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Fim da greve de ônibus em Manaus: pagamento de salários faz frota voltar às ruas

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Passageiros embarcam em linha Expresso Norte

Após dois dias de paralisação, os ônibus voltaram a circular normalmente em Manaus nesta quarta-feira (22). O Sindicato dos Rodoviários confirmou o fim do movimento depois que as empresas repassaram a primeira parcela dos salários da categoria.

A greve começou na segunda-feira (20). Na ocasião, as empresas não cumpriram o prazo definido pela Justiça para pagar 40% dos vencimentos dos trabalhadores.

Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, a categoria retomou as atividades logo após a confirmação do pagamento. Além disso, ele informou que o restante dos depósitos deve ocorrer até o fim da manhã desta quarta-feira.

Justiça definiu calendário para pagamento

Neste mês, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determinou que as empresas paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês. Quando a data cair em fim de semana ou feriado, o depósito deve ocorrer no dia útil anterior. Os 60% restantes precisam ser pagos até o quinto dia útil do mês seguinte.

Durante a greve, os trabalhadores mantiveram a frota mínima determinada pela Justiça. Assim, 80% dos ônibus circularam nos horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h. Nos demais períodos, 50% da frota permaneceu em operação.

Esse esquema continuou até o anúncio oficial do fim da paralisação.

Sinetram atribuiu atraso à dívida do Passe Livre

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) afirmou que o atraso nos repasses ocorreu por causa de uma dívida de R$ 90,1 milhões relacionada ao Passe Livre Estudantil.

Segundo a entidade, mais de R$ 44 milhões cabem ao Governo do Amazonas. Já o restante seria de responsabilidade da Prefeitura de Manaus.

Prefeitura nega débitos deste ano

Na terça-feira (21), o prefeito Renato Junior afirmou que a Prefeitura de Manaus não possui débitos referentes a 2026. Segundo ele, o município já repassou cerca de R$ 284 milhões ao sistema de transporte neste ano.

Poucas horas depois, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) reforçou que não existem pendências de 2026. No entanto, o órgão confirmou um passivo de R$ 150,4 milhões acumulado em anos anteriores. Desse total, cerca de R$ 91 milhões correspondem ao Governo do Amazonas. Os outros R$ 59 milhões cabem ao município.

Governo reconhece apenas R$ 18 milhões

Também na terça-feira, o vice-governador Serafim Corrêa contestou o valor apresentado pelo Sinetram. Segundo ele, o Estado reconhece apenas uma dívida de R$ 18 milhões, referente aos meses de fevereiro a julho de 2026.

Além disso, Serafim informou que o governo faria o pagamento em até 24 horas. Ainda na noite de terça, ele publicou o comprovante da transferência nas redes sociais e afirmou que o Estado havia cumprido sua parte.

Impasse envolve valor da tarifa

O principal ponto de divergência envolve o cálculo do Passe Livre Estudantil.

O Governo do Amazonas defende o pagamento de R$ 2,50 por passagem, valor da meia-passagem estudantil. Por outro lado, o Sinetram cobra o repasse com base na tarifa técnica, que atualmente supera R$ 8 por viagem.

O conflito começou em 2025, após o fim do convênio entre Estado e Prefeitura que financiava o benefício. Desde então, as partes discutem na Justiça quem deve custear o programa e qual valor deve servir de base para os repasses.

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