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	<title>Reportagem Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>Reportagem Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Relógio da longevidade é tema do Caminhos da Reportagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 10:45:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A desigualdade social é uma das marcas do Brasil, característica que também se reflete na velhice. Seis de cada 10 brasileiros com 60 anos ou mais vivem de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Quem não faz parte desse bolo são servidores públicos vinculados a regimes específicos e gente que complementa a renda com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A desigualdade social é uma das marcas do Brasil, característica que também se reflete na velhice. Seis de cada 10 brasileiros com 60 anos ou mais vivem de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Quem não faz parte desse bolo são servidores públicos vinculados a regimes específicos e gente que complementa a renda com previdência privada ou que ainda trabalha.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Relogio-da-longevidade-e-tema-do-Caminhos-da-Reportagem.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>O programa “<em>O relógio financeiro da longevidade</em>” vai ar ao ar nesta segunda (10), às 23h, na TV Brasil e no canal da emissora no Youtube.</p>
<p>O teto pago pela previdência pública atualmente é R$ 8.475,55. Mas a maioria dos aposentados recebe, em média, R$ 3.207,05. Os dados são do Ministério da Previdência.</p>
<p>“No mesmo país onde temos grupos sociais que estão chegando facilmente aos 80 anos com um acúmulo de poupanças – poupança de saúde, de segurança e financeira –, temos também um grupo que não está chegando com nada disso”, diz o secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva.</p>
<p>Especialista em Finanças e CEO do Movimento Black Money, Nina Silva lembra que “trabalhadores pretos e pardos recebem cerca de 40% a 45% a menos que trabalhadores brancos. Como a aposentadoria é reflexo do histórico contributivo, essa massa chega à velhice com benefícios no piso mínimo”.</p>
<h2>E qual é a saída?</h2>
<p>A própria Nina ajuda a responder: “gerar capital dentro da comunidade tem impacto direto na base da pirâmide social. Nosso trabalho é quebrar o ciclo da pobreza intergeracional”, explica.</p>
<p>Mas há muitos outros pontos importantes nessa discussão: ampliar a educação financeira de idosos, diminuir o número de golpes e controlar a violência patrimonial (tomar ou destruir bens, dinheiro ou documentos de uma pessoa), que explodiu no ano passado.</p>
<p>“Em 2025, tivemos mais de 59 mil denúncias de violações de direitos humanos em questão patrimonial envolvendo a pessoa idosa. Neste ano, nós já temos mais de 19 mil denúncias desse tipo”, conta a coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Almeida.</p>
<p>É o caso da mãe do servidor público Flávio Amorim. Professora aposentada, ela foi alvo da filha, irmã de Flávio, enquanto enfrentava um aneurisma e um glaucoma que a deixaram cega de um olho.</p>
<p>“Ela começou a morar com a minha mãe e passou a ter acesso ao celular que tinha a conta do banco. Fez cinco empréstimos consignados. Ao todo, um rombo de R$ 370 mil”, revela Flávio.</p>
<p>Casos como esses têm se espalhado pelo país. Para entender o perfil de vítimas e agressores e apontar como se prevenir de fraudes e solucionar o problema, a equipe do <em>Caminhos da Reportagem</em> conversou com outras vítimas, policiais, defensores públicos e educadores financeiros.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-08/relogio-da-longevidade-e-tema-do-caminhos-da-reportagem" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Lei Maria da Penha: projetos tentam mudar legislação</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/lei-maria-da-penha-projetos-tentam-mudar-legislacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 15:13:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No aniversário de duas décadas, a Lei Maria da Penha (LMP) é alvo constante de mudanças, nem sempre positivas. Entre junho de 2025 e junho de 2026, 89 propostas de alteração da lei foram apresentadas pelo Poder Legislativo. Uma em cada quatro é avaliada como desfavorável aos direitos das mulheres por organizações da sociedade civil [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No aniversário de duas décadas, a Lei Maria da Penha (LMP) é alvo constante de mudanças, nem sempre positivas. Entre junho de 2025 e junho de 2026, 89 propostas de alteração da lei foram apresentadas pelo Poder Legislativo. Uma em cada quatro é avaliada como desfavorável aos direitos das mulheres por organizações da sociedade civil especializadas no enfrentamento e na prevenção da violência doméstica.  </p>
<p class="wp-block-paragraph">Apenas 5,6% dos projetos são voltados a campanhas de prevenção e educação, consideradas fundamentais para reduzir a violência doméstica e as altas taxas de feminicídio no país. A maior parte das propostas apresenta medidas que entram em cena apenas quando a violência já aconteceu, priorizando o monitoramento dos agressores e o auxílio financeiro às mulheres agredidas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O levantamento foi baseado na QuitérIA, a inteligência artificial da Elas no Congresso, plataforma d’AzMina que monitora a atividade legislativa relacionada aos direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. </p>
<p><h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
</p>
<ul class="m-0">
<li>A Lei Maria da Penha foi um marco na legislação brasileira que trata de violência contra a mulher. Parte das propostas para alterar a lei repete mecanismos já previstos ou pode dificultar o acesso à proteção.</li>
</ul>
<h2 class="wp-block-heading">Partidos alinhados à direita concentram propostas desfavoráveis</h2>
<p class="wp-block-paragraph">No levantamento, cinco parlamentares lideraram a apresentação de propostas classificadas como desfavoráveis aos direitos das mulheres: Julia Zanatta (PL/SC), Delegado Caveira (PL/PA), Romero Rodrigues (Podemos/PB), Jonas Donizette (PSB/SP) e Amom Mandel (Cidadania/AM). Cada um deles tem pelo menos dois projetos negativos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um dos projetos de Julia Zanatta, o PL 4954/2025, propõe que a Lei Maria da Penha estenda a proteção aos homens, o que enfraquece a centralidade da proteção às mulheres vítimas de violência de gênero. Homens em situação de violência ou ameaça já podem buscar proteção por outros instrumentos jurídicos. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre os projetos desfavoráveis destacam-se o PL 167/2026, do senador Wilder Morais (PL/GO), e o PL 1400/2026, de Flávio Bolsonaro (PL/RJ). As propostas são similares e buscam permitir que os delegados de polícia decretem medidas protetivas de urgência contra agressores. Ao transferir ao delegado a decisão sobre medidas protetivas, o acesso da vítima pode ficar condicionado à capacitação, sensibilidade e avaliação da autoridade policial, o que pode gerar desigualdades e dificultar a proteção em locais com atendimento precário.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Projetos como o PL 243/2026, que quer aplicar a Lei Maria da Penha para todas as situações de violência praticada contra mulher, foram entendidos como desfavoráveis porque desvinculam a aplicação da lei do contexto doméstico, familiar ou de relação íntima de afeto. Outros, como o PL 5128/2025, exigem ampla defesa do acusado no procedimento de concessão de medidas protetivas de urgência, o que pode gerar morosidade e enfraquecer uma resposta emergencial. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Essas propostas desconsideram a complexidade dos ciclos de violência, podem reforçar discursos de descrédito às vítimas, inibir a busca por proteção, gerar insegurança interpretativa da lei ou reduzir o espaço para que cada caso seja analisado conforme suas características específicas. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Na direção oposta, temos Ana Paula Lima (PT/SC), Defensor Stélio Dener (Republicanos/RR), Delegada Ione (Avante/MG), Denise Pessôa (PT/RS), Laura Carneiro (PSD/RJ), Marcos Tavares (PDT/RJ) e Pastor Henrique Vieira (PSOL/RJ). Cada um desses parlamentares tem duas ou mais propostas consideradas favoráveis ao fortalecimento da LMP. </p>
<p class="wp-block-paragraph">O PL 5279/2025, por exemplo, quer levar conteúdos específicos de prevenção da violência contra a mulher para a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Já o PL 1708/2026 inclui medidas voltadas à autonomia econômica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, como acesso facilitado a programas de qualificação profissional, linhas de microcrédito produtivo, programas habitacionais e de transferência de renda. </p>
<h2 class="wp-block-heading">Nem toda proposta de mudança traz uma novidade</h2>
<p class="wp-block-paragraph">“A Lei Maria da Penha não é perfeita, mas é completa, porque ela é uma lei de cultura de prevenção e de construção do enfrentamento à violência”, disse Regina Célia, cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha. A LMP entrou em vigor em 7 de agosto de 2006 e estabelece seis tipos de violência doméstica: moral, patrimonial, psicológica, sexual, física e vicária. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Para Regina, a prevenção é um aspecto fundamental porque, desde o início, a luta era contra a naturalização da violência doméstica e do feminicídio. “Precisamos entender até que ponto as pessoas, especialmente os autores de violência, estão sendo intimidadas pelo rigor da lei a ponto de evitar a prática da violência”, completa a ativista.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Parte das propostas também tenta apresentar como novidade mecanismos que já estão previstos na legislação. O PL 1038/2026, por exemplo, torna obrigatória a participação de autores de violência em programas de reeducação e acompanhamento, medida contemplada pela LMP desde 2006. No entanto, o PL não prevê o financiamento para a ampliação desses programas.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Assistência à mulher é um dos temas com mais alterações</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Desde que entrou em vigor, a Lei Maria da Penha passou por 26 alterações: os artigos 7º, 9º, 12º, 22º e 24º foram os mais impactados. As mudanças ficaram concentradas em trechos que tratam da assistência à mulher em situação de violência, dos procedimentos adotados pela polícia após o registro, das formas de violência doméstica e familiar, das medidas protetivas de urgência e de proteção patrimonial, respectivamente. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre as recentes alterações da LMP, a que teve maior visibilidade foi a inclusão da violência vicária. O termo descreve o uso da violência contra pessoas próximas à mulher — principalmente seus filhos — como forma de atingi-la. A discussão ganhou popularidade após um homem atirar contra os dois filhos e, em seguida, tirar a própria vida. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Regina defende que é preciso pensar nos ciclos da violência doméstica no momento de propor uma política pública. “A grande questão é saber se essas alterações vão ajudar a evitar novas agressões. É preciso fazer com que a informação alcance as mulheres, os agentes da Justiça e a segurança pública”, diz.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Microplásticos já são encontrados em peixes na Amazônia</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/microplasticos-ja-sao-encontrados-em-peixes-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 19:15:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas águas amazônicas, o pirarucu (Arapaima gigas) é um peixe que consegue viver entre dois mundos. Na escassez de oxigênio, como é típico de lagos de várzea, o gigante sobe à superfície para respirar o ar. Ao longo de uma linhagem com pelo menos 100 milhões de anos, o pirarucu desenvolveu uma bexiga natatória modificada, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Nas águas amazônicas, o pirarucu (Arapaima gigas) é um peixe que consegue viver entre dois mundos. Na escassez de oxigênio, como é típico de lagos de várzea, o gigante sobe à superfície para respirar o ar. Ao longo de uma linhagem com pelo menos 100 milhões de anos, o pirarucu desenvolveu uma bexiga natatória modificada, capaz de funcionar como um pulmão primitivo. Essa adaptação rara permitiu a ele a vantagem de poder ocupar ambientes que são severos para outros peixes. Hoje, porém, a mesma adaptação que permite sua sobrevivência o torna vulnerável a uma outra ameaça: a poluição por microplásticos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“O ambiente amazônico já é altamente desafiador”, afirma Adalberto Val, biólogo e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (INCT-Adapta). “Aqui temos temperaturas altas, baixos níveis de oxigênio na água… Os organismos já respondem a esses desafios da forma que eles aprenderam durante o processo evolutivo. Então, começamos a acrescentar desafios novos, como é o plástico.”</p>
