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	<title>quando Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>quando Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Francy Baniwa: &#8220;Quando um parente entra, estamos representados&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 15:06:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Francineia Bitencourt Fontes é uma mulher de muitos primeiros. Mais conhecida como Francy Baniwa, ela foi a primeira mulher indígena a publicar um livro de antropologia no Brasil. Ela também foi a primeira mulher Baniwa a se tornar mestre e, mais recentemente, ela é a primeira mulher Baniwa a integrar o corpo docente da Universidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Francineia Bitencourt Fontes é uma mulher de muitos primeiros. Mais conhecida como Francy Baniwa, ela foi a primeira mulher indígena a publicar um livro de antropologia no Brasil. Ela também foi a primeira mulher Baniwa a se tornar mestre e, mais recentemente, ela é a primeira mulher Baniwa a integrar o corpo docente da Universidade de São Paulo (USP).<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Francy-Baniwa-Quando-um-parente-entra-estamos-representados.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Mulher indígena, antropóloga, fotógrafa, escritora, dona de roça e pesquisadora do povo Baniwa, Francy Baniwa nasceu na comunidade de Assunção, no Baixo Rio Içana, na Terra Indígena Alto Rio Negro, no município de São Gabeiel da Cachoeira (AM). </p>
<p>Em solo brasileiro, os Baniwas estão localizados no Baixo e Médio Içana e nos rios Cubate, Cuiari e Aiari. Também estão em comunidades do Alto Rio Negro, nas cidades de São Gabriel, Santa Isabel e Barcelos. </p>
<p>Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, os Baniwa somam atualmente 8.827 pessoas em território nacional.</p>
<p>Engajada nas organizações e no movimento indígena do Rio Negro há mais de uma década, ela pesquisa as áreas de etnologia indígena, gênero, saberes femininos, objetos e acervos. Na maior universidade pública do país, Francy Baniwa vai atuar no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE).</p>
<p>Em entrevista à Agência Brasil, Francy Baniwa falou que essa é uma conquista para todo um coletivo indígena e demonstra, principalmente para as mulheres indígenas, que elas podem ocupar qualquer espaço.</p>
<p>“Essa vitória e essa presença nossa, pela primeira vez, em uma universidade tão importante, é um espaço que a gente vai conquistando aos poucos. Sabemos que somos donos dessa terra, mas por muito tempo fomos violentados”, disse ela. </p>
<p>“E quando ocupamos esse espaço, isso significa muito. Não é apenas uma mulher Baniwa. É um povo que vai estar podendo ocupar esses espaços. E essa conquista é de todos nós, de todos os povos. Então, quando um parente entra nesse espaço, ficamos muito felizes porque estamos sendo representados”, acrescentou.</p>
<p>Na entrevista, Francy reflete sobre seu pioneirismo e sobre sua condição de mulher indígena e ressalta a importância das universidades do país estarem, finalmente, se abrindo aos saberes e conhecimentos indígenas. “Eu tenho mediado esses mundos mostrando que a universidade também é uma boa porta, que ela pode dar visibilidade para os seus conhecimentos de uma outra forma”.</p>
<p>Agência Brasil: Quem é Francy Baniwa? E como você chegou até aqui?</p>
<p>Francy Baniwa: Eu sou Hipamaalhe, que significa o som da cachoeira. Sou uma mulher, uma mulher indígena, sou mãe, sou artesã, sou ativista, sou dona de roça. Eu venho de um território muito distante, que é um território chamado Alto Rio Negro, no município de São Gabriel da Cachoeira, no noroeste amazônico. E eu venho do Rio Içana, de uma comunidade chamada Assunção, que em baniwa é Wanaliana. E eu sou essa mulher indígena que nasceu numa comunidade indígena, que teve infância, adolescência e juventude numa comunidade indígena e que estudou desde as séries iniciais até o ensino fundamental e o ensino médio em uma escola indígena, com professores indígenas. Acho super importante ter esse contexto de que eu vim de uma educação escolar indígena. Eu sou fruto de uma educação escolar indígena, de professores indígenas. Nunca tive um professor, mestre ou doutor nesse conhecimento ocidental. Tive professores indígenas que são donas de roça, pescadores, caçadores e que tem essa visão do mundo muito diferente que é de conhecimento indígena, de uma ciência indígena. Então, eu sou fruto desse outro mundo de saberes indígenas. Eu venho dessa ancestralidade trazendo toda essa formação única que é um conhecimento indígena.</p>
<p>Agência Brasil: Você foi nomeada professora da maior universidade da América Latina. Você foi também a primeira mulher Baniwa a se tornar mestre, a primeira Baniwa professora da USP. Primeira mulher indígena a publicar um livro de antropologia no Brasil. São muitos primeiros. Que significados isso traz para você e para seu povo?</p>
<p>Francy: Acho que tem um significado único, não só para o meu povo Baniwa, mas para os povos indígenas. Eu acho que a ocupação do espaço vem dessa trajetória de muito silenciamento das vozes dessas mulheres. Por muito tempo, as pesquisas silenciaram esses conhecimentos, então acho que eu sou a voz desse conjunto de mulheres que, por muito tempo, estavam aí fazendo ciência, trazendo seus conhecimentos, mas através de outros, sabe? Então, acho que eu ser a primeira tem esse símbolo de muita resistência. Nós, como mulheres indígenas, estamos muito longe desses contextos de universidade. A gente veio das comunidades [para as universidades] muito maduras, já mães. Eu vim para a universidade já com dois filhos. Acho que isso significa muito dessa nossa caminhada de bagagem, mas também desse protagonismo porque a gente acabou dizendo: ‘nós somos capazes’. O que a gente ouvia muito é: ‘se você já tem filho, você já não pode ir para a universidade’. É como se a gente não tivesse o direito de estar na universidade. Então, acho que essa nossa presença de corpos, de vozes, de saberes, com filhos, traz muito dessa nossa determinação. Eu me vejo em muitas mulheres e eu tenho certeza que muitas mulheres se veem em mim também como uma mulher forte que superou muitos desafios e que passou por muita violência.</p>
