourt desencadeou confrontos entre forças estaduais e militares federais, culminando em um bombardeio naval contra a própria capital da província. O episódio resultou em mortes, destruição patrimonial, tensões diplomáticas internacionais e deixou marcas profundas na memória coletiva amazonense.</p>
<p>Mais de um século depois, o Bombardeio de Manaus permanece como um dos acontecimentos mais emblemáticos — e paradoxalmente menos conhecidos — da história política brasileira.</p>
<h2>A República da Borracha: riqueza, poder e instabilidade</h2>
<p>No início do século XX, Manaus figurava entre as cidades mais modernas da América do Sul. O comércio internacional da borracha havia transformado a antiga vila amazônica em uma metrópole dotada de iluminação elétrica, bondes, sistema de água encanada e edifícios monumentais.</p>
<p>A prosperidade, entretanto, possuía bases frágeis.</p>
<p>A economia estadual dependia quase exclusivamente da exportação da borracha amazônica, enquanto o sistema político era dominado por grupos oligárquicos que disputavam ferozmente o controle da máquina pública. Em um ambiente onde o poder estadual significava acesso a contratos, arrecadação fiscal e influência federal, a política assumia contornos de uma luta permanente entre facções.</p>
<p>O governador Antônio Bittencourt representava um desses grupos dominantes. Seu governo enfrentava crescente oposição liderada pelo vice-governador Raimundo Affonso de Carvalho e Sá Peixoto, que buscava apoio junto a lideranças nacionais para promover sua ascensão ao poder.</p>
<p>A disputa alcançaria seu ápice em outubro de 1910.</p>
<h2>A Faísca que Incendiou Manaus</h2>
<p>Para compreender como Manaus se tornou alvo de seus próprios compatriotas, é preciso mergulhar no caldeirão fervente da política da República Velha, uma era moldada pela “política dos governadores” e pelo controle implacável de oligarquias regionais.</p>
<p>No Amazonas, a riqueza monumental gerada pelo Ciclo da Borracha transformou o controle do Estado em um prêmio altamente cobiçado. De um lado, o então governador Antônio Bittencourt tentava manter seu grupo no poder; do outro, o vice-governador Sá Peixoto liderava uma oposição faminta por controle, respaldada nacionalmente por figuras poderosas no Rio de Janeiro. A faísca que faltava para incendiar essa disputa explodiu quando a oposição, em uma manobra política que permanece objeto de debate histórico, produziu uma ata parlamentar posteriormente contestada por juristas e pelos partidários de Antônio Bittencourt, declarando seu afastamento do governo. Os aliados de Bittencourt consideravam a medida uma ruptura da legalidade institucional, enquanto seus adversários sustentavam sua plena legitimidade constitucional. Diante da recusa do governador em aceitar o golpe parlamentar e abandonar o palácio, a política deu lugar às armas — e o Rio Negro virou o palco de uma demonstração de força sem precedentes.</p>
<h2>O Sábado de Sangue</h2>
<p>Na madrugada de 8 de outubro de 1910, forças federais iniciaram uma operação para tomar o Palácio do Governo.</p>
<p>A resistência veio da Força Pública do Amazonas, equivalente à atual Polícia Militar, que permaneceu fiel ao governador Antônio Bittencourt.</p>
<p>Os primeiros confrontos ocorreram nas imediações das atuais ruas Bernardo Ramos e Sete de Setembro. Durante horas, tropas federais e policiais estaduais trocaram tiros em uma batalha urbana inédita na história amazonense.</p>
<p>A resistência inesperada impediu o avanço terrestre. Foi então que os comandantes militares recorreram à medida extrema. Navios da Flotilha do Amazonas receberam ordem para abrir fogo contra áreas centrais da cidade e o centro histórico de Manaus tornou-se alvo de artilharia naval.</p>
<h2>O Bombardeio</h2>
<p>Relatos de jornais, documentos oficiais e memórias de contemporâneos descrevem cenas de pânico. Projéteis atingiram prédios públicos e áreas residenciais. O Palácio do Governo sofreu impactos diretos, o entorno do Teatro Amazonas foi atingido por estilhaços e o Mercado Adolpho Lisboa registrou danos estruturais.</p>
<p>Residências, estabelecimentos comerciais e edifícios públicos foram danificados. Entre os atingidos encontrava-se o arquiteto italiano Emílio Tozi, que acabou morto durante os confrontos. Sua morte provocou pro-testos diplomáticos da Itália junto ao governo brasileiro, ampliando, internacionalmente, repercussão do episódio.</p>
<p>O saldo humano exato permanece objeto de debate entre historiadores, mas diversas fontes apontam mortos, feridos e significativa destruição material.</p>
