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Cotidiano

Atriz amazonense Ana Greicy conquista espaço nas televisões brasileiras

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Atriz amazonense Ana Greicy conquista espaço nas televisões brasileiras

O talento amazonense segue conquistando espaço na televisão brasileira, com nomes do Norte ganhando cada vez mais visibilidade nas principais produções do país. Entre esses destaques está a atriz Ana Greicy, nascida em Manaus e criada no município de Canutama, no interior do Amazonas, que vem construindo uma trajetória marcada por persistência e dedicação na dramaturgia nacional.

A artista foi confirmada no elenco da novela das nove “Quem Ama Cuida”, da TV Globo, após sua participação em “Três Graças”, consolidando sua presença em importantes produções da emissora e ampliando sua projeção no cenário artístico brasileiro.

Em entrevista ao Em Tempo, Ana Greicy relembrou sua trajetória desde a infância no interior amazonense até a mudança para o Rio de Janeiro em busca de formação profissional.

Raízes amazônicas moldaram trajetória

Embora tenha nascido em Manaus, Ana Greicy passou grande parte da infância e adolescência em Canutama, município localizado às margens do Rio Purus. Segundo a atriz, a vivência no interior do Amazonas foi fundamental para a formação de sua identidade.

“Nasci em Manaus, mas foi em Canutama, no interior do Amazonas, que passei grande parte da minha infância e adolescência. Crescer às margens do Rio Purus, em meio à simplicidade e à força do povo amazônida, me me fez entender desde cedo que os sonhos não têm fronteiras e que nossas origens são motivo de orgulho, nunca de limitação”.

Ela destaca que a força cultural da região e o contato com a realidade amazônica contribuíram para fortalecer sua determinação ao longo da vida.

Sonho de infância virou realidade

O desejo de atuar acompanha Ana Greicy desde a infância. Enquanto outras crianças sonhavam com profissões tradicionais, ela se imaginava nos elencos dos programas e novelas que assistia na televisão.

A atriz lembra que acompanhava produções como “Castelo Rá-Tim-Bum”, “Sítio do Picapau Amarelo” e “Chiquititas”, sempre imaginando como seria participar daqueles universos.

Mesmo sem condições financeiras para buscar oportunidades fora do Amazonas, ela encontrou formas de se aproximar do sonho por meio de concursos de calouros e desfiles realizados em Canutama.

“Em meio a tantos sonhos e impedimentos, eu sempre procurava uma maneira de me sentir mais próxima do meu sonho de me tornar artista. Aproveitava para participar de concursos de show de calouros e desfiles, que eram as oportunidades que existiam no município onde eu morava”, comentou a artista ao relembrar o passado.

A mudança para Manaus, aos 18 anos, marcou o início de uma busca mais intensa pela carreira artística. Na capital amazonense, procurou cursos de teatro e participou de seleções promovidas por agências de modelos e produtores de elenco. Apesar de aprovações em testes, muitas oportunidades exigiam investimentos financeiros e deslocamentos para São Paulo, o que dificultava a continuidade dos projetos.

“Também participei de agências de modelos que prometiam abrir portas para quem desejava ser ator ou atriz, mas era necessário investir dinheiro, algo que eu não tinha. Cheguei a ser aprovada em testes, mas as oportunidades exigiam viagens e participação em eventos em São Paulo, e eu acabava desistindo por falta de recursos financeiros”, disse.

Mais tarde, teve os primeiros contatos com o audiovisual por meio de cursos e produções independentes. Porém, seu objetivo sempre foi estudar e atuar no principal centro da dramaturgia brasileira.

“Um dia, vi em um jornal de Manaus o anúncio de um teste para um filme. Enxerguei ali a chance de ser escolhida e fui. Passei no teste, mas, por motivos que desconheço, o diretor desapareceu e todos que haviam sido aprovados acabaram ficando sem nenhuma notícia do projeto. Algum tempo depois, vi novamente em um jornal o anúncio de um diretor que promoveria um curso para atores e, ao final, realizaria um curta-metragem com os participantes. Foi nesse momento que tive meu primeiro contato com o audiovisual”.