<h2 class="wp-block-heading">Quando respirar vira um risco</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Os pirarucus são incapazes de sobreviver mais de dez minutos sem subir à superfície para respirar. Para isso, usam o órgão de respiração aérea ligado à sua bexiga natatória modificada. Essa necessidade os coloca em contato direto com microplásticos que flutuam na água. Com base nos conhecimentos já estabelecidos sobre a espécie.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Se microplásticos invadirem o órgão de respiração aérea do pirarucu, um dos primeiros riscos é o de dano mecânico. As partículas podem obstruir fisicamente a glote do animal, dificultando a passagem do ar. Além disso, a glote possui células que funcionam como detectores dos níveis de oxigênio e gás carbônico. Com a presença de microplásticos, o funcionamento dessas células pode ser afetado, alterando o próprio controle da respiração.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Val explica que os microplásticos também podem “sequestrar” elementos fundamentais para a manutenção da fisiologia do animal. Sódio, potássio e cálcio, por exemplo, podem se prender às partículas plásticas, ficando indisponíveis para o funcionamento normal do organismo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Por outro lado, esse microplástico é um elemento estranho dentro do corpo. O organismo tenta atacá-lo, tentando destruí-lo, o que causa processos inflamatórios”, acrescenta Val. “Isso se torna um ciclo vicioso, em que a energia do animal é direcionada para lidar com esses microplásticos, desencadeando vários outros processos que adoecem o animal.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">No caso do pirarucu, a absorção de microplásticos para outros tecidos internos do peixe é mais provável justamente pela entrada de partículas via respiração aérea. Uma vez nos tecidos, a contaminação deixaria de ser apenas uma ameaça ao animal: ela também levanta perguntas sobre a contaminação por microplásticos pela população amazônida, que depende dos peixes como fonte de alimento.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Pulso das águas pode mudar as dinâmicas de contaminação</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Embora os trabalhos científicos sejam recentes, a presença de contaminação por microplásticos nas águas da Amazônia já está comprovada. Estudos encontraram essas partículas desde os grandes rios aos igarapés, passando por lagos, até chegar aos manguezais da Foz do Amazonas. Nos rios de maior volume, como Amazonas e Negro, a imensa quantidade de água ajuda a diluir parte da contaminação, mas não impede que os plásticos sejam transportados, acumulados no fundo ou depositados em áreas de menor circulação.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O problema se torna mais crítico dentro das cidades, onde igarapés e lagos urbanizados recebem esgoto sem tratamento e lixo descartado de forma irregular. Em Manaus, pesquisas já registraram concentrações elevadas de microplásticos em igarapés urbanos, de até 74.550 microplásticos por metro cúbico (MPs/m³). Outro exemplo é o Lago Puraquequara, onde foram encontradas essas partículas no intestino de metade dos jaraquis analisados em um estudo. Os jaraquis são os peixes mais consumidos no estado do Amazonas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Adalberto Val destaca que, no mundo, os estudos sobre microplásticos são abundantes, mas se concentram, sobretudo, na poluição dos oceanos e das áreas litorâneas, com maior atenção aos animais marinhos. Já na Amazônia o conhecimento avança na direção de entender como esse tipo de poluição interage com as características únicas da maior bacia hidrográfica do planeta.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“A Amazônia já avançou bastante em medir a presença dos microplásticos, mas a gente precisa avançar muito em relação à dinâmica deles nos ambientes e na movimentação por diferentes tipos de paisagem”, explica Val.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Uma dessas particularidades é o pulso de inundação, o regime natural de cheias e secas dos rios amazônicos. Durante as cheias, a água conecta os ambientes, como áreas de várzea e florestas inundadas, ampliando a capacidade de dispersão dos poluentes. Nas secas, com menor volume de água disponível, partículas podem se concentrar em poças, canais, sedimentos e ambientes isolados, aumentando a exposição dos organismos aquáticos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Soma-se a isso a diversidade dos próprios tipos de água da Amazônia. Águas pretas, mais ácidas, como as do Rio Negro, e águas brancas, barrentas e ricas em sedimentos, como as do Rio Amazonas, podem interagir de maneiras distintas com os microplásticos: em certos ambientes, favorecendo sua fragmentação; em outros, facilitando sua deposição no fundo dos rios e lagos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A vegetação também faz diferença. Plantas aquáticas, conhecidas como macrófitas, podem funcionar como barreiras físicas, retendo partículas plásticas e reduzindo seu transporte pela correnteza. Ao mesmo tempo, essa retenção pode tornar os microplásticos mais disponíveis para organismos que vivem, se alimentam ou circulam nesses bancos de vegetação, de peixes a peixes-bois.</p>
<p>		Separação do peixe para comércio no lago do Puraquequara, Manaus (AM)</p>
<h2 class="wp-block-heading">Nos igarapés, risco maior em peixes pequenos</h2>
<p class="wp-block-paragraph">O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, habita rios largos e grandes lagos. Mas a Amazônia também é habitada por peixes pequenos, espalhados por uma rede de corpos d’água estreitos que cortam toda a região, os igarapés. Em monitoramento realizado pelo pesquisador Andreu Rico, as concentrações de microplásticos na calha de grandes rios, como Amazonas, Negro, Tapajós e Tocantins, ainda foram consideradas baixas para representar risco de intoxicação. Nos igarapés de Manaus e Belém, porém, ao menos 20% dos pontos monitorados apresentaram concentrações acima dos limites seguros para os animais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ecóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Danielle Regine Ribeiro-Brasil decidiu olhar justamente para esses ecossistemas ainda pouco investigados pela literatura científica. “Em um grande rio, os microplásticos se dispersam no grande volume de água e podem representar menor risco. Mas, em igarapés, sobretudo os que recebem esgoto e lixo das cidades, uma concentração menor pode ter grande impacto”, explica a professora.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Danielle realizou coletas de peixes nas bacias dos rios Guamá e Acará-Capim, no Pará, em territórios impactados pelo desmatamento, pela pecuária e pela expansão urbana. Microplásticos foram detectados nas brânquias e no trato digestivo de todos os peixes analisados, exceto um. Ao todo, foram registradas 383 partículas plásticas nas amostras.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Os dados surpreendem, porque antes se imaginava que apenas peixes que se alimentam de sedimentos ou de plantas seriam os mais contaminados. Mas a detecção é geral, incluindo predadores”, destaca a pesquisadora. Para ela, esse é um indício de que a poluição já pode estar profundamente integrada às cadeias alimentares locais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em média, foram encontradas 5,6 partículas por indivíduo. “Parece pouco”, pondera Danielle. “Mas estamos falando de animais pequenos, que vivem em canais estreitos. Portanto, mesmo uma quantidade menor pode gerar danos físicos ao animal.” A ingestão dessas partículas minúsculas pode causar bloqueios no trato gastrointestinal e lesões internas. Elas também aderem facilmente às brânquias, o que pode interferir na respiração e no sistema imunológico dos peixes.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mais uma vez, a diversidade de espécies faz com que as respostas variem. Enquanto o lambari (Hemigrammus unilineatus), que chega a cerca de 5 centímetros, apresentou menor contaminação, espécies como o jacundá (Crenicichla regani), de aproximadamente 7 centímetros, mostraram maior acúmulo nas brânquias.</p>
<h2 class="wp-block-heading">No fundo do rio, o tamoatá encontra o plástico</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Engenheiro de pesca e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renan Amanajás resume a dimensão do conhecimento que ainda precisa ser construído: “Na Amazônia, há um universo de mais de 3 mil espécies de peixes. Para boa parte delas, os impactos dos microplásticos são similares, mas é preciso investigar se há padrões novos a depender das peculiaridades de uma espécie para outra.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">O caso do pirarucu é emblemático nesse sentido. Embora processos como inflamação e estresse fisiológico se assemelhem ao que ocorre em outros peixes, o comportamento de subir à superfície para respirar ar cria riscos particulares, difíceis de comparar com aqueles já descritos para espécies de outras regiões do mundo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Amanajás estuda os impactos dos microplásticos em outro peixe amazônico de características singulares: o tamoatá (Hoplosternum littorale). Abundante no fundo de lagos e áreas de várzea, ele se alimenta de detritos depositados nos sedimentos, hábito que o torna vulnerável à ingestão de partículas acumuladas no leito. Para se ter uma noção da exposição possível, a concentração de microplásticos nos sedimentos do rio Negro foi estimada em cerca de 13 milhões de partículas por metro cúbico.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Os dados que conseguimos até o momento demonstram que uma concentração de 0,0005% de microplásticos na ração já é capaz de reduzir o bem-estar desse animal, aumentando os níveis de estresse e provocando perda de peso”, explica Renan. Segundo ele, a resposta inflamatória do organismo compromete outras funções essenciais do animal.</p>
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<p>		Venda de pescado na Feira do Bagaço em Parintins (AM)</p>
<h2 class="wp-block-heading">Do peixe ao humano, risco de contaminação é plausível</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A partir dos organismos dos peixes, a contaminação por microplásticos também alcança a histórica relação entre populações humanas e a fauna aquática amazônica. O problema se apresenta em ao menos três grandes frentes. A primeira é a conservação. Associada a outras ameaças, como agrotóxicos, mudanças climáticas, desmatamento e represamento de rios, essa poluição acrescenta uma nova pressão sobre a biodiversidade aquática da Amazônia. Ainda há lacunas sobre a extensão desses efeitos, mas os estudos já indicam que os microplásticos podem alterar processos fundamentais da biologia dos animais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A segunda frente é alimentar. O consumo de peixe na Amazônia é basilar; ou, como define Renan, “é a maior expressão da cultura das pessoas que vivem aqui”. No Amazonas, por exemplo, famílias chegam a comer cerca de 14 quilos por pessoa ao ano, contra 2,8 quilos na média nacional. Em comunidades ribeirinhas, onde a pesca de subsistência tem peso maior, esse consumo pode ser muito mais alto. Nesse contexto, a contaminação por microplásticos preocupa também pelos efeitos que podem comprometer o crescimento, peso e qualidade dos peixes no futuro.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Já é seguro afirmar que os microplásticos alteram a capacidade dos peixes de ganhar peso, porque parte da energia que seria usada para crescer passa a ser direcionada para combater esse processo inflamatório”, acentua Renan. “Mas ainda não temos dados suficientes que mostrem essa dinâmica de contaminação nos peixes da Amazônia, seja no cultivo em fazendas, seja na pesca.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">Embora ainda faltem estudos específicos sobre os efeitos dos microplásticos na reprodução de peixes amazônicos, a literatura internacional já indica que essas partículas podem afetar órgãos reprodutivos e comprometer o desenvolvimento de embriões e descendentes. Na Amazônia, onde estudos já comprovam a presença de microplásticos no trato digestivo de dezenas de espécies de peixes, a pergunta passa a ser como essa exposição pode impactar as populações locais e, em consequência, a própria pesca.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A terceira frente é a da saúde. Afinal, uma das vias de exposição humana aos microplásticos é a dieta. Foram encontrados microplástiocos em peixes do Mar do Sul da China e do Estreito de Malaca em tecidos comestíveis de espécies comerciais, com média de 8,95 partículas por indivíduo, e estima-se a ingestão diária de até 1,6 partícula por pessoa por meio do consumo desses peixes.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Embora ainda não haja estudos semelhantes para peixes amazônicos, pesquisadores consideram plausível que essa rota de exposição também exista na região. “Sabemos que a saúde ambiental e a saúde humana estão conectadas. A qualidade do nosso ambiente interfere na qualidade da nossa vida”, defende Adalberto Val.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Vice Flávio Bolsonaro: PL fecha chapa apenas com homens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 21:54:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“As mulheres conservadoras estão prontas para ocupar o lugar de poder”. A declaração foi dada a jornalistas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nesta quarta-feira, 5 de agosto, após o anúncio de que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolheu um homem para compor a chapa presidencial do PL – o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<p class="wp-block-paragraph">“As mulheres conservadoras estão prontas para ocupar o lugar de poder”. A declaração foi dada a jornalistas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nesta quarta-feira, 5 de agosto, após o anúncio de que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolheu um homem para compor a chapa presidencial do PL – o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Ao menos na chapa que disputa a presidência pelo bolsonarismo, apesar de estarem prontas, as mulheres conservadoras não têm ganhado o protagonismo político que esperam.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Elas estão ao lado, mas não no centro do principal arranjo da sigla. É isso o que mostra, inclusive, a própria composição da mesa do evento que anunciou o nome do vice: entre Flávio, Gaspar e o coordenador da campanha, Rogério Marinho, estavam seis figuras femininas: a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro, Cristiane Britto; a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que também ocupou o cargo de Britto; a deputada federal Bia Kicis (PL-DF); a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro; a senadora Tereza Cristina; e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Entre elas, três foram cotadas anteriormente para o cargo de vice: Bia Kicis, Tereza Cristina e Daniella Marques.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de o evento ter sido dedicado ao anúncio de uma figura masculina como vice de Flávio, as mulheres foram lembradas ao longo dos discursos proferidos pelos dois candidatos. Gaspar agradeceu à mãe, de 84 anos, e a esposa, com quem tem um casamento de 36 anos. Flávio, como fez na convenção do partido que oficializou a sua candidatura à presidência, também saudou a esposa, Fernanda, as duas filhas e a “seleção de mulheres” que estão ao seu lado, citando nominalmente as senadores Tereza Cristina e Damares, as deputadas federais Clarissa Tércio (PP-PE) e Simone Marquetto (PP-SP), além de duas parlamentares do PL, Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis, e a presidente do Podemos, Renata Abreu.</p>
<p><h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
</p>
<ul class="m-0">
<li>As mulheres são mais da metade da população, mas a representatividade política é muito menor. No Senado, são menos de 20% do total. Na Câmara, cerca de 15%. Entre presidentes desde a redemocratização, só houve uma.</li>
</ul>
<p class="wp-block-paragraph">Flávio dedicou, ainda, parte do seu discurso para fazer mais acenos ao eleitorado feminino, que responde hoje por 53% dos votos no pleito — e é um dos principais entraves para a popularidade da candidatura bolsonarista, já que a vantagem de Lula na intenção de votos no eleitorado feminino é maior. O filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, mencionou a “economia do cuidado” (conceito ligado a atividades que são majoritariamente exercidas por mulheres) e uma das suas promessas de campanha, uma política voltada à “inserção e garantia de autonomia financeira” para as mulheres.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Isso [economia do cuidado] nunca foi reconhecido e o nosso governo, sob o comando aqui da Dani Martins, junto com a Fernanda, a Damares, a Tereza, a Cris, as mulheres que estão aqui conosco, elas é que vão comandar essa política voltada para as mulheres e que vai ser a coisa mais fantástica que vocês já viram na face da Terra”, afirmou Flávio.</p>