<h2>O Mistério do Telegrama Sem Vírgula</h2>
<p>Nenhum elemento do episódio alcançou tanta notoriedade popular quanto a história do chamado “telegrama sem vírgula”. Segundo a tradição oral, o presidente Nilo Peçanha teria enviado uma mensagem orientando cautela aos militares. A frase original seria:</p>
<p>“Não, tenha prudência.”</p>
<p>Durante a transmissão telegráfica, entretanto, a pontuação teria desaparecido, transformando a ordem em: “Não tenha prudência.”</p>
<p>A versão alterada teria sido interpretada como autorização para o uso irrestrito da força.</p>
<p>Embora extremamente popular, a história é vista com cautela pelos historiadores. Não há consenso documental que comprove a ocorrência literal do erro telegráfico.</p>
<p>Para alguns pesquisadores, trata-se de uma construção memorialística posterior destinada a explicar ou justificar a violência do bombardeio. Independentemente de sua veracidade factual, a narrativa tornou-se parte inseparável da memória histórica amazonense.</p>
<h2>A Queda e o Retorno de Antônio Bittencourt</h2>
<p>Sob intensa pressão militar e diante da destruição crescente da cidade, Antônio Bittencourt acabou deixando o governo e Sá Peixoto assumiu o comando do estado.</p>
<p>A vitória, entretanto, revelou-se efêmera. Através de articulações políticas no Rio de Janeiro e do apoio de aliados influentes, Bittencourt conseguiu reverter a situação. Pouco mais de três semanas após os acontecimentos, retornou ao Amazonas e reassumiu o cargo.</p>
<p>A rapidez da reviravolta expôs a volatilidade das alianças políticas durante a República Velha e evidenciou a forte dependência das oligarquias estaduais em relação aos arranjos construídos na capital federal.</p>
<h2>Consequências Históricas</h2>
<p>O Bombardeio de Manaus produziu efeitos duradouros:</p>
<ul>
<li>Fragilizou a imagem das instituições republicanas;</li>
<li>Intensificou rivalidades políticas locais;</li>
<li>Expôs os limites do federalismo oligárquico;</li>
<li>Demonstrou o uso político das Forças Armadas;</li>
<li>Produziu impactos diplomáticos internacionais;</li>
<li>Consolidou uma memória coletiva marcada pela violência política.</li>
</ul>
<p>O episódio também simboliza o início do declínio de uma era. Poucos anos depois, a concorrência da borracha asiática provocaria o colapso econômico que encerraria definitivamente a Belle Époque amazonense.</p>
<h2>Manaus no Contexto das Crises da República Velha</h2>
<p>Embora frequentemente tratado como um acontecimento isolado da história regional, o Bombardeio de Manaus deve ser compreendido dentro de um contexto nacional marcado por rebeliões, intervenções militares e disputas oligárquicas.</p>
<p>Nas primeiras décadas da República, diversas cidades brasileiras tornaram-se palco de confrontos armados envolvendo forças federais e estaduais. O episódio amazonense dialoga diretamente com outros movimentos que revelaram as fragilidades institucionais do regime republicano.</p>
<p>Entre eles destacam-se:</p>
<h2>Revolta da Armada (1893–1894)</h2>
<p>Navios da Marinha bombardearam a cidade do Rio de Janeiro durante a rebelião contra o governo Floriano Peixoto.</p>
<h2>Revolta da Chibata (1910)</h2>
<p>Ocorrida no mesmo ano do bombardeio de Manaus, mobilizou marinheiros liderados por João Cândido contra os castigos corporais na Marinha brasileira.</p>
<h2>Revolução Constitucionalista (1932)</h2>
<p>Conflito armado entre São Paulo e o governo federal de Getúlio Vargas.</p>
<h2>Intentona Comunista (1935)</h2>
<p>Levantes militares em Natal, Recife e Rio de Janeiro contra o governo federal.</p>
<p>Nesse contexto, o Bombardeio de Manaus integra uma tradição histórica de utilização das Forças Armadas como instrumento de resolução de conflitos políticos internos.</p>
<h2>Considerações Finais</h2>
<p>O Bombardeio de Manaus permanece como um dos acontecimentos mais extraordinários da história republicana brasileira.</p>
<p>O episódio revelou que a modernidade material construída pela riqueza da borracha coexistia com instituições frágeis e disputas políticas marcadas pela violência. Em uma cidade que simbolizava o progresso da Amazônia, canhões nacionais voltaram-se contra compatriotas, demonstrando que a estabilidade da República Velha frequentemente dependia mais da força do que do consenso.</p>
