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		<title>Quilombo urbano na zona sul do Rio guarda lições de resistência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2026 14:51:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É em um quintal com coqueiro, goiabeira, bananeiras, uma paineira-rosa e um raro pé de abiu que vivem as 14 famílias do Quilombo Urbano Ferreira Diniz. A comunidade fica na Glória, na zona sul do Rio de Janeiro, e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O local se tornou ponto de encontro dos amantes da tradicional [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É em um quintal com coqueiro, goiabeira, bananeiras, uma paineira-rosa e um raro pé de abiu que vivem as 14 famílias do Quilombo Urbano Ferreira Diniz. A comunidade fica na Glória, na zona sul do Rio de Janeiro, e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Quilombo-urbano-na-zona-sul-do-Rio-guarda-licoes-de.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>O local se tornou ponto de encontro dos amantes da tradicional feijoada da Tia Cida e também representa a resistência comunitária em meio à especulação imobiliária no bairro.</p>
<p>O tombamento cobre toda a área do terreno, na Rua Cândido Mendes, e incluiu o quintal e os casarões, referências culturais e espaços de uso comunitário.</p>
<p>Como uma das ações de salvaguarda, o Iphan pretende fazer um inventário de referências e manifestações culturais do quilombo como desdobramento da proteção.</p>
<p>Uma das atividades que mais atrai pessoas à comunidade é a Feijoada da Tia Cida, como é carinhosamente chamada Maria Aparecida Ferreira. Às sextas-feiras, desde cedo, ela é encontrada entre as panelas de feijoada. O prato é servido aos visitantes no quintal, ponto de encontro e polo gastronômico.</p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Quilombo-urbano-na-zona-sul-do-Rio-guarda-licoes-de.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ), 25/09/2026 – O Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" title="Fernando Frazão/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">O Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</h6>
</p>
<h2>História</h2>
<p>As famílias do quilombo, Ferreira e Diniz, estão desde a década de 1950 no terreno, quando a matriarca Maria Isabel Ferreira, descendente de africanos escravizados de Minas Gerais, se mudou para o casarão principal, ao se casar com o zelador do prédio, Antônio Dias Pessanha. O imóvel funcionava como uma antiga hospedagem.</p>
<p>A família ampliada e os casarões ─ abandonados pelos antigos donos ─ resistiram aos anos. Os Ferreira e os Diniz, ambos grupos com raízes em Minas, cresceram e, em 2023, por se manterem em comunidade e laços que refletem o passado colonial, foram reconhecidos pela Fundação Cultural Palmares como quilombolas. Naquela época, o quintal já recebia clientes da Tia Cida, que, após a pandemia, fez do espaço um restaurante como forma de sobrevivência e de visibilidade à causa.</p>
<p>Cida é uma conhecida cozinheira de mão cheia na cidade. Trabalhou no comércio e vendeu marmitas, até que a fama do quintal atraiu produtores de conteúdo sobre gastronomia em redes sociais e a demanda aumentou. Tradição recente no bairro, a feijoada conta com outros quilombolas, que fazem o atendimento. O evento remunera as famílias e também mobiliza para ações na comunidade.</p>
<p>“Eu me sinto muito honrada em fazer essa feijoada, lembro da minha mãe, das minhas mais velhas”, disse Tia Cida. Ela conta que o primeiro feijão que cozinhou na vida “foi uma catástrofe”, quando ela decidiu que iria “fazer o melhor feijão do mundo”.</p>
<p>“Hoje, quando cozinho, eu me concentro para passar para as pessoas que comam da minha comida, saúde e força, para que saiam daqui do quintal alegres.”</p>
<h2> </h2>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1790520694_838_Quilombo-urbano-na-zona-sul-do-Rio-guarda-licoes-de.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ), 25/09/2026 – Aparecida de Fátima Ferreira, a Tia Cida, prepara feijoada no Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" title="Fernando Frazão/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">Maria Aparecida de Fátima Ferreira, a Tia Cida, prepara feijoada no Quilombo Ferreira Diniz. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</h6>
</p>
<h2>Ponto de resistência</h2>
<p>Um dos 13 quilombos urbanos do estado do Rio, de um total de 54, segundo a Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Rio de Janeiro, o Ferreira Diniz atrai cariocas e turistas. Muitos vêm, pela feijoada, mas a história também interessa, comenta a psicóloga Brenda Pimentel Torres. Ela reuniu a família para um almoço no local e disse que estar em um espaço de resistência é um diferencial.</p>
<p>&#8220;Há um apagamento da história dos negros [no Brasil] e essas pessoas aqui estão resistindo, sobrevivendo, inclusive, ao racismo&#8221;, disse Brenda. Ela comemorou o tombamento da área pelo Iphan, e lembrou que a escravidão, no Brasil, foi um processo recente. &#8220;A sociedade ainda precisa conhecer melhor o que aconteceu e como essas pessoas resistiram e resistem, como aqui no quilombo&#8221;, disse.</p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1790520695_416_Quilombo-urbano-na-zona-sul-do-Rio-guarda-licoes-de.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ), 25/09/2026 – Sandra Pimentel com a neta Aurora, a filha Brenda Pimentel e Thamara Cristina Barbosa dos Santos no Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" title="Fernando Frazão/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">Sandra Pimentel com a neta Aurora, a filha Brenda Pimentel e Thamara Cristina Barbosa dos Santos no Quilombo Ferreira Diniz. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</h6>
</p>
