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	<title>violências Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>Lésbicas cobram saúde integral, trabalho digno e fim de violências</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 23:34:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Praticamente oito em cada dez mulheres lésbicas enfrentam diversos tipos de violência cotidianamente, como mostra o LesboCenso Nacional: Mapeamento de Vivências Lésbicas no Brasil, realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e divulgado ainda em 2022. A lesbofobia ocupa a segunda posição em registros de violências, e o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Praticamente oito em cada dez mulheres lésbicas enfrentam diversos tipos de violência cotidianamente, como mostra o LesboCenso Nacional: Mapeamento de Vivências Lésbicas no Brasil, realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e divulgado ainda em 2022. A lesbofobia ocupa a segunda posição em registros de violências, e o assédio moral e o sexual estão entre as formas mais recorrentes, de acordo com o levantamento.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Lesbicas-cobram-saude-integral-trabalho-digno-e-fim-de-violencias.gif?w=740&#038;ssl=1" style="width:1px; height:1px; display:inline;"/></p>
<p>Para marcar o combate à lesbofobia (preconceito, ódio ou discriminação contra mulheres que se relacionam com outras mulheres), o Dia Nacional do Orgulho Lésbico é lembrado nesta quarta-feira (19) no Brasil. O 19 de agosto simboliza, também, a luta pela visibilidade desse público e por avanços de direitos.</p>
<p>Para analisar as principais reivindicações, avanços e desafios dessa agenda social e econômica, a Agência Brasil entrevistou a assistente social Michele Seixas, coordenadora política nacional na Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL).</p>
<p>Entre as prioridades listadas pela ativista social, está a busca por uma saúde integral de qualidade e por oportunidades para lésbicas no mercado de trabalho.</p>
<h2>Saúde</h2>
<p>A militante defende o atendimento qualificado no Sistema único de Saúde (SUS), para atender às especificidades de todos os corpos lésbicos, com profissionais de saúde capacitados. “A saúde é um gargalo para a população lésbica. Deparamo-nos com uma saúde que vem sendo invisibilizada e violada há muitos anos para nós.”</p>
<p>            <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Lesbicas-cobram-saude-integral-trabalho-digno-e-fim-de-violencias.jpeg?w=740&#038;ssl=1" alt="Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Michele Seixas&#13;&#10;, Assistente Social,&#13;&#10; Especialista em Direitos Humanos, Gênero, e Sexualidade (DIHS/ENSP/FIOCRUZ) e Coordenadora Política Nacional na Articulação Brasileira de Lésbicas - ABL. Foto: Michele Seixas/ Arquivo Pessoal" title="Michele Seixas/ Arquivo Pessoal"/></p>
<p><h6 class="meta">A assistente social Michele Seixas é especialista em direitos humanos, gênero e sexualidade e coordenadora da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL) &#8211; Foto: Michele Seixas/Arquivo pessoal</h6>
</p>
<p>Michele Seixas lamenta que as lésbicas ainda sofram com o senso comum de preconceito e, nos atendimentos em saúde, exista um fundamentalismo religioso somado à falta de formação continuada em educação permanente em saúde.</p>
<p>Apesar do despreparo existente nos serviços de saúde ressaltado por Michele, ela cita que alguns municípios brasileiros até oferecem aulas <em>online</em> sobre a temática, mas a participação dos profissionais de saúde é voluntária e, na maior parte das vezes, ocorre em número reduzido.</p>
<p>Outro ponto exigido pelo movimento lésbico é que a entrevista clínica realizada por um profissional de saúde no início de um atendimento colete, obrigatoriamente, a informação de orientação sexual do paciente, a fim de direcionar o cuidado clínico adequado.</p>
<p>“Há alguns anos, não era obrigatório marcar raça/cor, durante a anamnese. Agora é. E precisa ser obrigatório preencher o quesito orientação sexual. Isso vai determinar como será o atendimento em saúde daquela lésbica.”</p>
<h2>Direitos reprodutivos</h2>
<p>Ao falar de direitos reprodutivos, Michele conclui que a Política de Planejamento Familiar no Brasil não assiste as lésbicas. Uma das reivindicações é que elas tenham acesso à dupla maternidade por via de reprodução humana.</p>