<p>Mais de um século depois, os edifícios históricos do centro de Manaus continuam testemunhando silenciosamente aquele outubro de 1910. O Teatro Amazonas, o Mercado Adolpho Lisboa e o Palácio Rio Negro permanecem como monumentos não apenas da prosperidade amazônica, mas também de um passado marcado por confrontos políticos extremos.</p>
<p>Recordar o Bombardeio de Manaus significa compreender que a história da Amazônia não foi construída apenas pela exuberância da floresta ou pela riqueza da borracha, mas também por crises, conflitos e disputas de poder que ajudaram a moldar o Brasil contemporâneo.</p>
<h2>Patrimônio, Memória e Identidade</h2>
<p>Mais de um século após o conflito, poucos manauaras sabem que caminham diariamente por ruas que foram cenário de um dos mais graves confrontos políticos da história da Amazônia brasileira.</p>
<p>A preservação da memória do Bombardeio de Manaus representa não apenas o resgate de um episódio esquecido, mas também a valorização do patrimônio histórico da cidade. Os edifícios que sobreviveram ao ataque constituem testemunhos materiais de uma época em que a riqueza produzida pela borracha coexistia com profundas tensões políticas.</p>
<p>Conhecer esse episódio significa compreender que a construção da identidade amazonense não se deu apenas através da prosperidade econômica da Belle Époque, mas também por meio de conflitos, disputas e processos de resistência institucional que ajudaram a moldar a história regional e nacional.</p>
<p><em>(*) Durango Duarte é empresário e publicitário</em></p>
<p><strong>Leia o artigo na íntegra:</strong></p>
<div><iframe class="embed-pdf-viewer" src="https://cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/manaus-sob-fogo-o-bombardeio-de-1910-e-a-guerra-das-oligarquias-na-amazonia-16-07-2026_13-15-48.pdf" height="1000" width="100%" title="Manaus Sob O Fogo   DURANGO DUARTE"></iframe></p>
<p><a href="https://cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/manaus-sob-fogo-o-bombardeio-de-1910-e-a-guerra-das-oligarquias-na-amazonia-16-07-2026_13-15-48.pdf" title="Manaus Sob O Fogo   DURANGO DUARTE">Manaus Sob O Fogo   DURANGO DUARTE</a></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Artigo: Como dar conta da comunicação pública?</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/artigo-como-dar-conta-da-comunicacao-publica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 13:19:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[como]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Existe um jornalismo que não serve ao governo nem ao mercado. Ele existe independente dos dois. E é este jornalismo – abrigado na comunicação pública &#8211; que escapa a diferentes análises e também ao entendimento mais recente do TSE. Os instrumentos normativos que orientam o período de defeso eleitoral — como manuais, cartilhas e portarias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um jornalismo que não serve ao governo nem ao mercado. Ele existe independente dos dois. E é este jornalismo – abrigado na comunicação pública &#8211; que escapa a diferentes análises e também ao entendimento mais recente do TSE.</p>
<p>Os instrumentos normativos que orientam o período de defeso eleitoral — como manuais, cartilhas e portarias elaborados com fundamento na Lei nº 9.504/1997, com fidelidade à compreensão vigente do tribunal sobre publicidade institucional, têm em vista a atuação de toda Administração direta e indireta, além de agentes públicos &#8211; mas não abrange as especificidades da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, cuja missão é entregar ao cidadão o seu direito de acesso à comunicação pública,<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Artigo-Como-dar-conta-da-comunicacao-publica.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>O artigo 223 da Constituição Federal de 1988 concede ao Poder Executivo a função de renovar concessão e permissão, bem como a autorização para o serviço de radiodifusão sonora e imagética, em observância ao princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.</p>
<p>O princípio da complementaridade garante, em tese, o equilíbrio entre os setores de comunicação privada, pública e estatal com funções, finalidades e fundamentos diferenciados. O elemento de diferenciação da radiodifusão pública é a sua independência editorial, posto que cabe a ela adotar comportamento crítico em relação ao governo e ao mercado. Ainda sob a ótica editorial, algumas características são determinantes para a comunicação pública, tais como universalidade e diversidade – gênero dos programas, público alcançado e temas discutidos.</p>