<p class="wp-block-paragraph">À Agência Pública, o senador Carlos Portinho (PL), justificou que, por determinação dos próprios partidos, nenhuma das mulheres cotadas para vice pode assumir a composição da chapa. Siglas do chamado centrão, União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e MDB já anunciaram neutralidade na disputa presidencial.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Pública questionou ao parlamentar se, diante do cenário, a saída não deveria ser pela formação de uma chapa puro sangue, com a indicação de Júlia Zanatta, que havia se colocado à disposição.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em resposta, Portinho apontou que a deputada não traria os votos necessários para Flávio, já que o seu estado, Santa Catarina, já é dominado pela influência bolsonarista. A solução, portanto, ficou a cargo de um candidato do Nordeste, região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem o maior eleitorado.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Após vídeo de Michelle botar pressão por vice mulher, ex-primeira dama é deixada na cozinha</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A pressão por uma figura feminina na chapa do PL começou após a madrasta de Flávio, Michelle Bolsonaro, publicar um vídeo contando que ele a havia desrespeitado durante a formação dos arranjos partidários nos estados. Na conta, estava a rejeição da sigla ao nome indicado por Michelle ao Senado pelo Ceará, o da deputada federal Priscila Costa (PL-CE).</p>
<p class="wp-block-paragraph">A parlamentar também foi cotada para ser vice de Flávio, no entanto, segundo Damares disse a jornalistas, Priscila priorizou a relação com os filhos. “Eu quero que vocês [imprensa] entendam que não seria fácil a Priscila Costa, com quatro crianças, abandonar tudo e se lançar no Brasil numa campanha. Então, ela também ponderou: sou mãe, primeiro, antes de ser candidata a uma pré-candidata, eu sou mãe e eu vou pesar a maternidade”, declarou Damares.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ausente na convenção do PL, onde gravou apenas um vídeo apoiando a candidatura de Flávio, a ex-primeira-dama também não participou do evento de anúncio do vice. Michelle é considerada como peça fundamental para uma maior adesão do eleitorado feminino à candidatura de Flávio. Ela ganhou espaço na sigla após criar e liderar o PL Mulher, ala de mulheres conservadoras do partido.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Questionada por jornalistas sobre a ausência de Michelle, Damares se limitou a responder: “Ela está fazendo comida, gente. A Michele está fazendo comida para o marido”.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Denúncia por estupro</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Em março deste ano, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram na Polícia Federal (PF) uma representação pedindo a investigação de Alfredo Gaspar por estupro de vulnerável. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. </p>
<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o documento enviado à PF, os parlamentares receberam registros e conversas que indicam o crime cometido contra uma menina que, à época, tinha 13 anos. A violência teria resultado em uma gravidez.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo apurou a Pública, a representação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a encaminhou para a Procuradoria Geral da República (PGR). Na sequência, o órgão pediu diligências para a PF, que segue com o caso para cumprimento do pedido. Não há inquérito aberto na Corte.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Eleições: legislação não consegue barrar conteúdo de IA nas redes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 17:48:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A disseminação de conteúdos produzidos com Inteligência Artificial (IA) não é objeto de denúncia apenas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar de o caso mais emblemático ser o vídeo com um ‘avatar’ do ex-presidente Jair Bolsonaro, produzido por IA, veiculado na convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura à presidência de seu filho, Flávio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<p class="wp-block-paragraph">A disseminação de conteúdos produzidos com Inteligência Artificial (IA) não é objeto de denúncia apenas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar de o caso mais emblemático ser o vídeo com um ‘avatar’ do ex-presidente Jair Bolsonaro, produzido por IA, veiculado na convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura à presidência de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Outros tribunais já têm decisões sobre o uso de conteúdo sintético na campanha eleitoral.</p>
<p class="wp-block-paragraph">É o caso do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), que determinou, em 27 de julho, a exclusão pela Meta de um vídeo feito com IA e publicado em uma conta no Instagram. A postagem associava o governador do estado, candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT-BA) à imagem de um jegue, chamando-o pejorativamente de “Jegônimo”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Foi a segunda vez que os advogados da Federação Brasil da Esperança, formada pelas siglas PT, PC do B e PV, tiveram que solicitar a remoção do vídeo. Na primeira, ele havia sido publicado no perfil, também do Instagram, do vereador Tenóbio (PL), do município de Lauro de Freitas. Além de exibir a figura ofensiva, o vídeo ironizava a promessa de entrega de uma ponte entre a capital Salvador e a ilha de Itaparica.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A determinação do TRE-BA, no entanto, esbarra na limitação técnica que as próprias plataformas têm de impedir a publicação de conteúdos alterados após a primeira remoção. Isso porque, ao serem modificados, mesmo que minimamente, eles não são mais identificados pelos filtros da plataforma.</p>
<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da FGV/SP, não há uma solução tecnicamente possível em casos de replicação de arquivos, mesmo que o original já tenha sido removido por determinação da Justiça. A reportagem, inclusive, acessou na terça-feira, 4 de agosto, o mesmo vídeo postado em outro perfil. A nova publicação ainda não foi submetida pela defesa do governador ao TRE da Bahia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Não existem seres humanos olhando todos os conteúdos que as pessoas estão subindo [nas plataformas] para dizer o que pode e o que não pode. Se o material é alterado para enganar a plataforma, não tem nenhuma tecnologia hoje disponível no mundo que permita responsabilizar a plataforma por isso”, explica Neisser.</p>
<p><h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
</p>
<ul class="m-0">
<li>Segundo o observatório da Aláfia Lab e Data Privacy Brasil, que monitora o uso das IAs com fins políticos no Brasil,  houve um aumento nos casos de uso de IA para interferir no processo político de cerca de 50% nos últimos meses, 1,5 caso por dia.</li>
</ul>
<p class="wp-block-paragraph">“Estamos num cenário hoje em que há um <em>gap</em> de desenvolvimento tecnológico, ou seja, as plataformas que produzem o conteúdo de inteligência artificial evoluíram mais rápido do que os meios de detecção desse conteúdo. Essa diferença está causando muitos problemas”, avalia o professor.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Questionada sobre a remoção de conteúdos, a Meta não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na decisão, do dia 27 de julho, o juiz Antonio Marcelo Oliveira Libonati retomou a Resolução do TSE que trata de condutas ilícitas em campanha eleitoral. Nela, está definido que cabe ao provedor de aplicação adotar medidas imediatas para impedir o acesso ao conteúdo e a sua circulação. O magistrado citou, também, a possível responsabilidade solidária dos provedores – ou seja, é obrigação da rede social retirar rapidamente outras postagens que tenham o mesmo material, no todo ou em parte, mesmo que não haja uma nova decisão da justiça para cada post replicado. Caso a plataforma não atue dessa maneira, ela poderá ser responsabilizada junto com quem publicou o vídeo originalmente.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Nesse contexto, a permanência da replicação indicada nos autos, apesar da anterior determinação de remoção do conteúdo e de suas replicações, autoriza a atuação da Justiça Eleitoral no exercício do poder de polícia, destinada a fazer cessar a circulação da propaganda reputada ilícita, seja pelo uso desconforme do uso de IA, seja por conta da responsabilidade do Facebook diante da ordem judicial já existente e do conteúdo replicado”, escreveu Libonati na decisão.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Mais repetições</h2>
<p class="wp-block-paragraph">O vídeo citado pelo juiz eleitoral não é o único publicado pelo vereador Tenóbio em suas redes sociais que usa IA e termos ofensivos para citar adversários. O governador da Bahia também é relacionado, nesse caso, ao termo “Jegônimo”. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Jaques Wagner (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também aparecem nas imagens. Lula é apresentado como “Molusco da Silva”, e Wagner como “Jackson Master”. A postagem foi denunciada à Justiça eleitoral e além de ter que remover o conteúdo, o vereador foi multado em 30 mil reais pelo TRE-BA, no dia 20 de julho. Tenóbio é candidato a deputado estadual pelo PL.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A sigla tem como principal expoente, nas eleições de outubro, a campanha de Flávio Bolsonaro, que tem sido colocada à prova no TSE. Após o uso do vídeo do ex-presidente Bolsonaro, feito com IA, na convenção do partido, o Tribunal deverá decidir sobre a utilização de <em>deepfake</em> em casos onde não há críticas sobre um adversário ou a divulgação de informações falsas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Isso porque, após pedido do ministro Alexandre de Moraes, a defesa de Bolsonaro afirmou que o ex-presidente não sabia que sua imagem seria veiculada no evento. O caso configura, portanto, <em>deepfake</em>. A legislação atual do TSE proíbe o uso deste tipo de recurso na eleição quando há finalidade de ataque a outros candidatos ou tentativa de enganar eleitores.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Planos de conformidade</h2>
<p class="wp-block-paragraph">No mesmo dia das decisões contra Tenóbio, o TSE publicou uma portaria determinando que os provedores de aplicação de internet apresentem quais medidas adotarão para cumprir a legislação eleitoral. Os chamados planos de conformidade devem ser apresentados ao Tribunal até o dia 16 de agosto por empresas com mais de 5 milhões de usuários, como Instagram, Facebook, X (ex-Twitter) e plataformas de IA, como a OpenAI.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre as exigências definidas pelo TSE que devem ser consideradas pelas plataformas estão a inclusão de regras contra a violência política, monitoramento de propaganda irregular, remoção de conteúdo e suspensão de perfis ou contas. De acordo com o texto da portaria, o plano de conformidade deverá conter informações específicas sobre as medidas que serão adotadas, incluindo os prazos de implementação, critérios aplicáveis e mecanismos de controle.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No documento, o TSE determina, inclusive, que as plataformas forneçam informações sobre as ferramentas para identificar e inibir a circulação de “conteúdos com sinais de risco sob revisão”, em referência a publicações que “veiculem fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados capazes de afetar a integridade eleitoral”. A portaria define, também, que seja apresentado a metodologia para a qualidade da detecção, com a inclusão de indicadores de referência à taxa de falsos positivos e à recorrência de conteúdos idênticos após remoção.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de inédita, a decisão do TSE de exigir os planos de conformidade das plataformas pode não fazer diferença no cumprimento da legislação eleitoral.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Não é factível imaginar que as plataformas de inteligência artificial e de distribuição vão conseguir fazer adaptações profundas nos seus produtos em poucos dias. Nós estamos falando de algo que deveria ter acontecido há um ano, há seis meses, há muito mais tempo do que isso”, analisa Neisser.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na visão do professor da FGV, houve uma “inércia” do TSE em relação ao tema, principalmente na última gestão, presidida pela ministra Carmen Lúcia. Ele cita como exemplo, também, os memorandos de entendimento, assinados entre as plataformas e o TSE somente neste mês. Nas eleições passadas, este tipo de memorando estava acordado pelo menos um ano antes do pleito; nestas eleições deveriam, portanto, ter sido assinados durante a presidência de Carmen Lúcia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Esse plano de conformidade vai ser um início de regulação, não vai resolver a questão, mas pelo menos vai trazer mais informações sobre como se dá a moderação, para permitir uma cobrança melhor da sociedade sobre isso”, finaliza Neisser.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Greve trens SP: as denúncias por trás dos acidentes</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/greve-trens-sp-as-denuncias-por-tras-dos-acidentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 17:22:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
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		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três linhas de trens da cidade de São Paulo ganharam as manchetes da imprensa devido à greve que começou nesta terça-feira, 4 de agosto. Essas mesmas linhas, que passaram a ser totalmente operadas pela empresa privada Trivia no final julho, já eram notícia nas semanas anteriores por um motivo que tem relação com a paralisação: [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Três linhas de trens da cidade de São Paulo ganharam as manchetes da imprensa devido à greve que começou nesta terça-feira, 4 de agosto. Essas mesmas linhas, que passaram a ser totalmente operadas pela empresa privada Trivia no final julho, já eram notícia nas semanas anteriores por um motivo que tem relação com a paralisação: uma série de acidentes estavam acontecendo nos trens.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O caso com maior repercussão ocorreu no dia 23 de julho. Após um curto-circuito, chamas e fumaça tomaram conta de um vagão da Linha 12-Safira. Era a primeira semana de gestão exclusiva da Trivia Trens no processo de concessão. Por trás do acidente que carbonizou um vagão e assustou os passageiros, uma denúncia correu nos bastidores: segundo a Agência Pública apurou, funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM, teriam alertado a Trivia sobre problemas no sistema elétrico e a falta de preparo dos novos funcionários para lidar com eles. Foi justamente um curto-circuito o motivo apresentado pela Trivia como provável causa para o incêndio que paralisou três linhas de trem no dia 23 de julho.</p>
