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Incêndios colocam 36 municípios do Amazonas em emergência
Manaus (AM) – Os incêndios florestais já levaram 36 dos 62 municípios do Amazonas, mais da metade do estado, a entrar em situação de emergência. O avanço das queimadas e a fumaça que encobre diferentes regiões provocaram a suspensão de aulas e atividades ao ar livre, além de mobilizar uma força-tarefa federal para combater o fogo e atender à população afetada.
De acordo com dados do Painel do Clima, mantido pelo governo do Amazonas, o estado acumulou 6.901 focos de queimadas entre 1º e 11 de outubro. O número representa um aumento de 91,38% em relação ao mesmo período do ano passado. As regiões com mais ocorrências são o sul do estado, com 3.485 focos, e a Região Metropolitana de Manaus, com 1.655.
A situação também preocupa pelas consequências para a saúde pública. Na capital, a piora da qualidade do ar levou à suspensão de atividades escolares e de eventos ao ar livre. A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde preexistentes.
Força-tarefa contra os incêndios
O governo federal mobilizou equipes de diferentes ministérios, brigadistas, Forças Armadas e profissionais de saúde para reforçar o combate às queimadas. A operação conta com 11 aeronaves, incluindo dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), além de apoio logístico para transportar equipes, equipamentos e pacientes.
A força-tarefa reúne o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Defesa Civil Nacional, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério de Minas e Energia e as Forças Armadas.
A Força Nacional do SUS foi deslocada para reforçar o atendimento às pessoas afetadas pela fumaça. Já o Ministério de Minas e Energia atua para garantir o abastecimento de combustível em comunidades isoladas.
Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o reconhecimento federal da situação de emergência foi fundamental para formalizar a mobilização de recursos, equipamentos e profissionais nos municípios atingidos.
A medida foi reconhecida pela União no mesmo dia, com publicação no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com o ministro, o procedimento permitiu ampliar a atuação federal na resposta à crise.
Incêndios criminosos sob investigação
Além das condições climáticas, as autoridades investigam incêndios provocados intencionalmente. Em Itacoatiara, no interior do Amazonas, oito suspeitos de provocar queimadas na zona rural foram identificados em apurações conduzidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). Os casos foram encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Durante um sobrevoo para monitorar as áreas atingidas, representantes do governo federal identificaram focos de incêndio em trechos de mata nativa preservada e em locais isolados, de difícil acesso.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o cenário indica possível ação humana intencional. Segundo ele, o fogo pode ser utilizado para degradar a floresta e preparar áreas para o desmatamento ilegal.
Capobianco defendeu a atuação conjunta das forças de segurança e dos órgãos ambientais para identificar e responsabilizar os envolvidos.
“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. Ou seja, é necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, declarou.
Qualidade do ar preocupa
Em Manaus, a concentração de partículas finas conhecidas como MP2,5 atingiu níveis críticos durante o período analisado. Segundo dados apresentados pelas autoridades, a média registrada às 6h de sábado (10) chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico, índice classificado como péssimo.
No início da noite, a concentração caiu para 46,4 microgramas por metro cúbico, faixa considerada moderada. Apesar da redução, o boletim técnico da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec) alertou para a possibilidade de novos episódios de fumaça.
A previsão indicava que a concentração poderia chegar a 169 microgramas por metro cúbico na madrugada de segunda-feira (12).
Diante do cenário, a Prefeitura de Manaus suspendeu eventos ao ar livre promovidos pela administração municipal no domingo (11) e na segunda-feira (12). A medida atingiu atividades nas Faixas Liberadas, no Parque Cidade da Criança, na Orla da Glória e no Parque Gigantes da Floresta, além da Feirinha do Boi Manaus, prevista para o Sambódromo e a Avenida do Samba.
A prefeitura informou que a retomada das atividades dependeria da evolução das condições ambientais e dos indicadores de qualidade do ar.
Ministro critica politização da crise
Durante entrevista coletiva, Waldez Góes respondeu às declarações do comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, que havia afirmado que o governo federal estaria negando ajuda ao estado.
O ministro argumentou que a atuação federal dependia da formalização da situação de emergência pelo governo estadual. Ele também criticou a politização da crise e defendeu a integração entre as equipes responsáveis pelo enfrentamento dos incêndios.
“Seria prudente que o comandante do Corpo de Bombeiros, em vez de tocar fogo, apagasse fogo, se juntasse aos brigadistas e às equipes da Defesa Civil Nacional, das Defesas Civis Municipais e Estadual”, afirmou.
Góes acrescentou que as autoridades devem priorizar as necessidades da população e trabalhar de forma coordenada diante da gravidade da situação.
A crise ocorre em meio à combinação de incêndios florestais, estiagem e piora da qualidade do ar. Os impactos atingem tanto comunidades do interior quanto moradores da capital, reforçando a necessidade de ações integradas para combater o fogo e reduzir os riscos à saúde pública.
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