Connect with us

Cotidiano

Projeto Kunhã_Eté lança documentário “Bayaroá” em Manaus

Published

on

Projeto Kunhã_Eté lança documentário “Bayaroá” em Manaus

O projeto Kunhã_Eté, idealizado pela pesquisadora Fabienne Priscila, realiza nesta quinta-feira (18), às 18h30, no Cine Guarani, o lançamento do curta-metragem documental “Bayaroá”. A sessão será fechada para convidados e integra as ações da iniciativa voltada à pesquisa, produção cultural e fortalecimento do protagonismo feminino indígena e afroindígena.

A obra audiovisual registra rituais, danças, musicalidade, memória oral e modos de vida do povo Tukano. Além disso, o documentário se constrói a partir do relato do ancião e líder comunitário Justino Pena, fundador da Associação Cultural e Escola Bayaroá, em Manaus.

O projeto nasceu com o objetivo de ampliar a circulação de narrativas indígenas produzidas pelas próprias comunidades. Dessa forma, a produção valoriza saberes tradicionais, língua materna e processos de transmissão cultural entre gerações.

Trajetória de Justino Pena inspira narrativa

O documentário acompanha a trajetória de Justino Pena, nascido no Alto Rio Negro, que migrou para Manaus levando consigo conhecimentos ancestrais de seu povo.

Ao longo da narrativa, ele compartilha experiências pessoais e destaca a importância da preservação da cultura tukano. Além disso, o filme mostra sua atuação na criação de espaços voltados à educação e ao fortalecimento da identidade indígena na capital amazonense.

Direção e roteiro destacam construção colaborativa

A direção é assinada pelo cineasta amazonense Cleinaldo Marinho, reconhecido por trabalhos ligados às culturas amazônicas. Já o roteiro foi desenvolvido de forma colaborativa.

O processo reuniu pesquisas de Fabienne Araújo sobre ancestralidade, identidade indígena, protagonismo feminino e memória cultural. Além disso, contou com entrevistas realizadas pela professora e agente cultural Eneida Afonso com o cacique Justino Pena.

A roteirista, a professora da educação escolar indígena Eneida Afonso, explica que a ideia do documentário surgiu a partir de sua atuação junto à comunidade Tukano, durante o período em que trabalhou como assessora pedagógica da Gerência de Educação Escolar Indígena da Secretaria Municipal de Educação (Semed), em Manaus. “Inicialmente, nosso objetivo era escrever um artigo sobre a trajetória de vida de Justino Pena, mas o processo de entrevistas e escuta revelou uma história tão rica que acabou se transformando em um documentário”, relata.

Produção valoriza identidade e combate estereótipos

O resultado final combina elementos documentais e simbólicos para fortalecer a representatividade indígena e afroindígena no audiovisual. Para Eneida, a obra também provoca reflexão sobre o reconhecimento dos povos originários.

“Espero que o público compreenda que os povos indígenas sempre estiveram aqui e que suas línguas, culturas e tradições precisam ser respeitadas. Estar em contexto urbano não significa deixar de viver sua identidade e seus costumes”, destaca.

Obra dialoga com pesquisa acadêmica internacional

Além de sua dimensão artística, “Bayaroá” integra a pesquisa de doutoramento de Fabienne Priscila em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro, em Portugal.

Dessa forma, o curta transforma reflexões acadêmicas sobre memória, identidade e ancestralidade em uma linguagem audiovisual acessível. Com isso, amplia o alcance social da pesquisa e reforça o diálogo entre ciência e produção cultural.

Leia mais: