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	<title>durango duarte Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>durango duarte Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Manaus Sob Fogo:  O Bombardeio de 1910 e a Guerra das  Oligarquias na Amazônia</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/opiniao/manaus-sob-fogo-o-bombardeio-de-1910-e-a-guerra-das-oligarquias-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 17:19:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[durango duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O empresário e publicitário Durango Duarte relata, eu seu artigo, o Bombardeio de Manaus, ocorrido em 8 de outubro de 1910, que constitui um dos episódios mais dramáticos e menos conhecidos da história política brasileira durante a República Velha. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Durango Duarte*</em></p>
<h2>Resumo</h2>
<p>O Bombardeio de Manaus, ocorrido em 8 de outubro de 1910, constitui um dos episódios mais dramáticos e menos conhecidos da história política brasileira durante a República Velha. Inserido no contexto das disputas oligárquicas que marcaram o federalismo da Primeira República, o conflito envolveu a deposição do governador Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, a intervenção de forças militares federais e o bombardeamento da capital amazonense pela Flotilha do Amazonas. O episódio evidenciou a fragilidade institucional do período, a influência das elites econômicas ligadas ao ciclo da borracha e a instrumentalização das Forças Armadas em disputas regionais de poder. Este artigo analisa as origens, o desenvolvimento e as consequências do bombardeio, bem como os debates historiográficos em torno da chamada “lenda do telegrama sem vírgula”, um dos elementos mais simbólicos da memória política amazonense.</p>
<h2>Introdução</h2>
<p>Você sabia que o Teatro Amazonas, o Mercado Adolpho Lisboa e o Palácio do Governo já estiveram sob a mira de canhões militares brasileiros?</p>
<p>Poucos episódios da história nacional ilustram tão claramente a violência política da Primeira República quanto o Bombardeio de Manaus de 1910. Enquanto a capital amazonense vivia os últimos anos da riqueza produzida pelo ciclo da borracha, uma disputa entre facções oligárquicas transformou o centro urbano da cidade em campo de batalha.</p>
<p>Muito além de uma mera crise administrativa, o episódio revelou as profundas fragilidades institucionais do sistema político republicano recém-estabelecido. Em uma época marcada pela chamada Política dos Governadores, pela manipulação eleitoral e pela predominância das oligarquias estaduais, as divergências políticas frequentemente ultrapassavam os limites do debate parlamentar para alcançar a violência armada.</p>
<p>No Amazonas, a crise atingiu proporções extraordinárias. A tentativa de afastamento do governador Antônio Bittencourt desencadeou confrontos entre forças estaduais e militares federais, culminando em um bombardeio naval contra a própria capital da província. O episódio resultou em mortes, destruição patrimonial, tensões diplomáticas internacionais e deixou marcas profundas na memória coletiva amazonense.</p>
<p>Mais de um século depois, o Bombardeio de Manaus permanece como um dos acontecimentos mais emblemáticos — e paradoxalmente menos conhecidos — da história política brasileira.</p>
<h2>A República da Borracha: riqueza, poder e instabilidade</h2>
<p>No início do século XX, Manaus figurava entre as cidades mais modernas da América do Sul. O comércio internacional da borracha havia transformado a antiga vila amazônica em uma metrópole dotada de iluminação elétrica, bondes, sistema de água encanada e edifícios monumentais.</p>
<p>A prosperidade, entretanto, possuía bases frágeis.</p>
<p>A economia estadual dependia quase exclusivamente da exportação da borracha amazônica, enquanto o sistema político era dominado por grupos oligárquicos que disputavam ferozmente o controle da máquina pública. Em um ambiente onde o poder estadual significava acesso a contratos, arrecadação fiscal e influência federal, a política assumia contornos de uma luta permanente entre facções.</p>
