O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SINJOR/AM) intensificou as ações de monitoramento e proteção à categoria neste primeiro bimestre de 2026.
Nesta segunda-feira (2/03), em reunião da Comissão de Violência contra Jornalistas, composta pelos jornalistas Isac Sharlon, Henderson Martins e Alessandra Aline, a entidade oficializou um novo Protocolo de Enfrentamento, desenhado para padronizar os canais de contatos e o acolhimento de jornalistas vítimas de agressões no exercício da profissão.
O documento surge em um momento crítico: apenas nos primeiros 60 dias do ano, o Estado do Amazonas registra uma sucessão de casos graves, que variam de agressão física em delegacias a tentativas de asfixia e intimidação por autoridades policiais.
O objetivo é denunciar os casos às autoridades de segurança, empresas, Defensoria Pública e à sociedade em geral, criando uma rede de monitoramento e defesa dos profissionais, visto que, em todo o ano de 2025, foram registrados 9 casos entre os meses de janeiro e novembro.
Retrospectiva de conflitos: 60 dias de tensão
O relatório parcial de 2026 registra episódios que acenderam o alerta ao Sindicato local e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ):
| Data | Jornalista / Caso | Natureza da Ocorrência |
| 22/Jan | Gabriel Abreu (TV Norte/SBT) | Tentativa de constrangimento e cerceio por parte de delegada em Parintins. |
| 12/Fev | Rogger Luke (Portal do Zacarias) | Agressão física (soco no rosto) desferido por um suspeito dentro do 1º DIP. |
| 16/Fev | Leonardo Fierro (Liesa/AM) | Agressão e ameaça com gargalo de garrafa após incitação de dirigentes de escola de samba contra o jornalista.. |
| 21/Fev | Rosianne Couto da Silva | Violência doméstica grave, com tentativa de asfixia; denúncia de atraso no socorro policial . |
| 25/Fev | Operação Erga Omnes | Nota em defesa do sigilo da fonte e contra a criminalização do exercício profissional. |
“Não cabe às instituições públicas pautar o que a imprensa livre deve perguntar. A tentativa de intimidação é uma forma velada de censura”, afirmaram o SINJOR/AM e a FENAJ em nota conjunta sobre o caso de Parintins.
Ética em Pauta
Além da segurança física, a Comissão também se debruçou sobre a ética. Em consonância com a Defensoria Pública (DPE/AM), o sindicato emitiu um alerta contra o sensacionalismo, condenando o uso do sofrimento psíquico de cidadãos para ganho de audiência, reforçando que a Liberdade de Imprensa deve coexistir com o respeito à dignidade humana.
Futuro da proteção
O ciclo de monitoramento dos casos de violência contra jornalistas será fechado em dezembro de 2026. Até lá, a diretoria do SINJOR/AM promete manter o rigor nas cobranças junto à Polícia Civil e ao Ministério Público.
Para a entidade, a formação acadêmica sólida e a aprovação da PEC do Diploma (206/2012) são caminhos essenciais para fortalecer a categoria contra abusos de autoridade e a precarização do trabalho dos profissionais.
(*) Da redação/Assessoria/SINJOR/AM