<p>		Trem carbonizado após explosão na Linha 12-Safira da Trivia Trens; funcionários da CPTM entram em greve contra privatizações de Tarcísio</p>
<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a apuração com funcionários da CPTM envolvidos no processo de transição das linhas para a concessão privada, no dia do acidente, um manobrador da estatal comunicou via rádio problemas na rede elétrica para a central de controle da Trivia. O funcionário afirmou que a resposta da empresa foi lenta e, no fim, foram os próprios funcionários da CPTM e da empresa terceirizada CAF (que fabrica e presta serviço para o sistema de trens da capital) que socorreram os passageiros para sair do trem em chamas. Eles apontam, inclusive, que sem ajuda, os passageiros teriam ficado presos no vagão.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Questionada sobre a denúncia, a Trivia respondeu, em nota, que “cumpriu com todas as etapas previstas em contrato de forma estruturada, incluindo a preparação das equipes com capacitações e treinamentos intensivos”. A concessionária diz que “conta atualmente com cerca de 2,4 mil colaboradores, dos quais 2,1 mil atuam diretamente nas frentes de Operação e Manutenção”, que “receberam mais de 1,3 mil horas de treinamentos práticos e teóricos”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar da gravidade do acidente – que felizmente não deixou feridos – a reportagem apurou que as falhas estão longe de ser um problema pontual. A Pública ouviu maquinistas e técnicos nos últimos seis meses, que denunciam que a nova operadora teria aumentado a quantidade de trens que andam na linha, o que aumentaria o desgaste do sistema. Segundo os técnicos, essa mudança deveria ser acompanhada de uma ampliação das capacidade das subestações de energia, para evitar curtos como o do dia 23. Questionada sobre esse ponto, a Trivia não respondeu sobre o assunto.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Trivia Trens é parte do grupo Comporte, que pertence à família do empresário Nenê Constantino, fundador da empresa de linhas aéreas Gol e dono de várias viações de ônibus. Enquanto a Trivia opera diretamente as linhas 11, 12 e 13, a Tic Trens, que também é parte do grupo Comporte, através de sociedade com a CRRC, de Hong Kong, opera a linha 7. O leilão vencido pela Trivia aconteceu em 2025, em um contrato de mais de R$ 14 bilhões.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os maquinistas e técnicos ouvidos pela Pública também apontaram problemas no treinamento dos funcionários contratados pela Trivia. Segundo eles, a formação ficou aquém dos cursos que eram feitos antes da concessão. Além disso, os novos maquinistas seriam colocados para operar com diferentes colegas, muitos deles sem experiência de monitoria. Eles também questionam o aumento na jornada de trabalho, que aumentaria o risco de erros humanos. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Tudo isto, segundo eles, gerou incidentes nos trens, ainda no período de transição. Portas que abriam do lado errado nas estações, trens que passavam sem parar ou estacionavam fora dos limites das plataformas de embarque, e veículos avançando no sinal vermelho são exemplos dessas falhas, segundo as denúncias.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os trabalhadores também questionaram a redução nas equipes de empresas terceirizadas, que prestam apoio ao funcionamento dos trens, o que afetaria a segurança dos passageiros. Eles denunciam que casos de passageiros que passam mal dentro dos vagões ou que necessitam de auxílio no embarque ou desembarque ficavam sem resposta, por exemplo, por falta de pessoal.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785864138_698_Greve-trens-SP-as-denuncias-por-tras-dos-acidentes.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="Imagem mostra lotação de plataformas da estação Brás da CPTM" class="wp-image-260930"  /></p>
<p>		Funcionários apontam falta de treinamento e de pessoal</p>
<p class="wp-block-paragraph">Procurada, a CPTM afirmou em nota que “a preparação das equipes da concessionária ocorreu de forma gradual e estruturada, abrangendo treinamentos técnicos operacionais e de manutenção, atividades práticas em campo e períodos de prática operacional supervisionada”. Ainda segundo a companhia, “Ao longo desse processo, os profissionais receberam capacitação teórica, treinamento em simuladores, quando aplicável, e acompanhamento direto das equipes técnicas da CPTM, de acordo com cada sistema e função”. “Todos os profissionais da concessionária inseridos na condução monitorada são devidamente habilitados como operadores de trens e participaram das atividades de acordo com os procedimentos definidos para o processo de transição.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) respondeu que, “no contrato com a Trivia Trens, a transição operacional está determinada em etapas, com mecanismos de monitoramento e acompanhamento que, ao não serem plenamente atendidos, garantem segurança jurídica para o retorno da operação conjunta”. Disse ainda que “instaurou procedimento de apuração para identificar as causas das ocorrências e apurar a responsabilidade da concessionária pelas falhas registradas na prestação do serviço”. “A Agência adotará todas as medidas administrativas cabíveis para garantir o cumprimento das obrigações assumidas pela concessionária e a adequada prestação do serviço aos usuários, incluindo a aplicação das penalidades previstas em contrato”.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Entenda a greve dos trens em SP</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A greve dos trabalhadores da CPTM foi decidida na noite de 3 de agosto, terça-feira. As linhas 11 Coral, 12 Safira e 13 Jade foram diretamente afetadas com a paralisação, já que após o acidente no final de julho, a operação havia voltado para a CPTM, por decisão da Artesp.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A paralisação não tem um prazo definido para acabar. Os trabalhadores questionam diversos pontos no processo de privatização das linhas, como demissões de quase 500 funcionários.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Série de acidentes afetam trens em SP</h2>
<p class="wp-block-paragraph">No dia 2 de maio deste ano, uma operação nas proximidades da Estação Engenheiro Goulart, na Zona Leste, terminou mal. Um vagão do Expresso Aeroporto descarrilou, e os passageiros precisaram caminhar pela via até a plataforma.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Pública apurou, o problema teria sido computado como responsabilidade da CPTM e de seus funcionários, o que eles contestam. O caso inclusive gerou afastamento de funcionários em razão do acidente, de acordo com a apuração.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Questionada, a CPTM afirmou que “não aplica punições a seus empregados por ações ou eventuais falhas cometidas por profissionais de terceiros.” e que o acidente “decorreu de um problema técnico no aparelho de mudança de via (AMV) na região da Estação Engenheiro Goulart”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os descarrilamentos também se tornaram um problema recorrente nas linhas administradas pela empresa ViaMobilidade, que opera duas linhas de trens urbanos desde a concessão, em 2021, e uma de metrô, desde 2018. Em 2026, segundo a empresa, as duas linhas de trens atingiram a marca de 1 bilhão de passageiros. Segundo levantamento da Globo, já foram registrados 14 casos de descarrilamento nas linhas de trens e metrô operadas pela empresa, contra 3 nas geridas pela CPTM e uma de responsabilidade da empresa privada ViaQuatro (agora parte do grupo Motiva).</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital instaurou, na última terça-feira, 28 de julho, um inquérito civil para apurar a concessão das linhas 11, 12 e 13 de trens metropolitanos para a Trivia. A promotora Patrícia de Carvalho Leitão destaca que, em apenas três dias de operação da concessionária, foram registradas pelo menos sete falhas operacionais graves. Ela encaminhou o inquérito também para a Promotoria de Patrimônio Público e Social.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No dia 21, a estação Brás ficou mais de 20 minutos sem circulação de trens, o que provocou confusão nas plataformas. Houve problemas também na Barra Funda, com o esvaziamento de composição em operação. No dia seguinte, houve redução de velocidade em dois trechos próximos ao Tatuapé e falhas de catracas em outras duas estações.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A promotora destaca que os problemas começaram a surgir ainda no período de operação assistida, sob supervisão formal da CPTM. Um levantamento feito pela TV Globo mostrou um aumento no número de falhas nas linhas de trem e metrô na região metropolitana da capital paulista, com um aumento proporcionalmente maior nas linhas concedidas para empresas privadas. O maior aumento percentual foi na Linha 7-Rubi, sob a operação da TIC Trens, de 3 no primeiro semestre do ano passado, para 21 falhas no período equivalente deste ano. A concessionária assumiu a linha em novembro de 2025.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um inquérito civil do Ministério Público investiga possíveis irregularidades na concessão para a empresa. A investigação teve início a partir de uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em nota, a concessionária afirma que a investigação não tem relação com falhas operacionais e foi instaurada antes do início da operação comercial pela empresa.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em abril deste ano, a Promotoria de Patrimônio Público e Social já havia instaurado um segundo inquérito contra a ViaMobilidade em razão das falhas de operação: o descarrilamento parcial de um trem da linha 9, a morte de um funcionário durante um serviço de manutenção na rede aérea, e também um trem que teria circulado com a porta aberta.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O inquérito também apura queixas de atrasos, longos intervalos entre os trens, falhas de energias e sinalização e falta de manutenção em trilhos. É o segundo inquérito da promotoria contra a empresa. O anterior foi concluído em 2023, com um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que terminou com o pagamento de uma indenização de R$ 150 milhões.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785864138_216_Greve-trens-SP-as-denuncias-por-tras-dos-acidentes.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, durante o leilão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade" class="wp-image-260931"  /></p>
<p>		Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, durante o leilão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade</p>
<h2 class="wp-block-heading">Problemas nas privatizações viram pedra no sapato de Tarcísio</h2>
<p class="wp-block-paragraph">As privatizações têm gerado críticas à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo desde 2023 e candidato à reeleição. Além dos problemas com os trens, o militar carioca tem sido cobrado pelos acidentes envolvendo a companhia de água e saneamento Sabesp, privatizada com entusiasmo por Tarcísio em 2024. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Em setembro de 2025, uma idosa de 79 anos morreu em casa após um cano da Sabesp se desprender e atingir a sua casa. Em março deste ano, uma pessoa morreu e nove ficaram feridas após um reservatório de água da Sabesp em construção se romper em Mairiporã, na região Metropolitana de São Paulo. Em maio, no distrito do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, duas pessoas morreram após explosões na rede de gás durante uma obra da empresa, que atingiu quase 50 imóveis. Já em julho, uma obra feita por uma terceirizada da Sabesp abriu uma cratera em Osasco, na Região Metropolitana, deixando nove pessoas desabrigadas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com uma performance pirotécnica com o martelo dos leilões da B3 na mão direita, Tarcísio fez das privatizações o principal feito da sua gestão desde quando era ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro (PL). No caso do leilão vencido pela Trivia, as violentas marteladas vieram acompanhadas dos aplausos animados do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aliado fiel do governador.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Após os acidentes com os trens, Tarcísio chamou o problema de “inaceitável” e ameaçou romper a concessão. No fim do mês passado, ele já havia falado em não fazer novas privatizações de linhas do Metrô.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A solução apresentada pela Artesp de devolver a operação para a CPTM pode se tornar mais um capítulo na disputa entre os sindicatos de trabalhadores e o governo paulista sobre o futuro de profissionais concursados de uma série de categorias. Em junho, a empresa apresentou proposta para suspender o contrato em regime de CLT para 491 colaboradores de diferentes áreas, que foi recusada pelo sindicato. A estatal tinha, em maio deste ano, 3.980 funcionários nas áreas de Operação e Manutenção. O objetivo da proposta era que esses setores passassem a contar com 2.171 trabalhadores.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em uma assembleia na última sexta-feira, dia 31 de julho, os sindicatos cobraram a empresa sobre o futuro dos trabalhadores após o término do novo prazo de operação temporária nas linhas da Trivia. </p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Terras raras brasileiras estão no radar da Defesa dos EUA</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-defesa-dos-eua/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 08:59:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caças F-35, drones e mortais mísseis Tomahawk. Todos esses armamentos que os Estados Unidos vêm usando contra o Irã têm algo em comum: ímãs poderosos feitos com terras raras. Esses elementos químicos têm características especiais, como o alto magnetismo e a resistência a altas temperaturas, que os tornaram essenciais para a indústria da guerra. Garantir [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Caças F-35, drones e mortais mísseis Tomahawk. Todos esses armamentos que os Estados Unidos vêm usando contra o Irã têm algo em comum: ímãs poderosos feitos com terras raras. Esses elementos químicos têm características especiais, como o alto magnetismo e a resistência a altas temperaturas, que os tornaram essenciais para a indústria da guerra. Garantir a oferta deles se tornou uma prioridade do governo Donald Trump, que vem investindo diretamente em mineradoras para extrair e processar terras raras fora da China.