Mudança para o Rio abriu novas portas

Foto: Reprodução/Instagram @ana_greicy1

Em 2024, aos 35 anos, Ana Greicy decidiu dar um passo decisivo na carreira e se mudou para o Rio de Janeiro.

Na capital fluminense, ingressou na Escola de Atores Wolf Maya, onde iniciou a formação profissionalizante em TV, cinema e teatro. A mudança trouxe novas oportunidades e ampliou sua rede de contatos no mercado audiovisual.

“Mas o meu grande sonho sempre foi morar no Rio de Janeiro, onde está concentrado o mercado da dramaturgia brasileira, para estudar TV, cinema e teatro e me profissionalizar na área. E foi exatamente isso que fiz. Em 2024, aos 35 anos, me mudei para o Rio de Janeiro com esse objetivo e me matriculei na Escola de Atores Wolf Maya, onde curso a formação profissionalizante em TV, cinema e teatro. A partir daquele momento, senti que a minha vida começaria a mudar. No ano passado, fui convidada pelo meu professor de TV para participar de uma mentoria com o produtor de elenco Felipe Aguiar que mais tarde me rendeu um convite para realizar um cadastro presencial na emissora”, comentou.

Entre os destaques da trajetória recente estão a participação em uma mentoria com o produtor de elenco Felipe Aguiar, a seleção para o Showcase da Escola Wolf Maya e convites para espetáculos teatrais.

O reconhecimento ganhou ainda mais força quando recebeu o convite para participar da novela “Três Graças”, experiência que abriu caminho para uma nova oportunidade na produção “Quem Ama Cuida”, dirigida artisticamente por Amora Mautner.

Ao relembrar sua caminhada, a atriz afirma:

“Hoje, olhando para trás, percebo que aquele sonho que nasceu em uma menina do interior do Amazonas nunca deixou de existir. E talvez seja justamente por isso que cada conquista tenha um significado tão especial para mim”.

Foto: Acervo Pessoal

Desafios para conquistar espaço na dramaturgia

Sair do Amazonas representou um dos maiores desafios da vida da atriz. Além da distância da família e dos amigos, ela precisou enfrentar dificuldades financeiras e recomeçar em uma cidade completamente diferente.

“Acredito que o maior desafio foi justamente deixar para trás tudo o que era familiar e recomeçar em uma cidade completamente diferente, movida apenas pela certeza de que precisava tentar. Sair do Amazonas significou me afastar da família, dos amigos e da minha zona de conforto para investir em um sonho que sempre carreguei comigo”.

Mesmo diante das dificuldades, ela afirma que jamais pensou em desistir.

“Eu nunca pensei em desistir. É claro que, em meio às dificuldades, houve momentos em que fiquei triste e chorei, mas a vontade de lutar pelo meu sonho sempre foi maior do que qualquer obstáculo. Eu simplesmente não conseguia me imaginar fazendo outra coisa”.

Novas novelas trazem visibilidade e amadurecimento

A estreia em “Três Graças” e a confirmação em “Quem Ama Cuida” representam marcos importantes na trajetória da artista.

Segundo Ana Greicy, as oportunidades proporcionaram aprendizado, crescimento profissional e contato com grandes nomes da televisão brasileira. Além disso, reforçaram a convicção de que está seguindo o caminho que sempre sonhou.

“Acredito que essas oportunidades trouxeram, acima de tudo, ainda mais confiança de que estou no caminho certo. Fazer minha estreia em “Três Graças” e, em seguida, ser novamente convidada para participar de “Quem Ama Cuida” foram experiências muito especiais e que representaram a realização de um sonho que cultivo desde a infância”, comentou.

A atriz também destaca que a realização dos sonhos trouxe mais maturidade, gratidão e motivação para continuar estudando e evoluindo na profissão.

