Política
Bolsonaristas reagem após Moraes suspender Lei da Dosimetria: ‘jogo combinado’

Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Coronel Menezes e a rede de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiram contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria. Sem ela, apenados do 8 de janeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficam como estavam: condenados e presos.
O QUE DIZ MORAES
O ministro, que foi sorteado para ser relator de ações que questionam a validade da Lei da Dosimetria, decidiu que a suspensão terá validade até que a Corte julgue as ações contrárias à legislação.
LEIA MAIS: Educação e professores viram alvo de disputa entre pré-candidatos ao Governo do Amazonas
Moraes firmou o entendimento ao analisar o caso de Nara Faustino de Menezes, condenada por participação nos atos de 8 de janeiro e que queria a aplicação da Lei 15.402/2026 promulgada ontem (8), após o Congresso derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A legislação tornada válida pelos congressistas estabelece a redução das penas de condenados pelo 8 de janeiro.
LEIA MAIS: Vídeo: primeira-dama de Iranduba se exercita em rua esburacada e abandonada pelo marido dela
Moraes argumentou que não poderia começar a julgar os pedidos de redução das penas com base na nova lei, uma vez que existem ações tramitando no STF que questionam a validade do texto.
A pena menor para os condenados é questionada por duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs): a 7966 e 7967, que foram ajuizadas na sexta-feira (8) pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação partidária PSOL-Rede.
“A superveniência de interposição de ação direta de inconstitucionalidade e, consequentemente a pendência de julgamento em controle concentrado de constitucionalidade, configura fato processual novo e relevante, que poderá influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela Defesa, recomendando a suspensão da aplicação da lei, por segurança jurídica, até definição da controvérsia pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL”, escreveu.
FLÁVIO FALA EM ‘JOGO COMBINADO’
O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), criticou fortemente a decisão de Moraes. O senador não poupou. “Parece, mais uma vez, um jogo combinado; mais uma vez é a democracia que fica abalada. É uma decisão do Congresso Nacional, em sua grande maioria, defendendo a lei da anistia, que, numa canetada mais uma vez, o ministro do Supremo revoga a decisão de nós, os verdadeiros representantes do povo. Mas o Brasil parece que está se acostumando com isso, mas nós não vamos nos acostumar”
NIKOLAS CHAMA DE “VERGONHA”
Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) disse que um poder está se colocando acima do outro. “Deputados e senadores debateram, votaram, derrubaram veto e promulgaram a lei. Mas, no Brasil de hoje, parece que a palavra final de 513 deputados e 81 senadores pode ser anulada por uma única canetada. Isso não pode ser normalizado nunca. Um homem manda no país. Vergonha”.
CORONEL MENEZES QUESTIONA POSIÇÃO DO CONGRESSO
O ex-superintendente da Suframa e pré-candidato a deputado federal, Coronel Menezes (Avante), também não aliviou para o Ministro. “Para que serve o congresso nacional se toda lei que é aprovada pelos representantes do povo tem que passar por análise do STF?”.
O ministro determinou ainda que a execução penal deverá prosseguir integralmente, mantidas todas as medidas anteriormente determinadas.
Na sexta-feira, Moraes concedeu o prazo de cinco dias para que a Presidência da República e o Congresso Nacional se manifestem sobre a Lei da Dosimetria.
LEIA MAIS: Voto de Sinésio em Cidade é ironizado por Zé Ricardo: ‘achou que era o melhor do mundo’

