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Mãe solo busca pensão para filha em ação da Defensoria no AM

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) levou atendimento jurídico à comunidade ribeirinha Foz do Canumã, em Borba, a cerca de 12 horas de barco da sede do município. Nesta quinta-feira (7), a jovem Kythe Vitória, de 20 anos, procurou o serviço para dar entrada no pedido de pensão alimentícia da filha, Helena, de dois anos.
A ação faz parte do programa “Defensoria Tá na Área”, que percorre regiões remotas do estado com serviços nas áreas de Família e Registros Públicos. Antes de chegar à comunidade ribeirinha, a iniciativa também passou pelas Terras Indígenas Kwatá-Laranjal, dentro da programação do Mês da Defensoria.
Atendimento garante acesso a direitos básicos
Logo no início dos atendimentos, Kythe foi uma das primeiras pessoas assistidas pela equipe jurídica. Com a filha no colo, ela buscou formalizar o pedido de pensão alimentícia, direito previsto em lei e essencial para garantir alimentação, moradia, educação e outras necessidades básicas da criança.
Emocionada após o atendimento, a jovem destacou a importância da chegada da Defensoria à comunidade.
“O dia a dia de cuidados com ela (a filha) é muito sofrido e é uma rotina muito pesada para mim. Aqui, um pacote de fraldas chega a custar R$ 70 e dependemos das nossas vizinhas, às vezes. Foi uma maravilha a Defensoria aqui, porque dá uma esperança”, disse.
Maternidade solo e desafios no interior do Amazonas
Durante o retorno para casa, Kythe relatou a própria trajetória. Ela engravidou aos 17 anos e, três meses após o nascimento de Helena, o pai da criança deixou a família. Na época, ela cursava o Ensino Médio, mas precisou interromper os estudos para se dedicar integralmente à filha.
A rotina diária também expõe as dificuldades de deslocamento. Após caminhar por uma estrada asfaltada, ela ainda precisa atravessar áreas de mata até chegar à própria residência, localizada em uma região mais isolada da comunidade.
A casa de madeira, cercada por vegetação e um igarapé, reflete a realidade de muitas famílias ribeirinhas da região.
Com a filha no colo, Kythe reforçou o impacto do atendimento e o que espera a partir do início do processo.
“Com o valor da pensão, eu vou poder comprar coisas melhores para a Helena. Como mãe, eu sonho um futuro diferente para ela, que ela siga outro caminho, focando nos estudos. O que eu fiz hoje foi um primeiro passo para isso e para que eu consiga terminar os estudos em paz e trabalhar”, acrescentou.
Família celebra avanço e acesso à documentação
A mãe de Kythe, Valdemarina Mendonça, de 62 anos, também foi atendida pela Defensoria. Ela buscou a emissão da segunda via da certidão de nascimento para iniciar o processo de aposentadoria.
Para ela, o momento mais marcante foi ver a filha buscar os direitos da neta.
“O choro dela é o meu, porque somos só nós três em casa, só mulheres. É uma vida difícil, porque para sair daqui precisa pegar a catraia e pagamos caro para chegar até a cidade. Agradeço a Deus a chegada da Defensoria, uma benção mesmo, porque conseguir tirar documentação e dar entrada nesse processo dela de graça, isso para a gente é tudo”, afirmou.
Defensoria reforça acesso à Justiça no interior
A Defensoria Pública do Amazonas destaca que mulheres em situação semelhante podem buscar atendimento para dar entrada em pedidos de pensão alimentícia e outros serviços jurídicos.
Os agendamentos podem ser feitos pelo site https://atendimento.defensoria.am.def.br e pelo WhatsApp (92) 98559-1599.
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