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	<title>Fatores Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>Fatores Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Massacre de Realengo, 15 anos: os fatores misóginos por trás do crime</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 10:49:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há 15 anos, um jovem entrou com dois revólveres na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, atirou e matou 12 alunos de 13 a 15 anos. Feriu mais 10 pessoas e cometeu suicídio depois de ser baleado por policiais. Os motivos por trás do Massacre de Realengo, como ficou conhecido o crime ocorrido [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há 15 anos, um jovem entrou com dois revólveres na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, atirou e matou 12 alunos de 13 a 15 anos. Feriu mais 10 pessoas e cometeu suicídio depois de ser baleado por policiais.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Massacre-de-Realengo-15-anos-os-fatores-misoginos-por-tras.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Os motivos por trás do Massacre de Realengo, como ficou conhecido o crime ocorrido no bairro da zona norte, sempre estiveram no centro das discussões. O assassino deixou vídeos e uma carta de suicídio alegando, entre outros fatores, que sofreu bullying (violência e intimidação frequentes) durante o período em que estudou na escola.</p>
<p>Boa parte dos analistas e das autoridades focaram nessa versão, o que motivou a criação do Dia Nacional de Combate ao Bullying em 7 de abril, por meio da Lei 13.277/2016, para conscientização sobre o tema.</p>
<p>Um grupo de pesquisadoras e ativistas feministas entende que um ponto central do crime foi negligenciado durante todos esses anos: a misoginia, termo usado para categorizar o ódio contra as mulheres e as ideias de superioridade masculina.</p>
<p>Nesse sentido, um conjunto de elementos permite identificar questões de gênero no crime, a começar pela diferença no número de vítimas: foram 10 meninas e 2 meninos.</p>
<p>“As explicações que surgiram na mídia à época chegaram a ser ridículas. Morreram mais meninas porque elas correm mais devagar ou porque costumam ser boas alunas e sentar nas primeiras fileiras da sala”, lembra Lola Aronovich, pesquisadora e ativista feminista.</p>
<p>“As testemunhas relataram que o assassino atirava nas meninas para matar e nos meninos para ferir. Além disso, pelo que ele deixou gravado e escrito, era claramente um incel [celibatário involuntário, que não consegue ter relacionamentos sexuais]. Nos grupos masculinistas que eu acompanhava no Orkut na época, o massacre era comemorado e o assassino visto como um herói. Diziam que lembravam de vê-lo frequentando os fóruns. Tudo aponta para um crime  movido por misoginia”, acrescenta.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Massacre-de-Realengo-15-anos-os-fatores-misoginos-por-tras.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo; Foto/Shana Reis " title="Shana Reis"/></p>
<p>Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo; Foto Shana Reis/Divulgação</p>
<h2>Violência em escolas</h2>
<p>A pesquisadora Cleo Garcia, doutora em educação pela Universidade de Campinas (Unicamp), estuda episódios de violência extrema em escolas no Brasil. Levantamento conduzido por ela identificou 40 ataques entre 2001 e 2024, com aumento expressivo recente: 25 casos ocorreram entre 2022 e 2024. Todos foram cometidos por homens.</p>
<p>Segundo Garcia, esses crimes frequentemente estão associados a crenças opressoras, como misoginia, racismo e ideologias extremistas. Ela destaca que comunidades <em>online</em> desempenham papel relevante no processo de estimular ataques.</p>
<p>Esses espaços intensificam ressentimentos, frustrações e raiva. Muitos se consideram vítimas de injustiças sociais e veem a diversidade como uma ameaça.</p>
<p>“A misoginia é um fenômeno multifatorial. Por um lado, há questões psicológicas de cada um que passam a ser exploradas nessas comunidades. Quem tem baixa tolerância à frustração é mais vulnerável às ideias de ódio. Também é comum entre pessoas que têm dificuldade de assumir responsabilidades. O misógino sempre coloca a culpa nas meninas”, diz Cleo.</p>
<p>“Por outro lado, devemos destacar a influência sociocultural. Levar em conta a famílias, os locais onde vivem, comunidades que frequentam. Que modelos de masculinidade os meninos estão recebendo na sua formação? Os de que não se pode levar desaforo para casa, que precisam ser agressivos, vencer e destruir o outro”, completa.</p>
<p>A construção de um modelo de masculinidade violenta, que hierarquiza e inferioriza as mulheres, é parte essencial das dinâmicas de radicalização.</p>
<p>“Entre esses criminosos, há meninos ou homens muito frustrados sexualmente. Tímidos, que não têm namorada e se sentem muito mal por isso. Entendem que, para ser homem e provar masculinidade, têm que ser ricos, poderosos e ter um monte de mulheres. E caem nessa estupidez da masculinidade tóxica, ao encontrar um lugar de pertencimento em comunidades da internet que levam a extremos”, analisa Lola.</p>
