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	<title>suíça Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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	<title>suíça Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Neutralidade autoritária: Suíça foi destaque no apoio à ditadura</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/neutralidade-autoritaria-suica-foi-destaque-no-apoio-a-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 16:35:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De camisa polo, sentado em uma varanda, cercado de folhagens tropicais e a três dias do verão carioca de 1970, o empresário suíço Anton Von Salis, então presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira, explicava porque os trabalhadores no Brasil podiam ganhar menos que os da Europa: “As necessidades são totalmente diferentes. Aqui não faz frio. E eles têm casas. Podem ser casas relativamente simples, mas suficientes para a natureza do país. Mas certamente (&#8230;) é um valor bastante baixo”. A declaração foi dada à RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça. Para Von Salis o golpe que arrastou o Brasil para 21 anos de ditadura militar garantiu estabilidade, mão de obra barata e caminho aberto para o lucro do capital suíço.  Um levantamento feito...</p>
<p>The post <a href="https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/neutralidade-autoritaria-suica-foi-destaque-no-apoio-a-ditadura/">Neutralidade autoritária: Suíça foi destaque no apoio à ditadura</a> appeared first on <a href="https://cliquenoticiasbrasil.com.br">Clique Notícias Brasil</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>De camisa polo, sentado em uma varanda, cercado de folhagens tropicais e a três dias do verão carioca de 1970, o empresário suíço Anton Von Salis, então presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira, explicava porque os trabalhadores no Brasil podiam ganhar menos que os da Europa:<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Neutralidade-autoritaria-Suica-foi-destaque-no-apoio-a-ditadura.gif?w=1400&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>“As necessidades são totalmente diferentes. Aqui não faz frio. E eles têm casas. Podem ser casas relativamente simples, mas suficientes para a natureza do país. Mas certamente (&#8230;) é um valor bastante baixo”.</p>
<p>A declaração foi dada à <em>RTS</em>, a empresa de rádio e TV pública da Suíça. Para Von Salis o golpe que arrastou o Brasil para 21 anos de ditadura militar garantiu estabilidade, mão de obra barata e caminho aberto para o lucro do capital suíço. </p>
<p>Um levantamento feito por Gabriella Lima, pesquisadora da Universidade de Lausanne, na Suíça, comparou os salários pagos pelas 14 maiores multinacionais suíças, no ano de 1971, e mostrou como foi lucrativo para as empresas contar com um regime que sufocou sindicatos, impediu greves e silenciou reivindicações trabalhistas. </p>
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<p>Entre os trabalhadores sem qualificação, o salário pago aqui no Brasil representava um quinto do que era pago a um operário suíço na mesma função. Incluindo a mão de obra profissionalizada a diferença diminui, mas em patamares bem vantajosos para o empregador: pouco mais da metade (57%) do salário suíço. </p>
<p>A análise de Gabriella resultou no livro <em>Don’t Miss The Bus</em> (Não Perca o Bonde, em tradução livre), que ainda não foi traduzido para o português. Segundo a Gabriella, o capital suíço, de fato, não perdeu o bonde: </p>
<p>“As empresas suíças aproveitaram tudo que a ditadura tinha a oferecer. Não pagavam impostos nos dez primeiros anos [depois de instaladas no Brasil], não pagavam impostos sobre a remessa de lucros e tem a questão da mão de obra, o clima de ‘paz social’, o ‘gelo’ de salário, movimento operário fraco, criminalização do movimento social, da oposição, da esquerda, dos sindicatos, do movimento estudantil. Tudo isso, dava confiança no parceiro brasileiro”. </p>
<p>Para Marco Antônio Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp, a política de valorização do salário mínimo foi um dos estopins do golpe de 64 e que uma das primeiras medidas adotadas pelos militares foi alterar a política de reajuste da remuneração:</p>
<p>“O que o governo fez foi modificar a política de indexação do salário mínimo frente à inflação. Com uma inflação já bem elevada, isso significou que o salário mínimo ficou muito defasado de forma muito rápida. Em um a dois anos, ele perdeu cerca de 50% do poder de compra.”</p>
<p>Gabriella calculou quanto o achatamento dos salários aqui no Brasil ajudaram a encher os bolsos dos empresários suíços. </p>