<p>Estar aqui hoje significa muito para a gente poder mostrar para as meninas e para as comunidades que a gente pode sim ocupar esses espaços. Acho que essa minha presença em ser a primeira mulher a terminar mestrado, depois doutorado e de ser a primeira consultora dos projetos da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Museu Nacional dos Povos Indígenas, mostra que o estudo te coloca nesses lugares. O incentivo da comunidade e o incentivo dos pais em me dizer ‘vai, porque seus filhos vão ficar aqui comigo e vão estar bem’, me colocou nesses espaços. Se eu desistisse no primeiro desafio, eu não estaria aqui contando o quão foi difícil, o quão foi desafiador estar longe de casa, o quão foi difícil estar na cidade. Mas, ao mesmo tempo, quando você olha para o seu povo, você pensa: ‘Por eles eu preciso encarar esses desafios’.</p>
<p>Eu tenho atravessado esses dois mundos ao mesmo tempo, então acho que é gratificante poder ser a porta-voz das mulheres. Falar com orgulho sobre as mulheres donas de roças é como se a minha mãe pudesse estar falando sobre os conhecimentos dela. Eu me vejo também em muitas das minhas tias. Eu trago muitas vozes dessa vivência coletiva que a gente tem. E isso me coloca nesse protagonismo de poder falar sobre nossos conhecimentos com muita determinação porque eu vivo, eu faço parte disso, eu sou elas como corpo também desses saberes.</p>
<p>Agência Brasil: E como trazer essas vivências e saberes dessas mulheres que estão contigo, como trazer tudo isso para dentro da universidade? Como relacionar todo esse conhecimento com as teorias acadêmicas?</p>
<p>Francy: Eu costuro muito isso. Eu sempre falo que eu sou tradutora desses mundos. Uma coisa são as minhas tias, a minha comunidade, as mulheres trabalharem sempre em coletivo. Mas o nosso maior desafio é como traduzir esses conhecimentos para a universidade e para o português porque na língua você vive e você sente. Eu tenho sido a tradutora de mundos, eu traduzo bem o que é ser dona de roça porque eu vivo isso. Eu sei como traduzir porque eu sei o quão é desafiante e o quanto é lindo ser dona de roça. Eu me orgulho muito de viver em um mundo muito diferente e de poder traduzir esses mundos.</p>
<p>Isso me traz nesse lugar de compartilhar saberes, dessa vivência única que a gente tem na comunidade de como as mulheres são as guardiãs e pilares de conhecimento, de como as mulheres são únicas dentro da comunidade por esse fazer que elas vão costurando: a partir da roça, da vivência do dia a dia, do resguardo do parto, da infância, do cuidado com os maridos e com os filhos e com a comunidade, na preparação de festa, nas pinturas, nos grafismos, nas tecelagens. Eu trago essa ciência indígena para uma outra tradução e tento casar essas duas ciências. E eu acho que poder ser uma das mulheres tradutoras de mundo já me transforma em uma mulher cientista. E além de ser dona de roça, hoje eu me considero um braço do meu pai porque eu sou tradutora de narrativas de outros mundos, cosmológicas, de benzimentos e de cantos. Eu não sabia que seria resultado de uma parceria tão linda com meu pai. Trazer isso também para antropologia mostra como os mundos mudaram e que houve mudanças também nos conhecimentos indígenas.</p>
<p>Não era um pai e um filho. Era um pai e uma filha. Isso me colocou também nesse espaço de ser tradutora de mundos, mas também de trazer essas informações e inspirações para a juventude. Hoje tenho mostrado para a juventude que o nosso território é o maior pilar do mundo. A gente precisa conhecer o nosso mundo para a gente poder sair por esse mundo tão grande, que é a universidade, e você poder falar do seu mundo com muito orgulho. É difícil, mas a gente traduz nossos conhecimentos e isso me fortalece também como mulher.</p>
<p>Eu tenho mediado esses mundos mostrando que a universidade também é uma porta boa, que ela pode dar visibilidade para os seus conhecimentos de uma outra forma.</p>
<p>Agência Brasil: Você sente que a universidade hoje já está mais aberta para esses saberes e esses conhecimentos indígenas?</p>
<p>Francy: Acho que aos pouquinhos sim. Eu acho que essa nossa entrada por meio da luta dos movimentos indígenas, dos coletivos indígenas e de parceiros professores que pesquisam nas comunidades indígenas, tem de fato aberto um leque diferente, em ter esse olhar específico para os conhecimentos indígenas. Acho que nossa entrada [nas universidades] fortalece muito as pesquisas que já foram realizadas. E com o nosso olhar, com a presença de indígenas e quilombolas, ela fica muito mais rica.</p>
<p>Quando a gente fala de povos indígenas, tem esse contexto da diversidade. Tem pessoas que vêm da comunidade que está lá na selva, que é o meu caso. Mas tem parentes que já estão em centros urbanos, que já dominam o português. A gente vem em um contexto muito específico de presença de indígenas nas universidades. Acho que o impacto maior sempre é para as pessoas que nunca tiveram acesso a esse mundo. E esse impacto é duro, eu diria assim, principalmente na questão da coletividade porque a gente vem de um território em que a coletividade é muito presente: a roça é coletiva, os trabalhos para limpar uma comunidade são coletivos, a gente compartilha a comida em coletivo. E a gente vem para uma cidade onde não existe isso.</p>