<h2>Desafios e soluções</h2>
<p>Para a educadora Cleo Garcia, o ambiente escolar é fundamental na constituição social e emocional dos jovens. O ideal seria que famílias estivessem integradas com as instituições, em permanente diálogo. E que os estudantes tivessem canais de comunicação, mesmo que de forma anônima, para se sentir seguros, falar sobre angústias e dificuldades comuns.</p>
<p>Para isso ocorrer, porém, mudanças mais amplas precisam ser construídas por toda a sociedade.</p>
<p>“Não sei se, no geral, profissionais de escolas estão preparados para trabalhar temas complexos de gênero, emoções e até mesmo convivência. E a culpa não é deles. É preciso mais investimento na área de educação. Não dá para cobrar só da escola. Como lidar com problemas de saúde mental, se há inúmeros problemas estruturais? Escolas sem o básico: quadro, biblioteca, internet”, reflete Cleo.</p>
<p>“A responsabilidade é de toda a sociedade. Investimentos devem ser feitos em conselhos tutelares, sistemas de saúde mental, assistência social, segurança pública, escola, família, instituições de Estado”, completa.</p>
<p>A ativista Lola Aronovich concorda que o enfrentamento desse tipo de violência exige diferentes ações, incluindo segurança pública, educação e monitoramento digital.</p>
<p>“São várias frentes. Uma é a investigação policial. Tenho certeza que as polícias têm investigado e conseguido impedir muitos crimes. Às vezes, a gente fica sabendo de uma busca e apreensão. Isso deve ser intensificado”, diz Lola.</p>
<p>“Mas a questão da educação é fundamental. Precisa ter diálogo nas escolas, um espaço para que os adolescentes possam conversar sobre o que veem na internet, com a supervisão de um adulto, de preferência, uma psicóloga. E os pais têm que saber o que os filhos fazem na internet. É responsabilidade deles”.</p>
<p>“Outra coisa é a regulação das plataformas. Não é possível que elas permitam que tudo isso esteja acontecendo sem fazer nada. Elas sabem tudo que a gente faz na internet, logo sabem muito bem o que acontece nas comunidades. Temos pesquisas mostrando que as plataformas lucram com a misoginia e a radicalização dos jovens. Precisamos dar um fim nisso”, complementa.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-04/massacre-de-realengo-15-anos-os-fatores-misoginos-por-tras-do-crime" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Fatores sociais empurram famílias para ultraprocessados, diz pesquisa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 10:16:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A sobrecarga materna, o preço atraente e até componentes afetivos são alguns dos fatores sociais que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas de diferentes cidades brasileiras, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (31) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O estudo entrevistou cerca de 600 famílias de três comunidades [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A sobrecarga materna, o preço atraente e até componentes afetivos são alguns dos fatores sociais que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas de diferentes cidades brasileiras, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (31) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Fatores-sociais-empurram-familias-para-ultraprocessados-diz-pesquisa.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>O estudo entrevistou cerca de 600 famílias de três comunidades urbanas do país: Guamá, em Belém (PA); Ibura, em Recife (PE); e Pavuna, no Rio de Janeiro (RJ). </p>
<p>Apesar de 84% dos entrevistados se considerarem muito preocupados em oferecer uma alimentação saudável para suas famílias, em metade dos lares os alimentos ultraprocessados faziam parte do lanche das crianças. Além disso, em um a cada quatro, algum desses produtos estava no café da manhã.</p>
<p>Os produtos ultraprocessados mais presentes nas casas foram iogurte com sabor, embutidos, biscoito recheado, refrigerante e macarrão instantâneo.</p>
<h2>O que são ultraprocessados?</h2>
<p>Os ultraprocessados são produtos alimentícios de origem industrial, resultantes da mistura de ingredientes naturais com aditivos químicos, como corantes, aromatizantes e emulsificantes. Isso permite a fabricação de produtos de baixo custo, longa durabilidade e com sabores intensos, que viciam o paladar. </p>
<p>Evidências científicas mostram que o seu consumo aumenta o risco de doenças como obesidade, diabetes, problemas cardíacos, depressão e câncer. </p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Fatores-sociais-empurram-familias-para-ultraprocessados-diz-pesquisa.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF) - Novas regras para fabricação de presunto entram em vigor em maio. Foto: MAPA/Divulgação" title="MAPA/Divulgação"/></p>
<p><h6 class="meta">Embutidos como presunto são considerados ultraprocessados Foto: MAPA/Divulgação &#8211; MAPA/Divulgação</h6>
</p>