<p>“Eu tentei fazer uma estimativa de quanto as 14 maiores multinacionais suíças no Brasil, em 1971, conseguiram faturar com a mão de obra da classe operária brasileira. E cheguei a 80 milhões de francos só em 1971, para 14 empresas”. </p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Neutralidade-autoritaria-Suica-foi-destaque-no-apoio-a-ditadura.jpg?w=1400&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF),  02/04/2026 - Neutralidade autoritária: suíça foi destaque no apoio a ditadura.&#13;&#10;Frame RTS" title="Frame RTS"/></p>
<p><h6 class="meta">Anton Von Salis, presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira em entrevista para RTS, em 18 de dezembro de 1970 &#8211; Frame RTS</h6>
</p>
<h2>Investindo na opressão</h2>
<p>A política de achatamento de salários e a estabilidade gerada pela opressão animou o capital suíço. Entre 1964 e até o final da década de 1970, a Suíça esteve entre os quatro países que mais investiram no Brasil. Ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Alemanha e revezando o terceiro lugar com o Japão. </p>
<p>Mas proporcionalmente, o país foi o maior investidor em todo o período: uma média de $ 187,8 per capita. Um montante oito vezes maior que o investimento per capita da Alemanha, o segundo maior parceiro comercial do Brasil no período.  Nos anos de 1970, a Suíça tinha cerca de 7 milhões de habitantes.</p>
<p>“Se a gente dividir pelo número da população, o investimento suíço não é só o primeiro, mas o maior do que os nove outros maiores investidores”.</p>
<p>Em 1973, o investimento suíço no Brasil, o chamado IED (Investimento Estrangeiro Direto), foi de 1,1 bilhão de francos suíços, a moeda local vigente na época. Quase três vezes o PIB brasileiro no período. Em 1977, quatro anos depois, já era mais do que o dobro disso: 2,3 bilhões de francos suíços.  As empresas suíças estavam em vários setores: alimentação, metalurgia, petroquímica, laboratórios farmacêuticos e o sistema financeiro, os famosos bancos suíços.</p>
<p>Questionado sobre as denúncias de prisões arbitrárias e torturas que garantiam a estabilidade celebrada pelas multinacionais suíças, Von Salis minimizou: </p>
<p>“Parece que sim [que existem violações]. Mas isso você tem em todos os países. Nesses casos.”</p>
<h2>Sequestro</h2>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1775147736_639_Neutralidade-autoritaria-Suica-foi-destaque-no-apoio-a-ditadura.jpg?w=1400&#038;ssl=1" alt="Brasília (DF),  02/04/2026 - Local do sequestro do embaixador Suíço, em dezembro de 1970.&#13;&#10;Foto: Podcast Perdas e Danos." title="Podcast Perdas e Danos"/></p>
<p><h6 class="meta">Local do sequestro do embaixador Suíço, em dezembro de 1970 &#8211; Foto: Podcast Perdas e Danos</h6>
</p>
<p>No momento em que o presidente da Swisscam deu a entrevista para a <em>RTS</em>, a opinião pública suíça tinha motivos para estar de olho no que acontecia no Brasil: é que estava em curso o mais longo sequestro de um diplomata no país. </p>
<p>O embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, tinha sido sequestrado no dia 7 de dezembro de 1970, numa ação comandada pelo ex-capitão do exército Carlos Lamarca, líder da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), movimento de guerrilha urbana de oposição ao regime militar. Bucher só foi libertado 40 dias depois, em troca da liberdade de 70 presos políticos que seguiram em exílio para o Chile. </p>
<p>A captura de diplomatas foi estratégia dos movimentos de esquerda no Brasil e na América Latina. A região enfrentava uma sucessão de golpes militares e governos entregues a ditadores alinhados, durante a Guerra Fria, aos EUA.  </p>
<p>No Brasil, além e Giovanni Bucher, outros três diplomatas também foram sequestrados: o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick, entre 4 e 7 de setembro de 1969, o embaixador da Alemanha, Ehrenfried von Holleben, entre 11 e 16 de junho de 1970, e por último, o cônsul do Japão em São Paulo, Nobuo Okuchi, entre os dias 11 e 13 de março de 1971. Os quatro diplomatas representavam justamente os maiores parceiros comerciais do Brasil.</p>
<h2>Outro lado</h2>
<p>Nós entramos em contato com o governo Suíço por meio da embaixada no Brasil para entender como o país vê, hoje, o que aconteceu no passado. Por escrito, a Suíça respondeu que “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”. Mas disse que “saúda” a realização de estudos independentes e que esse tipo de trabalho contribui para compreender o passado e promover o debate. </p>
<p>Também procuramos a Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira. Inicialmente, foi dada pra gente a oportunidade de consultar os arquivos da organização e foi prometida uma resposta. Mas, após detalharmos as dúvidas por e-mail, foi respondido por telefone que o presidente da Câmara de Comércio não tinha sido localizado e, por isso, não autorizariam o acesso aos arquivos, nem responderiam às perguntas. </p>
