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	<title>Clique Notícias Brasil Archives - Clique Notícias Brasil</title>
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		<title>PL Rafael pune influenciadores por divulgação de bets</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/politica/pl-rafael-pune-influenciadores-por-divulgacao-de-bets/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 21:04:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta reportagem é parte de uma investigação especial da Agência Pública financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa clicando aqui. Após o relato de Vânia de Souza Borges sobre a morte do filho Rafael emocionar leitores em todo o Brasil, a história da professora inspirou um projeto de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">Esta reportagem é parte de uma investigação especial da Agência Pública financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa clicando aqui.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Após o relato de Vânia de Souza Borges sobre a morte do filho Rafael emocionar leitores em todo o Brasil, a história da professora inspirou um projeto de lei para responsabilizar diretamente influenciadores que divulguem bets e para proibir no Brasil o modelo de negócios que os permite lucrar em cima dos valores perdidos por apostadores que cliquem em seus links.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O PL Rafael, Projeto de Lei 3.613/26, em alusão ao jovem de Uberlândia (MG) Rafael Borges Amaral, que morreu aos 26 anos pressionado por seu vício em apostas online, foi protocolado pela deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), conterrânea de Vânia e Rafael. O texto, apresentado na última quarta-feira (8), fundamenta a proposta a partir da história contada pela Agência Pública no especial Jogo Perigoso: O Brasil das Bets, que pode ser conferida aqui.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O projeto propõe a responsabilização solidária de toda a cadeia de divulgação de apostas – o que inclui influenciadores, afiliados, anunciantes, operadores e plataformas – por eventuais danos causados ao consumidor. Além disso, tenta proibir o modelo de contrato que prevê comissões aos influenciadores e permite remuneração proporcional às perdas registradas por seus seguidores que clicarem em seus links de divulgação, o chamado revshare (Revenue Share Agreement), que a Pública explica nesta reportagem.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Quanto mais o consumidor perde, mais o influenciador lucra. Nosso projeto quer acabar com esse incentivo perverso. […] Quem ganha com a indicação também deve responder por ela”, declarou a deputada Dandara.</p>
<p>A morte de Rafael não é um caso isolado, é o retrato mais doloroso de um problema que atinge uma geração inteira de jovens brasileiros. O Estado não pode mais tratar isso como problema individual. É uma questão de saúde pública.</p>
<p>Dandara Tonantzin</p>
<p>Deputada federal</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na terça-feira (7), a parlamentar também apresentou um outro projeto motivado pela história da professora Vânia, o PL 3.563/26, que propõe a obrigatoriedade das plataformas de apostas de notificarem a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, sempre que forem identificados padrões de risco por parte dos apostadores em atividade.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A ideia é que haja um bloqueio preventivo temporário do usuário por um mínimo de 60 dias e disparos obrigatórios de recomendações de busca por apoio psicológico e tratamento para esse usuário, assim que o comportamento for detectado. O projeto ainda não contempla detalhamento de quais seriam esses padrões de risco e os limites do que seria aceitável.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Informada pela Pública sobre os projetos de lei protocolados na Câmara dos Deputados, Vânia se disse muito feliz com a dimensão tomada pela história de sua família. “Eu sei que ainda é apenas é um projeto, mas é por meio dessas atitudes que alguma medida efetiva será tomada. Vamos torcer para que o projeto seja aprovado e torne-se uma lei”, disse a professora.</p>
<p><img fetchpriority="high" data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="360" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/PL-Rafael-pune-influenciadores-por-divulgacao-de-bets.jpeg?resize=640%2C360&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258794"  /></p>
<h2 class="wp-block-heading">MJSP e Ministério Público acionados para investigarem influenciadores</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Antes de falar com a Pública, a professora Vânia buscou a CPI das Bets, cujo primeiro relatório foi o primeiro a ser arquivado em 10 anos no Senado, para relatar sua história e como ela não havia conseguido auxílio junto à Polícia Civil de Minas Gerais e ao Ministério Público do estado. Após a repercussão da reportagem, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) foi acionado, também pela deputada federal Dandara.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A solicitação do documento MJ – SEI 08001.003232/2026-69 é para que seja aberta uma investigação sobre a atuação de influenciadores digitais, agências de publicidade e afiliados na promoção de plataformas de apostas, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), para verificarem indícios de publicidade enganosa e abusiva, práticas digitais predatórias e falhas de proteção ao consumidor.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A parlamentar também acionou o Ministério Público de Uberlândia (MPMG – SEI 9990000001.008466/2026-87) para verificar o andamento da notícia de fato aberta junto às promotorias de defesa do consumidor e saúde, para verificar as medidas adotadas e solicitar que a Defensoria Pública de Minas Gerais preste suporte no caso.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Pública entrou em contato com o MJSP e o MPMG na tarde desta sexta-feira (10) para verificar os encaminhamentos sobre os pedidos e aguarda resposta. Em caso de manifestação, este espaço será atualizado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Sobre os desenvolvimentos de seu relato na Câmara e também no seu estado, a professora Vânia foi sucinta e resumiu: “Graças a Deus está surtindo efeito”.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA foi só pra bolsonarista ver</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/discurso-de-flavio-bolsonaro-nos-eua-foi-so-pra-bolsonarista-ver/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 16:04:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a Newsletter da Pública, enviada sempre às sextas-feiras, 8h. Para receber as próximas edições, </em><em>inscreva-se aqui</em><em>.</em></p>
<p class="wp-block-paragraph">Se você quer ouvir um depoimento independente de uma pessoa bem informada em relação às audiências sobre o tarifaço nos Estados Unidos, sugiro que veja a entrevista do canal Meio com o economista e professor da FGV, Gustavo Pessoa, que participou das audiências públicas no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Pessoa estuda risco sistêmico e sua exposição na audiência foi sobre o pix, como <em>case</em> de sucesso e infraestrutura vital para o sistema financeiro brasileiro, concentrando 60% das transações bancárias no país.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O economista falou no primeiro dia de audiências para uma mesa diretora composta por representantes do USTR, do Departamento da Agricultura, do Departamento Comercial, do Departamento de Estado e do Tesouro, composição que variava de acordo com o tema discutido em blocos. Segundo ele, todas as audiências a que assistiu foram eminentemente técnicas, com exceção daquela em que Flávio Bolsonaro compareceu na companhia do irmão Eduardo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Ali você percebia um tom mais político, os assessores [do Flávio] não paravam de filmar e tirar fotos, tanto que eles foram repreendidos pelo presidente da sessão, porque isso é estritamente proibido ali. E o discurso dele foi político, colocando a culpa no Lula, falando que o filho do Lula estava envolvido no escândalo do INSS, falando que o Pix foi implementado no governo Bolsonaro. Então, com exceção do discurso do Flávio, tudo estava seguindo de uma forma bem técnica”, relatou o economista ao Meio.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Pelo relato do economista fica evidente que Flávio Bolsonaro estava fazendo pedidos eleitorais ao foro errado e se expressando de maneira confusa – a única pergunta que lhe foi dirigida foi feita pelo representante do USTR, que, segundo o professor, teve dificuldade de entender o discurso de Flávio e pediu que ele falasse um pouco mais sobre como o tarifaço estava favorecendo o governo Lula. </p>
<p class="wp-block-paragraph">“A resposta dele foi difícil de entender, ele foi pego de surpresa ali, não teve tempo de se preparar, então o inglês dele dava umas certas travadas, mas ele quis dizer que esse governo de esquerda estava entregando o Brasil à China por isso pedia uma oportunidade para que as tarifas não fossem aplicadas, senão o Lula iria ganhar e empurrar o Brasil para a China”, contou Pessoa.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O curioso é que antes da viagem de Flávio, ele teria sido aconselhado a não repetir o tom eleitoral que havia dado à carta enviada anteriormente ao USTR, para furar a bolha junto aos eleitores indecisos, que seriam suscetíveis ao argumento de que ele estava defendendo o país e não os seus próprios interesses como candidato. Uma reação tardia ao efeito causado pelo último tarifaço, que beneficiou o presidente Lula, exatamente por sua postura em defesa da soberania nacional e dos canais diplomáticos para negociações.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Flávio passou vergonha tropeçando na língua e se dirigindo a pessoas erradas sem sequer cumprir a missão de trazer bom material publicitário. Se alguns setores empresariais brasileiros podem ter se beneficiado do apoio de pares americanos que serão impactados com as tarifas sobre produtos que compram do Brasil como foi exposto em algumas audiências técnicas, tudo indica que a fala de Flávio terá zero resultado prático, apenas reforçando sua imagem de submissão aos Estados Unidos, com um pedido quase explícito de interferência nas eleições brasileiras.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao tarifaço, como todos sabem, depende exclusivamente da vontade de Donald Trump – a própria abertura da investigação sobre o Brasil pelo USTR foi política – no momento bastante ocupado em nova ofensiva contra o Irã.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Trump é um aliado ainda mais volúvel do que o amor de Flávio pelo Brasil. Uma coisa é se gabar de ter convencido Trump de qualificar as facções brasileiras como terroristas, um pedido que só ajuda o presidente dos Estados Unidos a fazer o que pretendia. Outra coisa são decisões sobre o tarifaço, praticamente o único expediente, além da guerra, utilizado por Trump nas relações com o resto do mundo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O governo brasileiro acertou em não participar dessa farsa, mantendo-se firme nas negociações oficiais e diplomáticas com os Estados Unidos. Aliás, Flávio poderia aprender outra coisa com o Lula, a falar português em eventos internacionais, ou levar um tradutor – não tem nada mais humilhante do que fingir falar um idioma publicamente por pura subserviência.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Na guerra tarifária, Trump apela até para desmatamento</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/na-guerra-tarifaria-trump-apela-ate-para-desmatamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 11:14:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>EP 68 Na guerra tarifária, Trump apela até para desmatamento 9 de julho de 2026 · Flávio Bolsonaro, Donald Trump e a preocupação com as florestas brasileiras Depois de enviar uma carta ao governo americano pedindo o adiamento da decisão sobre tarifas para depois das eleições, nesta semana Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<h2 class="h4 fw-bold">
									EP 68<br />
											Na guerra tarifária, Trump apela até para desmatamento							</h2>
<p class="podcast-summary">
<p>					9 de julho de 2026<br />
					·</p>
<p>				Flávio Bolsonaro, Donald Trump e a preocupação com as florestas brasileiras</p>
<p class="wp-block-paragraph">Depois de enviar uma carta ao governo americano pedindo o adiamento da decisão sobre tarifas para depois das eleições, nesta semana Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos para insistir que o tarifaço pode beneficiar seu adversário nas eleições, o presidente Lula. Na carta enviada ao Escritório Comercial dos Estados Unidos, no entanto, Flávio se alinha a Trump em um aspecto, no mínimo, surpreendente: a preocupação com o desmatamento ilegal no Brasil.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre outros pontos, o relatório do Escritório Comercial dos Estados Unidos alega que o desmatamento ilegal beneficiaria o agro brasileiro, permitindo uma produção mais barata. O argumento é contestado pelo governo Lula e pelo setor, e causa espanto a preocupação do governo Trump, conhecido pelo desmonte de políticas ambientais e climáticas, com as florestas brasileiras.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O Bom dia, fim do mundo da semana, destrincha o relatório do Escritório Comercial e a carta enviada por Flávio, que em alguns trechos parecem ainda mais insólitos do que o roteiro de “Dark Horse”. Ouça agora.</p>
