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	<title>dependência Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>dependência Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2026 15:37:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para largar a dependência de bets, avalia Luiz Carlos*, integrante de um grupo de apoio para pessoas com problemas de jogo, a irmandade Jogadores Anônimos. Segundo ele, já é comum encontrar adolescentes na faixa de 14 anos procurando ajuda para conter o vício. “Hoje quem chega à irmandade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para largar a dependência de bets, avalia Luiz Carlos*, integrante de um grupo de apoio para pessoas com problemas de jogo, a irmandade Jogadores Anônimos. Segundo ele, já é comum encontrar adolescentes na faixa de 14 anos procurando ajuda para conter o vício.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Apostas-em-bets-avancam-entre-jovens-e-ampliam-risco-de.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>“Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos&#8221;, conta ele.</p>
<p>O jovem Gustavo Pereira é um dos que enfrentaram graves problemas financeiros e de saúde mental por conta da compulsão por bets. Atualmente com 24 anos de idade, ele começou a fazer apostas <em>online</em> aos 18 anos. Em um período de seis anos, chegou a perder meio milhão de reais por causa do vício.</p>
<p>“Ganhava muito bem na época, já fiz R$ 10 mil virarem R$ 300 mil, já fiz bancas inimagináveis, fiz R$ 10 mil virarem R$ 200 mil, R$ 240 mil, e perdi tudo. Então o dinheiro começou a perder valor para mim, eu comecei a perder a dimensão do dinheiro, na minha conta não tinha todo aquele valor, mas lá na bet tinha, e o vício faz isso, te enche de ganância&#8221;, diz o jovem.<br /> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Apostas-em-bets-avancam-entre-jovens-e-ampliam-risco-de.jpeg?w=740&#038;ssl=1" alt="Santa Catarina - 17/09/2026 - O jovem Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets - Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal" title="Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal"/></p>
<p>Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets &#8211; Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal</p>
<p>Gustavo conta que está há cerca de dois meses sem apostar e tenta recomeçar a vida vendendo café nas ruas de Lages (SC). Ele mantém um perfil no Instagram onde posta conteúdos sobre seu trabalho e sobre como faz para superar o vício e evitar recaídas.</p>
<p>&#8220;Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar. Nestes seis anos, eu enfrentei muitas coisas, mudei com a depressão, uma síndrome do pânico, e graças a Deus eu me libertei disso. Hoje vendo café na rua e, se estou aqui, foi graças a Deus, à minha fé, me apeguei nas pessoas que amo, consegui superar isso, e hoje meu propósito de vida é ajudar pessoas”, relata Gustavo.</p>
<p>Especialistas afirmam que a facilidade de acesso às plataformas de jogos pelo celular amplia a exposição de jovens às bets. Dados do Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) mostram que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos <em>online</em> até os 11 anos de idade. O número chega a 78% a partir de 12 anos. Os dados, de 2021, continuam atuais.</p>
<p>É o que indica uma pesquisa deste ano feita no Brasil e divulgada pela Frente Parlamentar Mista de Educação. Entre 1.912 estudantes dos ensinos médio e fundamental, 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Quase metade dos entrevistados no 3º ano do ensino médio fizeram apostas.</p>
<p>Pesquisa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) mostrou que canais voltados ao público infantil exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1789832241_661_Apostas-em-bets-avancam-entre-jovens-e-ampliam-risco-de.jpeg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Mariana Kehl. Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal" title="Mariana Kehl/Arquivo Pessoal"/></p>
<p>Psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia &#8211; Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal</p>
<p>A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem é mais vulnerável a apelos desse tipo porque o cérebro dele ainda está em construção. Enquanto o núcleo ligado à sensação de prazer e à dopamina funciona em ritmo acelerado, as regiões que controlam os impulsos e avaliam riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.</p>