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Não é uma tarefa simples. A China controla boa parte da extração e mais de 90% do processamento desses elementos – e tem usado essa vantagem em suas disputas geopolíticas e comerciais com os EUA. Nos últimos anos, o governo chinês impôs várias restrições às exportações de terras raras, alegando ameaças à segurança e aos interesses do país. Já o Departamento de Defesa americano, rebatizado por Trump como Departamento da Guerra, decidiu proibir, a partir de 2027, a aquisição de ímãs feitos com esses elementos extraídos ou processados na China e em outros países considerados inimigos, como Rússia, Irã e Coreia do Norte. É no meio dessa disputa que entra o Brasil, dono da segunda maior reserva de terras raras no mundo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por aqui, o apelo das terras raras é outro. Suas aplicações em motores de carros elétricos e turbinas eólicas também as fazem fundamentais para as tecnologias da transição energética – processo que visa a mudança para fontes de energia mais limpas, em vez daquelas à base de combustíveis fósseis, emissoras de gases do efeito estufa. Por isso, mineradoras de terras raras foram incluídas em programas do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do governo federal, como a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica, que visam incentivar o estabelecimento de uma cadeia industrial brasileira para a descarbonização da economia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essas mesmas mineradoras, porém, já entraram no radar do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, sobretudo a Serra Verde, que produz um concentrado de elementos de terras raras, incluindo o samário, usado para fabricar ímãs utilizados em mísseis de longo alcance, como o Tomahawk.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em abril, a Serra Verde, única mineradora com exploração comercial de terras raras no país, anunciou sua aquisição pela americana USA Rare Earth e a formalização de um contrato de fornecimento de 15 anos, abrangendo 100% da sua produção para uma “Empresa de Propósito Específico”, que não foi nomeada, mas que foi capitalizada por agências do governo dos EUA e fontes privadas. A conclusão da operação entre as empresas está prevista para o final de agosto, segundo a CNN.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A mineradora já explora um grande depósito de terras raras em Minaçu, no norte de Goiás. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que, ao longo de 2026, o município exportou quase 678 toneladas de terras raras para a China e apenas 51 kg para os Estados Unidos. Já este ano, o município ainda não exportou para a China, mas, em fevereiro, enviou duas toneladas para os EUA. O uso final desse material, entretanto, não foi especificado. A Serra Verde preferiu não responder às perguntas da reportagem sobre os acordos comerciais com os EUA e se as terras raras brasileiras podem ser usadas para produzir armas de guerra norte-americanas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Porém, em abril, Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, disse, em entrevista à Fox News, que a aquisição da produção da Serra Verde pela “Empresa de Propósito Específico” permitirá que os EUA tenham acesso a insumos para a indústria da defesa.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“A Serra Verde é a única produtora das terras raras pesadas fora da Ásia e ela tem as quatro terras raras magnéticas”, disse Humpton. “E a iniciativa brilhante do governo dos EUA foi criar uma sociedade de propósito específico, com apoio de várias agências governamentais e investimento privado, para garantir um contrato de compra de 100% da produção por 15 anos, assegurando que nós tenhamos acesso aos materiais necessários para a nossa economia e para a nossa defesa”, completou a executiva.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para isso, a USA Rare Earth, dona da Serra Verde, já garantiu US$ 1,6 bilhão em financiamento do governo americano, que terá participação acionária na companhia. Também comprou a britânica Less Common Metals, uma das maiores fornecedoras de ligas metálicas de terras raras, e firmou um acordo de vendas mútuas com a Arnold Magnets. Diante das restrições chinesas, essas duas empresas – Less Common Metals e Arnold Magnets – trabalharam ao longo do ano passado para encontrar fontes alternativas de samário a fim de continuar produzindo os ímãs usados em mísseis Tomahawk, como mostrou o jornal americano New York Times. A solução, na época, foi recuperar um estoque de samário de uma fábrica na França.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Washington Post, apenas nas quatro primeiras semanas de guerra contra o Irã, em março, os EUA disparam mais de 850 mísseis Tomahawk. Evidências apontam que um deles pode ter atingido a área vizinha de uma escola, na cidade de Minab, onde, conforme as autoridades iranianas, pelo menos 168 pessoas morreram – mais de cem crianças entre elas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A plataforma oficial de compras do governo dos EUA mostra que a Less Common Metals tem um contrato firmado em setembro do ano passado com o Departamento de Defesa para a produção de samário no valor de US$ 1,5 milhão (por enquanto, nenhum recurso foi desembolsado). Já a Arnold Magnets também tem um contrato com o departamento, no valor de US$ 275 mil, ainda não pagos, para a manufatura de componentes eletrônicos. A USA Rare Earth, por sua vez, também chegou a ter uma ordem de compra registrada pelo Departamento de Defesa. Em junho, numa nova rodada de restrições, o governo Chinês incluiu a USA Rare Earth e outras nove americanas na lista de empresas de controle de exportações, impedindo que companhias chinesas e estrangeiras forneçam materiais usados em aplicações militares que tenham sido extraídos ou processados na China, como o samário e outros elementos de terras raras.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Diferentemente de outros elementos de terras raras,  que também possuem importantes aplicações nas cadeias de energia e de eletrônicos, o samário é hoje majoritariamente usado pela indústria militar por conta de sua resistência a altas temperaturas. Desde abril do ano passado, a China restringiu a exportação desse elemento e seus derivados, como as ligas metálicas, e passou a exigir uma série de documentos para a obtenção de licenças de exportação, incluindo a identificação do usuário final dos produtos – que, em muitos casos, são fabricantes de armamentos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O elemento é tão estratégico que foi destacado em uma apresentação da USA Rare Earth disponível para investidores. Na página em que a empresa comparou a operação da Serra Verde com outras concorrentes e com a China, foram listados vários atributos, como a extração das terras raras magnéticas e de samário. Apenas a Serra Verde e a China aparecem listadas como tendo “operação comercial” para “metal de samário”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Uma apresentação anterior da companhia mostrava que o concentrado de terras raras produzido pela mineradora tinha cerca de 3,9% de samário. </p>
<p class="has-central-palette-1-background-color has-background wp-block-paragraph" id="terras-raras">Apesar do nome, as terras raras não são escassas no mundo. O problema é que costumam ser encontradas em baixas concentrações e misturadas a outros minerais, o que torna o processo de extração mais difícil. O tipo de depósito – que pode ser de rocha ou de argila – também influencia quais elementos específicos de terras raras estarão presentes ou não. No Brasil, o concentrado produzido pelas mineradoras é resultado da extração dos elementos de terras raras da argila em que estavam inseridos. Depois, esses elementos ainda precisam ser separados para que possam ser destinados a diferentes cadeias produtivas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além da Serra Verde, outra mineradora que está em processo de obtenção da licença ambiental para operar no Brasil também tem laços com o ecossistema do Departamento de Defesa dos EUA. Trata-se da Meteoric, empresa australiana que está desenvolvendo um projeto para explorar 425 hectares de um depósito de terras raras em Caldas e Poços de Caldas, em Minas Gerais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, a empresa assinou um Memorando de Entendimento, instrumento usado em negociações ainda preliminares, com a Ucore, uma empresa canadense que está construindo uma planta de processamento de terras raras nos Estados Unidos com financiamento do Departamento de Defesa. O protocolo de intenção prevê o fornecimento futuro de três mil toneladas de terras raras produzidas pela Meteoric para a Ucore. Por enquanto, a Meteoric só produz um concentrado de terras raras em escala experimental. O plano é iniciar a produção comercial em 2028.Procurada pela reportagem, a Meteoric afirmou, em nota, que “a definição da aplicação final desses materiais ocorre nas etapas posteriores da cadeia produtiva e depende das decisões comerciais de seus clientes”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“O Memorando de Entendimento firmado com a Ucore não é vinculante, logo não há parceria comercial ou responsabilidade nas etapas subsequentes ao processamento do produto intermediário”, afirmou a Meteoric. “A Ucore atua como empresa de processamento e separação de terras raras, produzindo óxidos individuais de alta pureza que posteriormente são comercializados para diferentes segmentos industriais”, completou.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, a Ucore, que também tem investimento do governo do Canadá, informou que está acelerando seus planos para a produção comercial de samário. “Programas de defesa não falham na etapa inicial, eles falham nos gargalos. Samário e gadolínio [outro elemento de terra rara usado na cadeia militar] são exatamente esse tipo de gargalo”, afirmou Pat Ryan, CEO da empresa. “As fornecedoras estão sendo pressionadas a qualificar cadeias de suprimentos que não dependam de países restritos antes do prazo crítico de conformidade de 2027, enquanto autorizações de exportação da China permanecem como uma restrição estrutural. A Ucore está avançando no desenvolvimento de um processo dedicado de refino de samário e gadolínio para atender aos cronogramas de prontidão dos países aliados”, completou.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Por transição energética, mineradoras são selecionadas pelo BNDES</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A Serra Verde aparece entre os projetos da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica, plataforma liderada pelo Ministério da Fazenda e com envolvimento de outros ministérios e do BNDES que visa conectar investidores a projetos sustentáveis para a descarbonização da economia. A Meteoric também figura entre os projetos em fase de captação. </p>
<p class="wp-block-paragraph">As duas mineradoras também foram selecionadas em uma chamada pública do BNDES e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) voltada para minerais críticos, entre eles as terras raras. O objetivo é incentivar planos de negócio que contemplem o desenvolvimento de processos para a produção de materiais transformados e manufaturados voltados para a transição energética.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com a seleção dos planos de negócios, o BNDES vai auxiliar as mineradoras na montagem de pacotes de financiamento, que podem vir a incluir acesso a linhas de crédito subsidiados, investimento em participação acionária ou aporte de recursos não reembolsáveis e, possivelmente, até o uso de recursos do Fundo Clima, principal instrumento do governo para financiar projetos e empreendimentos que reduzem as emissões de gases do efeito estufa. No total, os planos de negócios selecionados demandam R$ 45,8 bilhões de investimentos. O BNDES pretende colaborar com pelo menos R$ 5 bilhões em financiamentos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Questionado pela reportagem sobre o eventual risco de terras raras extraídas pelas mineradoras virem a ser usadas pela indústria de defesa dos EUA, o BNDES afirmou que as análises necessárias para o processo de concessão de financiamento incluem uma visão detalhada sobre os projetos, inclusive os mercado-alvo, “cuja expectativa é que sejam majoritariamente relacionados à transição energética e à descarbonização”. Também disse que “a seleção não dispensa a análise técnica, socioambiental, financeira e jurídica dos projetos, nem tampouco gera expectativa de direito com relação à aprovação de cada projeto no âmbito dos instrumentos de apoio financeiro. Dessa forma, os projetos submetidos para análise do BNDES deverão demonstrar o atendimento ao que dispõe o Regulamento Socioambiental e Climático para Apoio ao Setor de Mineração”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, em resposta à Pública, o BNDES reconhece que na mineração e no processamento de minérios é comum a obtenção de coprodutos que também podem ter destinação comercial. “As empresas naturalmente buscam as melhores condições de mercado para a destinação desses coprodutos”, afirmou o banco em nota.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Procurado, o Ministério da Fazenda não respondeu até a publicação deste texto, que será atualizado em caso de resposta.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Agência Internacional de Energia, o setor de energia limpa responde hoje por cerca de 21% da demanda por terras raras (11% para veículos elétricos e 10% para energia eólica). “Outros usos”, que não foram especificados, somam 72%. A previsão é que no cenário atual de políticas para descarbonização, o setor de energia limpa chegue a 30% da demanda global por esses elementos em 2030.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O presidente Donald Trump nega a crise climática. Seu governo vem trabalhando a favor do setor de combustíveis fósseis e contra o setor de energias renováveis, retirando incentivos para a produção de carros elétricos e até pagando empresas para suspenderem projetos de geração eólica. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas para além das tecnologias da transição energética, terras raras são usadas no setor aeroespacial e automotivo, em aparelhos eletrônicos (como celulares e discos rígidos de computador) e de raio-x, além de tecnologias de LED e de laser.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo estimativas, o setor militar responde por uma parte muito pequena da demanda por esses elementos – menos de 5%. Ainda assim, o interesse do governo Trump nesta área é evidente.</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_675_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p>Neodímio (Nd) e Praseodímio (Pr)</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_786_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p>Disprósio (Dy) e Térbio (Tb)</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_397_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p>Cério (Ce)</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_747_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p>Lantânio (La)</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_95_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p>Ítrio (Y)</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_816_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p>Samário (Sm)</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_122_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p>Túlio (Tm)</p>
<p>							<img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="150" height="150" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1785747579_293_Terras-raras-brasileiras-estao-no-radar-da-Defesa-dos-EUA.jpg?resize=150%2C150&#038;ssl=1" class="rounded-circle shadow img-fluid mb-2" alt=""  />							</p>
<p> Outros</p>