<p class="wp-block-paragraph">E MAIS:</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na Trombeta constatamos que, de onde nada se espera, é de onde nada vem.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<item>
		<title>planos na Europa passam por teste radical</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/planos-na-europa-passam-por-teste-radical/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 07:05:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A França se prepara para ondas de calor impulsionadas pelas mudanças climáticas há mais de duas décadas. Em 2003, mais de 14.800 pessoas morreram quando as temperaturas ficaram acima de 35 graus durante duas semanas no verão. As mortes levaram formuladores de políticas públicas franceses a criar um dos programas de resiliência ao calor mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<p class="wp-block-paragraph">A França se prepara para ondas de calor impulsionadas pelas mudanças climáticas há mais de duas décadas. Em 2003, mais de 14.800 pessoas morreram quando as temperaturas ficaram acima de 35 graus durante duas semanas no verão. As mortes levaram formuladores de políticas públicas franceses a criar um dos programas de resiliência ao calor mais abrangentes do mundo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No ano seguinte, o governo francês apresentou um plano nacional de calor que incluía um sistema de alerta de quatro níveis. Quando as temperaturas sobem e atingem o nível máximo da escala, as autoridades estabelecem um centro de crise para coordenar uma resposta nacional. Autoridades locais são obrigadas a implementar seus planos de calor, que incluem acesso a espaços refrigerados e à água, além de monitoramento de moradores mais vulneráveis ao calor. As agências meteorológica e de saúde da França acompanham conjuntamente as previsões do tempo e os riscos à saúde, alertando os moradores quando surgem condições perigosas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nos anos seguintes, a França adotou medidas adicionais para se adaptar a verões mais quentes: cidades plantaram árvores para reduzir o efeito de ilha de calor, construíram passagens e ciclovias sombreadas e transformaram espaços públicos em centros de resfriamento que podem ser usados por moradores sem ar-condicionado nos dias mais quentes (apenas cerca de 25% das residências francesas possuem ar-condicionado). Em Paris, formuladores de políticas públicas fizeram simulações, ensaiando um futuro com temperaturas de 50 graus.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essas estratégias agora estão sendo submetidas a um de seus maiores testes. No final de junho, cidades em toda a Europa registraram temperaturas extremas e muitas quebraram recordes históricos de calor. Mais de doze países, incluindo a França, emitiram alertas de calor na penúltima semana de junho, orientando a população a permanecer em ambientes fechados nas horas mais quentes do dia, manter as casas frescas fechando persianas e cortinas e evitar atividades físicas intensas. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Foi a segunda onda de calor no continente em apenas dois meses. Ambas começaram antes mesmo do início oficial do verão. Em Paris, as temperaturas ultrapassaram os 39 graus, e a média de temperatura em toda a França atingiu, na última semana de junho, o nível mais alto já registrado.  </p>
<p class="wp-block-paragraph">Mais de 40 pessoas que buscavam alívio das altas temperaturas morreram afogadas enquanto nadavam na França, muitas delas adolescentes. Autoridades espanholas também alertaram para mortes relacionadas ao calor: uma agência local de monitoramento estimou que mais de 200 mortes na penúltima semana de junho possam ser atribuídas às altas temperaturas. Idosos, crianças e pessoas em situação de rua estão entre as populações mais vulneráveis.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Pesquisadores descobriram que, à medida que as mudanças climáticas impulsionam o aquecimento global, as cidades terão de lidar cada vez mais com verões mais longos e temperaturas mais elevadas. A Europa, o continente que mais aquece no mundo, está em muitos aspectos na linha de frente desse desafio. Durante grande parte de 2024, as temperaturas ficaram 1,5 grau acima das médias pré-industriais. Mantida a trajetória atual, as temperaturas na Europa podem aumentar 3,1 graus até o fim do século.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“As cidades em todo o mundo, mesmo aquelas que fazem o melhor que podem, ainda estão se preparando para o calor de hoje”, afirmou Ladd Keith, professor de Planejamento e diretor da Iniciativa de Resiliência ao Calor da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos (EUA). “Elas não estão fazendo um trabalho realmente eficaz de se planejar de forma agressiva para o calor que vamos enfrentar amanhã.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">Durante anos, o calor extremo recebeu muito menos atenção e recursos do que desastres como furacões e incêndios florestais. Mas, à medida que as ondas de calor se tornaram mais intensas — com consequências cada vez mais mortais —, formuladores de políticas públicas passaram a tratá-las com maior urgência. As primeiras gerações de planos de calor focavam principalmente na proteção da saúde pública e na resposta emergencial. Já os planos mais recentes adotaram uma abordagem mais ampla, incluindo iniciativas de arborização urbana e redução do calor residual gerado por veículos e aparelhos de ar-condicionado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">As cidades tendem a ser entre 3 e 5,5 graus mais quentes do que as áreas ao redor, tanto por causa do calor produzido por carros e indústrias pesadas, quanto pelo calor retido pelo asfalto e outros materiais sintéticos. Os centros urbanos vêm enfrentando esse fenômeno, conhecido como ilhas de calor, com o plantio de árvores, criação de parques e de outros investimentos em infraestrutura verde. Esses esforços exigem que diferentes setores do pode público, como incluindo urbanistas, autoridades de saúde e equipes de resposta a desastres, trabalhem em conjunto.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Algumas cidades chegaram até mesmo a contratar os chamados “chefes de calor” (“chief heat officers”) para assumir a responsabilidade pela gestão do problema, ou então atribuíram explicitamente às suas equipes de resiliência climática a tarefa de liderar os esforços de adaptação. Em 2021, o condado de Miami-Dade, na Flórida (EUA), contratou a primeira autoridade do mundo dedicada exclusivamente a essa função. Segundo Keith, que estuda como governos vêm respondendo ao aumento das temperaturas, existem cerca de 15 cargos semelhantes em outros países, como Grécia e Austrália.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Keith afirmou que o estado do Arizona, em particular, está à frente na resposta ao calor extremo. Cerca de mil pessoas morreram por doenças relacionadas ao calor em 2023, mais do que em qualquer outro estado dos EUA. Mas, nos anos seguintes, esses números diminuíram, mesmo com ondas de calor ainda mais severas. Entre as medidas adotadas, o governador passou a decretar oficialmente emergências por calor durante episódios extremos. O estado também nomeou uma autoridade responsável pelo calor (“chief heat officer”) e um coordenador estadual de centros de resfriamento. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Cidades como Tucson, uma das maiores do estado, também adotaram seus próprios planos de ação. Nos meses mais amenos, autoridades se reúnem para discutir as lições aprendidas no verão anterior.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Muitos esforços construídos ao longo da última década convergiram naquele ano de crise. Estamos enfrentando o calor do verão de uma forma muito mais coordenada do que antes”, disse Keith.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essas iniciativas tendem a se tornar ainda mais importantes à medida que regiões historicamente de clima temperado, como partes da Europa, enfrentam ondas de calor mais intensas e frequentes. Climatologistas preveem que o verão de 2027 provavelmente será o mais quente da história, em parte devido a um “super El Niño”, o fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico que exerce enorme influência sobre os padrões climáticos globais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Isso está totalmente alinhado com o que esperamos das mudanças climáticas. Quaisquer lições que aprendermos com este evento específico precisam ser rapidamente incorporadas e colocadas em prática”, conclui Keith. </p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Saída do governo em Gaza não faz o Hamas abrir mão de armas</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/saida-do-governo-em-gaza-nao-faz-o-hamas-abrir-mao-de-armas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 10:32:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) o que pode ser sua decisão mais importante dos últimos 20 anos: o grupo armado palestino disse que vai abrir mão de participar do consórcio responsável pela administração civil da Faixa de Gaza. Isso não significa que o Hamas deixará de existir como tal ou que vá depor armas, [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) o que pode ser sua decisão mais importante dos últimos 20 anos: o grupo armado palestino disse que vai abrir mão de participar do consórcio responsável pela administração civil da Faixa de Gaza. Isso não significa que o Hamas deixará de existir como tal ou que vá depor armas, mas pode indicar uma luz, ainda que muito tênue, no fim do longo túnel de tragédias que vêm marcando a relação entre palestinos e israelenses na região.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por enquanto, o que existe é apenas um anúncio. A manifestação de intenções do Hamas precisa ainda ser implementada na prática, com a anuência de pelo menos três atores envolvidos nessa questão.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O primeiro deles é o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), um órgão teoricamente tecnocrata, criado para gerir a reconstrução do território palestino, de maneira tutelada. Os outros dois atores implicados, que precisam aceitar a proposta do Hamas, são Israel, que ocupa hoje militarmente a maior parte da Faixa de Gaza, e os Estados Unidos, que propuseram o acordo de paz que vem sendo implementado desde outubro de 2025, mesmo que com muitas idas e vindas, violações e desconfianças mútuas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O NCGA reagiu com cautela e Israel, com incredulidade, enquanto os Estados Unidos mantiveram silêncio, pelo menos até esta terça-feira. 7 de junho. “No fim, nossa avaliação vai se guiar por ações, não por promessas”, disse o comitê em comunicado. “Isso permitiria ao Hamas continuar oprimindo a população de Gaza enquanto mantém sua luta jihadista contra Israel”, reagiu o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Sa’ar. Donald Trump certamente está em conversa com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a quem deve receber na Casa Branca provavelmente no início de agosto.</p>
<p class="wp-block-paragraph">As conversações entre todas essas partes vêm sendo mantidas oficialmente em duas frentes simultâneas: uma, no Chipre; outra, no Cairo. O Egito é o principal mediador desta questão no Oriente Médio, mas são os Estados Unidos os verdadeiros arquitetos do Conselho da Paz, órgão criado no fim do ano passado para negociar o fim do conflito e administrar a reconstrução de um território palestino cuja devastação é tão profunda e extensiva que chegou a motivar uma acusação de genocídio (intenção de exterminar um povo), movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Golpe e controle</h2>
<p class="wp-block-paragraph">O Hamas assumiu o controle total da Faixa de Gaza em 2007, um ano depois de ter vencido as eleições parlamentares locais do ano anterior, com 44% dos votos. O grupo rival Fatah não só foi derrotado nas urnas como também foi expulso à força, em seguida, na sequência de uma série de conflitos fratricidas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Desde então, o Fatah – grupo ligado ao atual presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas – ficou com o controle político da Cisjordânia, enquanto o Hamas manteve o controle da Faixa de Gaza. Esses dois territórios, que são geograficamente separados por um trecho de Israel, compõem o que viria a ser um futuro Estado palestino, se um dia a chamada “solução de dois Estados” vier a ser implementada.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Aos olhos de Israel, dos Estados Unidos e da Europa, Abbas é o interlocutor local mais credenciado a liderar a formação de um futuro Estado palestino. Mas os próprios palestinos consideram a ANP incompetente, disfuncional e corrupta, além de verem em Abbas um líder excessivamente passivo diante das violações que Israel comete contra os palestinos na própria Cisjordânia, sem contar na Faixa de Gaza.</p>