<p>“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, diz.</p>
<h2>Cassino no bolso</h2>
<p>Luiz Carlos tem 71 anos e lembra que, quando começou a jogar, na década de 1980, não existia celular. Na época, o vício eram as máquinas de videopôquer. “Saía do jogo 4h, 5h da manhã, socando o painel do meu carro, me machucando, chorando, prometendo que nunca mais voltaria, e no outro dia eu estava lá, jogando novamente.”</p>
<p>”Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje não precisa mais, você carrega um cassino dentro do seu bolso&#8221;, afirma.</p>
<p>A dependência de Luiz Carlos é a mesma de quem aposta <em>online</em>, como Rogério* (53 anos), Rodrigo* (47) e Carla Xavier* (41), também frequentadores do Jogadores Anônimos.</p>
<p>Luiz Carlos está há 15 sem jogar. Carla e Rogério estão há mais de um ano longe do vício, enquanto Rodrigo está há seis meses sem apostar. A abstinência foi conquistada graças à irmandade Jogadores Anônimos.</p>
<p>Segundo Carla, o grupo tem recebido principalmente pessoas que já perderam tudo por causa de apostas. &#8220;[Elas] já não tem mais onde pedir ajuda. Então já estão desacreditadas da vida, já estão pensando em suicídio, estão devendo para um monte de gente. Essas são as pessoas que procuram o grupo. E, com as apostas <em>online</em>, isso cresceu demais, porque está tudo na palma da mão hoje.”</p>
<h2>Ouça na Radioagência Nacional<br /> </h2>
<h2>Compulsão e endividamento</h2>
<p>Relatório do IBICT concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, sendo que quase metade ficou endividada.</p>
<p>São muitos os relatos de quem passou pelo problema, como Rogério, que frequenta a irmandade Jogadores Anônimos. Ele diz que no começo as apostas pareciam inofensivas. Percepção que mudou quando elas começaram a controlar a vida dele de forma negativa.</p>
<p>“Começaram a comprometer o meu orçamento, dificultar o pagamento das minhas contas, comecei a comprometer a minha renda.”</p>
<p>Segundo o diretor do IBICT, Tiago Braga, as apostas<em> online</em> não são um investimento, mas um gasto. O descontrole aumenta o risco.</p>
<p>“Quanto mais você aposta ou quanto mais você gasta recursos com a aposta, menos você terá recursos para o seu futuro. E isso a gente está falando de questões do cotidiano como aluguel, comida, vestuário, educação.&#8221;</p>
<p>Ele aponta ainda o risco de “de ideação suicida associada ao endividamento por jogo.”</p>
<h2>Endividamento e ensino superior</h2>
<p>Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) aponta que 34% dos entrevistados afirmaram que precisariam parar de gastar com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026.</p>
<p>Entre aqueles que já estão no ensino superior, 14% relataram ter atrasado as mensalidades ou trancado o curso por causa dos gastos com bets.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1789832242_586_Apostas-em-bets-avancam-entre-jovens-e-ampliam-risco-de.jpeg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Paulo Chanan. Foto: Paulo Chanan/Arquivo Pessoal" title="Paulo Chanan/Arquivo Pessoal"/></p>
<p>Diretor-geral da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Paulo Chanan &#8211; Foto: Paulo Chanan/Arquivo Pessoal</p>
<p>Para o diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, os dados são um alerta importante, mas não se pode generalizar o comportamento dos jovens. O que é possível afirmar, segundo ele, é que, para uma parcela relevante deles, o dinheiro destinado às apostas interfere diretamente em decisões relacionadas à educação, o que cria uma barreira adicional ao acesso e à permanência no ensino superior.</p>
<p>A pesquisa mostra ainda que 34% afirmaram ter deixado de investir em cursos, idiomas ou outras formas de aprendizado por causa dos gastos com apostas. Outro dado: 33% deixaram de investir em academia ou atividades físicas.</p>
<p>Segundo Paulo Chanan, as instituições de ensino podem contribuir com informação, prevenção, orientação, acolhimento e encaminhamento adequado quando necessário, já que o tema passou a fazer parte de uma realidade social que também chega ao ambiente acadêmico.</p>
<p>O diretor-geral frisa que as instituições não podem ser responsabilizadas sozinhas pelo enfrentamento do problema. Para ele, deve haver uma atuação conjunta que envolva educação, saúde, comportamento, regulação e políticas públicas.</p>
<p>O estudo da ABMES não avaliou indicadores de desempenho acadêmico nem de saúde mental.</p>
<h2>+ Ouça também na Radioagência Nacional:</h2>