<p>Então, o impacto de sobreviver de forma sozinha é muito pesado para a gente que veio de uma comunidade com uma liberdade para viver.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Francy-Baniwa-Quando-um-parente-entra-estamos-representados.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="São Paulo (SP)-08/07/2026 . Francineia Bittencourt, do povo Baniwa, se tornou a primeira mulher Baniwa a fazer parte do corpo docente da USP. Ela é socióloga e mestra e doutora em Antropologia Social e atuará no Museu de Arqueologia eEtnologia da Universidade de São Paulo.&#13;&#10;.Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil" title="Paulo Pinto/Agencia Brasil"/></p>
<p><h6 class="meta rtecenter">Francineia Bittencourt, do povo Baniwa, se tornou a primeira mulher Baniwa a fazer parte do corpo docente da USP. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil</h6>
</p>
<p>Agência Brasil: Por muito tempo, essas histórias indígenas foram contadas, por exemplo, por antropólogos não-indígenas. E agora você chega à universidade e está contando a sua história. O indígena sempre foi um objeto de estudo e agora esse indígena estará contando sua própria história. Como é ser uma antropóloga indígena nessa perspectiva? E que histórias você pretende contar a partir de agora?</p>
<p>Francy: É uma conquista em que a gente vem em passo de formiguinha. Mas acho que a gente acaba somando essa força da nossa presença nas universidades. A gente continua sendo objeto de estudo, mas acho que com a diferença de que a gente também está ocupando esses espaços. A gente ser objeto de estudo nos coloca nesse lugar de ‘vamos pesquisar o que é cerâmica ou cestaria’. A universidade tem um interesse muito específico. Com a nossa entrada [na universidade], tudo para a gente é importante. Mas como costurar essas informações para que a universidade, os professores e os pesquisadores possam entender o que estamos querendo falar? Nós já entramos [na universidade] sabendo qual vai ser a dissertação e qual vai ser a tese. E o diferencial é que a gente chega fazendo pesquisa em casa. A gente chega sempre iniciando com as narrativas.</p>
<p>O tempo é o pilar para a gente escrever uma tese ou uma dissertação, porque é sempre ele que começa as narrativas. Como construir uma narrativa para que eu consiga chegar no meu objetivo? O que meu pai quer que eu escreva? Será que essa tradução é exatamente isso? O que as mulheres querem que eu fale sobre elas? Não de forma rasa, mas de uma forma que vai com o coração, porque pesquisa é afeto, é coletividade, é parceria, é escuta, é o tempo, é a floresta. São lugares sagrados e é importante trazer todas essas pessoas visíveis e invisíveis para uma tese.</p>
<p>Quando resolvi fazer a minha dissertação, eu queria mergulhar no mundo das narrativas. Porque eu sempre vivi as narrativas, mas nunca me questionei o porquê dessas narrativas. Eu sempre digo que amo ser antropóloga porque a antropologia me deu uma ferramenta de querer me aprofundar mais, um aprofundamento que eu precisava como mulher indígena.</p>
<p>A produção de tese, dissertações e TCCs hoje é fundamental para fortalecer os nossos conhecimentos. A gente pegou todo o conhecimento oral que a gente tem, dentro do nosso mundo e a gente está transformando essa oralidade em palavras, que é produção da escrita. E isso fortalece muito nessa questão da valorização das línguas, dos cantos, dos rituais, da importância do território, de como o movimento indígena é importante, de como as grandes malocas são importantes e de como esses acervos são bibliotecas vivas para a gente poder visitar.</p>
<p>Hoje a gente está se apropriando dessa ferramenta e desses espaços para fortalecer os nossos territórios. Uma coisa que é bonita é poder ocupar esses espaços, mas sem deixar de olhar para os territórios. Acho que ocupar esses espaços é como um pilar: ele vai te proporcionar trabalhar com as comunidades não só Baniwa, mas com os vários territórios. Eu me coloco muito como uma pesquisadora que tem um olhar diferente, de sempre pensar nessa parceria, nessa coletividade, nessa produção de conhecimento coletivo e de como isso nos fortalece nessa nossa caminhada.</p>
<p>Agência Brasil: Qual vai ser a sua função no MAE? Você pretende trazer alguma mudança aqui para o museu?</p>
<p>Francy: Eu ainda estou chegando. E quando você chega em uma casa nova, você precisa observar, sentir e ver em qual setor ou qual atividade você vai contribuir melhor. Eu venho de uma área de etnologia, não como indígena, mas com essa bagagem que eu já venho construindo de trabalhar em acervos e com a parte da qualificação, requalificação e a importância das línguas. Hoje temos um centro de línguas indígenas aqui no MAE. Então acredito que são portas em que eu já vou poder contribuir no acervo. Acho que vou atuar muito nessa área de linguística e do acervo e no contato com as comunidades. Mas ao longo do tempo vou poder futuramente dar um curso indígena, voltado para os conhecimentos indígenas, mas sempre em conversa com a direção e com os professores.</p>
<p>Agência Brasil: São Paulo é uma cidade fundada sobre um patrimônio indígena e muito desse patrimônio acaba vindo aqui para o MAE. Mas mesmo aqui no MAE esse patrimônio continua escondido, em uma reserva técnica. Como você vê isso?</p>