<p class="wp-block-paragraph">É em contraposição às insuficiências de uma ANP disfuncional e sem credibilidade interna que o Hamas cresce, se firmando como um grupo rebelde, indócil, aguerrido e confrontador, a ponto de eliminar os rivais do Fatah e da ANP da Faixa de Gaza e, em seguida, partir para uma ação até então inconcebível contra Israel: os ataques de 7 de outubro de 2023.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os que defendem o Hamas veem em ações como a do 7 de outubro uma resposta violenta legítima, inevitável e justificável diante do bloqueio ilegal que Israel exerce sobre os palestinos na Faixa de Gaza, como se essa fosse a única reação possível para uma população que vive há muitos anos confinada em um espaço exíguo, desprovida de acesso adequado à água, alimentos, moradia, saúde, emprego e, sobretudo, soberania e autodeterminação.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já os críticos classificam o Hamas como um grupo terrorista que deu um golpe de Estado dentro de Gaza contra seus rivais mais moderados e implementou uma ditadura violenta contra a própria população, se dedicando a desviar os escassos recursos de combustível e de infraestrutura para a construção de foguetes com os quais fustigam os israelenses, além de perverter o uso de hospitais e de se mesclar deliberadamente com a população civil palestina como forma de aumentar o número de vítimas e desgastar a imagem de Israel perante a opinião pública mundial.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Evidentemente, são dois pontos de vista distantes entre si e absolutamente irreconciliáveis. Por isso, é tão significativo que o Hamas tenha anunciado agora a disposição de abrir mão de participar da administração civil da Faixa de Gaza, em favor de outros atores locais e internacionais que tenham maior prestígio e credibilidade para trabalhar na reconstrução. Fazendo um paralelo com o corpo humano, é como se esse recuo do Hamas pudesse favorecer uma desinflamação do nervo, para possibilitar alguma cura em seguida.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Quando Israel deu início à resposta militar ao atentado de 7 de outubro, a intenção proclamada era a de acabar definitivamente com a capacidade militar do Hamas e extinguir o protagonismo político que o grupo tinha sobre a administração de Gaza. Se o Hamas de fato recuar em sua participação no grupo que pretende administrar o território palestino agora, então pelo menos um desses dois objetivos terá sido atingido.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já no que diz respeito à obliteração da capacidade militar do Hamas, o tema é mais complexo. De um lado, é certo que os últimos três anos de campanha militar massiva de Israel contra a Faixa de Gaza debilitaram consideravelmente as capacidades ofensivas do Hamas. O grupo já não dispõe do mesmo arsenal de foguetes com o qual alcançava residências civis no território israelense. Mas isso não significa que o Hamas tenha deixado de existir, nem que seus membros tenham sido liquidados.</p>
<p class="wp-block-paragraph">De acordo com analistas do jornal israelense Haaretz, uma das publicações mais progressistas e menos refratárias à questão palestina dentro de Israel, representantes do Hamas teriam indicado durante as negociações no Cairo a disposição de abrir mão de seu potencial ofensivo, mas não de abrir mão de todas as armas de uso individual de seus membros, como pistolas e fuzis. Além disso, esses líderes teriam interesse numa espécie de anistia que possibilitasse a incorporação de seus homens numa futura força de segurança palestina na Faixa de Gaza.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Enquanto nada disso se torna realidade, o plano de paz segue sendo implementado a duras penas. Uma das questões complexas que permanecem sobre a mesa é onde e como construir campos de deslocados que possam abrigar temporariamente os milhares de palestinos que perderam suas casas, sem que isso resulte na formação de guetos espremidos pela ocupação israelense, nem tampouco em bolsões controlados pelo Hamas, nos quais o grupo armado acabe se servindo da ajuda humanitária destinada à população civil.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre as muitas ideias disponíveis, uma é especialmente ousada: a criação de uma força multinacional que afaste tanto os militares israelenses quanto os membros do Hamas, zelando por uma zona segura para os civis palestinos, inicialmente na região de Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza, fronteira com o Egito. No início, a Indonésia aceitou enviar efetivos para compor essa força, mas o país asiático acabou recuando. O Marrocos tomou então a dianteira, mas ainda não enviou soldados porque depende da negociação de um acordo de imunidades e prerrogativas para seus homens, que ainda não foi assinado com Israel.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com isso, o bloqueio à Faixa de Gaza segue vigente, com consequências especialmente preocupantes, à medida que se aproxima a temporada das chuvas, que tem início em novembro, e o frio, que começa em dezembro e se estende até março, com temperaturas baixando para menos dos 10°C.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Há um consenso sobre a necessidade de entrada de mais ajuda humanitária em Gaza, mas Israel – que exerce um bloqueio militar sobre o território palestino – reluta em permitir, sobretudo, o ingresso de materiais que podem ter seu uso civil pervertido para uso militar, como é o caso de certos materiais de construção e de casas pré-fabricadas, além de combustíveis, painéis de energia solar e certos equipamentos hospitalares.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O debate pontual sobre o recuo do Hamas e a formação de um governo transitório e tutelado para a reconstrução da Faixa de Gaza é, no entanto, apenas um retrato limitado de um problema mais abrangente e complexo, cuja solução nunca pareceu tão distante: a criação de um Estado palestino com fronteiras definidas e reconhecidas internacionalmente, tal como foi feito em relação a Israel, em 1948.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Sem impacto algum, diz professor sobre Flávio Bolsonaro nos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 22:17:19 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph">O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), discursou nesta terça-feira (7) em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Em mais uma tentativa de se afastar do desgaste causado pelo seu entorno político, que, aliado ao governo de Donald Trump, supostamente articulou, em 2025, o tarifaço de 50% sobre as importações brasileiras, Flávio afirmou ter defendido em Washington as empresas brasileiras, a economia nacional e o Pix.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar da guerra de narrativa contra o governo federal, especialistas ouvidos pela Pública apontam que a manifestação de Flávio na audiência não é capaz de alterar ou influenciar a decisão da autoridade comercial americana, que é quem vai decidir sobre a investigação contra práticas comerciais do Brasil e a proposta do governo de Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Ele fez uma intervenção apenas para gerar material de campanha. Não terá impacto algum. E como nada vai acontecer com o Pix no curto prazo, vai dizer que foi em razão do pedido dele. Mesma coisa para qualquer alívio que vier”, afirmou à Agência Pública o professor de direito do comércio internacional da Universidade de São Paulo (USP), José Augusto Fontoura Costa. De acordo com ele, a ida de Flávio aos Estados Unidos reforça outro elemento comum: a ideia de aproximação com Trump, que seduz parte do seu eleitorado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Não à toa, o senador enviou uma carta ao USTR na semana passada, em que pediu a revogação de novas tarifas. Flávio propôs, também, que uma possível decisão sobre o tema fosse adiada para depois das eleições de outubro, sob o pretexto de que o governo brasileiro estaria se beneficiando politicamente das sanções comerciais impostas pelo país. Em resposta, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta oficial ao senador reafirmando a posição dos EUA diante da proposta. “Algo completamente fora da normalidade diplomática”, analisa Fontoura Costa.</p>
<p><h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
</p>
<ul class="m-0">
<li>Os Estados Unidos avaliam impor tarifas de 25% na importação de produtos brasileiros.</li>
<li>As taxas seriam uma retaliação por práticas do Brasil que, segundo o governo norte-americano, são prejudiciais para o comércio e empresas dos EUA.</li>
</ul>
<p class="wp-block-paragraph">Cerca de duas horas depois de discursar na audiência, o Flávio publicou um vídeo no X (antigo Twitter), afirmando que fez “a defesa do Brasil contra as tarifas e contra o Lula”. Ele caracterizou ainda a ação como “técnica, mas também política” e criticou a ausência de representantes do governo federal, numa estratégia de embate com a gestão petista, que viu sua popularidade crescer no ano passado ao apoiar a bandeira da soberania nacional, em oposição às tarifas aplicadas por Donald Trump.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“É impressionante como é que tinha todo mundo lá: os defensores das empresas, dos produtos brasileiros, advogados, empresários, mas não tinha ninguém, nenhunzinho do governo Lula escalado para fazer a defesa nessa espécie de tribunal, que é quem vai sugerir ou não que as tarifas sejam aplicadas ao presidente dos Estados Unidos”, disse Flávio em vídeo nas redes sociais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A questão também foi explorada pelo seu irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. “Lula não inscreveu ninguém na audiência pública, pois deseja as tarifas, mesmo que você pague o preço por isso”, publicou Eduardo. O filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro segue nos EUA desde março de 2025, onde tem intensificado sua atuação na ofensiva internacional. O governo brasileiro, no entanto, enviou uma observadora para acompanhar as audiências e reforçou que as negociações continuam diretamente com representantes da gestão de Donald Trump.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo o professor de direito da USP, este tipo de audiência é destinado principalmente a empresas e atores não governamentais que possam ser afetados pela aplicação das sanções. Ele cita como exemplo a companhia Coca-Cola, que pediu a suspensão de eventuais tarifas sobre derivados de alimentos cítricos, já que a alta de preços desses insumos poderia afetar seus custos de produção.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“É esse tipo de manifestação que poderia ajudar a modificar alguma coisa nas tarifas. O governo federal tem acesso direto à autoridade comercial. Não haveria porque procurar esse acesso por um meio indireto, que seria ainda filtrado pelos condutores da audiência antes de irem para a autoridade comercial. Flávio diz que é um tribunal: é mentira, pois o USTR não decide nada”, explica Fontoura Costa. O USTR reporta o que considera relevante para o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que é quem toma a decisão final sobre o tema. O órgão é chefiado por Howard Lutnick, Secretário de Comércio dos Estados Unidos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para José Niemeyer, professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, a viagem de Flávio aos Estados Unidos é também formada por um viés político eleitoral e, por isso, é muito difícil que o país reverta sua postura sobre a taxação.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Acho que os pontos apresentados por Flávio não se sustentam, lembrando que o primeiro tarifaço imposto pelos EUA teve alguma influência de Eduardo Bolsonaro e de um grupo de pessoas que estão ali fazendo um movimento de relações públicas com a Casa Branca para punir o Brasil, por exemplo, com relação à atitude do Supremo Tribunal Federal na política brasileira”, explica Niemeyer.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Esta ida de Flávio Bolsonaro como candidato à presidência da República, mesmo indo como senador da República, tem a ver também com esse processo de tentativa de uma influência do Executivo norte-americano nas eleições no Brasil”, completa o professor do Ibmec-RJ.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A audiência promovida pelo USTR é a última fase pública da investigação aberta contra o Brasil sobre práticas abusivas que poderiam justificar a implementação de uma tarifa de 25% aos produtos brasileiros nos Estados Unidos. A decisão final está prevista para 15 de julho.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além de Flávio, participaram da sessão desta terça-feira o embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de representantes da indústria, como a gerente de relacionamento e negócios da Abicalçados Letícia Sperb Masselli, e Wagner Parente, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Abimaq.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>Trump transforma em cruzada anticomunista</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/trump-transforma-em-cruzada-anticomunista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 18:07:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As festas em comemoração ao 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos — proclamada em um dia de calor sufocante na Filadélfia, em 4 de julho de 1776 — começaram sob um presságio sombrio. Semanas antes da grandiosa queima de fogos que coroaria as celebrações do dia na capital do país, Trump, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">As festas em comemoração ao 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos — proclamada em um dia de calor sufocante na Filadélfia, em 4 de julho de 1776 — começaram sob um presságio sombrio.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Semanas antes da grandiosa queima de fogos que coroaria as celebrações do dia na capital do país, Trump, que se considera um brilhante urbanista, insistiu em mudar a cor do longo espelho d’água retangular situado entre o Monumento ao Presidente Washington (1789-97) — um alto obelisco de mármore branco em homenagem ao primeiro chefe de Estado da nação — e a estrutura de estilo clássico grego que homenageia o presidente Abraham Lincoln (1861-65), líder do país durante a Guerra Civil Americana. Dependendo de onde se esteja na vasta área gramada do National Mall, é possível ver o reflexo de qualquer um dos dois monumentos nas águas límpidas da piscina rasa, o que confere uma elegância clássica ao cenário.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Trump queria mudar a cor do espelho d’água para um tom de azul semelhante ao da bandeira americana, em comemoração ao 250º aniversário. Assim, ele concedeu um contrato de 14 milhões de dólares, sem licitação, à empresa que presta serviços às suas próprias propriedades, para revestir o fundo da piscina com uma tinta à base de plástico. Logo após a conclusão do projeto, a água — bombeada da vizinha Tidal Basin, uma enseada do rio Potomac — tornou-se verde-escura devido à proliferação de algas durante uma onda de calor em Washington.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Constrangido com o resultado, Trump ordenou a limpeza imediata da piscina. Uma das soluções adotadas foi despejar galões de peróxido de hidrogênio na água para eliminar as algas, o que fez com que a tinta formasse bolhas e se descascasse. Como nunca admitia seus erros, Trump alegou, sem apresentar provas, que vândalos haviam feito um corte de cerca de 100 metros (350 pés) no material de vedação — apesar de, na semana anterior, ter insistido que a reforma fora tão bem executada que nem mesmo uma faca afiada poderia danificar o trabalho.</p>
