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	<title>Crônica Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Crônica de um encontro que não se mistura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 18:16:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Confesso que nunca mais consegui olhar o encontro das águas com a mesma inocência depois de reler o livro “Encontro das Águas”, de Fernando Sabino. Há paisagens que existem por si. Outras, depois de atravessadas pela literatura, passam a existir também dentro de nós. Manaus, para mim, tornou-se uma dessas duplicidades, real e narrada ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Confesso que nunca mais consegui olhar o encontro das águas com a mesma inocência depois de reler o livro “Encontro das Águas”, de Fernando Sabino. Há paisagens que existem por si. Outras, depois de atravessadas pela literatura, passam a existir também dentro de nós. Manaus, para mim, tornou-se uma dessas duplicidades, real e narrada ao mesmo tempo.</p>
<p>Quando Sabino esteve aqui, na década de 1970, e tomo a liberdade de situá-lo no espírito de 1976, a cidade era menos aquilo que é hoje e mais aquilo que prometia ser. Crescia com pressa. A Zona Franca, instituída em 1967, ainda dava seus primeiros passos, mas já sustentava expectativas grandiosas. Falava-se com insistência na integração da Amazônia ao Brasil, como se a região ainda precisasse ser incorporada a uma ideia de país que sempre lhe pertenceu, mas que até hoje não a compreende e não a respeita.</p>
<p>Sabino chegou com o olhar atento de quem observa para traduzir. Não se limitou a contemplar. Diante do encontro das águas, fez sua escolha de cronista. Ali, disse ele, nascia o Amazonas. Não o rio exato dos mapas, que já vinha de longe carregando outros nomes, mas o rio que se revela ao olhar humano. O rio percebido.</p>
<p>Sei que os mapas discordam. A hidrografia não aceita concessões. Ainda assim, a crônica não responde à cartografia, responde à experiência. E para quem está em Manaus, é no encontro disciplinado entre o escuro do Negro e o barrento do Solimões que algo se inaugura, nem que seja apenas a maneira de nomear o mesmo rio.</p>
<p>Mas Sabino não se deixou encantar apenas pela paisagem. Havia em seu olhar uma leve acidez, discreta e elegante, dirigida ao cenário mais amplo que se construía ao redor. Manaus era apresentada como promessa de futuro. Ao mesmo tempo, revelava fissuras que escapavam ao entusiasmo oficial. O progresso era anunciado com convicção, mas não conseguia esconder por completo os contrastes sociais e a improvisação que ainda moldavam a cidade.</p>
<p>Ele também percebeu que Manaus carregava consigo uma memória que não se dissolvia. A cidade ainda respirava o tempo dos barões da borracha. Uma elite que tratava a riqueza como se fosse inesgotável, abrindo caixas e mais caixas de bebidas importadas de Paris, como se a Europa pudesse ser desembalada no meio da floresta. O luxo não era exceção, era hábito.</p>
<p>Havia também, nesse cenário, um detalhe quase irônico. Muitas dessas fortunas vinham acompanhadas de esposas que não se deixavam seduzir pelo calor úmido nem pela insistência dos carapanãs e mucuins. Preferiam a Suíça. Enquanto os maridos celebravam a abundância amazônica, elas escolhiam o frio ordenado europeu, distante do zumbido irritante da floresta. Manaus, para elas, era mais um entreposto de riqueza do que um lugar de permanência.</p>
<p>A história, como costuma fazer, cobrou seu preço com discrição e precisão. Enquanto aqui se brindava com bebidas francesas, sementes cruzavam oceanos no maior jogo de malandragem europeia. Em terras asiáticas, germinaram sob método aquilo que na Amazônia crescera em excesso e improviso. O esplendor ruiu. E a cidade permaneceu, obrigada a conviver com o eco de sua própria grandeza.</p>
<p>Talvez por isso o encontro das águas seja mais do que um fenômeno natural. Ele persiste como metáfora. Duas correntes que se tocam sem se misturar. Assim também é Manaus. O passado e o presente convivem lado a lado. A promessa e a realidade seguem em paralelo. Nada se dissolve por completo.</p>
<p>Sabino entendeu isso com a precisão de quem escreve mais do que vê. Sua leitura da cidade, em muitos aspectos, permanece atual. Os contrastes que ele percebeu não desapareceram. Apenas cresceram com o tempo.</p>
<p>Ainda assim, não posso deixar de notar que seu olhar era um olhar de fora. Havia curiosidade e havia admiração. Mas também havia distância. Em alguns momentos, a Amazônia surge filtrada por um imaginário que não lhe pertence inteiramente. Isso não diminui sua escrita. Apenas a situa em seu tempo.</p>
<p>Hoje, quando volto ao encontro das águas, vejo mais do que o fenômeno. Vejo também o gesto do cronista. Vejo a escolha de transformar geografia em narrativa. E compreendo que Sabino não pretendia explicar a Amazônia. Queria somente contá-la, o que o fez com raro talento.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" width="303" height="331" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1777398950_693_Manaus-sedia-Conferencia-Livre-dos-ODS-com-chancela-do-INPA.jpeg?resize=303%2C331&#038;ssl=1" alt="Juscelino Taketomi" class="wp-image-366291"  />Juscelino Taketomi é jornalista, colaborador do EM TEMPO e assessor especial na Assembleia Legislativa do Amazonas</p>
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