<p>Francy: A gente tem esse grande desafio. Eu tenho trabalhado com a questão de acervos e a gente sempre depara com esses arquivos, tanto de objetos quanto de fotografias. Esse é um tema em que as instituições ainda estão pensando de que forma lidar, mas acho que a gente já vem trabalhando nisso. Acho que a nossa presença e nossas conversas com essas instituições têm aberto muitas ideias de como trabalhar com as comunidades indígenas e de como esse acervo deve estar. Tem muito acervo que está, de fato, escondido, engavetado. Mas é preciso construir isso com as comunidades indígenas. O que as comunidades indígenas têm a dizer sobre isso? Essa escuta sempre é fundamental para pensar o que fazer, tal como um acervo ou uma exposição. Precisamos de um grande estudo: qual é esse acervo, quem são os donos, onde eles estão?</p>
<p>E a gente sabe que existe muita violência por trás disso, tanto do contexto histórico quanto acadêmico. Este é um assunto super delicado, mas é um assunto que já está sendo conversado hoje entre instituições e comunidades indígenas. Precisamos discutir como fortalecer essas instituições, esses acervos e as comunidades através desse espaço. Acho que a gente tem muito a aprender junto em relação a isso. Acho que a saída, muitas vezes, é a exposição, mas com essa exposição ou curadoria feita de forma participativa.</p>
<p>Agência Brasil: Recentemente, tivemos a repatriação do manto tupinambá ao Brasil. E há uma discussão recente sobre outras repatriações desse patrimônio indígena. Qual sua visão sobre esse movimento de repatriação de artefatos indígenas?</p>
<p>Francy: São muitos olhares e muitos entendimentos. Acho que cada território tem um jeito muito específico de entender aquele objeto. Tem uns [artefatos] que, de fato, precisam estar no território para um fortalecimento territorial, então o patrimônio precisa estar de volta para que dê outro sentido ao território. Dentro do nosso território (Baniwa) temos bastante cestarias. Mas no nosso território, nossos objetos estão em constante trabalho, são vivos. Então, tudo que existe no acervo hoje, para a gente não teria o mesmo cabimento de retornar para a comunidade. Seria melhor ficar naquele lugar do que retornar para as comunidades. Então, para os Baniwas, há um outro sentido essa repatriação. Mas em algumas comunidades, o objeto precisa, de fato, estar em casa. São muitos olhares, muitos entendimentos. Então, para cada povo isso vai ter um significado diferente. São olhares e entendimentos muito diversos.</p>
<p>Agência Brasil: Muitos museus têm se dedicado recentemente a fazer exposições ou rediscutir seus acervos indígenas. Até mesmo a curadoria vêm passando a ser feita por pessoas indígenas. Você acha que, de fato, os museus estão se descolonizando?</p>
<p>Francy: Acho que essa curadoria indígena dentro dos museus tem feito uma imensa diferença. Acho que a gente, como indígena, traz um olhar muito diferente sobre o que é uma exposição, sobre o que é uma curadoria, sobre o que gostaríamos de mostrar para o público. Quando você faz uma exposição, existe uma narrativa cosmológica por trás, existe uma vivência atual nessas exposições, existe o território presente nessas exposições. Mas o que essas exposições, fotografias, desenhos e obras significam para os povos indígenas? Não é apenas uma floresta. Isso é um caminho, uma narrativa, uma aula, um ensinamento da importância sobre os territórios.</p>
<p>Fizemos recentemente a exposição Viva Viva Escolas Vivas no Instituto Tomie Ohtake. A gente sempre parte das narrativas. O nosso mundo, que é a oralidade, a gente está transformando em imagens e em cores, dando vida aos nossos deuses para uma forma visível e para que vocês possam entender o que é o nosso mundo. Nossas narrativas têm vida e são dessas cores. A gente transforma essa oralidade em uma imagem para dizer: ‘essas são as nossas vivências, esse é o nosso mundo indígena’.</p>
<p>Então, quando a gente traz uma exposição indígena, não é apenas um artista, é a comunidade, é o coletivo, são várias mãos que pintaram um quadro. Além de uma imagem ou de um desenho, a gente traz povos, traz territórios, traz a oralidade, traz conhecimento, traz presença, traz força. Além de tudo isso, mostramos que sem o território a gente não existe.</p>
<p>Acho que essas curadorias, essas exposições mostram que o nosso mundo precisa ser diverso. O nosso mundo é feito por muitas línguas indígenas, com várias origens do mundo, com vários umbigos do mundo, porque os territórios são diversos. Nós, povos indígenas, somos diversos, então a gente precisa ser respeitado por essa diversidade que existe no Brasil e no mundo.<br /> </p>
<p><em>*Colaborou Thiago Padovan, repórter da TV Brasil</em></p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-07/francy-baniwa-quando-um-parente-entra-estamos-representados" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Quando sai o resultado do Festival de Parintins 2026? Veja o horário da apuração</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 01:13:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins será conhecido na próxima segunda-feira (29), quando Caprichoso e Garantido disputarão a apuração das notas. A leitura começará às 16h, no Bumbódromo, em Parintins, município localizado a 369 quilômetros de Manaus. As diretorias dos dois bois-bumbás definiram o horário em consenso com a emissora responsável pela transmissão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">O campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins será conhecido na próxima segunda-feira (29), quando Caprichoso e Garantido disputarão a apuração das notas. A leitura começará às 16h, no Bumbódromo, em Parintins, município localizado a 369 quilômetros de Manaus.</p>