“Profissionalmente, essas participações me proporcionaram aprendizado, visibilidade e a oportunidade de trabalhar ao lado de grandes profissionais, algo que tem contribuído muito para o meu crescimento como atriz. Cada convite é uma confirmação de que todo o esforço e dedicação estão valendo a pena”, disse.

“No aspecto pessoal, acredito que a maior mudança foi perceber que os sonhos pelos quais lutei durante tantos anos começaram a se tornar realidade. Isso me trouxe ainda mais gratidão, maturidade e a certeza de que estou exatamente onde sempre sonhei estar.
E, acima de tudo, essas experiências reforçaram em mim a vontade de continuar estudando, evoluindo e construindo a minha trajetória com muita dedicação e respeito pela profissão”, completou.

Personagem ‘ Fatima’ funcionaria do Ademir e Dora em “Quem Ama Cuida” – Foto: Acervo Pessoal

Representatividade amazônica ganha espaço na TV

Para Ana Greicy, a presença de artistas amazônidas e nortistas nas produções nacionais ainda precisa avançar, mas já apresenta sinais positivos. Ela avalia que a televisão brasileira tem ampliado o espaço para histórias e talentos de diferentes regiões do país, tornando as produções mais autênticas e representativas.

“Acredito que ainda temos um caminho importante a percorrer quando falamos sobre a presença de artistas amazônidas e nortistas nas produções nacionais. Felizmente, tenho percebido uma abertura cada vez maior para histórias e talentos de diferentes regiões do país, e isso é muito positivo para a nossa cultura”, disse.

A artista acredita que cada profissional do Norte que conquista visibilidade ajuda a abrir portas para novas gerações e fortalece a valorização da diversidade cultural brasileira.

“O Brasil é um país de uma riqueza cultural imensa, e a Amazônia faz parte dessa diversidade. É importante que as nossas vozes, sotaques, histórias e vivências também estejam representados nas telas, porque isso torna as produções mais autênticas e permite que mais pessoas se sintam vistas e representadas”, completou.

“Tenho muito orgulho de ser uma mulher amazônida e acredito que cada artista do Norte que conquista espaço ajuda a abrir caminhos para muitos outros. Espero que, cada vez mais, possamos ver talentos da nossa região ocupando esses espaços e mostrando ao Brasil e ao mundo a riqueza cultural que carregamos”, completou.

Orgulho de representar o Amazonas

Levar suas origens para uma novela das nove possui um significado especial para a atriz.

“Carregar as minhas raízes amazonenses para uma novela das nove e representar o Norte do Brasil em uma das maiores vitrines da televisão é motivo de muito orgulho e gratidão”.

Ana Greicy afirma que sua presença na televisão representa não apenas uma conquista pessoal, mas também a história de muitos jovens que cresceram longe dos grandes centros urbanos e acreditaram em sonhos considerados impossíveis.

“Mais do que uma conquista pessoal, vejo isso como uma oportunidade de representar com dignidade e amor a terra que me formou”.

Mensagem para os jovens do interior do Amazonas

Ao falar com jovens que sonham em trabalhar com arte, cultura e televisão, Ana Greicy reforça a importância da perseverança.

A atriz relembra que chegou a ser vaiada em um concurso de beleza ao declarar que desejava ser atriz. No entanto, transformou a descrença em combustível para seguir em frente.

“Por isso, a mensagem que deixo é: não desistam. Talvez o caminho seja mais longo e exija mais paciência, mas não deixem que ninguém diga que vocês não podem. Tenham coragem de se preparar, de trabalhar, de persistir e de confiar em Deus”.

Ela encerra a mensagem destacando que a distância geográfica não define os limites de ninguém.

“Se uma menina do interior do Amazonas, que um dia foi vaiada por dizer que queria ser atriz, conseguiu chegar até aqui, então eu acredito que muitos outros também podem. Os sonhos não têm endereço, e Deus é especialista em realizar aquilo que, aos olhos humanos, parece impossível”.

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