<p>Renovação do famoso espelho d’água em Washington ordenada por Trump deu errado e piscina ficou esverdeada pelo excesso de algas</p>
<p class="wp-block-paragraph">Enquanto visitantes curiosos passavam pela piscina para ver o caos causado pelos planos imprudentes de Trump, David Hearn — canoísta de corredeiras e três vezes atleta olímpico — parou, durante um passeio de bicicleta, para verificar se as notícias sobre a piscina eram verdadeiras. Ao colocar a mão na água para tocar nos fragmentos de tinta que flutuavam, ele foi detido por agentes do Serviço Nacional de Parques, sob a acusação de ter danificado o revestimento da piscina com as próprias mãos. Hearn enfrenta agora uma pena de até 10 anos de prisão por suposta destruição de propriedade pública. O caso tornou-se mais um exemplo da estratégia de Trump de usar o Departamento de Justiça para punir qualquer pessoa que ouse desafiar seu poder ou suas alegações megalomaníacas de que é o presidente mais brilhante da história dos EUA.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A soberba de Trump também ficou evidente às vésperas das comemorações da independência no Monte Rushmore, outro monumento nacional situado a milhares de quilômetros de Washington, D.C., nas Black Hills, em Dakota do Sul. Entre 1927 e 1941, o escultor Gutzon Borglum esculpiu no granito da montanha os rostos, com cerca de 18 metros de altura, dos presidentes americanos George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Desde o início de seu primeiro mandato, Trump tem cogitado de ter sua própria imagem esculpida na rocha para celebrar sua presidência. No entanto, especialistas em geologia do Serviço Nacional de Parques alertaram que quaisquer alterações no monumento poderiam provocar o desmoronamento de toda a fachada. Ainda assim, uma deputada republicana conservadora da Flórida apresentou um projeto de lei para permitir que Trump realize essa fantasia, embora seja improvável que a proposta seja aprovada.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O local foi o cenário perfeito para Trump dar início às festividades do fim de semana de 4 de julho, pois sugeria que o chefe do Executivo se equiparava — se não superava — aos seus renomados antecessores. O discurso de Trump no Monte Rushmore foi repleto de ufanismo patriótico e retórica da Guerra Fria dos anos 1950. “O comunismo é uma ameaça mortal à liberdade americana”, afirmou ele. “É a maior ameaça ao nosso país, superando a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, Pearl Harbor ou até mesmo o 11 de setembro.”</p>
<h2 class="wp-block-heading">Socialistas democratas têm conquistado espaço e votos nos EUA</h2>
<p class="wp-block-paragraph">As afirmações de Trump sobre o comunismo estão tão desconectadas da realidade e de uma leitura sensata da história dos EUA que sugerem que o estado mental do presidente está se deteriorando tão rapidamente quanto a tinta no espelho d’água. Além disso, suas diatribes políticas contra o Partido Democrata remetem ao macarthismo dos anos 1950, época em que Joseph McCarthy, um senador de Wisconsin, fez alegações infundadas sobre a infiltração de comunistas no governo dos EUA.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Elas também são alimentadas pela recente eleição de membros da organização Socialistas Democráticos da América (DSA) como candidatos do Partido Democrata às eleições legislativas de novembro. Três desses candidatos insurgentes — apoiados por Zohran Mamdani, de Nova York, cujos pais são imigrantes muçulmanos indianos vindos de Uganda — derrotaram figuras veteranas e mais moderadas do Partido Democrata, o que provocou um debate acalorado sobre a melhor maneira de desafiar os republicanos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Fundada em 1982, a Socialistas Democráticos da América surgiu da fusão de várias organizações social-democratas que atuam no Partido Democrata para empurrá-lo à esquerda. De um grupo político relativamente pequeno até a campanha presidencial de 2016 do senador Bernie Sanders, de Vermont, a DSA cresceu de 6.000 membros em 2015 para 100.000 em 2026.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O programa da DSA — não muito diferente dos partidos trabalhistas e social-democratas europeus — também inclui uma forte posição pró-Palestina, o que tem causado divisões entre setores do Partido Democrata que defendem o direito à existência de Israel. Os candidatos da DSA são particularmente atraentes para os eleitores jovens, especialmente os que vivem em grandes áreas urbanas, que criticam as posições moderadas de muitos integrantes da liderança do Partido Democrata.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Políticos de perfil mais moderado argumentam que, embora posições mais à esquerda possam ser populares em Nova York, Los Angeles ou Washington, candidatos do Partido Democrata que disputam eleições contra republicanos em áreas mais conservadoras do país não têm chance de vitória com o programa da DSA. Eles insistem que a única maneira de conquistar o controle da Câmara dos Representantes e, talvez, do Senado neste ano é apresentar soluções para problemas que não afastem eleitores independentes mais moderados, frustrados com a gestão errática de Trump, a corrupção flagrante e o fracasso das políticas econômicas e externas.</p>
<h2 class="wp-block-heading">A caça às bruxas comunistas de Trump</h2>
<p class="wp-block-paragraph">A retórica de Trump evoca um anticomunismo latente e arraigado entre uma parcela conservadora do público. Ele combina esse sentimento com um discurso de longa data de que os Estados Unidos sempre foram e sempre serão uma exceção internacional, um bastião da democracia e o “melhor país do mundo”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além disso, no discurso do Monte Rushmore, em outro pronunciamento na noite de 4 de julho no National Mall e em quase todas as outras declarações presidenciais recentes, Trump insiste que a solução para os problemas da nação é a aprovação da Lei “Save America” ​​(Salvar a América), projetada para desencorajar ou impedir que milhões de eleitores participem das próximas eleições.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Trump insiste que o objetivo da legislação é impedir que imigrantes sem documentação votem nas eleições dos EUA, embora praticamente não haja registros de fraudes eleitorais cometidas por residentes inelegíveis a votar. Contudo, o nome do projeto de lei proposto — “Save America Act” — baseia-se em um sentimento xenofóbico e anti-imigração, alimentado por Trump desde 2011, quando insistia que Barack Obama não era cidadão americano e, portanto, não poderia concorrer à presidência.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O verdadeiro objetivo da lei é impedir que milhões de cidadãos pobres e da classe trabalhadora — que tendem a votar no Partido Democrata — participem das próximas eleições, exigindo que apresentem comprovante de cidadania. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não possuem uma carteira de identidade nacional, e nem todos os outros comprovantes de identidade atestam a cidadania. Milhões de eleitores em potencial de baixa renda não possuem certidões de nascimento e um número cada vez maior não possui passaporte. Sob essa lei proposta, mulheres que se casaram e mudaram de nome teriam de apresentar documentação adicional para comprovar seu direito ao voto. Essa é mais uma maneira pela qual Trump tenta manipular o sistema, por meio da supressão de eleitores, para evitar uma derrota eleitoral em novembro.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Assim, em vez de promover uma celebração nacional unificada e apartidária que exaltasse os avanços democráticos do país nos últimos dois séculos e meio, o evento de 4 de julho transformou-se em um comício político para promover o plano de Trump de manter o controle do Congresso valendo-se do anticomunismo, da histeria anti-imigração e da supressão de eleitores.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para isso, Trump apropriou-se da Comissão do Semiquincentenário dos Estados Unidos — órgão apartidário conhecido como America250 — e redirecionou recursos alocados pelo Congresso para sua própria iniciativa, a “Freedom 250”, visando promover sua presidência em vez dos legados comuns da nação. Ele organizou uma “Grande Feira Estadual Americana” de dezesseis dias no National Mall, que foi um fracasso total, tanto por muitos artistas recusarem o convite para participar quanto por a visitação aos estandes que representavam os diferentes estados da União ter sido baixa. Embora não seja algo pelo qual se possa culpar Trump, uma forte onda de calor e as tempestades de verão também não ajudaram.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783447678_923_Trump-transforma-em-cruzada-anticomunista.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258321"  />Celebração dos 250 anos do 4 de julho nos EUA</p>
<h2 class="wp-block-heading">A Suprema Corte dos EUA empodera Trump</h2>
<p class="wp-block-paragraph">O entusiasmo de Trump com a celebração do 4 de julho foi reforçado pelo fato de que, na semana anterior às festividades nacionais, a Suprema Corte dos EUA decidiu dois casos que representam um golpe contra a democracia americana. Uma das decisões concedeu aos partidos políticos o direito de arrecadar fundos ilimitados de doadores ricos para as campanhas eleitorais, o que, a curto prazo, beneficiará os republicanos. Outra decisão conferiu a Trump poder ilimitado para nomear membros de centenas de conselhos e agências independentes, originalmente criados para supervisionar regulamentações e procedimentos governamentais sem influência partidária indevida.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Uma terceira decisão reafirmou uma interpretação clara da Constituição, segundo a qual direitos de cidadania são concedidos a qualquer pessoa nascida em solo americano. Essa decisão apertada, tomada por 5 votos a 4, que manteve a interpretação convencional da 14ª Emenda à Constituição, poderia, no entanto, ser revertida caso um dos membros liberais da Suprema Corte fosse substituído por um indicado de Trump nos dois últimos anos de seu mandato.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Até mesmo a grandiosa apresentação de fogos-de-artifício ao final do discurso partidário de Trump em 4 de julho não terminou como planejado. No final da noite, tantos foguetes foram lançados simultaneamente que criaram uma espessa nuvem de fumaça, encobrindo a visão do público que aguardara pacientemente por horas para ver as explosões de luzes vermelhas, brancas e azuis cruzando o céu.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para citar William Shakespeare, tanto a declaração de Trump sobre o passado dos EUA quanto o evento de entretenimento público que ele organizou — incluindo a queima de fogos — foram “cheios de som e fúria, sem significar nada”.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>como bets garantem que jogador sempre perca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 10:44:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta reportagem é parte de uma investigação especial da Agência Pública financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa clicando aqui. Chega um momento em que você pensa “já perdi muito”, para e avalia: o prêmio prometido já está gigante e prestes a “estourar” após repetidas tentativas. Continua, clica [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">Esta reportagem é parte de uma investigação especial da Agência Pública financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa clicando aqui.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Chega um momento em que você pensa “já perdi muito”, para e avalia: o prêmio prometido já está gigante e prestes a “estourar” após repetidas tentativas. Continua, clica mais pausadamente, afinal, talvez seja a hora de parar. A hesitação é computada em segundos pela interface de sua plataforma de apostas preferida. Chega uma oferta de bônus, cashback para recarga, lembrete do ganho acumulado. No Brasileirão, um gol inesperado muda as chances para todo mundo. Agora, o prêmio é cinco vezes superior se acertar autor do gol, resultado e número de cartões, mas, apenas se simultaneamente o seu arquirrival empatar em partida fora. Luzes, brilho, recompensas fáceis, emoção ao alcance das mãos. Você acredita na sorte, em seu tino futebolístico, no conhecimento que quase ninguém dispõe, apenas você. Só mais uma fezinha. As companhias agradecem.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Cada clique, tempo de sessão, saldo disponível, saques anteriores, número de plataformas em que é cadastrado, volume e velocidade entre apostas. Todos esses dados são extraídos e transformados em uma experiência personalizada, pensada para te manter jogando, com “quase ganhos” estratégicos e vitórias menores eventuais. O objetivo, lucro imediato, é o mesmo nas duas pontas da equação. De seu lado, ansiedade e esperança fazem parte do serviço. Do outro, a matemática opera sua mágica. E, invariavelmente, você ganhando ou perdendo, as casas ganham mais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“O ecossistema das bets é sustentado por uma infraestrutura de captura de dados que rastreia comportamento em tempo real, incluindo informações como tempo de sessão, padrões de aposta, momentos de hesitação, intenção de saída etc. Esses dados retroalimentam sistemas que disparam notificações e ofertas nos momentos de maior vulnerabilidade do usuário”, explica o professor de mídias digitais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Daniel Marques.</p>