<p>O governador Antônio Bittencourt representava um desses grupos dominantes. Seu governo enfrentava crescente oposição liderada pelo vice-governador Raimundo Affonso de Carvalho e Sá Peixoto, que buscava apoio junto a lideranças nacionais para promover sua ascensão ao poder.</p>
<p>A disputa alcançaria seu ápice em outubro de 1910.</p>
<h2>A Faísca que Incendiou Manaus</h2>
<p>Para compreender como Manaus se tornou alvo de seus próprios compatriotas, é preciso mergulhar no caldeirão fervente da política da República Velha, uma era moldada pela “política dos governadores” e pelo controle implacável de oligarquias regionais.</p>
<p>No Amazonas, a riqueza monumental gerada pelo Ciclo da Borracha transformou o controle do Estado em um prêmio altamente cobiçado. De um lado, o então governador Antônio Bittencourt tentava manter seu grupo no poder; do outro, o vice-governador Sá Peixoto liderava uma oposição faminta por controle, respaldada nacionalmente por figuras poderosas no Rio de Janeiro. A faísca que faltava para incendiar essa disputa explodiu quando a oposição, em uma manobra política que permanece objeto de debate histórico, produziu uma ata parlamentar posteriormente contestada por juristas e pelos partidários de Antônio Bittencourt, declarando seu afastamento do governo. Os aliados de Bittencourt consideravam a medida uma ruptura da legalidade institucional, enquanto seus adversários sustentavam sua plena legitimidade constitucional. Diante da recusa do governador em aceitar o golpe parlamentar e abandonar o palácio, a política deu lugar às armas — e o Rio Negro virou o palco de uma demonstração de força sem precedentes.</p>
<h2>O Sábado de Sangue</h2>
<p>Na madrugada de 8 de outubro de 1910, forças federais iniciaram uma operação para tomar o Palácio do Governo.</p>
<p>A resistência veio da Força Pública do Amazonas, equivalente à atual Polícia Militar, que permaneceu fiel ao governador Antônio Bittencourt.</p>
<p>Os primeiros confrontos ocorreram nas imediações das atuais ruas Bernardo Ramos e Sete de Setembro. Durante horas, tropas federais e policiais estaduais trocaram tiros em uma batalha urbana inédita na história amazonense.</p>
<p>A resistência inesperada impediu o avanço terrestre. Foi então que os comandantes militares recorreram à medida extrema. Navios da Flotilha do Amazonas receberam ordem para abrir fogo contra áreas centrais da cidade e o centro histórico de Manaus tornou-se alvo de artilharia naval.</p>
<h2>O Bombardeio</h2>
<p>Relatos de jornais, documentos oficiais e memórias de contemporâneos descrevem cenas de pânico. Projéteis atingiram prédios públicos e áreas residenciais. O Palácio do Governo sofreu impactos diretos, o entorno do Teatro Amazonas foi atingido por estilhaços e o Mercado Adolpho Lisboa registrou danos estruturais.</p>
<p>Residências, estabelecimentos comerciais e edifícios públicos foram danificados. Entre os atingidos encontrava-se o arquiteto italiano Emílio Tozi, que acabou morto durante os confrontos. Sua morte provocou pro-testos diplomáticos da Itália junto ao governo brasileiro, ampliando, internacionalmente, repercussão do episódio.</p>
<p>O saldo humano exato permanece objeto de debate entre historiadores, mas diversas fontes apontam mortos, feridos e significativa destruição material.</p>
<h2>O Mistério do Telegrama Sem Vírgula</h2>
<p>Nenhum elemento do episódio alcançou tanta notoriedade popular quanto a história do chamado “telegrama sem vírgula”. Segundo a tradição oral, o presidente Nilo Peçanha teria enviado uma mensagem orientando cautela aos militares. A frase original seria:</p>
<p>“Não, tenha prudência.”</p>
<p>Durante a transmissão telegráfica, entretanto, a pontuação teria desaparecido, transformando a ordem em: “Não tenha prudência.”</p>
<p>A versão alterada teria sido interpretada como autorização para o uso irrestrito da força.</p>
<p>Embora extremamente popular, a história é vista com cautela pelos historiadores. Não há consenso documental que comprove a ocorrência literal do erro telegráfico.</p>
<p>Para alguns pesquisadores, trata-se de uma construção memorialística posterior destinada a explicar ou justificar a violência do bombardeio. Independentemente de sua veracidade factual, a narrativa tornou-se parte inseparável da memória histórica amazonense.</p>