<p>Localizado no bairro da Glória, o quilombo foi o primeiro do estado a ser tombado pelo Iphan, que reconheceu a importância histórica e cultural da comunidade, assim como as pressões enfrentadas por seus moradores, como o alto custo de vida.</p>
<p>O endereço, afirma o órgão, é uma “espécie de ilha verde” em meio a prédios altos e que “resiste à lógica individualizada dos apartamentos ao redor” e à gentrificação.</p>
<p>“O tombamento cumpre múltiplas funções”, explicou Patricia Corrêa, superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, na reunião que oficializou a decisão.</p>
<p>“Jurídica, ao estabelecer restrições de demolição, descaracterização e intervenções incompatíveis com o valor cultural reconhecido; territorial, ao consolidar o reconhecimento do espaço como um bem cultural coletivo e não como mera mercadoria imobiliária; simbólica, ao afirmar publicamente a relevância histórica e social da presença negra naquele território urbano; e reparatória, ao enfrentar o apagamento e expulsão das comunidades negras das áreas centrais e valorizadas das cidades”.</p>
<h2>O quilombo</h2>
<p>O quintal, tratado pelo Iphan como polo gastronômico e cultural, além de servir a feijoada que custeia ainda a manutenção do casarão, é o coração da comunidade. Crianças jogam bola, moradores organizam festas, algumas religiosas, como Folia de Reis e São Jorge, celebram aniversários e organizam rodas de capoeira, entre outras atividades.</p>
<p>Já o principal casarão, de estilo neoclássico, um exemplar de moradias de luxo construídas no bairro no início do Século 20, é onde estão subdivididas as moradias das famílias, que fizeram dos amplos cômodos da antiga hospedagem seus apartamentos. O prédio necessita de reforma para oferecer melhores condições aos habitantes.</p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1790520695_857_Quilombo-urbano-na-zona-sul-do-Rio-guarda-licoes-de.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ), 25/09/2026 – O Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" title="Fernando Frazão/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">O Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</h6>
</p>
<p>A expectativa da presidenta da Associação da Comunidade do Ferreira Diniz, Érida Ferreira, é que o tombamento impulsione o reconhecimento da posse coletiva do imóvel pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Procurado pela Agência Brasil, o instituto respondeu que acompanha o processo, que ainda está em fase inicial.</p>
<p>Com a escritura em mãos, a comunidade espera acessar programas de reforma do casarão. A regularização fundiária também protege a comunidade de desapropriações e da eventual venda fracionada do terreno por herdeiros do grupo.</p>
<p>Érida e a família celebraram o tombamento e anunciaram uma festa com roda de samba no sábado (26). Historiadora formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ela explicou que o diferencial da medida do Iphan é que incluiu a comunidade como parte do bem tombado. </p>
<p>“É o tombamento de cultura, de patrimônio vivo, da comunidade de nossa história, que está enraizada na Glória”, completou ela. &#8220;Dar condições de permanência à comunidade é garantir um futuro com mais diversidade”, acrescentou.</p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1790520695_307_Quilombo-urbano-na-zona-sul-do-Rio-guarda-licoes-de.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ), 25/09/2026 – Área interna do casarão residencial do Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" title="Fernando Frazão/Agência Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta">Érida Ferreira em frente à pintura da matriarca Maria Isabel Ferreira no Quilombo Ferreira Diniz, no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</h6>
</p>
<p>Para que a comunidade seja reconhecida pelo Incra, é necessário vencer uma série de etapas. A primeira delas é a elaboração de um estudo técnico, a cargo da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF).</p>
<p>A professora Ana Carmen Amorim Jara Casco é responsável por levantar o histórico das famílias e relatar o seu modo de vida no terreno, em documento que será entregue pela comunidade ao Incra até o final de 2026. Ela observa a comunidade nos últimos três anos e diz que a comunidade tem muitas lições a dar sobre o passado e sobre a formação do Brasil, mas também para o futuro da humanidade.</p>
<p>“No quilombo, uma criança, por exemplo, não é filha do ‘fulano’, mas filha de todo mundo, todo mundo cuida dela, se preocupa com ela, se ela vai para escola, se tem lanche, se almoçou, se está doente, é um modo de vida coletivo completamente diferente do que a gente vê num prédio ou em condomínio fechado”, pontuou.</p>
<p>Conhecer a formação dos quilombos e da própria população negra brasileira, acrescentou a estudiosa, é “reconhecer o papel inestimável deles na construção do país, do que nós somos hoje; o Brasil não é o Brasil sem a contribuição dessas pessoas”, lembrou.</p>
<p> </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/1790520697_385_Quilombo-urbano-na-zona-sul-do-Rio-guarda-licoes-de.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF), 25/09/2026 - Mapa do quilombo. Foto: Arte/Agência Brasil" title="Arte/Agência Brasil"/></p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-09/quilombo-urbano-na-zona-sul-do-rio-guarda-licoes-de-resistencia" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
<p>The post <a href="https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/quilombo-urbano-na-zona-sul-do-rio-guarda-licoes-de-resistencia/">Quilombo urbano na zona sul do Rio guarda lições de resistência</a> appeared first on <a href="https://cliquenoticiasbrasil.com.br">Clique Notícias Brasil</a>.</p>
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