<p>Dos <em>games</em> às apostas <em>online</em>: como surge o endividamento</p>
<p>Dos <em>games</em> às apostas <em>online</em>: as leis que tentam reduzir danos</p>
<p>Dos <em>games</em> às apostas <em>online</em>: impacto no SUS supera R$ 30 bilhões</p>
<p>Dos <em>games</em> às apostas <em>online</em>: como pedir ajuda contra dependência</p>
<h2>ECA Digital</h2>
<p>Para aumentar o rigor em relação às plataformas, o governo federal sancionou, em setembro de 2025, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Conhecido como Lei Felca, o ECA Digital entrou em vigor em março de 2026 e atualizou a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual com novas regras para aplicativos, jogos e redes sociais.</p>
<p>Para o advogado especialista em direito digital Felipe Moreira, a maior novidade é a responsabilidade compartilhada entre as plataformas, as famílias e o próprio Estado.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1789832242_960_Apostas-em-bets-avancam-entre-jovens-e-ampliam-risco-de.jpeg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Felipe Moreira. Foto: Felipe Moreira/Arquivo Pessoal" title="Felipe Moreira/Arquivo Pessoal"/></p>
<p>Advogado especialista em direito digital Felipe Moreira &#8211; Foto: Felipe Moreira/Arquivo Pessoal</p>
<p>Moreira ressalta ainda a criação de mecanismos de aferição de idade confiáveis, &#8220;não mais sendo possível aquela utilização de sou maior de 18 anos com um simples clique, a criação de verificação de padrões de segurança maiores também nesses jogos e, em especial, a criação de mecanismos de fiscalização por parte dos pais das atividades que vêm sendo desenvolvidas por seus filhos.”</p>
<p>Antes, para entrar em <em>sites</em> restritos, bastava digitar uma data de nascimento, que podia ser falsa, para atestar a idade. Agora, quem tem menos de 18 anos não pode apostar<em> online</em>, e menores de 16 anos só podem usar redes sociais vinculados a responsáveis.</p>
<p>O ECA Digital proíbe também o acesso às <em>loot boxes</em>, caixas com itens aleatórios pagos, que se assemelham a jogos de azar.</p>
<p>A advogada Luana Mendes diz que o controle parental não significa apenas um não, mas educação digital. Ela destaca a importância de ensinar a criança a identificar situações perigosas, a não fornecer informações pessoais, não conversar com desconhecidos e denunciar comportamentos abusivos.</p>
<p>Luana ressalta que estabelecer uma relação de confiança com a criança é fundamental para que ela possa “se sentir segura a ponto de procurar um adulto quando alguma situação dentro do jogo, dentro do ambiente digital, gerar medo e desconforto.”</p>
<p>O estatuto também amplia a responsabilidade das instituições de ensino, que devem reforçar a cidadania digital e podem ser responsabilizadas em caso de omissão diante de <em>cyberbullying</em>. Influenciadores mirins não podem fazer publicidade velada.</p>
<p>A psicóloga Mariana Kehl avalia que a publicidade feita por <em>influencers</em> é um risco, sobretudo para crianças e jovens.</p>
<p>“Quando o anúncio vem na voz de um influenciador que esse jovem acompanha diariamente, ele não é processado como publicidade. Ele é processado como uma recomendação de alguém de confiança, o que rebaixa as defesas críticas que qualquer consumidor adulto poderia mobilizar diante de um comercial tradicional.”</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1789832243_466_Apostas-em-bets-avancam-entre-jovens-e-ampliam-risco-de.jpeg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 14/09/2026 - Bets. Tiago Braga. Foto: Tiago Braga/Arquivo Pessoal" title="Tiago Braga/Arquivo Pessoal"/></p>
<p>Diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Tiago Braga &#8211; Foto: Tiago Braga/Arquivo Pessoal</p>
<p>Tiago Braga, do IBICT, destaca estudo realizado pelo instituto que mostra como influenciadores estavam utilizando o Facebook, o X (antigo Twitter), o TikTok e principalmente o YouTube para estimular jovens e crianças a apostar online.</p>
<p>Para o advogado Felipe Moreira, a legislação é suficiente, mas a regulamentação da lei precisa ser cumprida e observada tanto pelo Poder Público, no âmbito fiscalizatório, quanto pelas empresas que atuam no setor. </p>
<p><em>*Sobrenome omitido a pedido dos entrevistados.</em></p>
<p><em>Colaborou Luciene Cruz</em></p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-09/apostas-em-bets-avancam-entre-jovens-e-ampliam-risco-de-dependencia" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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