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Cotidiano

‘Parintins precisa deixar de ser tratado como um evento’, diz produtora cultural

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'Parintins precisa deixar de ser tratado como um evento', diz produtora cultural

Após acompanhar os três dias do Festival de Parintins 2026, a produtora cultural Michelle Andrews fez uma avaliação crítica sobre a organização do evento. Segundo ela, o festival precisa deixar de ser tratado apenas como uma celebração anual e passar a integrar uma política permanente de desenvolvimento cultural e urbano.

Além disso, a produtora apontou que melhorias estruturais, acesso ao público e valorização de profissionais locais devem ser prioridades para consolidar ainda mais o evento como o maior espetáculo cultural da Amazônia.

Acesso ao Bumbódromo preocupa organização e público

Entre os principais pontos levantados, Michelle destacou o acesso ao Bumbódromo como um dos maiores desafios do festival.

Segundo ela, a insegurança na compra de ingressos ainda afeta o público.

“O maior problema hoje é a insegurança de quem vai ao festival sem saber se conseguirá entrar no Bumbódromo para assistir à apresentação do seu boi. O acesso precisa contemplar todas as classes sociais. Atualmente, os cambistas acabam ditando os preços dos ingressos, e isso só é possível porque falta uma regulação mais efetiva,” declarou.

Dessa forma, ela defende maior controle e regulação para garantir acesso mais justo ao público.

Infraestrutura não acompanhou crescimento do festival

Michelle também avaliou que o crescimento artístico dos bois Garantido e Caprichoso não foi acompanhado por investimentos estruturais na cidade.

Além disso, ela citou gargalos históricos, como o Aeroporto de Parintins, que ainda não atende plenamente à demanda do festival.

“O crescimento artístico do festival não foi acompanhado pelos investimentos em infraestrutura na cidade. O Aeroporto de Parintins, por exemplo, ainda não recebeu a ampliação necessária para atender a demanda. A cada troca de governos, parece que o festival continua sendo tratado apenas como um evento, quando deveria ser encarado como uma política permanente de desenvolvimento,” destacou.

Propostas incluem mobilidade, turismo e acessibilidade

Além das críticas, a produtora defendeu investimentos contínuos em mobilidade urbana, saneamento, hospedagem e turismo comunitário.

Ao mesmo tempo, ela propôs melhorias voltadas ao público, como espaços para famílias com bebês, ampliação da acessibilidade e instalação de ilhas de resfriamento com sombra, ventilação e nebulização para reduzir o impacto do calor.

Valorização de profissionais locais entra em debate

Outro ponto central da análise foi a valorização da mão de obra amazonense.

Segundo Michelle, grandes projetos ligados ao festival devem priorizar trabalhadores locais em cargos técnicos e de liderança.

“Os grandes projetos realizados durante o festival precisam garantir uma participação mínima de trabalhadores e trabalhadoras da cultura de Parintins e do Amazonas, inclusive em cargos de coordenação e direção. Defendo uma cota mínima de 40% para profissionais locais. Precisamos deixar de importar quase toda a mão de obra especializada e investir na valorização de quem vive, produz e fortalece a cultura amazônica,” declarou.

Festival deve ser ativo o ano inteiro, defende produtora

Michelle também destacou que o diálogo entre organizadores, poder público e sociedade precisa ocorrer ao longo de todo o ano.

Além disso, ela afirmou que a programação cultural de Parintins poderia ganhar mais visibilidade e investimento contínuo.

“Parintins já possui uma programação cultural muito rica ao longo do ano, que merece mais visibilidade e investimento. O festival pode se consolidar também como um grande espaço nacional de encontro entre fazedores de cultura, oferecendo formações em turismo, produção cultural, economia criativa e comunicação popular,” disse.

Futuro do festival deve priorizar inclusão e turismo comunitário

Ao projetar o futuro do evento, Michelle destacou três prioridades principais: acolhimento para famílias, fortalecimento do turismo comunitário e ampliação da inclusão.

“A primeira prioridade seria tornar o festival mais acolhedor para famílias, especialmente para crianças. A segunda seria fortalecer o turismo comunitário, que é um dos maiores diferenciais de Parintins e pode gerar renda para a população local durante todo o ano. A terceira seria garantir mais conforto e inclusão, com a implantação de ilhas de resfriamento, ampliação da acessibilidade e o compromisso de que toda a programação oficial respeite a equidade de gênero e a diversidade”, finalizou.

Festival de Parintins como patrimônio cultural

Por fim, a produtora afirmou que o Festival de Parintins já conquistou reconhecimento internacional pela grandiosidade artística.

No entanto, segundo ela, o próximo passo é alinhar essa excelência à estrutura, à organização e à experiência do público, consolidando o evento como um dos maiores patrimônios culturais do Brasil.

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