<p class="wp-block-paragraph">As diretorias dos dois bois-bumbás definiram o horário em consenso com a emissora responsável pela transmissão oficial do festival.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Apuração seguirá regras da disputa</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A Comissão Organizadora conduzirá a apuração conforme o regulamento oficial do Festival de Parintins. Além disso, representantes do Caprichoso, do Garantido e da imprensa acompanharão toda a leitura das notas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Durante a cerimônia, a organização divulgará as avaliações atribuídas pelos jurados aos espetáculos apresentados nas três noites de competição.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Julgamento considera 21 quesitos</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do festival, Caprichoso e Garantido defenderam projetos artísticos inspirados na cultura, na identidade e na diversidade da Amazônia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os jurados analisaram 21 quesitos, que avaliam critérios artísticos, técnicos e culturais das apresentações. Assim, cada detalhe das performances influencia diretamente o resultado final.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Resultado encerra o Festival de Parintins</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa acompanhará toda a apuração. Após a leitura das notas, o festival conhecerá oficialmente o campeão da 59ª edição.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com isso, o Governo do Amazonas encerra a programação do evento e reforça o compromisso com a valorização da cultura popular, o fortalecimento da economia criativa e a promoção de um dos maiores espetáculos folclóricos do Brasil.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Leia mais:</p>
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		<title>13º salário dos servidores do Amazonas será antecipado; veja quando dinheiro cai na conta</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/13o-salario-dos-servidores-do-amazonas-sera-antecipado-veja-quando-dinheiro-cai-na-conta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 20:13:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O governador Roberto Cidade anunciou nesta quarta-feira (17) a antecipação da primeira parcela do 13º salário dos servidores estaduais. Com isso, mais de 123 mil servidores da ativa, aposentados e pensionistas receberão o benefício ainda em julho. Além da antecipação do 13º, o Governo do Amazonas também realizará o pagamento da folha salarial do mês. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">O governador Roberto Cidade anunciou nesta quarta-feira (17) a antecipação da primeira parcela do 13º salário dos servidores estaduais. Com isso, mais de 123 mil servidores da ativa, aposentados e pensionistas receberão o benefício ainda em julho.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além da antecipação do 13º, o Governo do Amazonas também realizará o pagamento da folha salarial do mês. Dessa forma, o Estado deverá injetar cerca de R$ 1,4 bilhão na economia amazonense em apenas nove dias.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo Roberto Cidade, a medida busca fortalecer a economia, aquecer o comércio e estimular a geração de emprego e renda nos municípios do estado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Vamos injetar na economia do Estado do Amazonas R$ 1,4 bilhão para que possamos aquecer o comércio, gerar emprego, renda e trazer outras oportunidades”, afirmou o governador.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Veja o 13º salário dos servidores do Amazonas será pago</h3>
<p class="wp-block-paragraph">O Governo do Amazonas efetuará o pagamento da primeira parcela do 13º salário dos servidores do Amazonas nos dias 23 e 24 de julho.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já nos dias 30 e 31 de julho, o Estado depositará a folha salarial regular dos servidores.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Assim, os pagamentos representarão a circulação de aproximadamente R$ 1,4 bilhão em diversos setores da economia. Além disso, a medida deverá beneficiar principalmente o comércio, os serviços e as atividades produtivas nos 62 municípios amazonenses.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Quem recebe primeiro?</h3>
<p class="wp-block-paragraph">No dia 23 de julho, o pagamento contemplará os grupos 1 e 2. Entre os beneficiados estão:</p>
<li>Aposentados e pensionistas;</li>
<li>Policiais militares e civis;</li>
<li>Bombeiros militares;</li>
<li>Servidores da Saúde da capital e do interior;</li>
<li>Defesa Civil;</li>
<li>Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar;</li>
<li>Servidores do interior da Sefaz, Idam, Sepror, SNPH, UEA, Seap e Adaf.</li>
<p class="wp-block-paragraph">Já no dia 24 de julho, o governo realizará o pagamento para os servidores que integram o Grupo 3.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além de ampliar o poder de compra das famílias, a antecipação do benefício também deverá movimentar diferentes segmentos da economia. Com isso, o governo espera estimular a geração de renda e fortalecer a atividade econômica em todo o estado.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Planejamento financeiro</h3>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Governo do Amazonas, a antecipação do pagamento reflete o planejamento orçamentário e financeiro adotado pela gestão estadual.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o Estado destaca o monitoramento permanente das contas públicas e a adoção de medidas voltadas à sustentabilidade fiscal. Dessa maneira, o governo afirma que consegue manter o equilíbrio financeiro e antecipar benefícios aos servidores.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Leia mais</p>