<p>Contudo, no pós-constituinte, houve poucas ações efetivas do Estado para romper com o “desequilíbrio” do modelo de radiodifusão brasileiro. Foi o Ministério da Cultura que, sob o comando do então Ministro Gilberto Gil e do Secretário-Executivo Juca Ferreira em parceria com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, propôs e realizou o I Fórum Nacional de TVs Públicas, em 2006, com o objetivo de traçar um panorama da situação das emissoras públicas.</p>
<p>Os documentos produzidos pelo grupo de trabalho forneceram elementos norteadores para um novo modelo de radiodifusão pública, observando as experiências de sistemas públicos adotados em outros países. O acúmulo de forças políticas e sociais engendrado pelo Fórum fez com que a prerrogativa constitucional do princípio da complementaridade fosse posta em movimento, a partir de 2007, durante o final do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que, em 2008, fosse então criada a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por meio da Lei 11.652/08.</p>
<p>Construção da cidadania, fortalecimento da democracia e participação da sociedade são os princípios da Constituição Federal que estabelecem os pilares para a atuação dos canais públicos federais, de acordo com a Lei 11.652/08. &#8220;A constituição de um sistema de comunicação com diretrizes voltadas à participação da sociedade civil e à inclusão social, entre outros objetivos, torna-se, dessa forma, um direito adquirido a ser garantido pelo Estado&#8221; (Carvalho; Buriti, 2012; Pieranti, 2020).</p>
<p>O arranjo legal possível diante da correlação de forças, à época, materializou a EBC como empresa de comunicação pública, mas também, como prestadora de serviços de comunicação do governo federal. A nova estatal foi fundada, portanto, para operar as emissoras de rádio e televisão federais, com objetivo de formar um “sistema público de comunicação” que complementasse o “sistema privado”, mas havia em seu bojo todo o sistema governamental. A solução fez com que a Empresa Brasil de Comunicação já nascesse tendo de dar conta de dois serviços de comunicação previstos na Constituição, a pública e a governamental.</p>
<p>Quase 19 anos depois, a confusão entre comunicação pública e governamental prossegue. No dia 04 de Julho de 2026 começou o período de defeso eleitoral no Brasil. Trata-se do momento que antecede as eleições, durante o qual a publicidade institucional está vedada para todos os órgãos da Administração Pública, com o intuito de produzir igualdade de oportunidades entre candidatas e candidatos.</p>
<p>A vedação à “publicidade institucional” nos três meses que antecedem o pleito é tratada como regra objetiva, aplicável a qualquer órgão ou entidade da administração direta ou indireta que identifique autoridades, governos ou administrações em disputa.</p>
<p>No entanto, apesar da EBC ser uma empresa estatal dependente, supervisionada pela Secretária de Comunicação Social da Presidência da República e financiada pelo Governo Federal, ela não se encaixa plenamente no entendimento. Há algo que escapa: a comunicação pública.</p>
<p>Comunicação pública não é jornalismo feito pelo Estado para falar bem do governo. Como já foi dito, é exatamente o contrário: é o jornalismo que existe apesar do governo e apesar do mercado. A ideia nasce do reconhecimento de que nem toda informação de interesse coletivo encontra espaço espontâneo na lógica comercial da mídia privada — que responde a audiência e ao anunciante — nem deveria ser produzida como propaganda de quem está no poder.</p>
<p>A pergunta, portanto, que atravessa a comunicação pública é: a serviço de quem a informação é produzida? Ora, a serviço do cidadão &#8211; e isso não é pouco em um ambiente digital inundado por mentiras e desinformação. O compromisso da comunicação pública é com a cidadania, a pluralidade e o fortalecimento democrático, com independência editorial inclusive em relação ao governo que a financia e ao seu órgão supervisor.</p>
<p>Nesse contexto, o desafio consiste em assegurar o equilíbrio entre a proteção da igualdade eleitoral e a preservação da liberdade de informação jornalística, especialmente no âmbito de uma empresa pública criada para prestar serviço de comunicação pública.</p>
<p>Não se busca afastar aqui a aplicação da Lei nº 9.504/1997, tampouco flexibilizar as restrições próprias do período eleitoral, mas garantir sua adequada interpretação à luz da atividade-fim da EBC, de modo a compatibilizar a necessária proteção da lisura do processo eleitoral com a continuidade da prestação de um serviço público essencial à sociedade.</p>