<p>Essa reportagem faz parte do projeto <em>Perdas e Danos</em>,  o podcast que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada. Você encontra mais detalhes sobre a intrincada rede das relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio 1 da 2ª temporada: <em>Relógio Suíço</em>.</p>
<p> </p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-04/neutralidade-autoritaria-suica-foi-destaque-no-apoio-ditadura" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/suica-monitorou-e-perseguiu-brasileiros-contrarios-a-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 16:22:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Fui torturado por quatro dias. Quase sem parar. Não saí da câmara de tortura”. Era assim que o jovem estudante brasileiro, exilado na Suíça, Jean Marc Von der Weid, começava a descrever as sessões de tortura a que foi submetido enquanto esteve preso no Brasil, entre agosto de 1969 e janeiro de 1971. Ele falou sobre o assunto em uma entrevista para a RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça. Jean Marc foi um dos 70 presos políticos libertados em troca do embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, no mais longo sequestro de um diplomata registrado no Brasil. O jovem que também tinha nacionalidade suíça aproveitou o exílio para denunciar as violações no Brasil e dava detalhes sobre as técnicas de tortura adotada nos porões da ditadura:...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Fui torturado por quatro dias. Quase sem parar. Não saí da câmara de tortura”.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Suica-monitorou-e-perseguiu-brasileiros-contrarios-a-ditadura.gif?w=1400&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Era assim que o jovem estudante brasileiro, exilado na Suíça, Jean Marc Von der Weid, começava a descrever as sessões de tortura a que foi submetido enquanto esteve preso no Brasil, entre agosto de 1969 e janeiro de 1971. Ele falou sobre o assunto em uma entrevista para a <em>RTS</em>, a empresa de rádio e TV pública da Suíça.</p>
<p>Jean Marc foi um dos 70 presos políticos libertados em troca do embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, no mais longo sequestro de um diplomata registrado no Brasil. O jovem que também tinha nacionalidade suíça aproveitou o exílio para denunciar as violações no Brasil e dava detalhes sobre as técnicas de tortura adotada nos porões da ditadura:</p>
<p>“Pau de arara. Você é pendurado pelos pés, pelas mãos e de cabeça para baixo. Nessa posição, me aplicavam choques pelo, golpes com cassetetes e o ‘telefone&#8217;, golpes simultâneos com as mãos nas orelhas. Também sofri a tortura hidráulica. Por um tempo, eles forçaram água no meu nariz. Além das queimaduras. Eles queimam as pessoas com cigarros”.</p>
<p>Essa não foi a única entrevista dada por Jean Marc. Na verdade, depois de chegar na Europa, ele começou uma maratona de participações em eventos, palestras, debates e muitas entrevistas com o objetivo de mostrar à opinião pública na Europa o que acontecia no Brasil do milagre econômico. A movimentação incomodou o governo suíço que mantinha fortes ligações econômicas com o regime militar no Brasil. </p>
<p>Gaelle Shclier estudou a atuação de ativistas brasileiros e as movimentações do governo e da diplomacia suíça para uma pesquisa na Universidade de Lausanne:</p>
<p>“Esses eventos eram monitorados pela polícia”.  Ela teve acesso a relatórios que comprovam a vigilância e compartilhou um desses documentos com a nossa reportagem. </p>
<p>Um documento de 9 de março de 1971 é um relatório de 36 páginas em francês que tem como destinatário o chefe da polícia de Lausanne e traz a transcrição das palestras feitas por ativistas durante a conferência <em>Brasil, a democratização da tortura</em>. O discurso de Jean Marc é o primeiro transcrito pela polícia suíça no relatório:</p>
<p>“Não há limitação, no Brasil, quanto às pessoas torturadas. Você pode ter crianças que são torturadas. Havia um menino que foi levado na mesma época que eu. Ele tinha 14 anos, e tinha paralisia infantil. Ele foi torturado para fazer sua mãe falar.”</p>
<p>O documento também traz detalhes sobre quem organizou o encontro, os dizeres dos cartazes presos nas paredes, como  “12.000 presos políticos”, “A tortura é indispensável ao poder militar”, “Apoio à luta do povo brasileiro” e nomes de empresas suíças que lucravam com a política de proximidade entre o governo suíço e o regime autoritário no Brasil.</p>
<p>Gaelle lembra que atuações como a de Jean Marc ia na contramão de outros eventos organizados por empresas e pelo próprio governo suíço:</p>
