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Uso de celular por idosos exige equilíbrio, alerta especialista

O uso de celulares por pessoas idosas tem aumentado de forma significativa nos últimos anos. No Brasil, esse movimento reforça o papel da tecnologia como ferramenta de autonomia, comunicação e acesso a serviços.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 78% das pessoas com 60 anos ou mais possuem celular. Além disso, quase 70% já utilizam a internet, o que representa um crescimento expressivo na última década.
Tecnologia amplia autonomia, mas exige orientação
Segundo a médica e docente do curso de pós-graduação em Geriatria da Afya Educação Médica em Manaus, Marcela Orsini, a tecnologia traz benefícios importantes, mas também exige acompanhamento.
“O celular virou um ‘canivete suíço moderno’. Ele permite que o idoso se comunique, resolva questões do dia a dia e mantenha sua independência, o que é extremamente valioso”, afirma.
Além disso, a especialista destaca que o principal desafio está no equilíbrio entre orientação e autonomia. Nesse sentido, ela reforça a importância do diálogo familiar.
“O ideal é orientar sem impor. Ensinar sobre golpes, ativar mecanismos de segurança e combinar regras claras, sempre tratando o idoso como alguém capaz”, destaca.
Uso excessivo pode impactar a saúde
No entanto, o uso inadequado do celular pode trazer consequências para a saúde. Segundo Marcela Orsini, sinais como alterações no sono, dores musculares, ansiedade e isolamento social podem indicar excesso de uso.
“A tecnologia aproxima, mas também pode afastar. Quando substitui o convívio ou interfere na rotina, é um sinal de alerta”, explica.
Além disso, outros indícios incluem irritação ao ficar sem o aparelho, uso prolongado de tela e dificuldade em realizar atividades sem o celular.
Ferramenta pode apoiar o bem-estar
Por outro lado, quando utilizado de forma equilibrada, o celular pode contribuir positivamente para o bem-estar dos idosos. Ele pode funcionar como apoio no cotidiano, especialmente em tarefas de saúde.
“Ele pode funcionar como um cuidador digital de bolso, com lembretes de medicação, teleconsultas e aplicativos que estimulam a memória e a atividade física”, afirma a geriatra.
Em casos de comprometimento cognitivo leve, a recomendação é oferecer acompanhamento mais próximo, com simplificação de aplicativos e organização da interface.
Riscos digitais e golpes preocupam especialistas
Outro ponto de atenção é a vulnerabilidade digital da população idosa. Segundo a especialista, a falta de familiaridade com a tecnologia pode dificultar a identificação de fraudes.
Entre os golpes mais comuns estão falsas ligações bancárias, links fraudulentos, clonagem de aplicativos e ofertas enganosas. Por isso, a orientação digital se torna essencial.
“A falta de familiaridade com a tecnologia e as mudanças cognitivas do envelhecimento podem dificultar a identificação de fraudes”, alerta.
Para reduzir riscos, ela recomenda medidas simples, como desconfiar de mensagens urgentes, não compartilhar senhas e confirmar informações com familiares.
Equilíbrio é o melhor caminho
Por fim, a especialista reforça que o celular não deve ser visto como um problema, mas como uma ferramenta que exige uso consciente.
“Nem controle total, nem liberdade sem orientação. O melhor caminho é construir um uso com autonomia, segurança e acompanhamento leve”, conclui.
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