<p>Portanto, é preciso uma leitura própria a respeito da EBC. A jurisprudência do TSE já reconhece uma categoria diferente dentro dessa mesma regra geral — notícia com “conteúdo meramente informativo”, publicada por portal de órgão público, não configura publicidade institucional vedada; entrevista jornalística que relata atividade de governo, sem promoção pessoal, também não. Porém, em sua aplicação prática, os elementos que diferenciam informação jornalística de propaganda de gestão são sutis.</p>
<p>Diante da regra objetiva e da ausência de uma orientação própria ao jornalismo público, foi feita na Agência Brasil a opção pelo arquivamento de seu acervo dos últimos 3 anos e meio, durante o período do defeso — não porque os textos já publicados sejam propaganda de gestão, mas porque checar um a um, mais de 180 mil matérias, em busca de menções a autoridades em disputa ou termos que pudessem ser considerados publicidade, é humanamente inviável, além do que, a empresa não dispõe de ferramenta confiável para fazer essa verificação sutil em escala.</p>
<p>E é aqui que está a lacuna, mais do que o erro: falta à regra geral um capítulo específico para a radiodifusão pública. Aplicar à EBC o mesmo teste que se aplica à assessoria de imprensa de um ministério — na ausência de uma orientação que reconheça essa diferença de natureza — acaba, na prática, tratando como equivalentes duas coisas que a própria Constituição concebeu como opostas.</p>
<p>Diante da falta de clareza sobre o papel da comunicação pública, não coube à EBC um ato de desobediência civil na chegada do defeso, mas cabe à empresa reivindicar sua especificidade através de um pedido de autorização judicial no TSE para que a Agência Brasil possa desarquivar milhares de matérias ocultadas.</p>
<p>Em um ambiente de desinformação e proliferação de mentiras, criar oportunidades iguais entre candidatas e candidatos, também é permitir que os cidadãos possam fazer suas escolhas baseado em informações verificadas, confiáveis e de interesse público.</p>
<p>Portanto, o paradoxo imposto pela legislação eleitoral fica evidente. Quanto mais a sociedade precisa de informação confiável durante uma eleição, mais difícil se torna garantir que a comunicação pública continue exercendo plenamente sua missão. Resolver esse impasse interessa à EBC, mas interessa sobretudo ao direito dos cidadãos e cidadãs à informação.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-07/artigo-como-dar-conta-da-comunicacao-publica" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Jornalista do Amazonas publica artigo na Espanha sobre Parintins</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 19:41:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">A Amazônia, frequentemente narrada por olhares estrangeiros, acaba de ganhar uma análise crítica produzida diretamente de seu território. O jornalista amazonense Ytallo Byancco, de 40 anos, publicou um artigo científico na prestigiada revista espanhola <em>Cuadernos de Educación y Desarrollo</em>. O trabalho acadêmico origina-se de sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sob a orientação do professor e pesquisador Adan da Silva, especialista em identidade e cultura regional.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Sob o título “Entre o real, o simbólico e o imaginário: traçados históricos da construção do Festival de Parintins como espaço de mediação cultural”, o estudo investiga o Festival Folclórico de Parintins. Contudo, em vez de focar apenas no espetáculo visual, a pesquisa examina a festa como um potente polo produtor de sentidos e narrativas sobre os povos originários.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nascido em Manaus, Byancco cresceu imerso na rivalidade entre o Garantido e o Caprichoso. Ainda na infância, o pesquisador percebeu que a disputa ia muito além do folclore; a festa desenhava e repetia visões específicas sobre a população indígena. Posteriormente, sua experiência no jornalismo e a formação na Ufam transformaram essa percepção em investigação científica, reforçando o papel da universidade pública do Amazonas na produção de ciência com alcance internacional.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O grande diferencial da pesquisa está em fugir de análises simplistas. A meta não consiste em rotular as apresentações dos bumbás como certas ou erradas. Pelo contrário, o estudo busca mapear como o evento elabora e dissemina essas imagens. A análise aponta que o festival atua em duas frentes: ao mesmo tempo em que exalta a ancestralidade, ele corre o risco de perpetuar estereótipos, como a romantização e a exotização dos povos indígenas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, o artigo se alinha aos conceitos de descolonização do saber, vertente que contesta as visões eurocêntricas e valoriza o conhecimento gerado a partir da vivência local. Trata-se, essencialmente, de dar protagonismo à Amazônia como produtora de pensamento intelectual e científico.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Quem narra a Amazônia na arena?</h2>