<p>“A comunidade empresarial tinha interesses no Brasil. Aqui na Suíça, eles organizavam jornadas culturais, jornadas econômicas, políticas, para divulgar uma imagem positiva do Brasil e ganhar opinião pública sobre a ditadura. Roberto Campos [ex-ministro do Planejamento no governo de Castello Branco] veio várias vezes aqui para dar palestras”.</p>
<p>Gabriella Lima, que também é pesquisadora na Universidade de Lausanne, concorda que a  presença de ativistas brasileiros incomodava:</p>
<p>“Esses movimentos de solidariedade colocavam em perigo os interesses deles no Brasil, porque eles [a opinião pública Suíça] podiam pedir, a qualquer momento, um boicote, como fizeram na África do Sul”, explica.  </p>
<h2>Suíça sabia</h2>
<p>Para Gaelle, o relatório policial confirma que o governo suíço não só monitorava ativistas brasileiros, mas também sabia das violações que aconteciam no Brasil.</p>
<p>“A gente vê em relatórios e em cartas que eles sabem que a polícia [brasileira] em geral é muito violenta. Eles tinham conhecimento do que estava acontecendo.”</p>
<p>Correspondências diplomáticas confirmam a cumplicidade Suíça. Uma delas é um documento, também em francês, com o título <em>Tortura no Brasil</em> de outubro de 1973. Nele, o cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, confirma ao Departamento de Política do Ministério das Relações Exteriores de seu país, que o Estado brasileiro cometia crimes:</p>
<p>“À semelhança do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), conhecido há muito tempo por sua brutalidade, certas unidades do exército, agora encarregadas de conduzir os processos relativos a atividades subversivas, começam a recorrer a diversos métodos de tortura: maus-tratos físicos, queimaduras, choques elétricos, câmara fria, etc”.</p>
<p>O documento faz um outro alerta às autoridades suíças: a de que a violência contra os opositores do regime era conhecida nas altas esferas do governo brasileiro: </p>
<p>“Dada a disciplina militar que reina nas fileiras, parece-me improvável que esses fatos sejam ignorados nas altas esferas”.</p>
<p>Apesar dos relatórios polícias e diplomáticos, a Suíça não mediu esforços para manter boas relações com o governo ditatorial e passou a perseguir ativistas brasileiros. </p>
<p>A dupla nacionalidade poupou Jean de uma expulsão. Mas outros exilados políticos não tiveram a mesma sorte. Foi o caso de Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor. Os dois ex-presos políticos, que também tinham sido torturados no Brasil, foram expulsos da Suíça e tiveram os vistos cassados. O Estado suíço alegou quebra da neutralidade.  Apolônio de Carvalho tinha lutado na Guerra Civil Espanhola e era herói de guerra na França por atuar na resistência contra o nazismo de Hitler na Segunda Guerra Mundial. </p>
<p>Em um informe, de novembro de 1970, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para a Presidência da República comemorou a expulsão dos ativistas e atribuiu o sucesso às relações econômicas entre os dois países:</p>
<p>“Informação do MRE para o Senhor Presidente da República FORMAÇÃO DO MRE PARA O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NOVEMBRO DE 1970.</p>
<p>(&#8230;) A rapidez com que as autoridades federais suíças decidiram expulsar do país os terroristas em questão parece-me dever-se (&#8230;) à firmeza com que reclamamos do comportamento do governo suíço no caso e indicamos os danos que causaria às nossas relações políticas e econômicas.</p>
<p>Nunca houve uma ruptura política ou econômica da Suíça com a ditadura brasileira. Nós questionamos a embaixada da Suíça no Brasil em relação a essa postura. Em nota eles responderam que: “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”. A nota também “saúda” a realização de estudos independentes que permitam compreender o passado e promover o debate.</p>
<p>A reportagem faz parte do projeto <em>Perdas e Danos</em>, o podcast que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada. Você encontra mais detalhes sobre a intrincada rede das relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio 1 da 2ª temporada: <em>Relógio Suíço</em>.</p>
<p> </p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-04/suica-monitorou-e-perseguiu-brasileiros-contrarios-ditadura" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
<p>The post <a href="https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/suica-monitorou-e-perseguiu-brasileiros-contrarios-a-ditadura/">Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura</a> appeared first on <a href="https://cliquenoticiasbrasil.com.br">Clique Notícias Brasil</a>.</p>
