Cidades
Polícia Civil não esclarece se grupo da lancha é investigado por omissão na Praia da Lua
A Polícia Civil do Amazonas informou, nesta segunda-feira (13), que continua investigando a morte do técnico de enfermagem Ruan Silveira Ferreira, de 31 anos, na Praia da Lua, em Manaus. A corporação afirmou que não pode divulgar detalhes para não comprometer as diligências. No entanto, a polícia ainda não explicou se apura uma possível omissão de socorro ou se já ouviu as pessoas que estavam com o jovem no momento do afogamento.
A reportagem questionou a Polícia Civil sobre quatro pontos principais. Entre eles, estão a possibilidade de omissão de socorro, a identificação das pessoas que acompanhavam Ruan, os depoimentos do grupo da lancha e a existência de relatos ou denúncias sobre o caso.
Em resposta, a corporação informou apenas que a investigação continua e que novos detalhes podem prejudicar o andamento dos trabalhos. Dessa forma, os questionamentos permanecem sem esclarecimento oficial.
Família cobra respostas
A família de Ruan fez a primeira manifestação pública neste domingo (12) e afirmou que busca entender toda a sequência dos acontecimentos antes do afogamento.
Segundo o tio da vítima, André Felipe, Ruan passou a noite de sexta-feira (10) em um camarote de uma casa noturna na Avenida Efigênio Salles, conhecida como V8. Depois disso, ele seguiu para um passeio de lancha na Praia da Lua com o mesmo grupo que estava na festa.
Para a família, a investigação precisa esclarecer como ocorreu o convite, quem acompanhava o técnico e o que aconteceu antes da entrada dele no Rio Negro.
“Ele não foi sozinho para lá, ele não chegou até dentro daquela lancha sozinho, sem conhecimento de nada. Ele não entrou ali como um intruso, ele foi convidado”, afirmou André.
Além disso, Ruan foi sepultado neste domingo (12), no cemitério Nossa Senhora Aparecida, na Avenida do Turismo, zona Oeste de Manaus.
Vídeo mostra buscas e retirada do corpo
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra os momentos após o desaparecimento de Ruan na Praia da Lua.
Nas imagens, banhistas entram no Rio Negro e ajudam nas buscas pelo técnico de enfermagem. Em seguida, o registro mostra quando os populares retiram o corpo da água.
Durante a gravação, o grupo que acompanhava Ruan permanece na lancha onde ele passou as últimas horas antes da morte.
Entretanto, o vídeo não permite identificar todas as ações realizadas pelas pessoas que estavam na embarcação antes ou depois do resgate.
Família questiona versões apresentadas após afogamento
De acordo com André Felipe, a família recebeu relatos diferentes sobre a relação entre Ruan e as pessoas que estavam na lancha.
Segundo o tio, alguns depoimentos indicariam que integrantes do grupo afirmaram não conhecer o técnico de enfermagem.
Por outro lado, a família tenta entender como aconteceu o encontro entre Ruan e essas pessoas, já que ele teria sido convidado para o passeio.
Além disso, André defendeu a análise das imagens das câmeras da marina para identificar como o jovem chegou ao local e quem estava com ele.
“Se tem culpado, se não tem culpado, se foi uma omissão de socorro, se foi verdadeiramente uma tragédia, a gente só precisa saber o que realmente aconteceu”, declarou.
Última conversa com a mãe
Segundo o tio, Ruan conversou com a mãe por mensagem por volta das 8h05 de sábado (11).
Na conversa, o técnico disse que estava bem, em uma lancha, e que voltaria para casa.
Pouco depois, por volta das 9h30, a irmã tentou falar com Ruan, mas não conseguiu mais contato.
Em seguida, familiares receberam a informação de que ele havia sofrido um afogamento na Praia da Lua.
Grupo relatou versão à Polícia Militar
Conforme o registro da ocorrência da Polícia Militar, pessoas que estavam na lancha disseram aos policiais que não conheciam Ruan antes do passeio.
Segundo o documento, o grupo participou de uma festa na noite de sexta-feira (10) e, depois, alugou uma lancha para seguir até a Praia da Lua.
Ainda de acordo com o relato, Ruan teria chegado ao local alcoolizado e entrou no Rio Negro para mergulhar.
O grupo afirmou que percebeu o desaparecimento do técnico após alguns minutos. Na sequência, pessoas que estavam na praia retiraram Ruan da água, mas ele já estava sem vida.
Testemunha relata comportamento após morte
O caso ganhou repercussão após uma testemunha publicar um relato nas redes sociais sobre o comportamento das pessoas que estavam no local depois do afogamento.
Segundo a publicação, integrantes do grupo teriam continuado bebendo e permanecido na Praia da Lua após a morte do técnico.
A testemunha também levantou a possibilidade de omissão de socorro.
Contudo, até o momento, a Polícia Civil não confirmou crime ou responsabilidade de terceiros. Agora, a DEHS segue investigando as circunstâncias da morte.
Quem era Ruan Silveira
Ruan Silveira Ferreira trabalhava como técnico de enfermagem intensivista adulto e cursava Ciências Biológicas no Instituto Federal do Amazonas (Ifam).
Nas redes sociais, ele compartilhava momentos da rotina, corridas, eventos e registros ligados à cultura amazônica.
Apaixonado pelo Boi Garantido, Ruan participava de eventos do Festival de Parintins e era conhecido pela presença nas celebrações do boi vermelho e branco.
Após a confirmação da morte, amigos, colegas de trabalho e pacientes prestaram homenagens ao profissional.
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