<p class="wp-block-paragraph">O foco da investigação gira em torno de identificar a origem dessas representações e os canais por onde elas se espalham na sociedade.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“A pesquisa não é para dizer se é bom ou ruim, mas para entender onde, como e por quem essas imagens são construídas. Elas aparecem nos livros, nos veículos de comunicação e, principalmente, nas linguagens visuais, como televisão, cinema, fotografia e espetáculos culturais”, afirma Byancco.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, ao levar o debate do Amazonas para uma plataforma científica europeia, o estudo comprova a relevância da produção acadêmica nortista. A pesquisa contribui diretamente para desconstruir visões preconcebidas e fixar a região como um polo exportador de educação, cultura e pensamento crítico.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O artigo pode ser acessado na íntegra pelo link: https://ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/10519</p>
<p class="wp-block-paragraph">Leia mais:</p>
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		<title>Brasil e as Copas do Mundo: uma história de glórias, fé e esperança renovada</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/cidades/brasil-e-as-copas-do-mundo-uma-historia-de-glorias-fe-e-esperanca-renovada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 14:36:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[durango duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O empresário e publicitário Durango Duarte, em seu artigo, destaca a relação do Brasil com o futebol, a trajetória da conquista dos cinco títulos mundiais da Seleção e a expectativa pela busca do Hexa.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Durango Duarte (*)</em></p>
<p>Poucas nações possuem uma relação tão profunda com o futebol quanto o Brasil. Desde a primeira Copa do Mundo, disputada em 1930, o esporte tornouse parte da identidade nacional, capaz de unir gerações, regiões e classes sociais em torno de uma mesma paixão. Ao longo de quase um século de história, a Seleção Brasileira construiu uma trajetória incomparável, tornando-se a única participante de todas as edições do Mundial e a maior vencedora da competição, com cinco títulos.</p>
<p>Os primeiros sinais de grandeza surgiram em 1938, na França, quando Leônidas da Silva conduziu o Brasil ao terceiro lugar. Mas foi a dolorosa derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, no Maracanã, que fortaleceu ainda mais o sonho de conquistar o mundo. A recompensa veio em 1958, na Suécia. Com Pelé, Garrincha, Didi e Nilton Santos, o Brasil apresentou ao planeta um futebol alegre, criativo e eficiente, conquistando seu primeiro título mundial. Quatro anos depois, no Chile, veio o bicampeonato.</p>
<p>Em 1970, no México, a Seleção Brasileira alcançou um patamar que muitos consideram insuperável. Liderada por Pelé e comandada por Mário Jorge Lobo Zagallo, venceu todos os seus jogos e encantou o mundo com um futebol que permanece como referência até hoje.</p>
<p>A conquista do tricampeonato consolidou definitivamente o Brasil como a maior potência do futebol mundial. Depois de um período de jejum, o país voltou ao topo em 1994, nos Estados Unidos. Com Romário, Bebeto, Dunga e Taffarel, a Seleção conquistou o tetracampeonato.</p>
<p>O pentacampeonato chegaria em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, sob o brilho de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e Roberto Carlos. Desde então, o Brasil continuou chegando às Copas entre os favoritos, mas sem conseguir repetir as conquistas do passado. Ainda assim, a esperança nunca abandonou o torcedor brasileiro. Afinal, poucas seleções possuem uma história tão rica e uma tradição tão vitoriosa.</p>