<p>“Toda mulher deve ter o direito de escolher ser ou não mãe. Mas, quando as lésbicas chegam a uma clínica da família, os próprios funcionários dizem que não sabem o que fazer conosco em pleno 2026”, critica.</p>
<p>Segundo Michele, na maioria das vezes, o direito de formar uma família fica restrito àquelas que tem melhores condições econômicas.</p>
<h2>Assistência social</h2>
<p>Outro ponto crítico é a falta de reconhecimento e de cadastramento de arranjos familiares de lésbicas nos programas da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). “Famílias lésbico-afetivas não são reconhecidas como tal. Então, estas não são contabilizadas dentro da Política de Assistência Social no Brasil”, constata a representante da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL).</p>
<h2>Mercado de trabalho</h2>
<p>A lesbofobia também pauta a falta de acesso a postos de trabalho dignos que poderiam combater a vulnerabilidade social e a informalidade das mulheres lésbicas.</p>
<p>Michele Seixas, que também é especialista em direitos humanos, gênero e sexualidade no Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que as lésbicas que adotam uma identidade que desafia os padrões de gênero e o conceito de feminilidade passam por um processo de exclusão maior.</p>
<p>A rejeição à não conformidade de gênero recai com mais força nas lésbicas classificadas como desfeminilizadas (o termo abreviado é desfem).</p>
<p>“Lésbicas desfems, lésbicas caminhoneiras, lésbicas que não performam a feminilidade dos colonizadores tendem a passar por um processo de exclusão do mercado de trabalho”, aponta.</p>
<p>Michele relata casos de mulheres lésbicas que, para conseguir uma vaga de emprego, se ajustam para performar uma feminilidade padrão – usando maquiagem e roupas que não utilizam no dia a dia –, pois a não conformidade com esse estereótipo resulta em exclusão nos processos seletivos.</p>
<p>“Ela [a mulher lésbica] vive ainda uma vida totalmente escondida no trabalho. É sempre aquela solteira que não tem ninguém, porque ela não pode dizer, simplesmente, que é sapatão, que é casada ou namora [outra mulher]. Isso ainda perpassa nos nossos cotidianos.”</p>
<p>A especialista aponta a relação entre a lesbofobia e o racismo, pois a situação no ambiente de trabalho piora se essas mulheres lésbicas são negras.</p>
<h2>Dados</h2>
<p>O Brasil convive com a falta de estatísticas sobre mulheres lésbicas, o que limita a formulação de políticas públicas direcionadas à proteção de mulheres lésbicas.</p>
<p>Os únicos dados nacionais de referência permanecem restritos a levantamentos independentes. A estudiosa menciona o Dossiê do Lesbocídio (com dados de 2014 a 2017) produzido pelo Núcleo de Inclusão Social (NIS), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Nós: Dissidências Feministas.</p>
<p>Em nível nacional, Michele relata ainda a primeira fase do Lesbocenso, divulgado em 2022. A segunda fase do mapeamento sociodemográfico das vivências de lésbicas e sapatão do Brasil está em andamento. A iniciativa é da Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL).</p>
<p>“Infelizmente, nós não temos dados produzidos pelo Estado sobre essas violências sobre os nossos corpos”, lamentou Michele.</p>
<h2>Vitórias coletivas</h2>
<p>Embora existam avanços, Michele contabiliza que estes decorrem de vitórias de toda a comunidade LGBTQIA+, como a adoção de filhos por casais homoafetivos e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, garantido em todo o Brasil desde 2013. Porém, não há marcos exclusivos da pauta lésbica. &#8220;Conquista só nossa? Ainda nós não tivemos essa felicidade.&#8221;</p>
<h2>Viver sem violência</h2>
<p>Casos de violências contra pessoas LGBTQIAPN+ podem ser denunciados no Disque Direitos Humanos, o Disque 100. O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento é imediato.</p>
<p>As denúncias de violações de direitos humanos são registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e, posteriormente, encaminhadas aos órgãos competentes (de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos). Em situações de emergência, a Polícia Militar local deve ser acionada pelo telefone 190.</p>
<p>Fonte: <br /><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-08/lesbicas-cobram-saude-integral-trabalho-digno-e-fim-de-violencias" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Brasil</a></p>
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