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		<title>Fome recua mais em lares com Bolsa Família chefiados por mulher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 21:30:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De 2023 para 2024, a fome no Brasil registrou redução em casas de família beneficiária do Bolsa Família chefiadas por mulher. Por outro ponto de vista, entre os domicílios com pessoas que recebem o programa assistencial e alcançaram a segurança alimentar, 71% têm mulher como responsável pelo lar. As constatações fazem parte do estudo Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil, da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta sexta-feira (20), na sede da instituição, no Rio de Janeiro. O levantamento compara dados dos últimos trimestres dos dois anos pesquisados. Em 2023, 9,6% dos domicílios beneficiados pelo Bolsa Família que eram chefiados por mulher enfrentavam insegurança alimentar grave. No ano seguinte, a marca foi reduzida para 7,2%, ou seja, diminuição de 2,4 pontos percentuais (p.p.). Já entre os...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>De 2023 para 2024, a fome no Brasil registrou redução em casas de família beneficiária do Bolsa Família chefiadas por mulher. Por outro ponto de vista, entre os domicílios com pessoas que recebem o programa assistencial e alcançaram a segurança alimentar, 71% têm mulher como responsável pelo lar.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Fome-recua-mais-em-lares-com-Bolsa-Familia-chefiados-por.gif?w=1400&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>As constatações fazem parte do estudo <em>Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil</em>, da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta sexta-feira (20), na sede da instituição, no Rio de Janeiro.</p>
<p>O levantamento compara dados dos últimos trimestres dos dois anos pesquisados. Em 2023, 9,6% dos domicílios beneficiados pelo Bolsa Família que eram chefiados por mulher enfrentavam insegurança alimentar grave.</p>
<p>No ano seguinte, a marca foi reduzida para 7,2%, ou seja, diminuição de 2,4 pontos percentuais (p.p.).</p>
<p>Já entre os lares recebedores do Bolsa Família chefiados por homem, a proporção na insegurança alimentar grave passou de 8,6% para 6,8%, queda de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>De acordo com a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), insegurança alimentar grave é a condição em que há redução ou falta de comida para adultos e crianças no lar, em outras palavras, a fome passa a ser uma experiência enfrentada no domicílio.</p>
<p>Já em situação de segurança alimentar, há acesso suficiente ao alimento, sem a família precisar comprometer outras necessidades.</p>
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<h2>Mulher</h2>
<p>A pesquisadora Janaína Rodrigues Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, atribui o resultado à maior capacidade da mulher de administrar a renda do Bolsa Família.</p>
<p>“Elas gastam melhor os recursos dentro do lar, especialmente quando tem crianças”, diz Janaína.</p>
<p>O levantamento detalha que no intervalo de um ano, 946,6 mil domicílios assistidos pelo Bolsa Família deixaram a fome e chegaram à segurança alimentar. Desses, quase 670 mil eram chefiados por mulher.</p>
<p>Janaína escreve na pesquisa que estudos acadêmicos mostram que “quando mulheres controlam uma parcela maior dos recursos do domicílio, a composição do gasto tende a se deslocar para bens mais associados ao bem-estar infantil e familiar, como alimentação, saúde, educação e itens de consumo da criança”.</p>
<h2>O programa</h2>
<p>O Bolsa Família, pago pelo governo federal, é o principal programa de transferência de renda do país.</p>
<p>O critério inicial para uma pessoa ser assistida é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa (quanto a família ganha por mês, dividido pelo número de pessoas).</p>
<p>O benefício base é R$ 600, que pode ser aumentado em casos de haver criança e grávida na família, por exemplo. O valor médio do benefício está em R$ 683,75.</p>
<p>Segundo o Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), agora em março, o programa alcançará 18,73 milhões de famílias cadastradas, com gasto de R$ 12,77 bilhões. </p>
<h2>Pessoa de referência</h2>
<p>O estudo cita números de janeiro de 2026 que indicam que, das famílias atendidas pelo Bolsa Família, 84,4% tinham a mulher como responsável.</p>
<p>Janaína Feijó considera que programas de transferência de renda podem “fortalecer o empoderamento feminino e o poder de barganha dentro do lar”. </p>
<p>“Especialmente ao ampliar a participação das mulheres em decisões de gastos, consumo e outros aspectos da vida doméstica”, sustenta.</p>
<h2>Negras</h2>
<p>Ao destacar que 70,8% dos lares de beneficiários do Bolsa Família que alcançaram a segurança alimentar eram chefiados por mulher, o levantamento assinala que 61,4% (581 mil) tinham como responsável mulher preta ou parda.</p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Fome-recua-mais-em-lares-com-Bolsa-Familia-chefiados-por.jpg?w=1400&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ), 20/03/2026 – A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco durante seminário que debate a saída do Brasil do Mapa da Fome, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil" title="Tomaz Silva/Agência Brasil"/></p>
<p>A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou o fato de a renda chegar diretamente às mulheres em condições de vulnerabilidade alimentar.. Foto-arquivo: Tomaz Silva/Agência Brasil &#8211; Tomaz Silva/Agência Brasil</p>
<p>A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, acompanhou a divulgação do resultado do estudo.</p>
<p>Ela enalteceu o fato de a renda chegar diretamente às mãos de mulheres em condições de vulnerabilidade, além de relacionar o combate da fome à desigualdade racial.</p>
<p>“Não tem como pensar em combate à fome sem pensar em raça”, disse ela, associando a segurança alimentar ao desenvolvimento educacional.</p>
<p>“Ninguém estuda de barriga vazia”, declarou a ministra.</p>
<p>O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, chamou de “estratégica” a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar mulheres como recebedoras.</p>
<p>“Foi dele a ideia de que tinha que colocar o cartão nas mãos das mulheres”, lembrou.</p>
<p>“A pesquisa mostra o efeito extraordinário que isso tem, tanto em relação à saúde, à educação, às condicionalidades e mesmo em relação à renda. Além de tirar da fome, que é, na verdade, um primeiro passo, a gente trabalha a superação da pobreza”, comentou em conversa com jornalistas.</p>
<h2>Mapa da Fome</h2>
<p>O evento na FGV reuniu especialistas e autoridades que atuam no combate à fome. Um dos pontos abordados foi a saída do Brasil do chamado Mapa da Fome.</p>
<p>Em 2025, o Brasil deixou, pela segunda vez, o Mapa da Fome – um indicador da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que identifica países em que mais de 2,5% da população sofrem de subalimentação grave (insegurança alimentar crônica).</p>
<p>O Brasil já tinha alcançado esse patamar em 2014, mas retornou ao Mapa da Fome em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (2019-2022), com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave.</p>
<p>No biênio 2023-2024, 26,5 milhões de pessoas deixaram a fome no país, segundo o MDS.</p>
<p>O estudo da FGV projeta que, caso não houvesse o programa Bolsa Família, a segurança alimentar no país cairia de 53 para 50,2% entre os beneficiários. Já a forma mais grave da fome subiria de 7,1% para 8,1%.</p>
<p>“Os resultados reforçam a importância de políticas públicas de transferência de renda para a redução da insegurança alimentar no Brasil, especialmente quando voltadas aos domicílios em maior vulnerabilidade social”, conclui a pesquisa da FGV.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/fome-recua-mais-em-lares-com-bolsa-familia-chefiados-por-mulher" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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