<h2>A Queda e o Retorno de Antônio Bittencourt</h2>
<p>Sob intensa pressão militar e diante da destruição crescente da cidade, Antônio Bittencourt acabou deixando o governo e Sá Peixoto assumiu o comando do estado.</p>
<p>A vitória, entretanto, revelou-se efêmera. Através de articulações políticas no Rio de Janeiro e do apoio de aliados influentes, Bittencourt conseguiu reverter a situação. Pouco mais de três semanas após os acontecimentos, retornou ao Amazonas e reassumiu o cargo.</p>
<p>A rapidez da reviravolta expôs a volatilidade das alianças políticas durante a República Velha e evidenciou a forte dependência das oligarquias estaduais em relação aos arranjos construídos na capital federal.</p>
<h2>Consequências Históricas</h2>
<p>O Bombardeio de Manaus produziu efeitos duradouros:</p>
<ul>
<li>Fragilizou a imagem das instituições republicanas;</li>
<li>Intensificou rivalidades políticas locais;</li>
<li>Expôs os limites do federalismo oligárquico;</li>
<li>Demonstrou o uso político das Forças Armadas;</li>
<li>Produziu impactos diplomáticos internacionais;</li>
<li>Consolidou uma memória coletiva marcada pela violência política.</li>
</ul>
<p>O episódio também simboliza o início do declínio de uma era. Poucos anos depois, a concorrência da borracha asiática provocaria o colapso econômico que encerraria definitivamente a Belle Époque amazonense.</p>
<h2>Manaus no Contexto das Crises da República Velha</h2>
<p>Embora frequentemente tratado como um acontecimento isolado da história regional, o Bombardeio de Manaus deve ser compreendido dentro de um contexto nacional marcado por rebeliões, intervenções militares e disputas oligárquicas.</p>
<p>Nas primeiras décadas da República, diversas cidades brasileiras tornaram-se palco de confrontos armados envolvendo forças federais e estaduais. O episódio amazonense dialoga diretamente com outros movimentos que revelaram as fragilidades institucionais do regime republicano.</p>
<p>Entre eles destacam-se:</p>
<h2>Revolta da Armada (1893–1894)</h2>
<p>Navios da Marinha bombardearam a cidade do Rio de Janeiro durante a rebelião contra o governo Floriano Peixoto.</p>
<h2>Revolta da Chibata (1910)</h2>
<p>Ocorrida no mesmo ano do bombardeio de Manaus, mobilizou marinheiros liderados por João Cândido contra os castigos corporais na Marinha brasileira.</p>
<h2>Revolução Constitucionalista (1932)</h2>
<p>Conflito armado entre São Paulo e o governo federal de Getúlio Vargas.</p>
<h2>Intentona Comunista (1935)</h2>
<p>Levantes militares em Natal, Recife e Rio de Janeiro contra o governo federal.</p>
<p>Nesse contexto, o Bombardeio de Manaus integra uma tradição histórica de utilização das Forças Armadas como instrumento de resolução de conflitos políticos internos.</p>
<h2>Considerações Finais</h2>
<p>O Bombardeio de Manaus permanece como um dos acontecimentos mais extraordinários da história republicana brasileira.</p>
<p>O episódio revelou que a modernidade material construída pela riqueza da borracha coexistia com instituições frágeis e disputas políticas marcadas pela violência. Em uma cidade que simbolizava o progresso da Amazônia, canhões nacionais voltaram-se contra compatriotas, demonstrando que a estabilidade da República Velha frequentemente dependia mais da força do que do consenso.</p>
<p>Mais de um século depois, os edifícios históricos do centro de Manaus continuam testemunhando silenciosamente aquele outubro de 1910. O Teatro Amazonas, o Mercado Adolpho Lisboa e o Palácio Rio Negro permanecem como monumentos não apenas da prosperidade amazônica, mas também de um passado marcado por confrontos políticos extremos.</p>
<p>Recordar o Bombardeio de Manaus significa compreender que a história da Amazônia não foi construída apenas pela exuberância da floresta ou pela riqueza da borracha, mas também por crises, conflitos e disputas de poder que ajudaram a moldar o Brasil contemporâneo.</p>
<h2>Patrimônio, Memória e Identidade</h2>
<p>Mais de um século após o conflito, poucos manauaras sabem que caminham diariamente por ruas que foram cenário de um dos mais graves confrontos políticos da história da Amazônia brasileira.</p>
