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	<title>caminhada Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Caminhada do Silêncio em São Paulo denuncia violência de estado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2026 21:40:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>São Paulo &#8211; A 6ª edição da Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado ocorreu neste domingo (29), na capital paulista. A concentração foi, a partir das 16h, em frente ao antigo prédio do DOI-Codi/SP, na rua Tutóia, onde funcionava um dos principais centros de repressão e tortura da ditadura militar brasileira (1964-1985). O cortejo seguiu pelas ruas da zona sul, com destino ao Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera, sob escolta da polícia militar. Os agentes ficaram circulando entre os manifestantes do ato. Organizado pelo Movimento Vozes do Silêncio, iniciativa do Instituto Vladimir Herzog e do Núcleo de Preservação da Memória Política, o ato reuniu centenas de pessoas, incluindo familiares de vítimas e movimentos de direitos humanos. Com o mote “aprender com...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>São Paulo &#8211; A 6ª edição da Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado ocorreu neste domingo (29), na capital paulista. A concentração foi, a partir das 16h, em frente ao antigo prédio do DOI-Codi/SP, na rua Tutóia, onde funcionava um dos principais centros de repressão e tortura da ditadura militar brasileira (1964-1985).<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Caminhada-do-Silencio-em-Sao-Paulo-denuncia-violencia-de-estado.gif?w=1400&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>O cortejo seguiu pelas ruas da zona sul, com destino ao Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera, sob escolta da polícia militar. Os agentes ficaram circulando entre os manifestantes do ato. Organizado pelo Movimento Vozes do Silêncio, iniciativa do Instituto Vladimir Herzog e do Núcleo de Preservação da Memória Política, o ato reuniu centenas de pessoas, incluindo familiares de vítimas e movimentos de direitos humanos.</p>
<p>Com o mote “aprender com o passado para construir o futuro”, as entidades não apenas relembraram os crimes cometidos durante a ditadura militar mas denunciaram a repetição das violências de estado ao longo de décadas, mesmo após a redemocratização.</p>
<p>A coordenadora da área de Memória, Verdade e Justiça do Instituto Vladimir Herzog, Lorrane Rodrigues chamou atenção para a importância de discutir os impactos da ditadura mesmo após a redemocratização. “A ditadura militar geralmente é um tema pensado, no imaginário coletivo, como algo estanque, como algo parado, como se o que aconteceu naquele período ficasse pra lá, a gente não precisasse falar ou conversar sobre ela”, disse.</p>
<p>“O lema da caminhada traz essa discussão: tentar entender quais são os impactos do período da ditadura militar no presente, no período contemporâneo, pra gente pensar um pouco o futuro”, acrescentou Lorrane, ao mencionar a necessidade de fortalecimento da democracia.</p>
<p>“A gente também tem que pensar um pouco sobre a construção dessa democracia, porque como está hoje não é suficiente, não é igualitária para uma parte significativa da população. A caminhada tem esse desejo de aproximar o passado e o presente de uma forma mais objetiva para as pessoas”, explicou. Uma das ferramentas para alcançar resultados no campo da memória, verdade e justiça, segundo ela, é o conjunto das recomendações da Comissão Nacional da Verdade.</p>
<p>“São 49 recomendações ao estado [brasileiro], e que até esse momento, do período que foi lançado até agora, foram pouco cumpridas ou parcialmente cumpridas. A gente já tem um caminho, o instituto faz o monitoramento das recomendações a cada dois anos, e o que a gente tem percebido é que são movimentações pequenas, alguns avanços significativos, mas acho que muito pouco perto do que as recomendações propõem para a sociedade”, relatou.</p>
<p>O diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sotilli, afirmou, em nota, que a Caminhada do Silêncio nasceu como uma resposta coletiva ao autoritarismo e às tentativas de apagamento. Ele destacou que a ditadura militar deixou uma herança de impunidade, o que se reflete na violência de estado que o país ainda sofre atualmente.</p>
