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Cotidiano

‘Carmina Burana fala sobre a própria trajetória humana’, diz Inacio De Nonno

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'Carmina Burana fala sobre a própria trajetória humana', diz Inacio De Nonno

Reconhecido como um dos principais intérpretes da música erudita brasileira, o barítono Inacio De Nonno construiu uma carreira marcada pela produção de mais de 30 obras compostas especialmente para sua voz e pela atuação em importantes palcos do país. Doutor em Música pela Unicamp, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Brasileira de Música, Inacio De Nonno é referência na difusão do repertório brasileiro contemporâneo.

O artista será uma das atrações da cantata cênica Carmina Burana, que será apresentada no dia 11 de julho, às 20h, no Teatro Amazonas. O evento, promovido pelo tenor Miqueias William, tem uma montagem que reúne solistas, coro e músicos.

Em entrevista ao EM TEMPO, Inacio De Nonno fala sobre sua trajetória artística, o cenário da música erudita no Brasil, a importância do Teatro Amazonas e os desafios de interpretar Carmina Burana.

Bienais impulsionaram a carreira

Em Tempo – O senhor construiu uma carreira marcada pela valorização da música brasileira, incluindo a estreia de dezenas de obras compostas especialmente para sua voz. Como avalia sua trajetória artística e quais momentos considera mais decisivos nessa caminhada?

Inacio De Nonno – Enquanto eu era aluno da UFRJ na década de 70, me viram cantar e começou a surgir a fama de que eu era um intérprete. Isso animou vários compositores, especialmente aqueles que estavam começando carreira, como Ronaldo Miranda, Ernani Aguiar e João Guilherme Ripper, que ficaram interessados em compor para mim, e isso facilitou a minha vida.

Um ponto marcante da minha trajetória como intérprete da música brasileira foi a participação nas bienais de música brasileira. Ali realmente foi uma vitrine onde me expus. Foram muitas pessoas me convidando para fazer audições e estreias, e a Bienal de Música Contemporânea Brasileira era e continua sendo um fórum importante para o público e para a crítica. Isso foi um marco decisivo na minha carreira.

ET – Ao longo de sua carreira, o senhor se apresentou em importantes palcos e projetos no Brasil. Como enxerga o cenário da música erudita no país atualmente e quais avanços ou desafios ainda merecem atenção?

Inacio De Nonno – De uns 30 anos para cá, na Região Sudeste, e acredito que também na Região Norte, surgiram projetos em comunidades com orquestras formadas por pessoas em situação de vulnerabilidade, acolhendo crianças, adolescentes e jovens e oferecendo ensino de música e instrumentos.

Isso foi um projeto sério e bem estruturado, formando orquestras oriundas de comunidades. Vejo isso como algo muito importante para o país. Também percebo a ópera mais democrática, em expansão, e fico feliz com esse movimento.

ET – Para o senhor, o que significa se apresentar no Teatro Amazonas, um dos símbolos da cultura brasileira?

Inacio De Nonno – É um privilégio estar no Teatro Amazonas, nesta joia que é uma das coisas mais lindas do mundo. O Festival Amazonas de Ópera colocou o Teatro Amazonas em uma posição de destaque como um dos mais importantes da América Latina. Realmente é um privilégio. Já fiz muita coisa em Manaus e sempre sou recebido com carinho.

ET – Carmina Burana é uma das obras mais conhecidas e impactantes do repertório clássico. Quais são os principais desafios técnicos dessa cantata cênica?

Inacio De Nonno – É um desafio, porque o barítono solista em Carmina Burana passa por uma grande variedade de estilos. Nos solos que canta, ele precisa usar falsete, voz fortíssima e diferentes maneiras de cantar.

A obra exige muitas mudanças de interpretação e técnica vocal. É preciso estar muito bem de saúde vocal para enfrentar esses desafios presentes nos solos de Carmina Burana.

ET – Mesmo sendo uma composição criada há quase um século, Carmina Burana continua emocionando plateias em todo o mundo. Na sua visão, o que torna essa obra tão atual e capaz de dialogar com públicos de diferentes gerações?

Inacio De Nonno – Acredito que, quando Carl Orff compôs essa cantata, ele sabia muito bem onde queria chegar e como queria atingir o público. Tudo na obra é muito sublinhado, muito explícito.

O tema de Carmina Burana é recorrente e não tem idade nem época, pois fala da fortuna, da vida humana, dos momentos em que o homem está bem ou está mal. Essa dicotomia da trajetória do ser humano fica muito clara na obra, e isso cativa o público. Há uma grandiosidade na composição, e essa versão com dois pianos traz toda a energia da obra e consegue dialogar com todos os públicos.

SERVIÇO

Carmina Burana

Data: 11 de julho

Horário: 20h

Local: Teatro Amazonas

Ingressos: Bilheteria do teatro ou no site https://www.shopingressos.com.br/comprar/4561/miqueias-william-in-concert

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