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Inquérito aponta sargento da PM como autor de tiro que matou jovem na Alvorada

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Inquérito aponta sargento da PM como autor de tiro que matou jovem na Alvorada

Manaus (AM) – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) concluiu o inquérito sobre a trágica morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, ocorrida no dia 19 de abril, no bairro Alvorada. As investigações confirmaram que o disparo fatal foi efetuado pelo sargento da Polícia Militar Belmiro Wellington Costa Xavier, agora indiciado por homicídio com dolo eventual, quando o agente assume o risco de matar.

A dinâmica do crime: do “acidente” ao tiro no peito

Carlos André foi abordado na rua 6 após os policiais identificarem que ele pilotava uma motocicleta sem placa. Durante a perseguição, câmeras de segurança e da própria viatura registraram que o sargento Belmiro efetuou dois disparos:

  1. O primeiro tiro: Disparado para o alto, ainda com a viatura em movimento, como advertência.
  2. O disparo fatal: Após o jovem cair da moto e caminhar em direção à viatura, o sargento disparou uma segunda vez, atingindo o peito da vítima.

No momento da ocorrência, os policiais chegaram a afirmar para a mãe da vítima que Carlos André havia morrido em um acidente de trânsito ao “quebrar o pescoço” na calçada. A farsa caiu quando a perícia do IML virou o corpo e identificou a perfuração por arma de fogo e lesão no pulmão. Além disso, foi constatado que o sargento utilizava uma arma de uso particular no momento da ação.

Motorista da viatura é liberado; família protesta

O policial Hudson Marcelo Vilela de Campos, que dirigia a viatura, não foi indiciado. A Polícia Civil entendeu que não há provas de sua participação nos disparos. Com base nisso, a Justiça do Amazonas revogou sua prisão nesta quinta-feira (30), atendendo a um pedido do Ministério Público.

No entanto, a defesa da família de Carlos André, representada pelo advogado Alexandre Torres Jr, discorda veementemente da decisão. Segundo a defesa, imagens mostram que, após o jovem ser baleado, Hudson teria descido do veículo para agredir a vítima com chutes e golpes na cabeça.

“A família vem sofrendo intimidações e há uma clara dificuldade de acesso às investigações”, denunciou o advogado, que prometeu adotar medidas para incluir o motorista no processo e pedir sua nova prisão.

Próximos passos judiciais

A defesa do sargento Belmiro sustenta que a conclusão do inquérito afastou qualificadoras mais graves por falta de provas, restando a imputação de homicídio simples (Art. 121 do Código Penal). O caso agora segue para o Poder Judiciário, enquanto a família de Carlos André, que tem um irmão tenente na própria PM, segue clamando por justiça diante das agressões registradas em vídeo.

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