<h6>Neodímio (Nd) e Praseodímio (Pr)</h6>
<p class="fs-6">Superímãs de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.</p>
<h6>Disprósio (Dy) e Térbio (Tb)</h6>
<p class="fs-6">Também usados, em menor quantidade, nos superímãs Cério (Ce): Lâmpadas de LED</p>
<h6>Cério (Ce)</h6>
<p class="fs-6">Lâmpadas de LED</p>
<h6>Lantânio (La)</h6>
<p class="fs-6">Separação de componentes do petróleo, baterias e lentes</p>
<h6>Samário (Sm)</h6>
<p class="fs-6">Ímãs de motores para aviões</p>
<h6>Túlio (Tm)</h6>
<p class="fs-6">Dispositivos de Raio-X</p>
<h6> Outros</h6>
<p class="fs-6">(Érbio [Er], Escândio [Sc], Európio [Eu], Gadolínio [Gd], Itérbio [Yb], Hólmio [Ho], Lutécio [Lu], Promécio [Pm]): usos como telas de smartphones e TVs, equipamentos médicos e lasers</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Há preocupações tanto com o mercado militar quanto com o mercado comercial”, afirmou Stanley Trout, especialista em metalurgia e em ímãs de terras raras com quase cinco décadas de experiência no setor. “A preocupação com o setor militar é desproporcional ao tamanho dele, por razões óbvias. Para obter sucesso, é preciso haver negócios em ambas as áreas”, explicou.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Na maioria dos casos, esses minerais [como as terras raras], cuja demanda é principalmente impulsionada por usos civis, permanecem críticos para setores de defesa, nos quais eles raramente podem ser substituídos”, diz o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, Trump assinou uma ordem executiva para usar uma lei de produção para o setor de defesa a fim de priorizar a produção de minerais críticos nos Estados Unidos. A ordem afirma que 70% das importações americanas de terras raras vêm da China e que os minerais críticos são “essenciais para a prontidão militar dos EUA”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“O Brasil é um exportador de minérios. E algumas empresas brasileiras podem já ter fornecido ou estar fornecendo minérios para a indústria de armamentos”, disse Bruno Milanez, professor da faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ele cita evidências que apontam o possível abastecimento de nióbio extraído no Brasil para as indústrias de armamento israelenses, britânicas e japonesas, além de relatórios de empresas de armamento americanas com fornecedores brasileiros para tântalo, titânio e tungstênio.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“A cadeia da mineração é global, muito longa e relativamente opaca. As mineradoras não têm interesse em monitorá-la. Não está claro que os projetos [de terras raras] vão fornecer para a indústria de armamentos, mas também não há nada, hoje, que impeça isso de acontecer”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nem o BNDES nem o governo brasileiro têm controle sobre os acordos firmados entre compradores e as mineradoras que atuam no país. No Senado, um dos projetos de lei de criação de uma política para minerais críticos e estratégicos prevê a criação de um conselho para fazer a homologação (ou seja, a validação) de mudanças no controle societário de empresas donas de direitos minerários e contratos ou parcerias internacionais que envolvam o fornecimento de minerais que possa afetar a segurança econômica ou geopolítica do Brasil. O texto, no entanto, está parado e, recentemente, senadores se movimentaram para avançar com outro projeto, que propõe apenas um acompanhamento dessas mudanças empresariais e parcerias. Essa discussão, porém, é muito mais sobre soberania nacional e o nível de controle que o estado brasileiro terá sobre o setor. Nenhum dos projetos trata da destinação desses minerais extraídos no país.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para Milanez, o destino final das terras raras extraídas no Brasil levanta uma questão de transparência, tanto para a sociedade (e, em especial, para aqueles que vivem em territórios onde há extração), quanto para financiadores, sejam eles públicos ou privados. “Eles captam recursos dizendo que é para transição energética. Mas e se não for? Tem fundos de investimento que têm políticas para não se envolver com setores como tabaco, bebida, armas”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Milanez vê possíveis problemas contratuais, mas também éticos. “O que significa o Brasil vir a abastecer a indústria da guerra? E isso num contexto de aumento de ataques contra civis. As mineradoras não deveriam poder lucrar livremente com a venda de um material que tem o potencial de ser usado em eventuais crimes de guerra”, diz.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Lula aposta no combate ao feminicídio por apoio de eleitoras</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/lula-aposta-no-combate-ao-feminicidio-por-apoio-de-eleitoras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 00:50:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao ser oficializado candidato à reeleição durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que aconteceu neste domingo, 2 de agosto, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu dirigir seu discurso ao público que segue sendo o calcanhar da aquiles de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro: as mulheres. Mais especificamente, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Ao ser oficializado candidato à reeleição durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que aconteceu neste domingo, 2 de agosto, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu dirigir seu discurso ao público que segue sendo o calcanhar da aquiles de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro: as mulheres. Mais especificamente, priorizando um dos temas sensíveis da agenda eleitoral relacionados à segurança pública: o combate à violência contra mulheres.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Lula entrou oficialmente na na Campanha eleitoral em um evento no Expo Norte, ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, e de lideranças de partidos aliados.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O presidente classificou a luta contra o feminicídio como uma pauta que deve ser assumida também pelos homens, em um discurso que misturou a memória histórica do PT, do próprio Lula, críticas indiretas ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e à desinformação.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim, ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pegue a sua mão e vote em quem você quiser. Eu quero criar uma sociedade de respeito.”, declarou o presidente.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A declaração ocorre em um momento de piora nos indicadores de violência de gênero no país, que apresentaram uma alta de 4,4% de 2024 para 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no último dia 23 de julho.</p>
<p class="wp-block-paragraph">São os estados do norte do país que apresentaram as maiores taxas de aumento. No Amapá, o crescimento de casos de feminicídio foi de 347%, seguido por Rondônia com 66% e Tocantins com 52%.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O combate à violência contra as mulheres já havia sido um tema adiantado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que em entrevista cedida às redes sociais do partido destacou que a necessidade de combater os feminicídios.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Lula também destacou programas e medidas sancionados por seu governo voltados às mulheres. Entre eles, a lei sancionada em 29 de julho que instituiu o mecanismo conhecido como “Pix Pensão”. A medida permite que, por determinação judicial, o pagamento da pensão alimentícia seja feito automaticamente via Pix, com débito direto na conta do devedor. O objetivo é tornar a cobrança mais ágil e efetiva, sem alterar as regras para a fixação da obrigação alimentar, que continuam sendo definidas pela Justiça ou por acordo entre as partes.</p>
<h2 class="wp-block-heading">PT não escalou mulheres para discursar</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A defesa das mulheres, entretanto, expôs também uma contradição dentro do próprio evento: nenhuma mulher, nem mesmo Janja, havia sido escalada para discursar. Estavam programadas falas do presidente nacional do PT, Edinho Silva, do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do próprio Lula.</p>
<p>Lula passa o microfone para Janja após constatar que não havia falas femininas programadas</p>
<p class="wp-block-paragraph">O discurso do presidente começou como uma autocrítica ao partido que não havia escalado nenhuma mulher para falar no evento.“Não é possível que a gente tenha esquecido, no principal evento de nossa campanha, não ter nenhuma mulher para falar. Então, como a minha companheira Janja não estava no script, eu quero que ela, em nome das pessoas que participam do Pacto Contra os Feminicídios, fale para as mulheres aqui”, disse.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O público reagiu positivamente à declaração, que estava no palco ao lado da primeira-dama, que segurava um cartaz escrito “Lula pela vida das mulheres”. Quando ela tomou posse do microfone, também alfinetou a organização da convenção: “É difícil porque a gente precisa estar sempre se reafirmando, né, mulherada? Todo dia”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em seu discurso dedicado às mulheres, Janja fez questão de lembrar da importância do voto feminino para a reeleição de Lula. “E aqui eu quero saudar, e eu vou saudar só as mulheres que estão aqui hoje […] Somos nós, mulheres, que vamos eleger você [Lula] novamente”, disse.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O discurso de Janja não é por acaso, afinal, segundo a última pesquisa Datafolha, Lula é o favorito entre o eleitorado feminino, com 50% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que marcou 40%.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Coca-cola, mágica tributária e royalty fantasma: O que não te contam</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/coca-cola-magica-tributaria-e-royalty-fantasma-o-que-nao-te-contam/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 15:59:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quarto maior mercado de bebidas açucaradas do mundo, o Brasil está envolvido num turbilhão jurídico que envolve a Coca-Cola e que pode custar R$ 102,5 bilhões de dólares (US$ 20 bi) à companhia nos Estados Unidos. E o motivo pode ser resumido em uma palavra: impostos. Isso porque, mundialmente, a Coca-Cola vinha fazendo uso de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Quarto maior mercado de bebidas açucaradas do mundo, o Brasil está envolvido num turbilhão jurídico que envolve a Coca-Cola e que pode custar R$ 102,5 bilhões de dólares (US$ 20 bi) à companhia nos Estados Unidos. E o motivo pode ser resumido em uma palavra: impostos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Isso porque, mundialmente, a Coca-Cola vinha fazendo uso de uma estratégia em vários países de cobrar valores mais baixos pelo licenciamento da marca, o chamado “preço de transferência”, para diminuir suas arrecadações, embutindo a cobrança em outras frentes. A empresa já foi condenada a pagar R$ 13 bilhões (US$ 6 bi) em juízo enquanto recorre no Tribunal de Apelações do 11º Circuito dos Estados Unidos, em Miami.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre os países envolvidos na disputa judicial está o Brasil, cujas regras para o preço de transferência mudaram para se adequar às normas internacionais em 2023. O caso do país, que perde R$ 34,9 bilhões (US$ 6,8 bilhões) por ano devido a estratégias tributárias de grandes empresas, chamou a atenção do mundo e motivou o estudo <em>A Mágica Tributária da Coca-Cola</em>, lançado nesta quinta-feira (30), em Londres.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O levantamento do Centro Internacional de Transparência e Pesquisa em Fiscalidade Corporativa (Citar), que teve relatório sobre o Brasil encomendado pela ACT Promoção da Saúde, revela que a Coca-Cola Brasil usa de brechas legais para, de um lado, se beneficiar de renúncias fiscais na Zona Franca de Manaus (ZFM) e, de outro, ter subsidiárias pagando mais caro pelo produto para serem contempladas com incentivos de “cashback mágico”, aproveitando políticas locais, como os praticados pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Os dados foram extraídos das Declarações de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na prática, a maior indústria do xarope usado pela Coca-Cola no país, a Recofarma, é beneficiada por estar localizada na ZFM, o que a deixa livre de recolher, por exemplo, o Importo sobre Produtos Industrializados (IPI), parte do incentivo criado em 1967 para estimular o desenvolvimento da região. As engarrafadoras espalhadas pelo Brasil compram esse xarope e pedem compensações ao governo, se valendo de crédito presumido desse mesmo IPI (que não é recolhido a origem).</p>
<p class="wp-block-paragraph">O estudo caracteriza o cenário como um subsídio às empresas para a produção de seus refrigerantes, mesmo que estes sejam considerados itens ultraprocessados, associados a um maior risco de desenvolver quase 40 tipos de condições de saúde. Ainda em 2019, o Supremo Tribunal Federal avaliou os recursos de cashback e considerou que a prática seria constitucional.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, organizações como a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) há anos defende que o incentivo dificulta a concorrência e afeta, em especial, produtores regionais, que não teriam acesso aos incentivos da ZFM. “Uma das soluções perante o déficit das contas públicas é revisar e redirecionar incentivos fiscais, a fim de estimular uma indústria que confira um retorno à população”, publicou diversas vezes a Afrebras.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além do “cashback mágico”, como descreve o estudo, ainda há o apontamento de que o xarope seria vendido até 64 vezes acima do preço praticado pelo mercado como forma de embutir valores de royalties do licenciamento da marca Coca-cola, bem como do marketing, valores que não são cobrados separadamente justamente para evitar a incidência de taxação específica de 15% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e 10% de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-Royalties) – o que a Citar descreve como “royalties fantasmas”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Procurada, a Receita informou que já houve autuações no setor de concentrados de bebidas com lavraturas de autos de infração, mas afirmou não comentar casos concretos de procedimentos de fiscalização. O órgão também preferiu não informar o que denomina de “planejamento tributário abusivo” “para proteger o sigilo fiscal dos contribuintes e preservar a efetividade de suas ações”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A gerente de Inovação e Estratégia da ACT, Marília Albeiro, destaca que, apenas em 2024, empresas do Sistema Coca-Cola Brasil declararam R$ 2,1 bilhões em renúncias fiscais, montante que corresponderia a 80% do valor total da Lei Rouanet ou a mais de duas vezes o orçamento executado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) naquele ano.