<p>A preservação da memória do Bombardeio de Manaus representa não apenas o resgate de um episódio esquecido, mas também a valorização do patrimônio histórico da cidade. Os edifícios que sobreviveram ao ataque constituem testemunhos materiais de uma época em que a riqueza produzida pela borracha coexistia com profundas tensões políticas.</p>
<p>Conhecer esse episódio significa compreender que a construção da identidade amazonense não se deu apenas através da prosperidade econômica da Belle Époque, mas também por meio de conflitos, disputas e processos de resistência institucional que ajudaram a moldar a história regional e nacional.</p>
<p><em>(*) Durango Duarte é empresário e publicitário</em></p>
<p><strong>Leia o artigo na íntegra:</strong></p>
<div><iframe class="embed-pdf-viewer" src="https://cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/manaus-sob-fogo-o-bombardeio-de-1910-e-a-guerra-das-oligarquias-na-amazonia-16-07-2026_13-15-48.pdf" height="1000" width="100%" title="Manaus Sob O Fogo   DURANGO DUARTE"></iframe></p>
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</div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Brasil e as Copas do Mundo: uma história de glórias, fé e esperança renovada</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/cidades/brasil-e-as-copas-do-mundo-uma-historia-de-glorias-fe-e-esperanca-renovada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 14:36:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[durango duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O empresário e publicitário Durango Duarte, em seu artigo, destaca a relação do Brasil com o futebol, a trajetória da conquista dos cinco títulos mundiais da Seleção e a expectativa pela busca do Hexa.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Durango Duarte (*)</em></p>
<p>Poucas nações possuem uma relação tão profunda com o futebol quanto o Brasil. Desde a primeira Copa do Mundo, disputada em 1930, o esporte tornouse parte da identidade nacional, capaz de unir gerações, regiões e classes sociais em torno de uma mesma paixão. Ao longo de quase um século de história, a Seleção Brasileira construiu uma trajetória incomparável, tornando-se a única participante de todas as edições do Mundial e a maior vencedora da competição, com cinco títulos.</p>
<p>Os primeiros sinais de grandeza surgiram em 1938, na França, quando Leônidas da Silva conduziu o Brasil ao terceiro lugar. Mas foi a dolorosa derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, no Maracanã, que fortaleceu ainda mais o sonho de conquistar o mundo. A recompensa veio em 1958, na Suécia. Com Pelé, Garrincha, Didi e Nilton Santos, o Brasil apresentou ao planeta um futebol alegre, criativo e eficiente, conquistando seu primeiro título mundial. Quatro anos depois, no Chile, veio o bicampeonato.</p>
<p>Em 1970, no México, a Seleção Brasileira alcançou um patamar que muitos consideram insuperável. Liderada por Pelé e comandada por Mário Jorge Lobo Zagallo, venceu todos os seus jogos e encantou o mundo com um futebol que permanece como referência até hoje.</p>
<p>A conquista do tricampeonato consolidou definitivamente o Brasil como a maior potência do futebol mundial. Depois de um período de jejum, o país voltou ao topo em 1994, nos Estados Unidos. Com Romário, Bebeto, Dunga e Taffarel, a Seleção conquistou o tetracampeonato.</p>
<p>O pentacampeonato chegaria em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, sob o brilho de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e Roberto Carlos. Desde então, o Brasil continuou chegando às Copas entre os favoritos, mas sem conseguir repetir as conquistas do passado. Ainda assim, a esperança nunca abandonou o torcedor brasileiro. Afinal, poucas seleções possuem uma história tão rica e uma tradição tão vitoriosa.</p>
<p>Agora, o mundo do futebol volta suas atenções para a Copa de 2026, a maior da história, realizada em três países: Estados Unidos, México e Canadá. E, para os brasileiros, não faltam coincidências capazes de alimentar a imaginação dos supersticiosos.</p>