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“O ecossistema das bets é sustentado por uma infraestrutura de captura de dados que rastreia comportamento em tempo real, incluindo informações como tempo de sessão, padrões de aposta, momentos de hesitação, intenção de saída etc. Esses dados retroalimentam sistemas que disparam notificações e ofertas nos momentos de maior vulnerabilidade do usuário”, explica o professor de mídias digitais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Daniel Marques.&#13;<br />
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Nesse cálculo, entram psicologia comportamental, design de jogos, programação, estatística, distribuição, expectativa matemática e, claro, uma margem, assegurada por lei, de ganho médio mínimo das plataformas que oferecem os jogos. A regulação se impõe para que os cidadãos sejam protegidos, sem que esse ambiente se torne uma terra sem lei.&#13;<br />
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De acordo com a portaria 1.207/2024, o maior prêmio acumulado (jackpot) tentador e sem muitas explicações, que depende apenas de aleatoriedade, por exemplo, deve obrigatoriamente sair numa frequência mínima de uma a cada 100 milhões de jogadas. Na Mega Sena, considerando a análise combinatória, a probabilidade de acertar as seis dezenas é de uma em cada 50 milhões. Sim, o dobro de chances do que o mínimo legal imposto às bets.&#13;<br />
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O mesmo dispositivo legal também prevê o mínimo para operar, com certificação, quanto ao retorno ao apostador, o chamado “RTP”, que no Brasil é de 85%. Isso significa que de cada R$ 100 que a casa de apostas recebe para ofertar os jogos, ela ganha R$ 15, em média, e os demais R$ 85 circulam entre os apostadores, com ganhos pontuais.  &#13;<br />
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Com RTP baixo, a probabilidade de vitória é menor, mas as recompensas são maiores. Normalmente, as bets operam com RTPs maiores, entre 94 e 98%, para que os ganhos sejam mais módicos, porém mais frequentes, o que estimula a adesão. Ou seja, as empresas podem ganhar menos por cada aposta, mas se beneficiam de um volume e frequência normalmente maiores de seus usuários.&#13;<br />
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Os valores de RTP são fixos para cada operação certificada, ou seja, para cada nível de RTP, há uma autorização específica feita pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, impedindo mudanças injustas por parte das empresas.&#13;<br />
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Nesse cálculo, entram psicologia comportamental, design de jogos, programação, estatística, distribuição, expectativa matemática e, claro, uma margem, assegurada por lei, de ganho médio mínimo das plataformas que oferecem os jogos. &#13;<br />
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A regulação se impõe para que os cidadãos sejam protegidos sem que esse ambiente se torne uma terra sem lei. As limitações matemáticas foram estabelecidas pela portaria 1.207/2024, que define algumas regras.&#13;<br />
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O maior prêmio acumulado (jackpot), tentador, sem muitas explicações e que depende apenas de aleatoriedade, por exemplo, deve obrigatoriamente sair numa frequência mínima de uma a cada 100 milhões de jogadas. &#13;<br />
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Na Mega Sena, considerando a análise combinatória, a probabilidade de acertar as seis dezenas é de uma em cada 50 milhões. Sim, o dobro de chances do que o mínimo legal imposto às bets.&#13;<br />
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O mesmo dispositivo legal também prevê o mínimo para operar, com certificação, quanto ao retorno ao apostador, o chamado “RTP”, que no Brasil é de 85%. &#13;<br />
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Isso significa que de cada R$ 100 que a casa de apostas recebe para ofertar os jogos, ela ganha R$ 15, em média, e os demais R$ 85 circulam entre os apostadores, com ganhos pontuais. &#13;<br />
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<p class="has-central-palette-3-color has-text-color has-link-color wp-elements-8c9beac89c241cf18b5d22609193a29b block-visibility-hide-large-screen wp-block-paragraph">Com RTP baixo, a probabilidade de vitória é menor, mas as recompensas são maiores. Normalmente, as bets operam com RTPs maiores, entre 94% e 98%, para que os ganhos sejam mais módicos, porém mais frequentes, o que estimula a adesão. Ou seja, as empresas podem ganhar menos por cada aposta, mas se beneficiam de um volume e frequência normalmente maiores de seus usuários.</p>
<p class="has-central-palette-3-color has-text-color has-link-color wp-elements-b7cf919bc9f33017cb431fdc2be3203e block-visibility-hide-large-screen wp-block-paragraph">Os valores de RTP são fixos para cada operação certificada, ou seja, para cada nível de RTP, há uma autorização específica feita pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, impedindo mudanças injustas por parte das empresas.</p>
<p class="has-central-palette-6-color has-text-color has-link-color wp-elements-c7cf753122b9033404b4c794f8aeee26 wp-block-paragraph">“O RTP é definido a partir da expectativa matemática do jogo. Primeiro, calculamos todas as probabilidades e pagamentos possíveis para entender quanto o sistema devolve ao jogador no longo prazo. A partir disso, ajustamos a margem da casa até atingir o retorno desejado [por ela], por exemplo 96% ou 97%. Depois entra a parte mais importante: a volatilidade”, explica o desenvolvedor de jogos Leandro Melo da Costa.</p>
<p class="has-central-palette-6-color has-text-color has-link-color wp-elements-773fee5c804cf106d95dafbdba807966 wp-block-paragraph">O profissional detalha: “Em um jogo de baixa volatilidade, o saldo do jogador oscila menos. Em um de alta volatilidade, as oscilações são muito maiores, com períodos longos de perda seguidos por ganhos raros e expressivos. […] O equilíbrio entre frequência, tamanho dos ganhos e momentos de quase vitória é o que cria a percepção de ‘chance real’ no curto prazo, mesmo mantendo a vantagem estatística da casa no longo prazo”.</p>
<p class="has-central-palette-6-color has-text-color has-link-color wp-elements-f81dd9645011c40fb97e22de0685f2e3 wp-block-paragraph">Em outras palavras, a plataforma ganha uma parte de cada aposta feita e lucra com o conjunto de tudo que é jogado – aquela sensação de que você deu prejuízo à casa é apenas a ilusão satisfatória de receber uma fatia do bolo que a casa devora quase todo, e com facilidade.</p>
<p class="has-central-palette-6-color has-text-color has-link-color wp-elements-dde5ccdfd34f52307d5202635fa42b4e wp-block-paragraph">E, no caso das bets, “sensação” é uma palavra-chave desde o primeiro momento em que você ingressa no ambiente, a começar pelo modo de pagamento. E é aí que o Pix, uma revolução econômica brasileira, também serve de facilidade para as casas de aposta.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Prejuízo real estimulado e pouco palpável</h2>
<p class="wp-block-paragraph">“A abstração do dinheiro é uma estratégia eficaz de apagamento do risco, pois o custo psicológico de cada aposta diminui”, explica o professor de mídias digitais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Daniel Gois Rabelo Marques.</p>
<p class="wp-block-paragraph">E é por isso que você pode fazer recargas facilitadas, com biometria, em apenas um clique, ou que compra tokens, fichas ou créditos fictícios para jogar, em vez de ter exposto, na tela, de fato o dinheiro que já gastou (ou, na prática, perdeu). “No caso do Pix, o depósito financeiro é transformado em um gesto corriqueiro, com pouco atrito, pouca pausa e, consequentemente, pouco confronto com o valor real”, completa o especialista.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O comportamento esperado do usuário já é previsto, estudado e estimulado antes mesmo que ele comece a apostar, ainda na captação de jogadores e até mesmo no depósito de dinheiro ou créditos para engajar com as plataformas, e isso é ciência aplicada.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Quando se fala em jogos de azar, o único tipo de jogador que existe é o sortudo, pois toda a vitória, derrota, ganhos ou perdas são frutos de uma estatística que sempre favorece a banca, por isto existe o coeficiente de taxa de retorno em todos os jogos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A tendência é o jogador sempre perder graças à matemática dos grandes números”, classifica o engenheiro civil e desenvolvedor Matheus Augusto Estrella, antes de sintetizar: “A própria confecção destes softwares são feitas ao se apoiar nas fraquezas do usuário, sendo intrinsecamente predatórios”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Do lado da regulação, a fiscalização efetiva é um dos caminhos para evitar que o ambiente predatório se imponha. Do lado do cidadão comum, potencialmente usuário, resta compreender as técnicas utilizadas para não ser presa fácil do ecossistema que navega.</p>
<p class="has-central-palette-2-color has-text-color has-link-color wp-elements-b71e9a6e90282614b272c547b3b7d37c wp-block-paragraph">As informações desta reportagem incomodam um mercado bilionário. A Agência Pública não aceita dinheiro de casas de apostas e investiga quem lucra com o vício alheio. Se esta investigação te indignou, apoie o jornalismo independente e fortaleça esse trabalho.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="119" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783421098_284_como-bets-garantem-que-jogador-sempre-perca.png?resize=640%2C119&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-252839"  /></p>
<h2 class="wp-block-heading">O pulo do tigre: perder ou perder</h2>
<p class="bg-fade bg-fade-ffd400 wp-block-paragraph">Na matemática utilizada pelas plataformas, o algoritmo utiliza as chances de um evento para definir a probabilidade de um episódio ocorrer, as chamadas odds: “a empresa nunca trabalha com odds ‘justas’”. A frase é do desenvolvedor de jogos Leandro Melo da Costa e parece atualizar um ditado popular da cultura dos cassinos: “A casa sempre ganha”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na selva estatística e financeira das bets, um ensinamento deveria ser fundamental antes do usuário começar a apostar, já que o indicador ofertado nunca é, de fato, o que aquela aleatoriedade valeria. Isso porque o evento é convertido em um multiplicador de pagamento que já inclui a margem da casa embutida. Por exemplo, as odds reais de 2 passam a ser ofertadas a 1,8. No conjunto dos cenários oferecidos, essa diferença garante que a plataforma lucre, mesmo que muitas pessoas acertem o cenário apostado. </p>
<p class="has-central-palette-3-color has-text-color has-link-color wp-elements-dc6ba216ebaeb8d4531d6a687986b9a8 wp-block-paragraph">“O teto de lucro da plataforma é definido principalmente por três fatores: margem aplicada nas odds, volume de apostas e controle de exposição financeira”, explica Costa. A programação, nesse caso, é dinâmica e automaticamente vai se ajustando ao longo do tempo para garantir ganhos para a plataforma mesmo quando o cenário muda. “Embora o RTP final fique matematicamente definido em configuração, a distribuição dos ganhos é controlada por algoritmos probabilísticos dentro do código do jogo. […] Quando existe risco elevado, o algoritmo pode reduzir odds, limitar aposta, fechar mercados ou recalcular preços em tempo real”, completa.</p>
