Cidades
Dívida de R$ 19 mil com agiotas teria motivado chacina que matou três em Manaus
Uma dívida de aproximadamente R$ 19 mil com agiotas teria motivado a chacina em Manaus que deixou três pessoas mortas e uma mulher gravemente ferida, na madrugada de segunda-feira (17), no bairro São Geraldo, zona centro-sul. Segundo a Polícia Civil, o ataque teria ocorrido após o suspeito procurar dinheiro na residência do ex-sogro. Além disso, a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) detalhou nesta terça-feira (18) como a ação aconteceu e o que teria levado o homem ao imóvel.
De acordo com a investigação, Ezenilson Silva de Souza, de 43 anos, foi até a casa do ex-sogro, Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos, para pedir dinheiro. Antes disso, o idoso já havia ajudado o ex-genro em outras ocasiões. Dessa vez, porém, Francisco teria recusado o pedido.
A negativa, então, teria provocado uma discussão. Conforme a polícia, Ezenilson já carregava um martelo e usou o objeto para atacar Francisco. O idoso morreu ainda no local.
O delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS, afirmou que a principal linha de investigação aponta para uma motivação patrimonial.
“A motivação do crime foi patrimonial, uma vez que o indivíduo foi até a residência do ex-sogro a fim de conseguir dinheiro para pagar a dívida com agiotas.”
Ataque deixou três mortos
Após os primeiros gritos, Isabella Coelho Morais, de 29 anos, filha de Francisco, acordou e foi até o local para entender o que acontecia. No entanto, segundo a polícia, ela também foi atacada.
Isabella ficou gravemente ferida e desacordada. Em seguida, Guilherme Pereira Lima Filho, de 65 anos, professor universitário que morava no primeiro andar do imóvel, ouviu a movimentação e subiu para verificar a situação.
De acordo com a investigação, Guilherme entrou em luta corporal com Ezenilson. Apesar da reação, o professor acabou atingido e morreu.
Uma mulher de 53 anos, que morava no térreo, também ouviu os gritos e subiu para verificar o que acontecia. Na sequência, ela acabou atacada e ficou gravemente ferida.
Atualmente, a vítima permanece internada. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), ela passou por exames e por um procedimento cirúrgico. Por enquanto, o quadro é considerado estável, mas ela segue sob cuidados intensivos da equipe multiprofissional.
Suspeito procurou dinheiro após ataques
Depois de atacar as vítimas, Ezenilson teria permanecido dentro da residência em busca de dinheiro. Durante a ação, segundo a DEHS, ele encontrou um pequeno cofre com cerca de R$ 900, pertencente a Francisco.
Além disso, o suspeito teria levado aproximadamente três celulares das pessoas que estavam na casa. Posteriormente, a polícia recuperou um dos aparelhos.
Conforme o relato de Ezenilson, ele descartou os outros celulares porque acreditava que os aparelhos poderiam ser rastreados. Da mesma forma, o martelo usado no ataque foi jogado nas proximidades da residência, em uma área próxima a um córrego.
Depois disso, segundo a investigação, Ezenilson teria procurado o agiota para tentar pagar parte da dívida, antes de cometer a chacina em Manaus.
Câmeras ajudaram polícia a chegar ao suspeito
A investigação avançou rapidamente a partir de imagens de câmeras de segurança. Nas gravações, os investigadores identificaram uma pessoa chegando à residência por volta das 5h30.
Segundo o delegado Ricardo Cunha, o homem estacionou uma motocicleta do outro lado da rua e entrou na casa pulando o muro. Em seguida, permaneceu no imóvel por cerca de duas horas e meia e saiu por volta das 7h, carregando objetos.
“De forma ininterrupta, nossas equipes conseguiram imagens de câmeras de segurança e, a partir das filmagens, conseguimos identificar uma pessoa que chegou ao local por volta das 5h30, estacionou a motocicleta do outro lado da rua e entrou na residência pulando o muro.”
Além das imagens, os investigadores analisaram características físicas do suspeito, da motocicleta e do capacete usado no momento da invasão. Outro elemento também chamou a atenção: nas gravações, o homem aparece entrando na residência com uma bolsa transversal, que posteriormente foi relacionada ao suspeito.
Com o avanço das diligências e os depoimentos de testemunhas, os policiais chegaram a Ezenilson. Depois da abordagem, segundo a DEHS, ele confessou o crime.
“Além da semelhança física, essa pessoa possuía uma motocicleta com características muito semelhantes à que aparece nas imagens. O capacete utilizado também apresentava características semelhantes.”
Polícia refez dinâmica no local
Após a confissão, os policiais retornaram à residência com o suspeito para entender todos os detalhes do ataque. Ao mesmo tempo, a perícia voltou ao imóvel para auxiliar na reconstrução da dinâmica do crime.
“Foi necessário retornar ao local do crime para compreender toda a dinâmica dos fatos. Acionamos novamente a perícia, já no início da noite, e, no local, o autor relatou com detalhes como ocorreu toda a ação criminosa”, afirmou Cunha.
Durante as diligências, a polícia apreendeu a motocicleta utilizada no crime, o capacete, o cofre retirado da residência e o celular do professor universitário.
Por fim, Ezenilson foi autuado em flagrante por latrocínio e tentativa de latrocínio. Ele deve passar por audiência de custódia e permanecerá à disposição da Justiça.
Enquanto isso, a Polícia Civil continua as investigações para esclarecer todos os detalhes da chacina que chocou Manaus.
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