Política
Relatório do TCE aponta prejuízo milionário na Seduc, enquanto professores reclamam de “reajuste irresponsável”
Um relatório produzido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), caiu como uma bomba na Seduc. De acordo com o órgão fiscalizador, contratos suspeitos foram assinados na Secretaria de Educação, na gestão Wilson Lima e sob o comando da ex-secretária Arlete Mendonça. O prejuízo pode chegar a R$ 3 milhões e inclui acordo com empresas que declaram endereções inexistentes. Enquanto isso, educadores reclamaram do reajuste anunciado pelo governador Roberto Cidade, realizando protesto formal e indicando que o aumento anunciado pelo sucessor de Wilson Lima não contempla nem a inflação.
A auditoria apurou contratos de 2024 e 2025. A denúncia foi publicda em uma matéria nesta quarta-feira (24), pelo portal G1, que indica dados entre 21 de janeiro e 21 de abril de 2026, e inclui investigações que vão desde pinturas até manutenção predial.
O relatório é assinado pelo Conselheiro Mario Filho. Entre os casos citados no relatório chamam a atenção contratos para pintura da escola Escola Estadual Marcantonio Vilaça I, no bairro Mundo Novo, que nunca foi pintada, apesar do serviço ter sido contratado por R$ 1 milhão.
Em outros contratos, o TCE afirma que duas empresas foram contratadas mas os endereços mencionados não correspondem ao local onde elas funcionam. Uma das empresas deu como endereço um imóvel que não existe na rua Las Palmas, número 36, na Cidade Nova.
Outra, informa que funciona no bairro Adrianópolis, mas o local está disponível para aluguel. Só essa empresa faturou R$ 18 milhões na Seduc.
REAJUSTE FAKE
Se o TCE aponta irregularidades milionárias em contratos, do outro lado da linha educadores estão furiosos com o reajuste anunciado pelo governador Roberto Cidade.
A categoria emitiu uma nota oficial, e disse que não vai aceitar calada um reajuste que não condiz com a inflação e nem com a valorização real dos educadores.
“O Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus – ASPROMSINDICAL (representante dos Professores da Seduc que trabalham em Manaus), em Nota de Repúdio ao Governador Roberto Cidade, afirma que o reajuste concedido aos servidores da Seduc não valoriza a categoria e que utilizar o dinheiro do Fundeb para palanque eleitoral ( prometendo pagamento de abono ), ao invés de utilizar para pagar os 13% de inflação que o Governo deve aos professores, é atitude irresponsável e chega ser até criminosa”
Educadores dizem que 4,14% de reajuste não passa nem perto de valorizar o trabalho deles.
O QUE DIZEM SEDUC E ROBERTO CIDADE
Sonbre os contratos auditados pelo TCE, a Seduc afirma não ter sido notificada, mas que não compactua com desvios.
“A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) informa que ainda não foi oficialmente notificada acerca do relatório mencionado. Tão logo seja formalmente comunicada, a secretaria realizará a análise técnica do documento e prestará todos os esclarecimentos necessários aos órgãos competentes. A Seduc reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos, permanecendo à disposição dos órgãos de controle e fiscalização e colaborando integralmente com os procedimentos de apuração que venham a ser conduzidos.”
Sobre o reajuste, o governador Roberto Cidade disse que a meta da gestão dele é valorizar a categoria, realizando o concurso, com mais de 7 mil vagas e dando o reajuste.
“Ainda este ano vamos iniciar as provas para que a gente possa homologar ainda neste governo, ainda neste mandato como governador, para que a gente possa estar convocando os nossos profissionais da educação e aumentando o efetivo em todo o estado do Amazonas”, declarou. “Concurso é vida e se preparem, avisem para todo mundo”.
“Esse concurso vem para poder melhorar a condição do trabalhador, que pode passar do quadro de contrato para o quadro permanente, e a partir do momento que a gente fizer o concurso, o profissional passa a ter estabilidade e trabalhar mais tranquilo”
“O próximo anúncio que eu quero fazer aqui para vocês é que nós vamos pagar a nossa database no percentual de 4,14%. Já neste mês de junho e, no mês de julho, nós já vamos pagar o retroativo de março para cá”.
Ano passado, o Amazonas ficou em último lugar nas notas do Enem.
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