<p class="wp-block-paragraph">CIEE e Google renovam a parceria com oferta de 110 mil bolsas de estudo em tecnologia</p>
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		<title>Ex-ator afirma que sofreu abuso sexual de Sean Diddy Combs quando era menor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 15:54:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Los Angeles (EUA) – O rapper e empresário Sean Diddy Combs enfrenta uma nova acusação de agressão sexual. Desta vez, um ex-ator mirim entrou com um processo na Califórnia e alegou que sofreu abuso durante um evento de networking realizado em Hollywood Hills, em 2007. Segundo informações divulgadas pela CNN, o acusador manteve sua identidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Los Angeles (EUA) – O rapper e empresário Sean Diddy Combs enfrenta uma nova acusação de agressão sexual. Desta vez, um ex-ator mirim entrou com um processo na Califórnia e alegou que sofreu abuso durante um evento de networking realizado em Hollywood Hills, em 2007.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo informações divulgadas pela CNN, o acusador manteve sua identidade sob sigilo e registrou a ação com o pseudônimo “John YH Roe”. Na época dos fatos relatados, ele era menor de idade e trabalhava como ator infantil.</p>
<h3 class="wp-block-heading">O que diz o novo processo</h3>
<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a denúncia, Sean Diddy Combs convidou o adolescente para uma conversa reservada após prometer possíveis oportunidades profissionais em futuros projetos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, segundo o processo, o artista conduziu o jovem para uma sala privada durante o evento. No local, teria oferecido uma bebida alcoólica e iniciado contatos físicos indesejados.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A ação afirma que o ex-ator demonstrou desconforto. No entanto, o suposto abuso teria continuado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o documento judicial acusa Combs de praticar atos sexuais contra o adolescente e, posteriormente, prometer avaliar uma possível participação dele em um projeto profissional.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Defesa nega acusações</h3>
<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a defesa de Sean Diddy Combs negou todas as alegações.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em declaração à CNN, o porta-voz Juda Engelmayer afirmou que a acusação é falsa e foi completamente inventada.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Isso é uma mentira e foi totalmente fabricado. O Sr. Combs nunca agrediu sexualmente ninguém. Essas alegações serão desmentidas como todas as outras”, declarou.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Agência de talentos também é alvo</h3>
<p class="wp-block-paragraph">Além de processar Combs, o ex-ator também acionou judicialmente sua antiga agência de talentos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo a denúncia, a empresa falhou ao não proteger adequadamente um menor de idade. O autor afirma que a agência permitiu sua participação no evento sem a presença de um acompanhante responsável.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além disso, ele sustenta que a empresa deveria ter adotado medidas de segurança mais rígidas para garantir sua proteção.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Diddy enfrenta dezenas de processos</h3>
<p class="wp-block-paragraph">O novo caso amplia a lista de acusações civis contra Sean Diddy Combs.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos meses, diversos homens e mulheres apresentaram denúncias de abuso sexual contra o empresário. Além disso, alguns acusadores afirmam que eram adolescentes quando os supostos crimes ocorreram.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar das acusações, Combs continua negando todas as alegações.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em manifestações anteriores à CNN, os advogados do artista afirmaram que ele “nunca agrediu sexualmente ou traficou ninguém, seja homem, mulher, adulto ou menor de idade”.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Caso segue sob análise</h3>
<p class="wp-block-paragraph">Além das ações civis, Sean Diddy Combs também enfrenta investigações criminais nos Estados Unidos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo a CNN, o Gabinete do Promotor Público do Condado de Los Angeles analisa um caso de agressão sexual envolvendo o músico para decidir se apresentará acusações formais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso, Combs permanece preso após uma condenação federal relacionada ao transporte de pessoas para fins de prostituição. Além disso, ele tenta reverter a sentença por meio de recursos judiciais.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>*Com informações da CNN Internacional.</em></p>
<p class="wp-block-paragraph">Leia mais:</p>
<p class="wp-block-paragraph">Diddy é condenado em 2 das 5 acusações federais</p>
<p class="wp-block-paragraph">Diddy é sentenciado a quatro anos de prisão</p>