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		<title>Exposição sobre o legado suíço-brasileiro na Amazônia celebra a Data Nacional da Suíça, em Manaus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Jul 2025 20:05:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Clique Notícias Brasil (CNB) &#8211; A exposição “O Legado Suíço-Brasileiro na Amazônia: Arte, Ciência e Sustentabilidade”, promovida pela Embaixada da Suíça no Brasil e pelo Consulado-geral da Suíça no Rio de Janeiro, chega à cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas. A abertura será nesta sexta-feira, 1º de agosto, na Data Nacional Suíça, e marca a última etapa do nexBio Amazônia 2025, um programa de imersão no mercado amazônico para empreendedores e pesquisadores, que visa facilitar a cocriação de soluções sustentáveis para o desenvolvimento da bioeconomia na região. Imersiva e educativa, com tecnologia de realidade aumentada, a exposição “O Legado Suíço-Brasileiro na Amazônia: Arte, Ciência e Sustentabilidade” destaca as contribuições históricas da Suíça à preservação da biodiversidade amazônica, em especial por meio do trabalho do naturalista suíço Emílio Goeldi...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Clique Notícias Brasil (CNB) &#8211; A exposição “O Legado Suíço-Brasileiro na Amazônia: Arte, Ciência e Sustentabilidade”, promovida pela Embaixada da Suíça no Brasil e pelo Consulado-geral da Suíça no Rio de Janeiro, chega à cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas. A abertura será nesta sexta-feira, 1º de agosto, na Data Nacional Suíça, e marca a última etapa do nexBio Amazônia 2025, um programa de imersão no mercado amazônico para empreendedores e pesquisadores, que visa facilitar a cocriação de soluções sustentáveis para o desenvolvimento da bioeconomia na região.</p>
<p>Imersiva e educativa, com tecnologia de realidade aumentada, a exposição “O Legado Suíço-Brasileiro na Amazônia: Arte, Ciência e Sustentabilidade” destaca as contribuições históricas da Suíça à preservação da biodiversidade amazônica, em especial por meio do trabalho do naturalista suíço Emílio Goeldi e do artista Oswaldo Goeldi, filho do cientista. São ilustrações de 337 espécies de aves amazônicas pertencentes ao acervo do Museu de História Natural de Berna, na Suíça, e 22 xilogravuras coloridas de flores brasileiras, reforçando o diálogo entre arte e ciência. A exposição permanece na capital amazonense até 14 de setembro.</p>
<p>O Cônsul Geral no Rio de Janeiro, Michael Schweizer, destacou que a exposição apresenta as distintas conexões que existem entre a Suíça e o Brasil, através da arte, da ciência e da sustentabilidade. “Arte porque podem conhecer obras de grandes grafistas; ciência, porque Emílio Goeldi foi um naturalista suíço de grande importância mundial; e, finalmente, a sustentabilidade porque apresentamos o que a Suíça tem feito através de contribuições em vários projetos regionais para preservação do meio ambiente, como o Fundo Amazônia”, afirmou.</p>
<p>“Essa exposição não fala apenas de Emílio Goeldi, nem somente das 337 aves retratadas por Ernst Lohse ou das flores gravadas por Oswaldo Goeldi. Ela fala de pertencimento, de raízes, de um Brasil que pulsa na biodiversidade e que encontra, na arte e no afeto, caminhos para se reconectar com sua própria história”, assinalou a curadora, Lani Goeldi.</p>
<p>Exibida em Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Nova Friburgo e Natal, ressaltando a agenda de sustentabilidade e meio ambiente da Suíça no Brasil, a exposição integra o programa Road to Belem. Ele reúne várias atividades do Time Suíça no Brasil com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e a prosperidade por meio da identificação de soluções sustentáveis, compartilhadas e inovadoras, com foco na COP 30, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que será realizada em novembro de 2025, em Belém, capital do Pará. Suíça e o Brasil são parceiros históricos e estratégicos com intensas relações bilaterais nos âmbitos político, econômico, científico e da sustentabilidade.</p>
<p>Na abertura da exposição, uma recepção será organizada pelo Consulado Geral da Suíça no Rio de Janeiro e contará com a presença de autoridades estaduais e municipais, pesquisadores, startups, além da comunidade suíça no Estado do Amazona, formada por mais de 60 famílias, que contribuem ativamente para o fortalecimento das boas relações entre o estado e a Suíça. A realização da exposição em Manaus simboliza esse compromisso compartilhado com o desenvolvimento sustentável da Amazônia e reforça os laços de amizade e cooperação entre a Suíça e o Brasil.</p>
<p><strong>SERVIÇO</strong></p>
<p>Exposição: O Legado Suíço-Brasileiro na Amazônia: Arte, Ciência e Sustentabilidade.<br />
Local: Pinacoteca do Estado do Amazonas / Palacete Provincial, Praça Heliodoro Balbi, em Manaus (AM).<br />
Data: 1º de agosto a 14 de setembro de 2025.<br />
Horário: 9h às 15h | Entrada gratuita.</p>
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