<p>“Após cinco edições, queremos retomar o sentimento que originou essa manifestação. Temos vivido tempos em que a defesa do Estado democrático de Direito ficou muito delegada às mais altas instituições, mas seguimos enfrentando ataques graves contra a democracia. Por isso, este é o momento de dizermos que estamos na rua, de voltarmos a demonstrar nossa força”, disse.</p>
<p>Mais de 30 organizações da sociedade civil, movimentos sociais e entidades de direitos humanos participaram da iniciativa. Neste ano, os movimentos destacaram também a possibilidade defendida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar a aplicação da Lei da Anistia aos casos que envolvam crimes permanentes, como ocultação de cadáver.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Caminhada-do-Silencio-em-Sao-Paulo-denuncia-violencia-de-estado.jpg?w=1400&#038;ssl=1" alt="São Paulo (SP)-29/03/2026. Caminhada Silenciosa em memória das vítimas da ditadura militar. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil" title="Paulo Pinto/Agencia Brasil"/></p>
<p>São Paulo (SP)-29/03/2026. Caminhada Silenciosa em memória das vítimas da ditadura militar. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil &#8211; Paulo Pinto/Agencia Brasil</p>
<p>Perto do final do evento, a organização leu o manifesto da caminhada:</p>
<p>&#8220;Hoje, caminhamos em silêncio, mas não em ausência.</p>
<p>Nosso silêncio é a presença viva, é memória que resiste, é a voz que ecoa nos passos de cada pessoa que se recusa a esquecer.</p>
<p>Saímos de um lugar marcado pela dor, o antigo DOI-Codi, onde o Estado torturou, matou e tentou apagar histórias. E seguimos até um monumento que insiste em lembrar: as  histórias não foram apagadas.</p>
<p>Nossos mortos não estão no passado. Nossos desaparecidos não são ausência.</p>
<p>Cada vítima de violência do Estado é permanência.</p>
<p>Se a Caminhada do Silêncio nasceu da urgência de resistir, seguimos caminhando porque ainda é preciso.</p>
<p>Este ato nasceu quando a democracia voltou a ser ameaçada de forma aberta, quando o autoritarismo deixou de ser lembrança e voltou a ser projeto.</p>
<p>Hoje, anos depois, seguimos aqui, porque a ameça não desapareceu. Ele se transformou, se reorganizou e segue à espreita.</p>
<p>Nunca foi tão importante defender a democracia. E nunca podemos esquecer: essa luta é contínua.</p>
<p>Relembrar para não repetir. Ocupar a memória para não esquecer nossa história.</p>
<p>Porque sem memória, a violência se naturaliza. Sem verdade, a mentira se institucionaliza. E sem justiça, a barbárie se repete.</p>
<p>A violência de Estado não ficou no passado.</p>
<p>Lutar por memória, verdade e justiça é afirmar que não aceitamos a impunidade. É exigir a responsabilização de torturadores, de seus cúmplices e daqueles que financiaram o terror.</p>
<p>É dizer, com todas as letras: ditadura nunca mais. Tortura nunca mais.</p>
<p>Este manifesto não é apenas denúncia. É compromisso.</p>
<p>Por isso, fazemos um chamado:</p>
<p>Às novas grações que não viveram o terror, mas herdam suas consequências. À sociedade civil que não pode se calar. Às instituições, que precisam ser defendidas, mas também transformadas.</p>
<p>Este é um tempo de escolha: entre esquecer ou lembrar. Entre repetir ou transformar. Entre silenciar ou agir.</p>
<p>Sabemos que resistir não é apenas lembrar o passado. Mas disputar o futuro.</p>
<p>Hoje, nosso silêncio fala. E o que ele diz é simples e inegociável:</p>
<p>Para que nunca se esqueça.</p>
<p>Para que nunca mais aconteça.</p>
<p>Seguiremos caminhando&#8221;.</p>
<p>A seguir, foram lidos os nomes das vítimas de violência de estado do período da ditadura e também quem sofreu com isso também nos dias atuais. Após a leitura de cada um dos nomes, as manifestantes diziam, em coro, &#8220;presente&#8221;.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/caminhada-do-silencio-em-sao-paulo-denuncia-violencia-de-estado" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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