<p>Agora, o mundo do futebol volta suas atenções para a Copa de 2026, a maior da história, realizada em três países: Estados Unidos, México e Canadá. E, para os brasileiros, não faltam coincidências capazes de alimentar a imaginação dos supersticiosos.</p>
<p>Das três sedes do torneio, duas já foram palco de conquistas memoráveis da Seleção. Foi no México que o Brasil de Pelé e Zagallo conquistou o tricampeonato em 1970. Foi nos Estados Unidos que a geração de Romário trouxe para casa o tetracampeonato em 1994. Para quem acredita em sinais, a coincidência não poderia passar despercebida.</p>
<p>E há mais. A estreia brasileira acontece no sábado, dia 13 de junho. Para muitas culturas, o número 13 é associado ao azar. No Brasil, porém, ele também carrega significados positivos para milhões de pessoas. Não por acaso, o futebol brasileiro possui uma relação histórica com esse número.</p>
<p>O maior símbolo dessa ligação foi justamente Zagallo. Supersticioso assumido, o eterno “Velho Lobo” considerava o 13 seu número da sorte. Costumava lembrar que a expressão “Brasil campeão” possui treze letras e repetia essa coincidência como um sinal favorável ao país. A frase tornou-se parte do folclore esportivo nacional e atravessou gerações. Assim, não faltará quem enxergue um simbolismo especial no fato de a caminhada rumo ao hexacampeonato começar justamente em um dia 13.</p>
<p>O torcedor brasileiro sempre foi mestre em transformar coincidências em esperança. Há quem use a mesma camisa durante toda a competição, quem ocupe o mesmo lugar diante da televisão, quem faça promessas ou repita rituais que acredita trazer sorte. A superstição, afinal, é parte inseparável da experiência de viver uma Copa do Mundo.</p>
<p>Mas não são apenas as coincidências que despertam expectativa. Pela primeira vez em sua história, a Seleção Brasileira é comandada por um treinador estrangeiro em uma Copa do Mundo. E não qualquer treinador.</p>
<p>Carlo Ancelotti, italiano, chega ao comando da equipe após construir uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol. Campeão nas principais ligas europeias e recordista de títulos da Liga dos Campeões da Europa, ele assume a missão de conduzir o Brasil na busca pelo tão sonhado hexacampeonato.</p>
<p>A presença de Ancelotti representa uma novidade histórica. Acostumada a ser dirigida por técnicos brasileiros, a Seleção aposta agora na experiência internacional de um profissional reconhecido pela capacidade de administrar grandes estrelas, montar equipes equilibradas e lidar com a pressão dos grandes torneios. Naturalmente, a realidade impõe cautela.</p>
<p>O futebol mundial nunca foi tão competitivo. Argentina, França, Espanha, Inglaterra, Alemanha e diversas outras seleções chegam fortes ao Mundial. Em uma Copa do Mundo, talento é fundamental, mas organização, equilíbrio emocional e regularidade costumam fazer a diferença.</p>
<p>Por isso, o sentimento que deve acompanhar a campanha brasileira é o do otimismo responsável. O Brasil possui jogadores talentosos, uma tradição vencedora e um treinador de primeira linha. Tem razões concretas para acreditar. Mas também sabe que não existem atalhos para o sucesso. Ainda assim, quando o assunto é Copa do Mundo, o brasileiro permite-se sonhar. Faz parte da nossa cultura acreditar que o impossível pode acontecer. Faz parte da nossa identidade repetir que “o brasileiro não desiste nunca”.</p>
<p>E faz parte do nosso imaginário popular recorrer, entre a fé e o bom humor, a outra frase que atravessa gerações: “Deus é brasileiro”. Talvez essas expressões não expliquem vitórias dentro de campo, mas ajudam a compreender por que o futebol ocupa um lugar tão especial em nossas vidas. A cada quatro anos, renova-se a convicção de que o próximo capítulo pode ser inesquecível.</p>
<p>A Copa de 2026 já começou. O caminho será difícil, como sempre foi, mas a história ensina que o Brasil costuma crescer quando o mundo inteiro está olhando. Entre a tradição e a renovação, entre a realidade e a esperança, entre a técnica e a superstição, mais uma vez a nação veste amarelo e volta a acreditar. E se Zagallo estivesse aqui para comentar a estreia no dia 13, certamente abriria um sorriso e lembraria sua frase favorita: “Brasil campeão tem treze letras”.</p>
<p>Para os supersticiosos, um sinal, para os realistas, uma curiosidade, para todos os brasileiros, mais um motivo para sonhar.</p>
<p><em>(*) Empresário e publicitário</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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