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O “pulo do gato” das plataformas normalmente se concentra no pós-perda e em todo o ambiente que envolve esse momento. É o recurso do “Near miss”, literalmente o “quase ganhar”, o que fica explícito na interface gráfica das bets. O sistema pode definir distribuições específicas de combinações de apostas, de símbolos em slots ou estruturas de recompensa que apareçam para o apostador com mais frequência visual do que ditaria uma situação, de fato, aleatória.&#13;<br />
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É aquela situação de “está aparecendo muito X”, alimentando a expectativa de vitória iminente. “[Há] animações, sons, desaceleração dos reels e efeitos visuais que reforçam a sensação de ‘quase ganhar’”, conta Leandro Costa, acrescentando que muitas plataformas fazem uso de reforços variáveis, conceito conhecido da psicologia comportamental.&#13;<br />
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“O sistema não entrega recompensas em padrões fixos, mas em intervalos imprevisíveis, criando expectativa constante e aumentando o engajamento. [&#8230;] Jogos mais estáveis passam sensação de controle e retenção maior de saldo. Jogos mais voláteis tendem a gerar mais tensão, expectativa e emoção, porque existe a sensação de que um grande prêmio pode acontecer a qualquer momento”, conclui.&#13;<br />
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Após você perder, o código se volta à personalização a partir de dados de perda em evento único, tempo de sessão, padrão emocional de aposta, total perdido e probabilidade de recompra de créditos. “O sistema pode disparar estímulos quase imediatos, como free bets, cashback, notificações, odds turbinadas, sugestões de nova entrada ou ‘você esteve muito perto’”, conta.&#13;<br />
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“Em iGaming, grande parte do trabalho técnico não está apenas na matemática do jogo, mas em sistemas de retenção, comportamento e recorrência que mantêm o usuário engajado após perdas emocionalmente impactantes”, conclui o desenvolvedor.&#13;<br />
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As bets se apresentam em formatos diversos, conhecidos como slots, crashes, apostas esportivas, mas muitas vezes funcionam conectadas em um ambiente de aplicativos que compartilham carteiras únicas com recursos de cassinos. E para estimular a frequência das apostas, é necessário manter o usuário engajado – e nada melhor para isso do que a sensação de ganho inicial. &#13;<br />
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O “pulo do gato” das plataformas normalmente se concentra no pós-perda e em todo o ambiente que envolve esse momento. É o recurso do “Near miss”, literalmente o “quase ganhar”, o que fica explícito na interface gráfica das bets.&#13;<br />
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O sistema pode definir distribuições específica de combinações de apostas, de símbolos em slots ou estruturas de recompensa que apareçam para o apostador com mais frequência visual do que ditaria uma situação, de fato, aleatória.&#13;<br />
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É aquela situação de “está aparecendo muito X, né?”, alimentando a expectativa de vitória iminente. “[Há] animações, sons, desaceleração dos reels e efeitos visuais que reforçam a sensação de ‘quase ganhar’”, conta Leandro Costa.&#13;<br />
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<p class="block-visibility-hide-large-screen wp-block-paragraph">Após você perder, o código se volta à personalização a partir de dados de perda em evento único, tempo de sessão, padrão emocional de aposta, total perdido e probabilidade de recompra de créditos. “A partir disso, o sistema pode disparar estímulos quase imediatos, como free bets, cashback, notificações, odds turbinadas, sugestões de nova entrada ou [mensagens do tipo] ‘você esteve muito perto’”, conta.</p>
<p class="block-visibility-hide-large-screen wp-block-paragraph">“Em iGaming, grande parte do trabalho técnico não está apenas na matemática do jogo, mas em sistemas de retenção, comportamento e recorrência que mantêm o usuário engajado após perdas emocionalmente impactantes”, conclui o desenvolvedor.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Isto não é algo difícil de ser implementado para quem possui os dados estatísticos do jogador em tempo real, muitas empresas estimulam que o jogador comece ganhando justamente para depois começarem perdas programadas”, afirma o engenheiro civil e desenvolvedor Matheus Estrella.</p>
<p class="wp-block-paragraph">É possível que você conheça (ou seja) um grande entendedor de futebol e as apostas esportivas sejam sua “especialidade” e principal recurso para “quebrar a banca”. Na prática, as casas de apostas não sentem o impacto desse perfil no dia a dia. Ainda assim, elas usam recursos de “segurança”, que supostamente preveniriam perdas para os usuários como forma de, no fim das contas, arrecadar mais. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Um grande exemplo é a lógica do cashout, quando você busca travar parte dos ganhos ou reapostar parte do que já estava comprometido para tentar diminuir perdas de eventos em andamento – um gol surpresa em qualquer fim de semana, que estraga o seu churrasco (e, nesse caso, também a carteira). E daí você salva parte da aposta ou mesmo arrisca no resultado contrário à sua escolha original, tudo para diminuir perdas. </p>
<p class="wp-block-paragraph">“Para quem domina e entende essa metodologia, o cashout é uma ferramenta legítima e que pode gerar lucro. Só que a casa de aposta não é boba. Ela sabe que a grande maioria dos jogadores não entende esse mecanismo. E é exatamente por isso que ela acaba lucrando muito mais. […] Muitos jogadores aceitam o cashout em vez de aguardar o fim do evento porque a espera gera muito cortisol, muita adrenalina, muita dopamina — gera tensão. Então, na hora do calor emocional, as pessoas preferem sair antes. E essa saída antecipada, de fato, é uma forma da casa de aposta se proteger”, explica o especialista de cassinos Carlos Frederico Amaral.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No fim das contas das bets, as perdas se fazem regra, mas a vitória – ou quase ganho – têm sabor estimulante, recheado de adrenalina, à base de muita ciência e planejamento, mesmo quando você acha que está sendo o mais esperto do recinto.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="119" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783421098_37_como-bets-garantem-que-jogador-sempre-perca.png?resize=640%2C119&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-252836"  /></p>
<h2 class="wp-block-heading has-central-palette-6-color has-text-color has-link-color wp-elements-19123de4a867d50c3d0d2252835fd916">A caverna do dragão: esperança como recurso</h2>
<p class="has-central-palette-6-color has-text-color has-link-color wp-elements-4964d0d4dabee75be54fe45f489b4ccd wp-block-paragraph">O conceito de captura afetiva diz respeito a um ecossistema desenhado para influenciar e engajar usuários. E foi para tentar dar materialidade ao uso desse conceito que pesquisadores da UFRB e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Daniel Marques e Thiago Falcão, respectivamente, entrevistaram profissionais da área de desenvolvimento de jogos digitais para tratar sobre o papel ativo que desempenham nessa indução e as situações éticas que envolvem a questão. Assim foi concebido o artigo <em>Design persuasivo e mediação tecnológica em plataformas digitais de apostas: práticas e dilemas éticos de designers e desenvolvedores</em>.</p>
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O conceito de captura afetiva diz respeito a um ecossistema desenhado para influenciar e engajar usuários. E foi para tentar dar materialidade ao uso desse conceito que pesquisadores da UFRB e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Daniel Marques e Thiago Falcão, respectivamente, entrevistaram profissionais da área de desenvolvimento de jogos digitais.&#13;<br />
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A ideia do trabalho seria tratar sobre o papel ativo que os profissionais desempenham nessa indução ao jogo e as situações éticas que envolvem esse cenário. Assim foi concebido o artigo Design persuasivo e mediação tecnológica em plataformas digitais de apostas: práticas e dilemas éticos de designers e desenvolvedores. &#13;<br />
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Em entrevista à Agência Pública, Marques explica que os principais gatilhos visuais que fazem parte do cálculo das plataformas são as contagens regressivas, botões de repetição rápida e animações celebrativas, em especial considerando recompensas intermitentes, além de características comuns a diversos ambientes de apostas.&#13;<br />
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Alguns exemplos são a ausência de monitores de quanto já foi apostado, perdido ou o tempo de uso da plataforma. “Essa ausência de informação relevante ao juízo do usuário é, em si, uma estratégia persuasiva”, descreve o professor. “Nas bets, esse efeito se materializa de forma sofisticada a partir de elementos de microinteração projetados para mobilizá-lo”.&#13;<br />
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“A ideia é fazer o corpo sentir que o ganho está próximo e que vale a pena continuar, produzindo uma espécie de esperança como recurso”, completa Marques. Entre os profissionais entrevistados anonimamente para o artigo, há um que descreve o uso de clickbait personalizado, do tipo “você ganhou”, quando a realidade o ganho seria apenas de uma nova chance de participação.&#13;<br />
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Outro aponta mensagens que “explodem da tela” ao perceber hesitação, com direito ao recado “não abandone sua aposta”. “A interface é projetada para eliminar pontos de saída ou qualquer elemento que quebre a continuidade da experiência e devolva o usuário ao mundo real. [&#8230;] Todos os elementos são projetados para dissolver as fronteiras entre o ambiente do jogo e o mundo exterior”.&#13;<br />
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O professor universitário aponta que foi possível encontrar um padrão consistente entre os diferentes profissionais entrevistados no sentido do reconhecimento de cada um deles dos efeitos persuasivos do design combinado com ausência total de espaços institucionais para reflexão ética nas plataformas “embora os profissionais saibam o que estão fazendo”, diz. &#13;<br />
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“O que identificamos é que o problema é estrutural, pois a responsabilidade ética é fragmentada pelas hierarquias organizacionais. Então, os profissionais em regime de trabalho precarizado executam, mas não decidem a estratégia”, conclui o pesquisador.&#13;<br />
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Assim foi concebido o artigo Design persuasivo e mediação tecnológica em plataformas digitais de apostas: práticas e dilemas éticos de designers e desenvolvedores.&#13;<br />
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Em entrevista à Agência Pública, Marques explica que os principais gatilhos visuais que fazem parte do cálculo das plataformas são as contagens regressivas, botões de repetição rápida e animações celebrativas.&#13;<br />
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“Essa ausência de informação relevante ao juízo do usuário é, em si, uma estratégia persuasiva”, descreve o professor. “Esse efeito se materializa de forma sofisticada a partir de elementos de microinteração projetados para mobilizá-lo”&#13;<br />
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“Essa ausência de informação relevante ao juízo do usuário é, em si, uma estratégia persuasiva”, descreve o professor. “Esse efeito se materializa de forma sofisticada a partir de elementos de microinteração projetados para mobilizá-lo”&#13;<br />
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“[A ideia é] fazer o corpo sentir que o ganho está próximo e que vale a pena continuar, produzindo uma espécie de esperança como recurso”, completa.&#13;<br />
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Entre os profissionais entrevistados anonimamente para o artigo, há um que descreve o uso de clickbait personalizado, do tipo “você ganhou”, quando a realidade o ganho seria apenas de uma nova chance de participação. &#13;<br />
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Outro aponta mensagens que “explodem da tela” ao perceber hesitação, com direito ao recado “não abandone sua aposta”.&#13;<br />
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“O que identificamos é que o problema é estrutural, pois a responsabilidade ética é fragmentada pelas hierarquias organizacionais. Então, os profissionais em regime de trabalho precarizado executam, mas não decidem a estratégia”, conclui. &#13;<br />
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<p class="has-central-palette-3-color has-text-color has-link-color wp-elements-2934869de57c3a44dfbd5edb4b941e64 block-visibility-hide-large-screen wp-block-paragraph">Confira o artigo <em>Design persuasivo e mediação tecnológica em plataformas digitais de apostas: práticas e dilemas éticos de designers e desenvolvedores</em></p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="119" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783421098_938_como-bets-garantem-que-jogador-sempre-perca.png?resize=640%2C119&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-252838"  /></p>