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		<title>Padrasto é preso no AM por abusar de enteada; crimes começaram quando a vítima tinha 5 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 19:23:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[abusar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Humaitá (AM) – Um homem de 43 anos foi preso pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) neste domingo (3), acusado de importunação sexual, violência psicológica e maus-tratos contra a enteada, uma adolescente de 15 anos. A prisão, realizada pela Delegacia Especializada de Polícia (DEP) de Humaitá, faz parte das ações da Operação Caminhos Seguros, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Humaitá (AM) – Um homem de 43 anos foi preso pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) neste domingo (3), acusado de importunação sexual, violência psicológica e maus-tratos contra a enteada, uma adolescente de 15 anos. A prisão, realizada pela Delegacia Especializada de Polícia (DEP) de Humaitá, faz parte das ações da Operação Caminhos Seguros, que combate a violência infantojuvenil em todo o Brasil.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Abusos desde a infância</h2>
<p>De acordo com a delegada Wagna Costa, as investigações revelaram um histórico de abusos que começou quando a vítima tinha apenas cinco anos de idade, logo no início da convivência com o padrasto. Em um dos relatos chocantes, a autoridade policial detalhou que o homem aproveitava momentos em que a mãe e o irmão da menina dormiam para exibir suas partes íntimas à criança.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Exploração e ameaças</h2>
<p>O cenário de violência se agravou durante um período em que a mãe da adolescente precisou ser internada por problemas de saúde. Nesse intervalo, o homem submetia a jovem a exaustivas tarefas domésticas sob graves ameaças, além de manter contatos físicos inadequados. Ao tomar conhecimento da situação, a mãe chegou a orientar que a filha passasse a dormir na casa da avó materna para protegê-la.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Prisão e procedimentos</h2>
<p>Diante da gravidade dos fatos apurados, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do agressor. O mandado judicial foi cumprido após o homem ser localizado ao comparecer à residência da vítima.</p>
<p>O infrator agora responderá pelos crimes de importunação sexual, violência psicológica e maus-tratos, todos agravados pelo contexto de violência doméstica e familiar. Ele passará por audiência de custódia e permanecerá à disposição do Poder Judiciário.</p>
<p>Leia mais: </p>
<p>Avô é preso suspeito de estuprar a neta de 9 anos em Manacapuru</p>
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		<item>
		<title>Zuzu Angel: quando a maternidade virou arma política contra a ditadura</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/zuzu-angel-quando-a-maternidade-virou-arma-politica-contra-a-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 11:45:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Angel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 50 anos, a estilista Zuzu Angel dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, quando outro veículo veio ao seu encontro. Ela foi empurrada contra a proteção de um viaduto e despencou de um barranco. O atentado, forjado como acidente, silenciou uma das vozes mais ativas contra a ditadura militar brasileira. Zuzu tinha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há 50 anos, a estilista Zuzu Angel dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, quando outro veículo veio ao seu encontro. Ela foi empurrada contra a proteção de um viaduto e despencou de um barranco. O atentado, forjado como acidente, silenciou uma das vozes mais ativas contra a ditadura militar brasileira.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Zuzu-Angel-quando-a-maternidade-virou-arma-politica-contra-a.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Zuzu tinha 53 anos quando foi assassinada. Ela era mãe de Stuart Edgard Angel, militante da organização revolucionária MR8, que pegou em armas para combater a ditadura. Em 1971, Stuart foi preso, torturado e morto nas dependências do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa). Durante cinco anos, a estilista buscou pelo filho e denunciou publicamente o regime.</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Zuzu-Angel-quando-a-maternidade-virou-arma-politica-contra-a.jpg?w=740&#038;ssl=1" alt="Acidente de carro com a estilista Zuzu Angel (Divulgação/Comissão Nacional da Verdade)" title="Arquivo O Globo"/></p>
<p>Acidente de carro com a estilista Zuzu Angel (Divulgação/Comissão Nacional da Verdade) &#8211; Arquivo O Globo</p>
<p>Segundo a historiadora Cristina Scheibe Wolff, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a jornada de Zuzu faz parte de um movimento amplo de mães que transformaram a dor em ação durante as ditaduras da América do Sul. As Mães da Praça de Maio, na Argentina, são um dos exemplos mais emblemáticos.</p>
<p>A maternidade foi mobilizada como linguagem política para sensibilizar a opinião pública e expor a violência dos regimes.</p>
<p>“Essa estratégia dialogava com padrões de gênero da época que eram aceitos por muitos, inclusive pelos próprios agentes da ditadura. As mulheres eram pensadas a partir do lugar da maternidade. Então, mães de desaparecidos apresentavam uma imagem mais humanizada de pessoas que a ditadura considerava bandidas e terroristas”, diz a historiadora.</p>
<p>“Esse tipo de movimento acabou sendo muito importante para enfraquecer as ditaduras na América do Sul. Tornava-as menos simpáticas para o grande público. Acabou sendo mais efetivo do que a luta armada, porque essa acabou vencida e praticamente desapareceu no Brasil na década de 1970. Movimentos de familiares chamaram a atenção para o lado perverso da ditadura militar”, completa.</p>