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Menos atenção é dada a um conjunto de práticas deliberadamente estruturadas para permanecerem pouco visíveis: arranjos tributários sofisticados, uso de incentivos fiscais e outros mecanismos que reduzem significativamente a carga de impostos paga. Nessa zona cinzenta entre o legal e o ilegítimo, a fronteira é frequentemente moldada por assimetrias de poder e por estratégias robustas de influência e lobby”, afirma Albeiro, acrescentando ainda que os valores que deixam de ser arrecadados representam menos recursos para saúde, educação e outras políticas públicas, além de impactar no déficit público.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Procurada, a Coca-Cola Brasil não se manifestou até a publicação desta reportagem. Em caso de resposta, este espaço será atualizado.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Dúvidas e meia dose de futuro</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Uma forma de reequilibrar os impostos no setor de bebidas açucaradas veio com a Reforma Tributária, mas ainda está pendente de definição. É a alíquota do Imposto Seletivo (IS), o chamado “imposto do pecado”, que incidirá sobre produtos considerados de alguma forma prejudiciais à saúde, com o objetivo de desestimular o consumo, que segue sem previsão de publicação pelo Ministério da Fazenda.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No caso dos refrigerantes, a Agência Pública já mostrou como a indefinição ainda abre margem para distorções em que as bebidas açucaradas possam pagar menos impostos até que a água mineral, considerando a operação Manaus.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para o doutor em economia e ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Luis Troster, no entanto, o cenário trazido com a Reforma Tributária pode ser amenizado, mas não resolvido. “Nem sim, nem não, muito pelo contrário. Por um lado, você tem os refrigerantes entrando no imposto seletivo, o imposto do pecado, então isso pode ter uma alíquota maior. Por outro lado, os privilégios da ZFM foram prorrogados até 2073. O que vai acontecer, depende de regulação, acho que ainda tem chão pra isso”, resume. Ainda não, pelo Ministério da Fazenda, prazo definido para a definição da alíquota do IS.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O embate nos Estados Unidos com a matriz da empresa não compromete financeiramente a companhia brasileira. A última audiência ocorreu no final de junho, mas um veredito ainda não foi definido.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A investigação do Fisco americano não é por acaso. Ainda em 2004, a Bloomberg já apontava o uso de subsidiária da Coca nas Ilhas Cayman para vender xarope a clientes de 75 nações e, assim, reduzir obrigações fiscais da companhia norte-americana. Desde então, já há notícia de afiliadas da corporação em paraísos fiscais como Singapura, Guernsey, Ilhas Cayman, Luxemburgo, Ilhas Virgens Britânicas, Chipre e Suíça. A empresa teve receita global de US$ 47,1 bilhões em 2024 e distribuiu em média US$ 7,9 bilhões em dividendos para seus acionistas nos últimos cinco anos.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Partido Missão: o projeto de poder de Renan Santos e do MBL</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/partido-missao-o-projeto-de-poder-de-renan-santos-e-do-mbl/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 07:42:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 26 de abril de 2025, o Sorocaba Park Hotel, no interior de São Paulo, abrigou um encontro que, à primeira vista, poderia ser confundido com uma convenção de vendas de uma startup. O auditório de 316 metros quadrados estava ocupado por cerca de 430 jovens, em sua maioria homens de 18 a 30 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No dia 26 de abril de 2025, o Sorocaba Park Hotel, no interior de São Paulo, abrigou um encontro que, à primeira vista, poderia ser confundido com uma convenção de vendas de uma startup. O auditório de 316 metros quadrados estava ocupado por cerca de 430 jovens, em sua maioria homens de 18 a 30 anos. Eles não estavam ali para aprender sobre novos softwares ou técnicas de marketing digital, embora o domínio dessas ferramentas fosse parte intrínseca do encontro. Tratava-se da nova turma da Academia MBL, o braço de formação de quadros do Movimento Brasil Livre.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O clima no salão misturava a euforia de um show de rock à disciplina de um cursinho preparatório. Aos 42 anos, Renan Santos, fundador e um dos principais estrategistas do movimento, subiu ao palco para falar aos presentes. “A gente tá vivendo o teste do tempo. Nós estamos aí há dez anos. Porque nós não nos vendemos”, discursou, sendo imediatamente ovacionado pela plateia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O encontro em Sorocaba não era apenas uma celebração de sobrevivência. Era a consolidação de uma transição. Após doze anos atuando na política brasileira, abrigando seus membros em legendas como DEM, Podemos e União Brasil, o MBL preparava o terreno para voar solo. Após o encontro em Sorocaba, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovaria, no início de novembro de 2025, a criação do Partido Missão, a 30ª sigla do país. O partido, registrado no cartório civil em 23 de outubro de 2023, obteve mais de 500 mil apoios válidos e comprovou a constituição de diretórios estaduais em pelo menos 9 unidades da Federação.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com a aprovação do TSE, o Missão, além de poder lançar candidatos às eleições e participar oficialmente do processo eleitoral, também garantia o direito aos recursos do Fundo Partidário e ao acesso gratuito à rádio e televisão. Com o caminho livre, o <em>outsider</em> Renan Santos sairia como candidato à Presidência, o que se confirmou em convenção do partido em julho deste ano. O candidato a vice de Renan será Aroldo Medina, militar da reserva.</p>
<p>A Agência Pública procurou Renan Santos, o Partido Missão e o MBL para esta reportagem, mas não obteve retorno até a publicação.</p>
<h2 class="wp-block-heading">A metamorfose da “nova direita”</h2>
<p class="bg-fade bg-fade-FFD400 wp-block-paragraph">A trajetória de Santos e do MBL ilustra uma metamorfose peculiar na política brasileira na última década. O grupo, que ganhou projeção nacional em 2014 ao capitanear as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, sempre se apresentou como um agrupamento de outsiders combatendo a “velha política”. A partir de 2021, o grupo que havia apoiado a eleição de Jair Bolsonaro adotou um discurso de rompimento com o bolsonarismo e passou a defender o impeachment do ex-presidente.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O surgimento do MBL, no entanto, ecoa uma articulação mais ampla da “nova direita” na América Latina, impulsionada e financiada por uma rede de <em>think tanks </em>conservadores estadunidenses, como mostrou a Agência Pública em 2015. Essas organizações buscam combater governos de esquerda da Venezuela ao Brasil, defendendo bandeiras tradicionais — como a supremacia do indivíduo sobre o Estado, a liberdade absoluta do mercado e a defesa irrestrita da propriedade privada — com uma linguagem que busca modernizar-se e voltar-se ao engajamento digital. No entanto, a engrenagem em que opera indica uma estrutura tradicional, porém profissionalizada e desenhada para conquistar e exercer o poder, muitas vezes flertando com propostas que ferem a Constituição de 1988. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, a aposta nessa “nova direita” tem rendido frutos nas pesquisas eleitorais, especialmente entre o público jovem. Segundo algumas pesquisas mais recentes, como a AtlasIntel/Bloomberg de julho de 2026, Renan Santos aparece em primeiro lugar nas intenções de voto entre jovens de 16 a 24 anos, alcançando 38%. Nesta pesquisa, Renan é o terceiro colocado nas intenções de voto no primeiro turno, com 7,8%. Ele, que nunca concorreu a nenhum cargo eletivo, fica atrás de Lula e Flávio Bolsonaro, mas à frente de veteranos como os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). </p>
<p class="bg-fade bg-fade-FFFFFF wp-block-paragraph">Esse avanço rápido de Santos entre a chamada Geração Z — saltando mais de 9 pontos percentuais em poucos meses — mostra que nas redes sociais, o engajamento do MBL e de Santos, que nascem desse movimento digital, tem superado o de políticos tradicionais, impulsionado por uma estratégia de ataques diretos e polarização.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="310" data-id="258962" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C310&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258962"  /></p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="328" data-id="258960" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483776_293_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C328&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258960"  /></p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="314" data-id="258961" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483776_984_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C314&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258961"  /></p>
<h2 class="wp-block-heading">As falanges: Alexandria, Esparta e Atenas</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A Academia MBL, criada em março de 2021, é o coração dessa engrenagem. A instituição funciona como um criadouro de militância, estruturado para forjar a “nova geração da direita” liberal brasileira. O objetivo é produzir políticos, assessores, intelectuais e criadores de conteúdo que operem sob uma agenda unificada, determinada de cima para baixo pela cúpula do movimento.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os alunos da academia não são meros espectadores. Eles são “convocados” para atividades práticas que vão da mobilização nas redes sociais à ocupação de câmaras municipais, com o objetivo de pressionar os parlamentares. A estrutura interna divide os estudantes em três falanges, cada uma com uma função específica na engrenagem política do grupo: Alexandria, Esparta e Atenas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">As matérias das provas obtidas pela Agência Pública também eram divididas entre as casas. Na primeira prova, realizada em maio de 2025, os temas de Alexandria incluíam “Petismo”, “Justiça e Militância”, “História da Humanidade” e “Processo Legislativo”. Atenas focava em “Como Vencer Uma Eleição”, “Oratória” e “A Arte do Debate”. Já Esparta concentrava-se em “Gestão de Grupos de WhatsApp”, “Gestão de Campanhas” e “Organização e Militância”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A primeira atividade prática do curso revela o modus operandi. Aos “espartanos”, coube a linha de frente: procurar vereadores aliados em suas respectivas cidades e convencê-los a protocolar a “Lei Anti-Oruam”. A proposta, de autoria da vereadora paulistana Amanda Vettorazzo (União Brasil – SP), coordenadora da campanha de Renan Santos, visa proibir a “glamourização do crime e do tráfico”. Caso o projeto já existisse no município, os militantes deveriam apresentar outras propostas do pacote do MBL, como leis contra pichações ou contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Aos “atenienses”, a missão era a comunicação de massa. Eles precisavam produzir vídeos curtos e engajantes para o Instagram, traduzindo os projetos de lei para uma linguagem acessível ao grande público. Já os “alexandrinos” ficavam responsáveis pela retaguarda intelectual, elaborando dossiês com dados e justificativas técnicas para embasar as propostas em cada realidade municipal. Essa formação ideológica não ocorre por acaso. O partido Missão vem investindo na criação de uma base intelectual, publicando a revista Valete e o chamado ‘Livro Amarelo’, que mistura anarcocapitalismo e pautas de costumes, numa estratégia inspirada em pensadores da ultradireita e no conceito de hegemonia cultural. O objetivo é criar um “hub intelectual da direita” que sobreviva a longo prazo.</p>
<h2 id="at-2589470" class="c-accordion__title js-accordion-controller" role="button">CARTILHA DE ATIVIDADES DO MBL</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Um jovem alexandrino, na casa dos 20 anos, confidenciou à Pública a escolha do tema do evento realizado em Sorocaba no ano passado. Ele planejava focar nas pichações na Universidade de São Paulo (USP). “Lá tem muita coisa pró-Palestina, pró-aborto, pró-trans, só comunismo”, justificou.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essa capilaridade organizada permite ao MBL e ao partido Missão exercer uma influência que vai muito além dos mandatos que atualmente ocupam. É uma máquina que retroalimenta a narrativa do grupo, criando fatos políticos locais que são amplificados nacionalmente por meio de sua rede de influenciadores.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O Festival do MBL e de formatura na academia ocorrido em 23 de novembro de 2025 no Komplexo Tempo, no bairro da Mooca, em São Paulo mostrou um Renan Santos empunhando uma espada, vestindo uma jaqueta estilo Top Gun: “Qual é o único número que supera o 13, caralho?”, ele dizia. “14”, respondia a plateia, composta em sua maioria por homens. “Nós vamos vencer o PT no segundo turno. No primeiro, eu quero os traidores, eu quero os mentirosos, os covardes, os vendidos. Eu quero os rachadores.”</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="313" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483776_405_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C313&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258965"  /></p>
<p>		Novembro de 2025 no Komplexo Tempo, Mooca: Renan Santos discuta no festival MBL</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em um vídeo após o evento, Renan respondeu a um seguidor no chat sobre por que ele segurava uma onça de pelúcia e uma espada. “Tem um elemento de que o discurso é sério, mas também tem um elemento em que a gente brinca com a própria estética. Entra na vibe”, respondeu.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No discurso, o agora presidenciável ainda bradou: “Libertaremos o Norte, libertaremos a Colômbia e libertaremos a Venezuela”. Então, em tom messiânico, profetizou: “Vocês que são homens de 20 e poucos anos, quando tiverem 70, vão poder dizer aos seus netos que fizeram parte da geração que tornou o Brasil um país de primeiro mundo”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O evento contou com a participação do escritor norte-americano Curtis Yarvin, conhecido pelo pseudônimo Mencius Moldbug e um dos formuladores do chamado “Iluminismo das Trevas”, corrente que propõe substituir a democracia liberal por um Executivo de poderes concentrados, comparado ao CEO de uma empresa. Yarvin, interlocutor do investidor Peter Thiel, discursou aos militantes e, durante sua passagem pelo Brasil, foi recebido no gabinete da vereadora Amanda Vettorazzo.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="740" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483776_288_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.webp?resize=640%2C740&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258967"  /></p>