<h2>Sobrecarga materna</h2>
<p>Nas famílias ouvidas pela pesquisa, 87% das mães exerceram a tarefa de comprar e servir o alimento às crianças, e 82% delas também foram responsáveis pela preparação.</p>
<p>Já entre os pais, apenas 40% comprou alimentos, enquanto 27% cozinharam e 31% ofereceram a comida às crianças da casa. </p>
<p>A oficial de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral, ressalta a sobrecarga das mulheres nos cuidados com a alimentação.</p>
<p>&#8220;Muitas mães fazem isso sozinhas, além de trabalhar fora. É uma sobrecarga que acaba fazendo com que a praticidade dos alimentos ultraprocessados pese muito mais&#8221;.</p>
<h2>Desconhecimento</h2>
<p>Outro ponto destacado pela pesquisa é o desconhecimento sobre os produtos ultraprocessados. Muitos alimentos que se enquadram nessa categoria foram apontados como saudáveis pela maioria dos entrevistados, como os iogurtes com sabor e os nuggets de frango fritos na <em>airfryer</em>. </p>
<p>A nova rotulagem frontal dos produtos, que traz avisos quando eles têm grande concentração de sódio, açúcar e gorduras saturadas também não cumpre seu papel de forma integral: 26% dos entrevistados disseram não saber o que esses avisos significam.</p>
<p>Além disso, 55% dos entrevistados nunca observam os avisos de alto teor no rótulo dos alimentos, e 62% admitem que nunca deixaram de comprar algum produto por causa deles. </p>
<h2>Preço baixo</h2>
<p>A percepção de preço também pode influenciar no consumo. A maioria das famílias (67%) considera que os sucos de caixinha, salgadinhos e refrigerantes são baratos.</p>
<p>Já legumes e verduras são considerados caros por 68% delas, proporção que sobe para 76% no caso das frutas e 94% no das carnes.</p>
<p>Os pesquisadores também fizeram entrevistas aprofundadas com algumas famílias e identificaram ainda um componente afetivo.</p>
<p>&#8220;Essas pessoas não tinham dinheiro para comprar os alimentos que elas queriam quando eram crianças, então agora elas se sentem felizes por poder comprar o que a criança quer comer. E aí esses alimentos ultraprocessados, ainda mais aqueles com desenhos e personagens, são associados a uma infância feliz&#8221;, explica Stephanie Amaral. </p>
<p>A oficial de Saúde e Nutrição do Unicef destaca ainda que é mais difícil controlar o consumo no caso dos ultraprocessados, porque os danos que eles causam à saúde são cumulativos e não imediatos. Mesmo assim, ela acredita que as escolas podem contribuir de forma essencial: </p>
<p>&#8220;As famílias mostram uma confiança muito grande na alimentação escolar, o que mostra como as escolas são importantes em oferecer o alimento saudável, mas também em promover essa alimentação para as famílias&#8221;</p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1774952178_432_Fatores-sociais-empurram-familias-para-ultraprocessados-diz-pesquisa.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Merenda escolar -  Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome" title="Sergio Amaral/Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social"/></p>
<p><h6 class="meta">Merenda escolar é essencial para acesso à alimentação saudável &#8211; Sergio Amaral/Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome/Divulgação</h6>
</p>
<h2>Recomendações do estudo</h2>
<p>Fortalecer a regulação de alimentos ultraprocessados: avançar na regulação da publicidade infantil, na tributação de ultraprocessados e na promoção de ambientes escolares saudáveis, reduzindo a exposição e o consumo desses produtos</p>
<p>Expandir creches e escolas em tempo integral: a ampliação da educação infantil e da jornada escolar fortalece redes de apoio às famílias, reduz sobrecargas, especialmente sobre as mulheres, e contribui para a proteção e promoção de hábitos saudáveis.</p>
<p>Fortalecer a orientação alimentar nos serviços de saúde: ampliar o aconselhamento alimentar, desde a gestação, de forma a promover informação de qualidade,  evitar a introdução precoce de ultraprocessados e influenciar a adoção de hábitos saudáveis desde o início da vida.</p>
<p>Apoiar iniciativas e lideranças comunitárias: fortalecer ações locais — como hortas, feiras, atividades esportivas e redes de apoio — amplia o acesso a alimentos saudáveis e incentiva práticas de atividade física nos territórios.</p>
<p>Ampliar a compreensão e o uso da rotulagem frontal: promover campanhas e ações educativas que expliquem, de forma clara, o significado da rotulagem e seu uso no dia a dia e acompanhar a efetividade da rotulagem frontal, considerando seus critérios nutricionais e formato dos alertas.</p>
<p>Investir em comunicação para mudança de comportamento: estratégias de comunicação devem considerar a realidade das famílias, usar linguagem simples e abordar desafios práticos, como identificar “falsos saudáveis” e melhorar formas de preparo.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/fatores-sociais-empurram-familias-para-ultraprocessados-diz-pesquisa" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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