<h2 class="wp-block-heading">Clica aqui no meu link?</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Já entendemos até aqui que a regra é que a Casa sempre ganha, e que o acaso define quando você pode ganhar ou perder, mas há um terceira parte, elemento moderno nessa equação, que celebra qualquer desses cenários: os influenciadores. No ecossistema das bets, eles são classificados como “afiliados” e estão sempre distribuindo aquele link cheio de vantagens e bônus para agregar mais jogadores. Não é por acaso.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Os links de afiliados funcionam como um hyperlink rastreável. A gente consegue acompanhar por onde o link está sendo clicado, por onde as contas estão sendo abertas, os FTDs (First Time Deposits) e qual é o trajeto que esse jogador faz dentro da plataforma depois de entrar pelo link”, explica o especialista em cassinos Carlos Amaral. </p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="357" height="600" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783421098_692_como-bets-garantem-que-jogador-sempre-perca.png?resize=357%2C600&#038;ssl=1" alt="Neymar Jr. em seu Instagram divulgando a casa de azar e bets, Blaze" class="wp-image-258316" style="object-fit:cover"  /></p>
<p class="wp-block-paragraph">“O padrão tradicional do mercado é um modelo híbrido. O afiliado recebe uma parte fixa e uma porcentagem em cima do GGR — ou seja, em cima do quanto o jogador indicado por ele perde”, adiciona o especialista. GGR é a métrica utilizada pelas casas de apostas para representar suas receitas brutas e é utilizada para calcular as destinações sociais, incluindo os impostos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Esse modelo híbrido é o que o mercado chama de revshare e pode ser calculado diretamente sobre as perdas dos usuários que clicaram no link do influenciador ou em combinações prévias mais arrojadas. Um exemplo que se tornou público foi o da influenciadora Virgínia Fonseca, que, durante a CPI das Bets no Senado, evidenciou que seu contrato com uma grande empresa de apostas incluía um “bônus” de 30% se a casa duplicasse seus ganhos no período em que ela fazia a divulgação – como já sabemos a essa altura, isso se dá com uma parte de cada aposta e, mais massivamente, em tudo que se perde, já que a casa ganha sempre.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os influenciadores frequentemente aparecem demonstrando os jogos, exibem bônus e quase sempre aparecem com saldo significativo de ganhos, gravando reações sobre o montante. Amaral conta que esse é um recurso de marketing de experimentação comum no ambiente das apostas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“É um modelo que existe em vários formatos, em aplicativos paralelos, onde o influenciador consegue jogar com uma banca infinita. Ele aparece jogando como se estivesse com muito dinheiro — parece que está apostando R$ 100 mil reais, mas na verdade são 100 mil fichas, sem valor real”. A vontade de participar e também ganhar, no entanto, é mais que verdadeira e muita gente aproveita o convite bonificado para se aventurar, o que o especialista em cassino entende como previsível e de praxe: “Está comprovado: quando você mexe com os pecados capitais, você converte mais.”</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="119" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783421098_734_como-bets-garantem-que-jogador-sempre-perca.png?resize=640%2C119&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-252835"  /></p>
<h2 class="wp-block-heading">“Pode isso, Galvão?“</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Seja para controlar a indução dos usuários a perdas ou para garantir a integridade do ambiente de apostas, todos os especialistas ouvidos pela Pública põem as fichas na fiscalização governamental e em uma regulação mais detalhada para impedir excessos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Hoje em dia, ele está até mais justo do que já foi. Por dois motivos. Primeiro, porque o mercado está regulamentado. Um mercado regulado é, por definição, mais justo do que era antes — antigamente, era o velho oeste, o ‘mato’”, defende Carlos Amaral.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Como profissional, acredito que a responsabilidade não está apenas no operador, mas também na regulação, educação financeira e maturidade do mercado como um todo. O mesmo sistema que pode ser usado de forma abusiva também pode ser desenvolvido com foco em transparência, controle e jogo responsável”, opina o desenvolvedor Leandro Melo da Costa.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para o professor de mídias digitais da UFRB Daniel Marques, apenas a regulação ainda não é suficiente para garantir segurança para os usuários. “A Lei 14.790/2023 e a Portaria SPA/MF nº 722/2024 avançaram ao exigir avisos de jogo responsável, mecanismos de autoexclusão e limitação de gasto, mas ainda não é suficiente. Acredito que é possível disputar o design dessas plataformas, mas isso exige um marco regulatório que incorpore parâmetros éticos para o design e não apenas para o conteúdo exibido”, avalia.</p>
<h2 id="at-2579940" class="c-accordion__title js-accordion-controller" role="button">Para não restar dúvidas</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Como as bets fazem o usuário perder?</p>
<p class="wp-block-paragraph">As bets usam matemática, odds com margem da casa, design persuasivo e dados de comportamento para manter o jogador apostando até perder no longo prazo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">As casas de apostas sempre ganham?</p>
<p class="wp-block-paragraph">Sim. A reportagem explica que a estrutura do jogo é montada para dar vantagem estatística à casa, mesmo quando o usuário tem ganhos pontuais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O que é RTP nas bets?</p>
<p class="wp-block-paragraph">RTP é o retorno teórico ao apostador. Quanto menor o RTP, maior tende a ser a vantagem da casa e menor a chance de ganho do jogador no longo prazo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O que é near miss nas apostas?</p>
<p class="wp-block-paragraph">Near miss é o “quase ganhar”. É um recurso visual e psicológico que faz o jogador sentir que está perto do prêmio e continuar apostando.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O que as bets monitoram do usuário?</p>
<p class="wp-block-paragraph">Elas monitoram tempo de sessão, padrão de apostas, hesitação, saques anteriores, saldo, volume apostado e sinais de intenção de saída.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como o Pix ajuda as casas de apostas?</p>
<p class="wp-block-paragraph">O Pix facilita depósitos rápidos e reduz a percepção do gasto, porque transforma o pagamento em um gesto simples e quase automático.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O que são odds nas bets?</p>
<p class="wp-block-paragraph">Odds são as probabilidades convertidas em pagamento. A reportagem mostra que elas nunca são justas, porque já incluem a margem da casa.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O cashout é vantajoso para o jogador?</p>
<p class="wp-block-paragraph">Pode ser, em casos específicos. Mas a reportagem destaca que a ferramenta também é usada para proteger a casa e capturar decisões emocionais do usuário.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como influenciadores ganham com bets?</p>
<p class="wp-block-paragraph">Eles atuam como afiliados e recebem comissão por indicação, muitas vezes ligada ao volume de perdas ou ao faturamento gerado pelos apostadores indicados.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A regulação resolve o problema das bets?</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ajuda, mas não resolve sozinha. A reportagem defende fiscalização, regras mais detalhadas e critérios éticos de design, além de educação financeira.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="178" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783421098_227_como-bets-garantem-que-jogador-sempre-perca.png?resize=640%2C178&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-257429"  /></p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>um jogo do Brasil visto pelos palestinos</title>
		<link>https://cliquenoticiasbrasil.com.br/noticias/um-jogo-do-brasil-visto-pelos-palestinos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 22:35:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cnb]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maha Mahmmoud Mourah recebeu a reportagem da Agência Pública na entrada do campo de refugiados de Burj Al Barajneh, no subúrbio sul de Beirute, capital do Líbano. Ela vestia uma abaya preta – traje tradicional islâmico que cobre o corpo feminino do pescoço aos pés – e um hijab de mesma cor – lenço tradicional [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Maha Mahmmoud Mourah recebeu a reportagem da Agência Pública na entrada do campo de refugiados de Burj Al Barajneh, no subúrbio sul de Beirute, capital do Líbano. Ela vestia uma abaya preta – traje tradicional islâmico que cobre o corpo feminino do pescoço aos pés – e um hijab de mesma cor – lenço tradicional usado por mulheres muçulmanas para cobrir os cabelos e orelhas – , deixando apenas seu rosto à mostra.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Era segunda-feira, 29 de junho, quase oito da noite no horário local. Faltavam poucos minutos para o jogo da Copa do Mundo entre Brasil e Japão – e a última vitória da seleção antes de ser eliminada pela Noruega -, quando a palestina de 57 anos começou a guiar a reportagem pelas vielas do campo, decoradas com bandeiras do Brasil. Ela explicou o motivo de tamanha identificação dos palestinos com o Brasil. “Brasileiros são como nós. Também são pobres. E o governo brasileiro gosta do povo palestino, critica Israel abertamente”, disse.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para ela, no entanto, o clima de Copa do Mundo este ano está longe de ser o mais feliz. “Desde o genocídio em Gaza, a Copa faz menos sentido para nós”, relatou Maha. “Em outras Copas, o campo inteiro fazia uma enorme festa, mas agora não temos motivo para celebrar, nosso povo está sendo massacrado mais uma vez.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nesta segunda-feira, dia 6 de julho, o Hamas anunciou a saída do órgão que governava Gaza desde 2007, pressionando para que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza siga com a condução. No mesmo dia, um ataque de Israel no sul do Líbano. Segundo a Al Jazeera, quatro pessoas foram mortas na área de Nabatieh al-Fawqa.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar do memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho, o qual inclui o fim das hostilidades no Líbano, e o suposto cessar-fogo em vigor no país desde 16 de abril, Israel continua ocupando cerca de 20% do território libanês e conduzindo ataques ao sul do país recorrentemente.</p>
<p>		Maha Mahmmoud em uma das vielas do campo de refugiados em Beirute durante o jogo do Brasil e Japão</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para a família de Maha, a tristeza durante a Copa carrega uma dura realidade. Sua irmã, que não vê há décadas e é casada com um palestino de Gaza, perdeu três de seus filhos em um ataque israelense e agora mora em uma tenda em Khan Younis, no sul do enclave.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Burj Al Barajneh tampouco foi poupado pelos israelenses na última guerra. Sendo um dos doze campos de refugiados palestinos no Líbano, faz parte do complexo suburbano de Dahieh, comumente tratado pela mídia hegemônica como “bastião do Hezbollah” – rótulo que ignora o caráter majoritariamente civil da população e a heterogeneidade dos grupos que compõem a região. Densamente povoada e com muitos moradores de baixa renda, Dahieh é alvo da maioria dos bombardeios israelenses à capital do país.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Uma viela em Beirute que lembra o Brasil</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Ao adentrar Burj Al Barajneh, é impossível não sentir uma espécie de déjà-vu em relação à configuração das comunidades brasileiras: construções simples e amontoadas, vielas estreitas, fiação exposta e pouca luminosidade. Outra semelhança marcante é o vácuo deixado pelo Estado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os campos de refugiados palestinos no Líbano são complexos e autônomos, cuja soberania hoje é dividida entre Fatah, Hamas e Jihad Islâmica. A UNRWA, agência da ONU para refugiados palestinos, é responsável pelos serviços básicos de assistência social, educação infantil, saúde, entre outros, dentro dos campos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Desde 1969, com o Acordo do Cairo, o governo do Líbano não exerce autoridade dentro dos campos. O acordo transferiu à OLP (Organização pela Libertação da Palestina) o controle sobre os campos à época, e se reconfigurou para abarcar outros grupos de resistência palestinos quando da saída da OLP do país em 1982, diante da invasão israelense.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Foi essa mesma invasão que forçou os pais de Maha, anfitriã da reportagem em Burj Al Barajneh, a se deslocar do sul do país para Beirute. “Meus pais são refugiados de 48”, me contou a palestina, se referindo ao ano de 1948, quando mais de 750 mil palestinos foram expulsos de seus territórios com a guerra deflagrada com a criação do Estado de Israel.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os campos de refugiados palestinos – não só no Líbano, mas em outros países vizinhos da Palestina, como Egito, Jordânia e Síria – foram construídos para serem temporários, até o momento em que os palestinos pudessem exercer o seu direito de retorno. No entanto, acabaram se tornando mais uma materialização da perenidade do não pertencimento, do não lugar de um povo inteiro.</p>