<h2 class="wp-block-heading">O verniz autoritário</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Se a organização interna do MBL busca eficiência metodológica, o conteúdo de suas propostas revela um populismo punitivista aliado a uma economia ultraliberal. Durante o congresso em Sorocaba, a reportagem registrou que os líderes do movimento não pouparam palavras antidemocráticas ao descreverem o que fariam caso chegassem ao poder. Entre outras coisas, disseram abertamente que a ideia é adotar as práticas que El Salvador impôs na área de segurança, mudar a Constituição quando chegarem ao poder, impor o Estado de sítio e convocar uma nova Assembleia Constituinte caso chegem à Presidência.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A inspiração em Nayib Bukele, de El Salvador, e em seu modelo de segurança pública flerta com propostas que incluem abertamente assassinatos e tortura. Desde março de 2022, o país centro-americano vive sob um regime de exceção permanente, com a suspensão de garantias constitucionais, como <em>habeas corpus</em>, incluindo o devido processo legal. Com cerca de 90 mil pessoas presas nos últimos anos, El Salvador ostenta hoje a maior taxa de encarceramento do mundo, e a proposta central do MBL para a área é a criação de “Campos de Concentração de Terroristas”, um eufemismo para prisões de segurança máxima destinadas a membros de facções criminosas, que seriam privados de direitos humanos e de cidadania. Representantes do MBL viajaram a El Salvador em 2024 para observar as políticas de Bukele. Na sequência, o grupo marcou presença na posse do segundo mandato do presidente, que é definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) com motivo de grave preocupação devido a violações de direitos humanos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No festival de novembro, Santos exaltou o modelo bukelista de prisões em larga escala e defendeu que o Brasil realizasse operações simultâneas: “Imagina acontecendo, ao mesmo tempo, em Fortaleza, no Recife, em Paraisópolis. Não vai ter como parar”, enfatizou. </p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483776_77_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.webp?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Nayib Bukele, de El Salvador, a inspiração do Partido Missão" class="wp-image-259061"  /></p>
<p>		 Nayib Bukele é definido pela ONU como motivo de grave preocupação devido a violações de direitos humanos</p>
<p class="wp-block-paragraph">Do MBL, o deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) é um dos principais porta-vozes dessa pauta bukelista. Em agosto de 2024, ele protocolou na Assembleia Legislativa de São Paulo o Projeto de Lei nº 588, que autoriza a construção do Centro de Confinamento das Facções (CECOF), inspirado diretamente no Centro de Confinamento de Terroristas (CECOT) de Bukele. O texto do projeto detalha uma estrutura draconiana: muros de 11 metros de altura, celas coletivas para 160 detentos, com camas de ferro fixas, sem colchões, travesseiros, lençóis ou cobertores. Além disso, não haverá janelas, os banheiros não terão divisórias e a iluminação permanecerá acesa durante todo o dia e a noite. “Um criminoso desses, cara, nunca deveria existir. Precisa ou trancafiá-lo ou eliminá-lo da sociedade”, defendeu Zacarias no evento do MBL. “O bandido morre e aí tem gente homenageando. Em El Salvador, eles destruíram todas as sepulturas, mandaram apagar qualquer pichação ligada ao crime organizado e aqui a gente vai deixando. O nosso trabalho aqui é desnaturalizar essas coisas. E vou falar, mesmo que algumas pessoas não gostem de ouvir.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">A retórica belicista é endossada por outros líderes. Arthur do Val, ex-deputado estadual conhecido como “Mamãe Falei”, que teve seu mandato cassado por unanimidade após o vazamento de áudios sexistas afirmando que as mulheres ucranianas refugiadas da guerra seriam “fáceis porque são pobres”, foi taxativo sobre o tratamento a ser dispensado aos membros do crime organizado: “É direito penal do inimigo, é trancar e nunca mais soltar. Para esses, a lei. Para os outros, guerra”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A ambição do grupo, no entanto, vai além do endurecimento penal. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), um dos fundadores do MBL, explicou o projeto do Missão. “A gente precisa declarar guerra. A gente precisa de uma nova Constituição, de uma nova Assembleia Constituinte e de uma bancada forte”, afirmou no evento em Sorocaba no ano passado. A declaração foi reiterada à CNN quando o deputado disse que queria discutir, por meio de um plebiscito, a implementação da pena de morte e da prisão perpétua no Brasil. Após a megaoperação policial que deixou mais de uma centena de mortos no Rio de Janeiro no ano passado, Kataguiri defendeu que a ofensiva fosse só o ponto de partida de uma ‘guerra’ e que membros de facções perdessem o tratamento devido a cidadãos brasileiros.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Seminário Brasil de Ideias - Abertura do Ano de 2019. Desafios e Perspectivas sobre a Agenda do Congresso Brasileiro para 2019. Palestrante: Kim Kataguiri, do Partido Missão" class="wp-image-258991"  /></p>
<p>		Kim declarou querer convocar uma nova Constituinte como um passo necessário para a implementação da agenda do Missão.</p>
<p class="wp-block-paragraph">As declarações do pré-candidato Renan Santos sobre o eleitorado de baixa renda seguem na mesma direção. Renan prometeu acabar com as favelas, classificou beneficiários do Bolsa Família como “um peso para os que estão trabalhando” e defendeu transformar em territórios federais estados como o Maranhão, que passariam a ser geridos por interventores nomeados pelo governo federal. Em publicação nas redes sociais, escreveu que “certas regiões pobres com IDH baixo e elites políticas corruptas são VÍTIMAS da democracia” e que elas precisariam de “liderança forte” para sair “desse buraco”. Em fevereiro de 2024, foi mais longe: “Não existe essa conversa de democracia. […] É por isso que essa farsa vai acabar em algum momento”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A restrição ao voto de beneficiários de programas sociais é defendida abertamente por nomes ligados ao grupo. Zack López, colunista da revista Valete, defendeu, em postagens, que beneficiários do Bolsa Família e de outros programas sociais percam o direito de votar — tese também sustentada, em vídeo, por Matheus Batista, vereador de Joinville e um dos nomes mais influente do movimento em Santa Catarina.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="262" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483776_578_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C262&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258993"  /></p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="599" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483777_707_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C599&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258992"  /></p>
<p class="wp-block-paragraph">O discurso punitivista de Santos foi reiterado no Fórum Esfera, realizado em maio deste ano, em Guarujá. Na ocasião, Santos adotou um tom ainda mais radical à direita, defendendo abertamente o “direito penal do inimigo” e afirmando que gosta de ver criminosos mortos em operações policiais. Esse endurecimento verbal mira diretamente os eleitores decepcionados com Flávio Bolsonaro, a quem Renan tem chamado de “escroque”, argumentando que o bolsonarismo “nasceu morto” e que o filho do ex-presidente não tem capacidade moral para enfrentar o PT. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Santos passou a usar o slogan ‘Prendeu, matou’ e promete instaurar, já no primeiro dia de mandato, um regime de exceção contra o crime organizado — instrumento que a Constituição condiciona ao aval do Congresso Nacional. O pré-candidato avisa ainda que descumprirá eventual decisão do STF que barre a medida.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="580" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483777_905_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C580&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258995"  /></p>
<p>		Nascido em 1984, Renan é da Zona Leste paulistana e filho de advogado </p>
<h2 class="wp-block-heading">Acusações de nazismo</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Em 27 de abril passado, veio à tona a ação de um influenciador neonazista para aproximar o Missão de lideranças da extrema-direita norte-americana. Conhecido pelo codinome “The Phallic Man”, ele fez elogios públicos a Santos na mesma página em que declarou “amor eterno” a Adolf Hitler.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em setembro de 2025, “The Phallic Man” publicou um artigo sobre Renan e o Missão na newsletter de extrema-direita J’Accuse. No texto, descreve a criação do MBL, relembra a formação do Missão e sua transformação em partido político, além de relatar como o grupo mobiliza jovens em todo o país com o objetivo de levar Renan à presidência. O artigo conclui: “A grande contribuição do MBL para a humanidade é a ideia de que a política é recursiva [processo de repetição de um objeto de um jeito similar ao que já foi mostrado]. O Estado deve espelhar o partido; o partido deve refletir os planos de seus líderes”.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="912" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" data-id="258997" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483777_203_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C912&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258997"  /></p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="913" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" data-id="258996" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483777_436_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.png?resize=640%2C913&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258996"  /></p>
<p class="wp-block-paragraph">O texto na J’Accuse apresenta o Missão como um partido alinhado a um princípio central do nazismo — a ideia de subordinar o Estado à vontade do partido e de sua liderança — e afirma que essa abordagem acabou despertando o interesse de setores da extrema-direita norte-americana pelo movimento brasileiro. Em entrevista ao site <em>Metrópoles</em>, Renan negou conhecer o neonazista. Mas, na data da publicação no J’accuse, postou no X pedindo à militância que divulgasse a publicação “como se não houvesse amanhã”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Alguns dias depois, o perfil da revista Valete publicou um vídeo do presidenciável do Missão propagandeando: “A imprensa inglesa descobriu o MBL”. Na live, Renan relatou ainda que o contato inicial abriu portas para conexões com outras figuras desse meio, permitindo que ele conhecesse diversos nomes influentes da chamada nova direita norte-americana.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em dezembro de 2024, reportagem do<em> Intercept Brasil </em>já havia relatado a denúncia de um ex-moderador do MBL, Willian Tavares, que afirmou ter deixado o movimento por perceber tolerância e negligência diante de manifestações neonazistas em grupos internos. De acordo com ele, grupos ligados ao movimento foram invadidos por extremistas que compartilhavam conteúdo racista e antissemita, bem como referências a Adolf Hitler. Ao tentar denunciar e combater essas práticas, Tavares diz que não recebeu apoio da liderança e que teria sido investigado internamente e até ameaçado (com vazamento de dados pessoais). O MBL negou as acusações à época.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Anteriormente, em fevereiro de 2022, Kim Kataguiri declarou-se contrário à criminalização de um partido nazista no Brasil durante sua participação no Flow Podcast — alegaria que sua fala foi distorcida na ocasião. O posicionamento resultou no repúdio de diversas entidades. No podcast, o parlamentar disse achar “errado que a Alemanha tenha criminalizado o nazismo após a Segunda Guerra Mundial” e defendeu que a existência de um partido nazista “não deveria ser crime”, argumentando que a melhor maneira de combater ideologias extremistas seria expô-las, e não proibi-las. Ele também se queixou de que partidos comunistas “teriam mais espaço na imprensa do que os defensores do nazismo”.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Corrida ao Planalto</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Renan Santos, que é da Zona Leste paulistana, vem tentando se apresentar como uma alternativa viável também para o mercado financeiro, flertando com o modelo de Javier Milei, da Argentina, com uma cartilha ultraliberal na economia, mas conservador em matéria de costumes. No mesmo Fórum Esfera Brasil, Santos discursou a mais de 400 empresários, prometendo ajustes fiscais, redução dos gastos da máquina pública e cortes nas renúncias fiscais. O candidato aposta que o empresariado “gosta de quem tem perspectiva de futuro”. Seu plano de governo, que deverá ser detalhado nos próximos dias, propõe ‘desfavelização’, guerra ao crime organizado, fusão de municípios e fim do Bolsa Família. O outsider do Missão, por exemplo, atira tanto em Lula quanto em Flávio Bolsonaro, a quem chama de “centro-direita”.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="360" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1785483777_261_Partido-Missao-o-projeto-de-poder-de-Renan-Santos-e.webp?resize=640%2C360&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258998"  />A aposta eleitoral do Missão para 2026 baseia-se na leitura de um cenário político fragmentado</p>
<p class="wp-block-paragraph">O entusiasmo dos aliados, contudo, convive com números nacionais ainda modestos do que em São Paulo, quando o Real Time Big Data registrou Santos com 10% das intenções de voto no início de junho, oito pontos acima dos 2% de março. A pesquisa DataFolha mais recente mantém Renan na faixa dos 3%. Em alguns cenários anteriores, Santos empata com Ronaldo Caiado (PSD) e fica à frente de Romeu Zema (Novo).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, um levantamento do Real Time Big Data apontou que 26% dos eleitores o citam como a alternativa real à polarização, à frente de Zema (21%) e de Caiado (8%). </p>
<p class="wp-block-paragraph">A aposta eleitoral do Missão para 2026 baseia-se na leitura de um cenário político fragmentado. Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o MBL enxerga um vácuo. “Esse é um cenário de caos muito propício à mudança. É aquela eleição feita para dar zebra ou para dar onça”, avaliou Kataguiri. A onça-pintada, não por acaso, é o símbolo escolhido para representar o novo partido. Resta saber se, em 2026, o rugido da onça será alto o suficiente para ser ouvido fora das paredes de seus próprios congressos — o próximo marcado para está sábado, 1 de agosto,    com preços que variam, segundo a Folha de S. Paulo, entre R$ 94 a R$ 7.014. A programação servirá como lançamento público da candidatura de Renan Santos à Presidência da República, embora sua chapa já tenha sido oficializada em convenção virtual realizada no último dia 20 de julho.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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