<h2>Gênero e luta</h2>
<p>Segundo a historiadora, o gênero não era um aspecto secundário, mas elemento central na forma como a resistência foi construída e comunicada no Cone Sul (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia) entre as décadas de 1960 e 1970.</p>
<p>Enquanto organizações armadas estavam envolvidas em discursos associados à masculinidade, valorizando coragem, força, ação e sacrifício, entre os movimentos de direitos humanos e de familiares, o discurso era associado à feminilidade, mobilizando emoção, dor e sensibilidade.</p>
<p>No caso de Zuzu, as denúncias tiveram ainda mais alcance pela posição dela de estilista famosa, com articulações internacionais.</p>
<p>“Ela fez um trabalho de sensibilização falando do filho com aquele carinho maternal e teve solidariedade de outras mães que estavam em situações semelhantes”, recorda Hildegard Angel, jornalista e filha de Zuzu.</p>
<p>“Era um destemor muito atípico na época, porque o que a gente presenciava era o silêncio submisso e amedrontado de muita gente. Ela começou a denunciar a morte do Stuart ainda no governo do [Emílio Garrastazu] Médici e continuou o seu ativismo durante o governo do [Ernesto] Geisel. Desafiou dois governos totalitários. E pagou um preço por isso”, completa.</p>
<h2>Luta de Zuzu</h2>
<p>Zuleika de Souza Netto nasceu na cidade mineira de Curvelo em 1921. Foi morar em 1939 no Rio de Janeiro, onde trabalhava como costureira. Na cidade, casou-se com o estadunidense Normal Angel Jones. Entre os anos de 1940 e 1970, construiu a carreira como estilista. Misturava elementos da cultura brasileira &#8211; como rendas, bordados e pedrarias &#8211; ao vestuário de modelagem simples e contemporâneo. As criações tiveram alcance internacional.</p>
<p>O filho mais velho, Stuart Angel, era estudante de economia e ingressou na resistência armada contra a ditadura militar no fim dos anos 1960. Depois do desaparecimento de Stuart, Zuzu levou a denúncia além das fronteiras do país. Buscou apoio nos Estados Unidos e em organismos internacionais. A estratégia ajudou a dar visibilidade maior às violações de direitos humanos no Brasil, em momento de censura interna forte.</p>
<p>Um desses contatos frequentes era com o então secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger. Ela também mobilizou jornalistas estrangeiros para dar entrevistas e expor o desaparecimento do filho.</p>
<p>Uma marca da luta de Zuzu foi o uso da moda como forma de protesto. Ela passou a inserir símbolos de denúncia em suas coleções, com referências à violência e à repressão, transformando desfiles em manifestações políticas.</p>
<p>Bordados com anjos feridos, figuras de crianças mortas, tanques de guerra e pássaros em gaiolas foram usados como metáforas visuais da repressão e do luto. Trilha sonora e cenografia reforçavam o tom fúnebre e crítico.</p>
<p>Zuzu recebeu cartas com ameaças e avisou aos amigos que, caso aparecesse morta, teria sido vítima dos mesmos assassinos do filho.</p>
<p>“Naquela época, desafiar o sistema era considerado uma loucura, porque era quando você desafiava sua própria sobrevivência. Perto do ateliê dela, às vezes, parava uma patrulhinha e ela confrontava os agentes. Dizia: ‘Não tenho medo de vocês. Sei que estão me seguindo, mas já tiraram meu filho e não trarão ele de volta’”, lembra Hildegard.</p>
<p>“Essa luta foi gerando um ódio muito grande nos militares. Como aquela mulher tinha coragem de desafiar o regime e sair nas matérias dos jornais?”, acrescenta.</p>
<p>Durante décadas, a versão oficial da morte de Zuzu foi a de acidente. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade, depois de um processo de investigação, que envolveu o depoimento de um ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), confirmou o assassinato.</p>
<p>No fim do ano passado, a família recebeu do Estado brasileiro uma certidão de óbito retificada, em que a causa da morte é descrita como violenta e causada pelo próprio Estado.</p>
<h2>Legado</h2>
<p>Décadas após sua morte, Zuzu Angel segue como símbolo de luta. Para a historiadora Cristina Scheibe, a trajetória da estilista amplia a compreensão sobre como enfrentar poderes autoritários.</p>
<p>“Ela deixou um legado de combate à ditadura. Mostrou que resistência se faz de múltiplas formas, não só de uma forma convencional. Pode ser política, pode ser feita com armas, mas também pode acontecer por meio da arte e da cultura. E isso serve de lição para os dias de hoje: entender que há outras possibilidades de luta”, analisa.</p>
<p>O legado também se traduz em reconhecimento institucional e na preservação da memória, diz Hildegard.</p>
<p>“Acumulamos uma série de conquistas ao longo desses anos. Conseguimos mudar o nome de um túnel [no Rio de Janeiro] para Zuzu Angel, conseguimos que ela fosse a primeira heroína contemporânea do livro dos heróis e heroínas da pátria. Foram muitas homenagens, medalhas, troféus. Fizemos o primeiro curso superior de moda no estado do Rio de Janeiro e a Casa Zuzu Angel/ Museu da Moda. São alguns exemplos”, enumera a jornalista.</p>
<p>“É um processo contínuo, porque o trabalho dela nunca parou. Ela morreu, mas o legado permanece. A luta da Zuzu frutificou”.</p>
<p> </p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-04/zuzu-angel-quando-maternidade-virou-arma-politica-contra-ditadura" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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