<p>Das três sedes do torneio, duas já foram palco de conquistas memoráveis da Seleção. Foi no México que o Brasil de Pelé e Zagallo conquistou o tricampeonato em 1970. Foi nos Estados Unidos que a geração de Romário trouxe para casa o tetracampeonato em 1994. Para quem acredita em sinais, a coincidência não poderia passar despercebida.</p>
<p>E há mais. A estreia brasileira acontece no sábado, dia 13 de junho. Para muitas culturas, o número 13 é associado ao azar. No Brasil, porém, ele também carrega significados positivos para milhões de pessoas. Não por acaso, o futebol brasileiro possui uma relação histórica com esse número.</p>
<p>O maior símbolo dessa ligação foi justamente Zagallo. Supersticioso assumido, o eterno “Velho Lobo” considerava o 13 seu número da sorte. Costumava lembrar que a expressão “Brasil campeão” possui treze letras e repetia essa coincidência como um sinal favorável ao país. A frase tornou-se parte do folclore esportivo nacional e atravessou gerações. Assim, não faltará quem enxergue um simbolismo especial no fato de a caminhada rumo ao hexacampeonato começar justamente em um dia 13.</p>
<p>O torcedor brasileiro sempre foi mestre em transformar coincidências em esperança. Há quem use a mesma camisa durante toda a competição, quem ocupe o mesmo lugar diante da televisão, quem faça promessas ou repita rituais que acredita trazer sorte. A superstição, afinal, é parte inseparável da experiência de viver uma Copa do Mundo.</p>
<p>Mas não são apenas as coincidências que despertam expectativa. Pela primeira vez em sua história, a Seleção Brasileira é comandada por um treinador estrangeiro em uma Copa do Mundo. E não qualquer treinador.</p>
<p>Carlo Ancelotti, italiano, chega ao comando da equipe após construir uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol. Campeão nas principais ligas europeias e recordista de títulos da Liga dos Campeões da Europa, ele assume a missão de conduzir o Brasil na busca pelo tão sonhado hexacampeonato.</p>
<p>A presença de Ancelotti representa uma novidade histórica. Acostumada a ser dirigida por técnicos brasileiros, a Seleção aposta agora na experiência internacional de um profissional reconhecido pela capacidade de administrar grandes estrelas, montar equipes equilibradas e lidar com a pressão dos grandes torneios. Naturalmente, a realidade impõe cautela.</p>
<p>O futebol mundial nunca foi tão competitivo. Argentina, França, Espanha, Inglaterra, Alemanha e diversas outras seleções chegam fortes ao Mundial. Em uma Copa do Mundo, talento é fundamental, mas organização, equilíbrio emocional e regularidade costumam fazer a diferença.</p>
<p>Por isso, o sentimento que deve acompanhar a campanha brasileira é o do otimismo responsável. O Brasil possui jogadores talentosos, uma tradição vencedora e um treinador de primeira linha. Tem razões concretas para acreditar. Mas também sabe que não existem atalhos para o sucesso. Ainda assim, quando o assunto é Copa do Mundo, o brasileiro permite-se sonhar. Faz parte da nossa cultura acreditar que o impossível pode acontecer. Faz parte da nossa identidade repetir que “o brasileiro não desiste nunca”.</p>
<p>E faz parte do nosso imaginário popular recorrer, entre a fé e o bom humor, a outra frase que atravessa gerações: “Deus é brasileiro”. Talvez essas expressões não expliquem vitórias dentro de campo, mas ajudam a compreender por que o futebol ocupa um lugar tão especial em nossas vidas. A cada quatro anos, renova-se a convicção de que o próximo capítulo pode ser inesquecível.</p>
<p>A Copa de 2026 já começou. O caminho será difícil, como sempre foi, mas a história ensina que o Brasil costuma crescer quando o mundo inteiro está olhando. Entre a tradição e a renovação, entre a realidade e a esperança, entre a técnica e a superstição, mais uma vez a nação veste amarelo e volta a acreditar. E se Zagallo estivesse aqui para comentar a estreia no dia 13, certamente abriria um sorriso e lembraria sua frase favorita: “Brasil campeão tem treze letras”.</p>
<p>Para os supersticiosos, um sinal, para os realistas, uma curiosidade, para todos os brasileiros, mais um motivo para sonhar.</p>
<p><em>(*) Empresário e publicitário</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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