<h2 class="wp-block-heading">“Vovó, me dê 100 liras para jogar futebol”</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Como o jogo do Brasil ainda não tinha começado, Maha levou a reportagem a uma quadra de futebol para que um de seus sete netos, Mohammad, de 10 anos, se divertisse jogando bola com os amiguinhos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Pago 100 liras (cerca de 1 dólar) para cada hora que Mohammad brinca aqui”, explicou. “Esse é o único campo de futebol do campo de refugiados, os outros espaços são muito pequenos para brincar”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Maha relatou que, com as férias escolares de julho e agosto, as crianças do campo ficam ociosas por tempo demais e aquelas cujas famílias não têm dinheiro para pagar lugares de recreação ficam em casa por dias a fio, jogando no celular. “É uma situação muito complicada. Ele me pede: “Vovó, me dê 100 liras para jogar futebol’ – como vou dizer que não?”</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783377335_991_um-jogo-do-Brasil-visto-pelos-palestinos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Meninos jogam futebol em quadra cercada por tela, com um garoto no gol ao fundo e outros em movimento, vistos através da rede em primeiro plano." class="wp-image-258092"  /></p>
<p>		Mohammad se diverte com amigos na única quadra de futebol do campo de refugiados</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ali, mais uma semelhança com as comunidades brasileiras: o futebol como fonte de recreação e escape da realidade de pobreza vivida por crianças e adolescentes. Ao contrário do Brasil, no entanto, o esporte não representa uma via de ascensão social aos palestinos no Líbano. O status de refugiado se arrasta por gerações: a naturalização de refugiados palestinos é proibida no país, e a nacionalidade libanesa só é transmitida por descendência paterna, não por nascimento no território libanês. Sem cidadania, os palestinos não podem possuir imóveis e são proibidos de exercer mais de 30 profissões, entre elas as de maior potencial de ascensão econômica, como medicina e engenharia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Do campo de futebol, Maha levou a reportagem da Pública direto para um café-bar em que a partida entre Brasil e Japão seria emitida. O conceito desse estabelecimento do mundo árabe-muçulmano é diferenciado: um ambiente majoritariamente masculino – tanto os vendedores quanto os clientes – com bebidas que variam entre energéticos, cafés (quentes e gelados), cervejas sem álcool, e tudo regado a muito cigarro e shisha (ou narguilé, como conhecemos no Brasil). </p>
<p class="wp-block-paragraph">Foi ali, em um pequeno salão cheio de cadeiras de plástico e sob fotos de Yasser Arafat, líder do Fatah e da OLP e, ele mesmo, morador dos campos de refugiados no Líbano antes de sua expulsão pelos israelenses em 1982, que assistimos ao jogo. Homens de todas as idades se amontoavam para acompanhar os passes e crianças vestiam a camiseta da seleção brasileira, vibrando a cada passe do time.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783377335_547_um-jogo-do-Brasil-visto-pelos-palestinos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Homens e um menino assistem a um jogo de futebol da Copa do Mundo em uma TV dentro de um pequeno comércio, sentados em cadeiras de plástico, com bebidas e ventiladores ao redor." class="wp-image-258093"  /></p>
<p>		Palestinos assistem a partida entre Brasil e Japão em café-bar no campo de refugiados</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Qual o seu jogador favorito?” Perguntou a reportagem a Abdul, de 7 anos, que acompanhava o pai para assistir à partida. “Neymar!”, respondeu o menino, mostrando o número 10 estampado nas costas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Maha preferiu ficar do lado de fora do café-bar e, quando questionada sobre o porquê, sorriu timidamente e disse que mulheres se sentem um pouco inadequadas de estar nesses locais. A repórter da Pública era, portanto, a única mulher presente – o que não pareceu incomodar os demais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O primeiro gol do Japão foi marcado por indignação e inquietude. Um dos presentes até gritou para o garçom: “traz uma cerveja (sem álcool), por favor!”. Conforme a tensão da partida crescia e o primeiro gol do Brasil demorava a acontecer, outros vários homens foram se juntando ao grupo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já no segundo tempo, quando o volante Casemiro marcou o primeiro gol brasileiro da partida, os gritos e buzinas inundaram o campo. “Sou fã do Brasil desde 2010, quando eu tinha 10 anos”, contou Mustafa Achwah à reportagem em meio às comemorações. O diretor de filmagem, de 27 anos, explicou que torcer para o Brasil faz parte da formação dos meninos do campo desde pequenos. Seus avós, que também se refugiaram no Líbano em 1948, se apaixonaram no campo de Burj Al Barajneh e deram origem à família de Mustafa.”</p>
<p class="wp-block-paragraph">Até quase o final do jogo, com o empate entre os times, o silêncio na plateia era homogêneo. Foi só com gol que marcou a virada brasileira aos 50 minutos do segundo tempo que a comemoração tomou conta do campo novamente. Motos invadiram as vielas buzinando, Mustafa e seus amigos saíram balançando uma enorme bandeira brasileira, enquanto crianças gritavam, pedalando suas bicicletas de um lado para o outro.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Até que Maha finalmente apareceu. “O Brasil ganhou!”, ela disse. “A Palestina pode sorrir hoje”. </p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="429" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/cliquenoticiasbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1783377336_888_um-jogo-do-Brasil-visto-pelos-palestinos.jpg?resize=640%2C429&#038;ssl=1" alt="Mustafa encara a câmera em uma rua com bandeiras do Brasil ao fundo, à noite, enquanto outras pessoas circulam para assistir ao jogo da Copa do Mundo atrás dele." class="wp-image-258094"  /></p>
<p>		Torcer para a seleção brasileira é parte da formação dos meninos no campo de refugiados. Mustafa é fã do Brasil desde os 10 anos</p>
<h2 class="wp-block-heading">Palestina: mais de mil dias de guerra</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Os ataques israelenses à Faixa de Gaza completaram mil dias na última quinta-feira, 2 de julho. Um estudo independente publicado em fevereiro de 2026 na revista científica The Lancet Global Health estima que desde 8 de outubro de 2023, as forças militares de Israel mataram 75,2 mil pessoas em Gaza, das quais 22,8 mil eram crianças. Outras mais de 12,2 mil pessoas continuam desaparecidas, permanecendo incerto se estariam mortas, deslocadas sem comunicação, ou detidas por Israel em circunstâncias não documentadas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Desde o anunciado cessar-fogo, estabelecido em outubro de 2025, as forças israelenses mataram mais de mil palestinos no enclave.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O Líbano, vizinho da Palestina ocupada, abriga em torno de 250 mil refugiados palestinos, em sua grande maioria descendentes de refugiados das guerras de 1948 – criação do Estado de Israel –  e 1967 – guerra dos seis dias, em que se deu a ocupação da Cisjordânia e Gaza pelas forças israelenses. De acordo com a UNRWA, Agência de Refugiados da ONU para refugiados palestinos, 80% dos palestinos no Líbano vivem abaixo da linha da pobreza.</p>
<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Ministério da Saúde libanês, desde março de 2026, mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas no Líbano por conta dos ataques israelenses, que mataram 4.301 pessoas e deixaram 12,1 mil feridos.</p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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		<title>bancada no Senado pressiona por votação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação CNB]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 17:44:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Clique Notícias Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Senadores da bancada conservadora no Senado, entre eles Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), fazem pressão para votar, no plenário da Casa, ainda esta semana, o projeto de lei que regulamenta o ensino domiciliar, também conhecido como homeschooling. Assim, eles pretendem pular a etapa de tramitação na Comissão de Educação e [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Senadores da bancada conservadora no Senado, entre eles Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), fazem pressão para votar, no plenário da Casa, ainda esta semana, o projeto de lei que regulamenta o ensino domiciliar, também conhecido como <em>homeschooling</em>. Assim, eles pretendem pular a etapa de tramitação na Comissão de Educação e Cultura, presidida atualmente pela petista e atual líder do governo, Teresa Leitão. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Na terça-feira passada, 30 de junho, os senadores apresentaram um pedido de urgência, com 25 assinaturas, para que o projeto seja apreciado imediatamente. “Esse protelamento causa insegurança jurídica, desespero em jovens, adolescentes e crianças, famílias vivendo em insegurança”, disse Malta, autor do pedido de urgência.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O PL 1.338/22 foi aprovado na Câmara dos Deputados e está parado no Senado desde 2022. A proposta de regulamentação do ensino domiciliar é vista com preocupação por entidades que defendem o direito à educação, como o Unicef, que alerta para os riscos e impactos negativos dessa modalidade de ensino. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Em 2022, a Agência Pública revelou, em reportagem com a<em> OpenDemocracy,</em> que a principal associação promotora do ensino domiciliar no Brasil distribuía materiais que defendiam explicitamente a violência física contra crianças como ferramenta educativa. Castigos físicos na educação são proibidos por lei no Brasil. A reportagem também mostrou como atuava a rede que promovia lobby pela regulamentação do homeschooling no Congresso e como defensores do ensino domiciliar utilizavam argumentos religiosos e versículos da Bíblia para justificar violência contra crianças na educação domiciliar. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Renato Godoy, gerente de relações governamentais do Instituto Alana, que atua pelo direito das crianças, é contrário à medida. Ele aponta algumas questões que não ficam claras na proposta como, por exemplo, quais serão as fontes de financiamento, uma vez que a proposta prevê etapas de fiscalização e acompanhamento da aprendizagem dos estudantes em modalidade domiciliar, o que pode, segundo ele,  “gerar um grande custo para estados e municípios, que já têm os cofres limitados”.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em um país como o Brasil, o ensino domiciliar é um “debate anacrônico, que serve ao interesse de poucas pessoas”, segundo Godoy, porque a maioria dos familiares depende da escola para poder trabalhar. “A escola é um espaço de acesso a inúmeros direitos, não apenas à educação, como também à alimentação adequada e saudável, à diversão. Várias violações de direitos de crianças e adolescentes, incluindo abuso sexual e doméstico, muitas vezes, só são identificadas na rede educacional presencial”, explica. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Para ele, a defesa do homeschooling estabelece uma falsa dicotomia entre o direito à educação e o direito das famílias de escolher a educação dos seus filhos. “A educação brasileira já prevê o direito de escolha das famílias, de escolherem entre educação privada ou pública, por exemplo, religiosa ou não”, diz. </p>
<p class="wp-block-paragraph">“Ao decidir por uma educação no ambiente domiciliar, a família priva a criança do direito de convivência comunitária, em sociedade, o que é fundamental para a formação de cidadãos”, diz. “Sem contar que o PL fala que o pai ou a mãe deve ter algum tipo de formação universitária, relegando a um segundo plano a importância da Pedagogia”, acrescenta. </p>
<h2 class="wp-block-heading">Risco de maior exposição a telas</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Além das várias consequências negativas apontadas, Godoy acrescenta que o ensino domiciliar pode deixar as crianças e adolescentes mais expostos às telas. “Houve um ganho grande de qualidade de atenção com a proibição do uso do celular nas escolas”, considera. </p>
<p class="wp-block-paragraph">No primeiro ano de implementação da Lei 15.100/2025, que restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais para fins não pedagógicos, uma pesquisa nacional com gestores das escolas públicas e privadas, conduzida pelo Ministério da Educação (MEC) mostrou que 95% dos respondentes concordaram que a proibição contribuiu para uma maior concentração dos estudantes. Outros 95% concordaram que a medida estimulou a socialização presencial entre os estudantes e 88% relataram que ela contribuiu para redução de conflitos, agressões digitais e cyberbullying. </p>
<p><em>Com informações da <strong><a href="https://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Agência Pública</a></strong></em></p>
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